Monday, October 31, 2005

DICAS DE LIVROS

A POESIA DOS DEUSES INFERIORES - SÉRGIO VAZ
VÃO - ALLAN DA ROSA
GRADUADO EM MARGINALIDADE - SACOLINHA
O TREM - ALESSANDRO BUZO
ÀS CEGAS - LUIZ ALBERTO MENDES
HIP HOP A LÁPIS - TONI C / COLABORADORES
HIP HOP (CONCIÊNCIA E ATITUDE)- BIG RICHARD
MANUAL PRÁTICO DO ÓDIO - FERREZ
O RASTILHO DA PÓLVORA - SARAU DA COOPERIFA

CD DE POESIA DA COOPERIFA

VEM AÍ O CD DE POESIA DA COOPERIFA.
NUMA PARCERIA COM O INSTITUTO ITAU CULTURAL A COOPERIFA VAI LANÇAR UM CD POÉTICO COM OS POETAS DA COOPERIFA. EM BREVE.

SABOTAGE

SABOTAGE (O INVASOR)


MAURO
ERA UM NEGRO DE ASAS.
UM PÁSSARO
COM OS PÉS NO CHÃO.
SOM DE ÉBANO
COM PELE DE COURO,
O MOURO FEZ NINHO NO CANÃO.
O PASSADO,
QUE O FUTURO QUERIA
ESCRITO EM CARVÃO,
DEIXOU DE SER PÓ
PRA SER PÃO,
AO SE VICIAR EM POESIA.
O POETA
DE PLUMAS NEGRAS
E VOZ DE PEDRA
CRAVOU TEU CANTO
PRETO E BRANCO
NAS VIDRAÇAS
DO MUNDO COLORIDO.
FILHO BANTO
EM CARBE E CARCAÇA
SERVIU A TAÇA
COM VIDRO MOÍDO
AOS TRAIDORES DA RAÇA.
NAVEGANTE
DE MARES INSOLENTES
SUA BÚSSOLA
APONTAVA SEMPRE PARA A PERIFERIA.
A RIMA ERA O RUMO
O REMO DA SINA.
NO AR,
COMO FUMAÇA DE FUMO
E VERMELHA RETINA,
ERA FRIO
ERA QUENTE,
MAS NUNCA BANHO-MARIA.
UM DIA
NUM VÔO CURTO
DEPOIS DE UMA LONGA METRAGEM
UM DISPARO SEM ROSTO
UMA BALA SEM GOSTO
CALOU O PERSONAGEM.
DIANTE DISSO
E SEM NOS ESRERAR
DESFEZ O COMPROMISSO
SEGUIU DE VIAGEM
E FOI CANTAR EM OUTRO LUGAR,
NUM BOM LUGAR.


SÉRGIO VAZ

Jujú carabina

Jujú carabina

Não acredito em bruxas
Nem acredito em duendes,
Mas conheço uma menina
Que come cristais
E boceja estrelas.
Ela planeja o sorriso
Como quem maneja
Uma vara de condão.
A porta dos olhos-
Sempre aberta-,
São para levá-la a outros
Planos astrais.
satélite
Com asas de borboletas,
Ela navega pelo universo
Lépida como um poema
Que acaba de acordar.
Mas o que quer a espoleta
É encabular o verso
Desarrumar teoremas
Só pra gravitar
Na órbita dos mortais.
No mundo da lua
Todos conhecem essa fada traquina
Que encarnou na plenitude
A sua alma de menina
Para a infinitude
Dos seus ancestrais.
Por aqui
É comum vê-la,
Quando despenca das nuvens,
Dando nome as flores
Ou simplesmente
Regando sonhos nos
Quintais.

Sérgio Vaz

Se liga na programação!!!

Palavras do Subterrâneo: a teoria na prática é outra

O projeto Palavras do Subterrâneo: a teoria na prática é outra pretende, através de vários painéis de debates, "dar voz" à palavra/literatura marginal. Essa primeira edição contemplará à oralidade e a palavra escrita oriunda do movimento Hip-Hop.

Quarta-feira, dia 2, às 15h - Sem Palavras
Com Juarez Xavier - prof. universitário
Arnaldo Tifú - poeta, compositor e MC
Mediador: Marcelo Buraco - Nação Hip-Hop Brasil
DJ e MC: Raskas
Após debate haverá uma Batalha de Improviso.

Quinta-feira, dia 3, às 19:30 - Difusão da Palavra
Com Andréia Daltoso - Jornalista e autora de Um Olhar Além dos 4 Elementos
Paulo Shetara - autor do livro A Nação Hip-Hop
Mediadora: Andreia de Almeida - atriz e diretora teatral

Sexta-feira, dia 4 às 19:30 - Grito Marginal
Com Elaine Nunes de Andrade prof. doutora e autora de Rap e Educação, Rap é Educação
Erton de Moraes - Filosofo, poeta, músico e escritor. Fundador do movimento Trokaoslixos
Mediador: Toni C. - Organizador e coordenador editorial de Hip-Hop a Lápis - O livro e editor da coluna do Portal Vermelho

Sábado, dia 5, às 19:30 - Ritmo e Poesia
Com "SERGIO VAZ" - poeta e idealizador do Sarau da Cooperifa*
Jubileu - Poeta
Mediador: Zhô Bertholini poeta e editor da revista A Cigarra
Após o debate: Sarau da Cooperifa

Atividades Paralelas:
Exibição dos documentários Vinte Dez (Tata Amaral) e Grito da Periferia (Tv Cultura)
Exposição de fanzines e publicações do acervo da Casa de Hip-Hop de Diadema e outros; exposição de Cartoons de autoria de Marcelo Dopi.

Local: Casa da Palavra - Praça do Carmo, 171, Centro - Santo André
Informações: 4992-7218 e 4427-7701

ANIVERSARIO DO SARAU DA COOPERIFA

DIA 13 DE NOVEMBRO A COOPERIFA VAI COMEMORAR 4 ANOS DE SARAU. AGENDE-SE POIS VAMOS PASSAR O DOMINGO CURTINDO UMA CERVEJA E UM BOM CHURRASCO.

SARAU DA COOPERIFA NA LONA DA OCCA

O SARAU DA COOPERIFA VAI SE APRESENTAR NA LONA DA OCCA DO CAMPO LIMPO. NÃO PERCA NESTA SEXTA-FEIRA 04.11 A PARTIR DAS 19HS. O MELHOR DA CULTURA POPULAR COM NTRADA FRANCA.

RUA LOUIS BOULANGRE, S/N
PRAÇA DO CAMPO LIMPO

SARAU DA COOPERIFA NO CORREDOR LITERÁRIO

A cooperifa participou do encerramento do corredor literário na avenida paulista. Um sarau digno do Zé Batidão foi realizado para as pessoas que moram no centro de São Paulo. O sarau ocupou o coração dos presentes, que não foram poucos, com a sua poesia feita pelo povo da periferia. Muita gente se emocionou com os poetas que enfrentaram a garoa e a distância para que a palavra fosse comungada de forma honesta e democrática. Quem não viu, perdeu. Aliás quem ainda não se ligou "está perdendo o trem da história".

SARAU DA COOPERIFA

O sarau da cooperifa no dia de finados acontece normalmente

ADEUS

Adeus


Faltam-me palavras
A lâmina do medo
Percorre minha garganta
Tenho medo de soprá-las
E manchar meu corpo de sangue
Com o veneno da minha calma.

Sigo sem nome.

Falta-me luz
A sombra em círculos
Rastreia meu caminho de pedras
Que se amontoam em minha frente.
Tenho medo de topa-las
No escuro do deserto
E cair em braços diferentes.

Sigo sem rumo.

Faltam-me gestos
O silêncio do corpo
Devora minha alma
E a calma se manifesta
Em braços pálidos
E em passos curtos.
Tenho receio de dançar
No sustenido mortal desta orquestra
Regida pelo labirinto da vida.

Sigo imóvel.

Falta-me alegria
O espinho das lágrimas
Espetam minha face
Falida de afagos,
E a adaga triste da solidão
Fere meus lábios,
E com a ferrugem do meu beijo
Tenho medo de contaminar
A multidão.

Sigo triste.

Falta-me ar,
Adeus.




Sérgio vaz

ACORDAR

Acordar


Todo dia
Toco minha canção para os surdos
E para os intrusos do meu coração.
Solto meu poema
Para os olhos curtos
De longa duração
E mudo se faz o problema.
A selva me espera
E ingênuo reúno meu exército
Para batalhas que se travam nas sombras.
O peito em chamas
Chamusca os desavisados
E a brasa tosta os dormente
Que se recusam ao refrão -que sono é esse?
Domador de dias cinzentos,
Cutuco as feras
Com moinhos de ventos
E com as varas curtas
Desafio o firmamento.
À caça
Lambedor de feridas!
Porque a fera que dorme em você
Deita no seu pensamento
E você pode ser a comida.


Sérgio Vaz

Saturday, October 29, 2005

De quatro estações

De quatro estações



Ao entardecer
O outono descansa
No dorso alegre do verão.
As flores,
Doente de afagos,
Assistem ao passeio triste
Das sombras que se espalham
Tímidas pelo chão.
O outono,
Carente de folhas,
Flerta com a rosa-
Filha caçula da primavera.
Alheio a tudo
Um espinho troca beijos
Com uma borboleta.


Sérgio Vaz

Cotidiano

Cotidiano



O destino é o jogo dos deuses.
Sabendo disso
O peão montou no cavalo
Subiu na torre
E seqüestrou a rainha,
Na frente do bispo
Para surpresa do rei,
Que se distraía
Numa partida de dominó
Quando tudo isso acontecia.


Sérgio Vaz

A última dose

A ÚLTIMA DOSE


Só depois do último copo
De carregar a última cruz
De discutir o único voto
E de apagar a última luz.
Só depois da saideira
Da última canção
De arrancar a última nota
Da carteira e do violão.
Só depois da última dose
De sorrir o último sarro
E de amargar a última cirrose.
Só depois do último gol
De sambar com a única dama
Ser tema do último show
E de pendurar a última Brahma.
Só depois de extorquir a última graça
De relembrar a última festa
De esquecer a última desgraça
E de esperar pela próxima sexta.
Só depois de cerrar a última porta
De trançar numa única perna
De girar os olhos na última volta
E de beijar a última brasa
É que eu vou me perguntar
Se estou indo pra casa
Ou se estou saindo do lar.

Sérgio Vaz

Sergio Vaz e GOG no sarau da Cooperifa

Lançamento do livro Pensamentos Vadios na rocinha

Prorrogação

Prorrogação


Quando moleque
Todos queriam ser jogadores
De futebol.
Eu, apesar da idade,
Confesso que ainda quero.
Mas tempo passou,
O Morumbi
E o Maracanã
Envelheceram em mim.
A memória –estádio vazio-,
Toma dribles
Maravilhosos da lembrança,
E, apesar da beleza do lance
Chego sempre por trás
E faço falta,
Eu faço muita falta em mim.
Apesar dos intervalos
Há partidas inesquecíveis,
Momentos inenarráveis,
De meninos sábios e imortais,
Sem presente e sem futuro,
Deslizando sobre o chão.
Hoje,
Aquele campinho de terra
Que fecundava craques
É um grande cemitério,
E muitos deles estão ali,
Enterrados com seus sonhos,
Antes mesmo do jogo acabar.
Outros tantos,
Por desrespeitarem as regras,
Fizeram pênaltis desnecessários,
O juiz mandou-os mais cedo para o chuveiro,
Mas continuam a cometer faltas
Sem se importar com o adversário,
Sem se importar com a cor da camisa.

Às vezes,
quando a dor sai do vestiário
e a saudade entra em campo,
Faço um minuto de silêncio
Deixo rolar uma lágrima
E jogo por eles a prorrogação.


Sérgio Vaz

Thursday, October 27, 2005

A poesia

A poesia
é o esconderijo
do áçucar e da pólvora.
Um doce
uma bomba
depende de quem
devora.

sérgio vaz