Prezado Senhor Futuro, Com a minha maior consideração: Estou lhe escrevendo esta carta para pedir-lhe um favor. O senhor saberá desculpar-me o incômodo. Não, não tema, não é que queira conhecê-lo. O senhor há de ser muito solicitado, haverá tanta gente que quererá ter o prazer; mas eu não. Quando alguma cigana me toma a mão para ler-me o porvir, saio correndo em disparada antes que ela possa cometer tal crueldade. E, no entanto, você, misterioso senhor, é a promessa que nossos passos perseguem querendo sentido e destino. E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde o senhor nos espera. A mim e aos muitos que não acreditamos nos deuses que nos prometem outras vidas nos mais longínquos hotéis de Mais Além. E aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam, como se fosse uma bola. Jogam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A este passo, temo, mais cedo do que tarde, o mundo poderá ser não mais do que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem ar e sem alma. Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estar, para ser, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo. Que o senhor nos ajude a defender a sua casa, que é a casa do tempo. Quebre-nos esse galho, por favor. A nós e aos outros: aos outros que virão depois, se tivermos depois. Saúda-te atentamente, Um Terrestre |
Tuesday, January 31, 2006
EDUARDO GALEANO
| Eu apresento a página branca. Contra: Burocratas travestidos de poetas Sem-graças travestidos de sérios Anões travestidos de crianças Complacentes travestidos de justos Jingles travestidos de rock Estórias travestidas de cinema Chatos travestidos de coitados Passivos travestidos de pacatos Medo travestido de senso Censores travestidos de sensores Palavras travestidas de sentido Palavras caladas travestidas de silêncio Obscuros travestidos de complexos Bois travestidos de touros Fraquezas travestidas de virtudes Bagaços travestidos de polpa Bagos travestidos de cérebros Celas travestidas de lares Paisanas travestidos de drogados Lobos travestidos de cordeiros Pedantes travestidos de cultos Egos travestidos de eros Lerdos travestidos de zen Burrice travestida de citações água travestida de chuva aquário travestido de tevê água travestida de vinho água solta apagando o afago do fogo água mole sem pedra dura água parada onde estagnam os impulsos água que turva as lentes e enferruja as lâminas água morna do bom gosto, do bom senso e das boas intenções insípida, amorfa, inodora, incolor água que o comerciante esperto coloca na garrafa para diluir o whisky água onde não há seca água onde não há sede água em abundância água em excesso água em palavras. Eu apresento a página branca. A árvore sem sementes. O vidro sem nada na frente. Contra a água. Arnaldo Antunes |
Canção
| Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; - depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre de meus dedos colore as areias desertas. O vento vem vindo de longe,a noite se curva de frio; debaixo da água vai morrendo meu sonho, dentro de um navio... Chorarei quanto for preciso,para fazer com que o mar cresça, e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça. Depois, tudo estará perfeito; praia lisa, águas ordenadas, meus olhos secos como pedras e as minhas duas mãos quebradas. Cecília Meireles |
UM PEDIDO A VOCÊ
| Peço socorro ao mundo pelos menores abandonados, que muitas vezes batem à sua porta e que você nem vê. Peço socorro ao mundo pelas crianças sem vida, tantas vezes impedidas de nascer. Peço socorro pela prostituta, que você nunca tentou compreender, e pelo ladrão, que muitas vezes rouba pra comer. Peço socorro pelos marginais e pelos negros - não de pele mas de consciência-, pois foi você mesmo que os fez assim. E por essa geração insegura que dorme num amanhã nuclear. Peço socorro pelas crianças, com seu sorriso inocente. E por aquel suicida que você nem tentou entender, com quem você achou chato conversar... Peço socorro pela solidão tão presente nessas metrópoles urbanizadas, congeladas. E pelo louco sentimento que ainda resta nessa sua vida tão correta. Para o mundo, para a humanidade, e principalmente para você, porque ao seu lado pode existir uma pessoa como eu: pedindo, implorando auxílio. FERREIRA GULLAR |
O livro A Poesia dos deuses inferiores está chegando ao milésimo exemplar
| O livro A poesia dos deuses inferiores, de Sérgio Vaz, está chegando no seu milésimo exemplar. Lançado no final de 2004 o livro, editado de forma independente, está chegando ao final da primeira edição. Neste período não esteve à venda em nenhuma livraria. Foi comercializado de mão em mão, nas palestras, nas escolas nos bares, nas praças, diretamente ao leitor. As dificuldades para ser encontrado trouxe um certo desconforto para aqueles que não conseguiram, mas, em compensação, um certo charme para quem o adquiriu. Longe das livrarias, longe da mídia, longe das revistas literárias e longe de ser um ótimo livro de poesia, o poeta Sérgio Vaz, cumpre a sua sina, no mais velho e bom estilo Plìnio Marcos. Assim como Romário, o poeta persegue o seu milésimo, o milésimo exemplar. A luta para a segunda edição já começou. Últimos 50 exemplares!!!!!!!!!! A Poesia dos deuses inferiores (a biografia poética da periferia) Sèrgio Vaz R$ 15,00 |
SE LIGUE NA PROGRAMAÇÃO!
| Brecht e a Poesia de Resistência Tragam textos, poemas, cenas e outros. Tragam seus olhares sobre o mundo e seus corações. Poesia, irmãos! (Neste mesmo dia, escolheremos, juntos, um nome para os nossos encontros. Precisamos de um nome. Queremos um nome. Apareça e dê sua sugestão.) Sábado, dia 4/02, às 20h ! (atenção para o horário) Beltiquim - Rua Cel. Ferreira Leal, 98, Jd. Bonfiglioli - Butantã (próximo ao portão 3 da USP, travessa da Av. Eiras Garcia, palalela à Avenida Corifeu de Azevedo Marques). |
O AUTOR NA PRAÇA APRESENTA:
Tambores da Serra As manifestações populares são reinventadas O grupo Tambores da Serra - que transita pelo folclore com um pé na raiz e o outro na invenção musical - faz duas apresentações no Teatro Crowne Plaza. Os shows acontecem nos dias 7 e 8 de fevereiro, terça e quarta-feira, às 21 horas. O trabalho é autoral e popular, utilizando nas canções danças brasileiras e ritmos como maracatu, samba, frevo, Tambores de Minas, congo, afoxé e bumba meu boi, frevo e outros. O sincretismo musical fica por conta da origem de seus integrantes, que vieram de São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte. Os músicos de revezam em instrumentos como pandeirão, tambor-onça, caixa de cacuriá, alfaia, djembé, surdo, caixas, repenique, pandeiro, agogô, tamborim, congas e outros. “Nossa música tem uma poesia que flutua pelas montanhas, corre rios, chega às ruas de asfalto e traça um paralelo entre o mundo contemporâneo e a natureza, a política e a espiritualidade, o mundo de fora e o mundo de dentro. Não resgatamos o folclore, o trabalho é inventivo”, explica Pedro Calasso, fundador e compositor do grupo. No repertório músicas de Pedro Calasso como O Tambor, Folia de Rico, Tambores da Serra e A Coragem e o Medo. O Tambores da Serra nasceu em novembro de 2001 na Oficina de Arte e Cultura da Vila da Maromba, em Visconde de Mauá, na Serra da Mantiqueira. As apresentações iniciais foram nas ruas da cidade. A partir de 2003, foram mais de 50 apresentações em São Paulo e Visconde de Mauá, entre grandes e pequenos teatros, nos palcos e na rua. Em julho de 2005, três integrantes do grupo estiveram na Alemanha apresentando o trabalho sócio/artístico/cultural que desenvolvem em Mauá. Nessa primeira faze do trabalho o grupo tem um repertório afiado com 15 canções originais e prepara a gravação de seu primeiro CD. Integrantes: Pedro Calasso: paulistano, 28 anos, multi-instrumentista, compositor, cantor, artista plástico e luthier. Reside em Mauá há mais de 10 anos. Desde o ano de 2000, com o projeto Arquimedes, da Secretaria de Educação de São Paulo, participa de projetos que utilizam a arte como instrumento de inserção social. Realiza um trabalho vocacional com crianças e adolescentes em Visconde de Mauá, em conexão com Alemanha (onde esteve em julho passado) e África do Sul onde estará nos próximos meses. Diego Sanches: paulistano, 23 anos, percussionista, compositor, ator e capoeirista. Participa do espetáculo Ginga Original, há cinco anos. Morou no Rio de Janeiro, onde integrou o espetáculo O Incrível Encontro, na Fundição Progresso (agosto/1999 a novembro/2000). Gravou nos CDs: Rose, Obesa e Oferecida, da peça de Caio Andrade; banda Julgados Culpados; e o demo da banda. Marinaldo Marques: 33 anos, maranhense, luthier, dançarino, figurinista e percussionista, estudou no Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, em São Paulo, participou de diversos grupos de expressão cultural popular como a Cia. Boizinho de Cofo, do grupo Cachuêra, e do Cupuaçu, de Tião Carvalho. Luciano Camargo: paulistano, 29 anos, percussionista, dançarino, capoeirista, toca na bateria de duas Escolas e Samba do primeiro grupo de São Paulo. Juntamente com Diego Sanches, participa do espetáculo Ginga Original, do mestre de capoeira Brasília, desde 2002, onde apresenta diversos ritmos tradicionais: samba de roda, puxado de rede, cafezal e maculelê. Luciano Barbosa Diogo: 21 anos, nasceu no Mato Grosso do Sul e mora, há um ano e meio, em São Paulo. Em Campo Grande, trabalhou com inúmeros artistas locais como Jerry Espíndola, Celito Espíndola e Toniquinho da Viola. Atualmente, toca na banda de Maria Alcina e apresenta-se no restaurante japonês Jam Warehouse, tocando jazz, blues e pop rock. Gravou os CDs de Sergio Arara (guitarrista da Maria Alcina), Wesley Noog, Fábio Ribeiro e Miguelito, entre outros. Naldo Santos: 26 anos, percussionista, paulista, viveu muito tempo no Rio Grande do Norte, onde se formou músico e tocou com muitos músicos de evidência local. De volta a São Paulo já tocou em vários shows e participou da gravação de CDs de outros artistas. Show - Tambores da Serra Dias 7 e 8 de fevereiro – terça e quarta-feira – às 21 horas Teatro Crowne Plaza – R. Frei Caneca, 1360 – SP – Tel (11) 3289-0985 Ingressos: R$ 20,00 – Duração: 1h15 – Censura: Livre – 153 lugares Estacionamento c/ manobrista: R$ 8,00 - Ar condicionado e acesso universal – cheque e dinheiro Não faz reserva - Bilheteria: 3ª a sábado (16h às 21h) e domingo (15h às 20h).Apoio Cultural e divulgação: O AUTOR NA PRAÇA / Edson Lima 3085 1502 - 9586 5577 |
Sunday, January 29, 2006
CAFÉ LITERÁRIO EM TABOÃO DA SERRA
Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia O Secretário de Educação, Cesar Callegari, convida a todos para participar do 2º CAFÉ LITERÁRIO de Taboão da Serra. APRESENTAÇÃO DO POETA SÉRGIO VAZ Dia: 03 de fevereiro de 2006 A partir das 19hs ENTRADA FRANCA |
THAÍDE NO SARAU DA COOPERIFA
| Nesta quarta-feira (01.02.06) o rapper e apresentador Thaíde participa do sarau e recebe prêmio Cooperifa. SARAU DA COOPERIFA Local: Bar do Zé Batidão Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana São Paulo - Zona sul inf. 5891.7403 |
ODEIO OS INDIFERENTES
escritor Italiano no livro La Città Futura
"Odeio os indiferentes. Como Frederico Hebbel, acredito que ‘viver é tomar partido’. Não podem existir apenas homens, os estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por isso, odeio os indiferentes. A indiferença e o peso morto da história. É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte na qual freqüentemente se afogam os entusiasmos mais esplendorosos. A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade, é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mais bem construídos. É a matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto à iniciativa dos poucos que atuam, quanto a indiferença de muitos. O que acontece não acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa de homens abdica de sua vontade, deixa de fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só a revolta fará anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só um sublevação poderá derrubar. Os fatos amadureceram na sombra porque mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, porque não se preocupa. Por isso, odeio os indiferentes." |
FERNANDO PESSOA
| FERNANDO PESSOA Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração. |
O Presidente Hugo Chaves concede entrevista para revista carta capital. Veja trecho extraído do site da revista
CHOQUE NECESSÁRIO
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dá a receita para transformar um país: “É impossível evitar os confrontos”
Por Mauricio Dias e Mino Carta
Há qualquer coisa de meticuloso no comportamento de Hugo Chávez, o bolivariano presidente da Venezuela. De muito preciso, como é próprio de quem não se permite gestos inúteis e conhece o papel de cor e salteado. Sobre a mesa da entrevista, com movimento pausado, depositou uma edição de CartaCapital de quase dez anos atrás. Soletrava a chamada de capa: “O Brasil na periferia da rede”. Falava-se ali de como os senhores do mundo pretendiam conduzir a globalização à sombra do neoliberalismo.
“Quem conhece Evo, como eu, sabe que ele é um índio firme.Firme e claro. Não vai trair o povo, tenho certeza”Nem por isso, houve qualquer pauta prévia. Perguntamos o que quisemos e tudo teve resposta. A única pergunta que faltou poderia ser a seguinte: “O senhor admira Lula e quer ser seu aliado, mas como explica a política neoliberal do ministro Palocci?” Não a fizemos porque a esta Chávez não responderia. Por razões óbvias.
O presidente venezuelano demonstra saber a que veio. No contato direto, surpreende a diferença com a imagem das fotos. Menos corpulento. Ele é um índio sólido, quase sempre sorridente. Afável, elegante no trato, fluente na palavra, comedido no uso da retórica.
CartaCapital: Entrevistamos Lula há mais ou menos dois meses...
Hugo Chávez: Sim, ele me deu a revista.
CC: Ele disse então que a direita da Venezuela e do Brasil são golpistas. É verdade?
HC: Creio que as direitas são muito parecidas em todo o mundo. As direitas falam de democracia quando lhes convém. A elite, a direita sempre é a elite. O poder tradicional. Elite política, militar, empresarial. Formam a direita, é a gente que se opõe às mudanças. Nesta última década do século XX, na América Latina, a direita se subordinou ainda ao Consenso de Washington.
CC: Ao neoliberalismo.
HC: Isso. O neoliberalismo veio para arrasar este continente. Disse Eduardo Galeano, o escritor uruguaio, que a direita vem nos arrasando há séculos. Eu li a entrevista com Lula e ele comentou comigo aquela idéia, e voltou a expô-la ultimamente. No dia 16 de dezembro nos encontramos em Pernambuco, colocando a pedra fundamental da Refinaria Abreu de Lima. Ele discursou e voltou a repetir o que dissera a CartaCapital. Voltou a apontar a semelhança. Eu creio que a direita geralmente oferece uma “lua-de-mel”. Um período de trégua. E depois te “ganha”.
CC: Depois das eleições.
HC: Claro. É aquela coisa: “Se não pode vencer seu inimigo, una-se a ele”. Ou o atraia. Foi o meu caso, igualzinho. Os dois primeiros anos foram uma lua-de-mel. A lua-de-mel no plano interno e no plano mundial. Aznar (José María, primeiro-ministro da Espanha), Clinton (Bill, ex-presidente dos Estados Unidos), as grandes figuras da oligarquia da Venezuela. Se você se entrega, bem-vindo. Mas, se você se mantém firme no propósito de alavancar a transformação em seu país, então eles o condenam à morte.
CC: Quando cessou a lua-de-mel com a direita na Venezuela?
HC: Lá sempre houve esse choque de opiniões. Mas, em 1999, tivemos um pouco de lua-de-mel. Foi um processo distinto, porque ganhamos as eleições e logo veio a Constituinte. Mas não havia esse confronto mortal. Não pregavam “fora Chávez”, “morte a Chávez”. Dos hierarcas católicos até a alguns militares e os grandes meios de comunicação. Mas logo em 2001, quando se deram conta, depois que aprovamos a Constituição, que nós estávamos decididos a aplicar a Constituição... porque há muitas Constituições no mundo, boas, mas a questão está em aplicá-las. Dizia Montesquieu, no “Espírito das Leis”, que a Constituição é como uma nuvem e as leis são como a água quando cai sobre a terra. A lei é que põe a Constituição em prática. Pode-se ter uma bela Constituição, mas se não se fazem leis que possam impactar a realidade, ela vira letra morta. E foi assim com a Venezuela, nos anos 2000 e 2001, quando começamos a fazer leis.
CC: Que leis?
HC: As leis para cumprir o que determinava a Constituição. A lei de hidrocarbonetos, que afetou, sobretudo, as transnacionais. A lei de bancos, para quebrar com sua hegemonia. Ou seja, começar a acabar, porque o processo é gradual. A hegemonia da maior oligarquia financeira, que controlava os bancos privados e públicos e o Banco Central conforme seus caprichos. Fizemos uma lei de terras para combater o latifúndio, resgatar as terras para reparti-las com os camponeses. Fizemos uma lei de microfinanças, para dar crédito aos pobres, à pequena empresa e à média empresa. Fizemos uma lei de cooperativismo, para incentivar essa forma de organização coletiva dos trabalhadores. A lei de pesca, para que a pesca de arrastão se desse em alto-mar e deixasse as 3 milhas costeiras livres para os pequenos pescadores artesanais. Fizemos a lei da costa e de águas, proibindo a privatização da costa e das praias. Na Argentina privatizaram toda a costa. Há pouco tempo estivemos em Montevidéu. Fomos ao rio da Prata com Kirchner (Néstor, presidente da Argentina) e ele me disse: “Chávez, a água aqui é toda privatizada, a costa do rio, o grande balneário. Os uruguaios se salvaram, deixaram na mão do Estado como deve ser”. Passe para o coletivo e não para o setor privado que cobra da população o acesso para desfrutar a paisagem. Enfim, fizemos um conjunto de leis, e foi como destapar o ninho da serpente. Aí vieram na jugular. Já vamos ter Evo (Morales, presidente eleito da Bolívia), então eu propus a Lula e a Kirchner darmos apoio político a Evo, porque mais cedo do que se pensa começará a investida da direita boliviana, impulsionada pela direita de Washington, pela direita que quer dominar o mundo.
Confira a íntegra dessa entrevista na edição impressa
Saturday, January 28, 2006
Poema de Marcelo Beso
| Tu Vais Para Sérgio Vaz Trapezista da rima se equilibra na linha tênue da vida no morro gritando “Pega!” ouvindo “socorro!” tirando sangue do leite sem jorro Sambista da viela guarda a alma da favela onde plantaram só o pó ouvindo “me pega...” segurando o nó suspendendo a vida acima do silêncio Tantos caminhos desconhecidos na tinta de rasos sorrisos a noite colheu tira pássaro já do ninho esconde a vitória dos olhos famintos do inimigo e com tua voz matas a guerra no peito da paz e corres com teu verbo forte vais Sérgio, vais! Beso |
Friday, January 27, 2006
SÉRGIO VAZ PARTICIPA DE DEBATE EM SALVADOR-BA
| Hip-hop em três momentos Projeto promove ciclo de mesas-redondas, mostra artística na praça e show entre 09 e 11 de fevereiro Parceria entre o coletivo Blackitude e a Fundação Gregório de Mattos, o projeto Hip Hop Conexão Salvador Brasília promoverá, em fevereiro, três dias de atividades na cidade. São eventos complementares - um ciclo de debates, uma mostra dos principais elementos do hip hop e um show – que vão oferecer uma ampla panorâmica da arte, cultura e posicionamento políticos da comunidade periférica soteropolitana. E também propor uma aproximação com a cena brasiliense, com a vinda do rapper GOG, um dos mais importantes do hip hop nacional. As mesas-redondas acontecerão no dia 09/02 (quinta-feira), no Teatro Gregório de Mattos, com entrada franca e tendo convidados de Salvador, Ceará, Brasília e São Paulo. A primeira, às 9h, foca o tema Literatura Negra e Literatura Marginal. Contará com a participação dos poetas baianos Hamilton Borges Walê, José Carlos Limeira e Douglas de Almeida, e com o paulista Sergio Vaz. O último vai falar da experiência inovadora que vem desenvolvendo em São Paulo, à frente da Cooperifa – Cooperativa Cultural da Periferia, que procura dar voz aos artistas periféricos, como ele próprio. A segunda mesa, às 14h, debate Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Contará com a presença do cearense Léo Cabral, representante da Agenda 21 do Ministério do Meio Ambiente, de Valdina Pinto, Macota do Terreiro Tanuri Junçara, e do ativista baiano Robson Pinto, vocalista do grupo Lumpen, um dos criadores do selo Estopim, militante do movimento Passe Livre e sindicalista. Na terceira e última mesa, às 19h, a conversa será sobre Juventude: Transgressão e Mobilização. Os debatedores são o rapper GOG, a socióloga baiana Vilma Reis (CEAFRO) e o economista Silvio Humberto Passos, do Instituto Cultural Steve Biko. Na sexta-feira (10/02), a partir das 14h, o hip-hop invade a praça Thomé de Souza. Admiradores, turistas, curiosos e passantes vão ter a oportunidade de apreciar/interagir com as linguagens artísticas desenvolvidas no movimento: o rap, a discotecagem, o break e o grafitti. Também haverá um recital de poesia, cinema na praça e sessão de autógrafo do Cd Tarja Preta, com o rapper GOG, convidado especial do projeto. No centro da praça, será montada uma exposição de grafittis, realizados em outros eventos promovidos pela Blackitude. Ao longo da programação, os grifiteiros Lee e Limpo (O Clan) e Neuro e Peace (Turbilhão Urbano) executarão outras telas e franquearão as latas de spray para quem quiser se arriscar. Da mesma maneira que o dançarino Ananias e os integrantes do grupo Independente de Rua (break) e os DJ´s Bandido e Mário, que farão exibições e ministrarão pequenas oficinas aos interessados. No tablado montado no espaço, os poetas José Carlos Limeira e Hamilton Borges Walê, recitarão alguns exemplares de seus textos. Depois deles, é a vez do rap, que será representado por pequenos shows dos grupos baianos Afrogueto, Elemento X, Quilombo Vivo e RBF. Também nesse momento, os improvisadores poderão fazer sua rima livre (free-style) e/ou participar de uma mini-batalha de rimas. Fechando a noite, haverá mais uma edição do democrático projeto Cinema na Praça, com a exibição dos documentários Samba Hop, de Cristian Cancino e Pedro Dantas, que busca uma aproximação entre o rap e o samba e é inédito em Salvador, e Vinte-De, de Francisco Cezar Filho e Tata Amaral, além de clipes de grupos de rap baianos, do rapper GOG e imagens de atividades da Blackitude. Show – A última programação do projeto é o show do cantor e compositor GOG, que pela primeira vez se apresenta em Salvador, no dia 11/02 (sábado), a partir das 22h, no Portal Portuário (São Joaquim). A vinda de GOG é um presente para os fãs que acompanham sua carreira, iniciada nos anos 80, ainda nos primórdios do ritmo no país. A noite será aberta e ambientada com a discotecagem do Dj Joe. Na sequência, se apresentam os grupos de rap locais Afrogueto, Elemento X, Quilombo Vivo e Comboio Blackitude (estilo livre), aquecendo a platéia para a chegada de GOG, alcunha de Genival Oliveira Gonçalves. Ele estará acompanhado de dois integrantes do grupo paulista A Família (Demis Preto Realista e Crônica), do DJ Tiago e do “cantador” cearense Rapadura. Mesas-Redondas Quando: 09/02 (quinta-feira) Local: Teatro Gregório de Matos Literatura Negra e Literatura Marginal (9h) Abertura: recital com integrantes da mesa Participantes: Douglas Almeida, Hamilton Borges Walê, José Carlos Limeira Sérgio Vaz (Cooperifa – SP) Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (14h) Abertura: Documentário Ilha das Flores, de Jorge Furtado Participantes: Léo Cabral (Agenda 21 – MMA / DF), Macota Valdina (Terreiro Tanuri Junçara) e Robson Pinto (Lumpen/Estopin) Juventude: Transgressão e Mobilização (19h) Abertura: Documentário Vinte-Dez, de Francisco C. Filho e Tata Amaral Participações: GOG (Rapper / DF), Silvio Humberto (I. C. Steve Biko) e Vilma Reis (Ceafro) Hip Hop na Praça Quando: dia 10/02 (sexta-feira), a partir das 14h Local: Praça Thomé de Souza - Exposição de Grafitti: Lee, Limpo, Neuro e Peace - Graffiti ao vivo e interativo: Turbilhão Urbano e O Clan - Discotecagem: Dj´s Bandido e Mário - Rap: Afrogueto, Elemento X, Quilombo Vivo e RBF - Poesia: Hamilton Borges Walê e José Carlos Limeira - Break: Independentes de Rua e convidados - Cinema na Praça: Samba Hop (Cristian Cancino e Pedro Dantas), Vinte-Dez (Francisco Cezar Filho e Tata Amaral), clipes baianos, imagens da Blackitude - Lançamento do cd Tarja Preta com a presença de GOG Show Rap: GOG, Dj Joe, Afrogueto, Comboio Blackitude, Elemento X e Quilombo Vivo Local:Portal Portuário (Ex-Codeba/ São Joaquim) Data: dia 11/02(sábado), a partir das 22h Ingressos: R$10,00 (a venda no Pida, Lojas Berinjela e H2 , www.blackitude.com) Mais informações: 8147.7552 / 8849.4425 / www.blackitude.com |
O POETA MARCO PEZÃO FAZ UMA HOMENAGEM A SÃO PAULO
| Passageiro da garoa Marco Pezão I Nada é igual nunca Aprendeu a lição Andando na paulistana cidade Diuturnamente diferente... Da Francisca Miquelina, Bela Vista, Teve que chegar à rua Direita... Primeiro contato sozinho, Inicial emprego, Lá pelas bandas dos 16 anos... Saindo da rua Maria Paula, A confusão começou entre os viadutos Brigadeiro e Dona Paulina. Entrou por um, resolveu que era outro; Atravessou atalho de edifício em construção. Olhando pra baixo, O vale enorme coberto por natural vegetação, Não podia imaginar ali, a futura avenida 23 de maio... Levava no olfato Recente ansiosa visão. A oficina mecânica De máquinas de escrever. Gasolina no ar, Sonhos altivos, Os olhos procuraram o céu Em meio aos prédios agigantados, Amedrontada imaginação... Rua Riachuelo atravessou... Vê arquitetura florida, Janelas em traços antigos e conservados Emanam vozes de estudantes de direito... No largo São Francisco procurou se informar, Então percebeu a estátua nua, Antes de principiar a rua São Bento... Com certeza assustado Pela marcha de rápidos passos Transitou em vozes dissonantes... Estendido o olhar, Comercio de lojas a perder de vista... Entre multidão de cabeças ligeiras Procurou disfarçar... Esquina com José Bonifácio. Quadra abaixo atingiu turbulência de carros, Libero Badaró... Caminhou calçada diante o clamor de buzinas, Apressa o andar, atravessa o farol à esquerda... Permeia bondes sobre trilhos... Ao fim, o magazine enorme e um relógio; Cujos ponteiros admiráveis Marcavam quase onze horas... Mappin explodindo de gente Que surpresa... Olhando assim de cima, o Anhangabaú Em direção a praça da Bandeira e 9 de Julho. Que diabo aquele povo descendo escada de um lado Saindo do outro, sob a rua... Xavier de Toledo… Foi atrás. Tunelzinho abaixo do chão... Chão sustento de todo poderio. Inimaginável estrutura. Segue admirado segurando o corrimão Ao surgir vitrines explodindo cores, artigos... Cuida para não ser atingido Por tantas pessoas a ir e vir... Cadê a rua Direita? Teatro Municipal... Barão de Itapetininga... Praça Ramos de Avezedo... Conselheiro Crispiniano? Cadê a rua Direita? Alguém sincero responde: - Fica ali. À direita. Atravessando o Viaduto do Chá. Retorna. Então é esse o famoso Viaduto do Chá? Porque chá e não café? Desejou beber com leite quando chegou à Praça do Patriarca, Mas ficou entusiasmado com a escada rolante... E quase não se deu conta do tamanho mirante Erguido sobre o banco de nome Moreira Salles... Achou. Rua Direita, nº 254. Que frio na barriga, elevador. 20º andar. Incessante aprendizado. A longitude percorrida extravasou O que os olhos conseguiram enxergar, Perplexos, colados ao vitrô da sala de espera... Dali, ele, saiu voando pra vida, Com a primeira carteira de trabalho, assinada. II Hoje por destino Assombrado pela desigualdade Medita: A que ponto e a que preço, metrópole dos meus anseios? Há muito avançaste além dos rios que a cercam Bairros, vilas e favelas se multiplicaram... Ao sopro das chaminés fumegantes O carbono, veículos; o progresso Tingindo a cor do véu azul... Seiva de teu leito Em transbordante seio... Amada terra invadida, Mulher que se tomou perdida, Conquistada e não querida... Já não ouves a suplica Dos desempregados, Desgarrados da brasileira nação, Que, teu solo, buscam aflitos... Quantas mudanças... Embaixo e alto. Os casarões e barões. O metrô. Vias e rodovias. Tecnologia. O instante computadorizado, Ressalta o concreto espelhado em vidraças, Perfilados na rica, mas fria Paulista avenida... Paulicéia mundo... Vulcão incinerante Lançando despejos À rosa dos ventos, Sem consentido desejo. 25 de janeiro, data... Paulicéia mundo, paulicéia mundo... Não percebes o distante habitante, Do telhado de meia água... Ele, passageiro da garoa, Percorre o quintal e não vê o nascer do sol... Mas através da cortina, grosso pano, Aprecia, ainda, atrás das lentes, os espectros do horizonte... Tomado crepúsculo. Restando somente por riqueza no peito saudoso, O fiel brilho em ser paulistano; Filho e amante Deste corpo mutável e constante 452 anos, de nossa gloriosa São Paulo! |
Thursday, January 26, 2006
O ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO É PURA POESIA
Dia 25 de janeiro, quarta-feira, comemorou-se o aniversário da cidade de São Paulo, 452 anos. a Casa das rosas programou um sarau " Sampoemas", em homenagem à paulicéia. O Poeta Frederico Barbosa e coordenador da casa, convidou-me para apresentar o sarau. Na quarta-feira também é dia de sarau da Cooperifa, por isso só fomos eu e o poeta Marco Pezão para a paulista. Na casa das rosas o público lotou o espaço, mais de 100 pessoas, e quase quarenta pessoas para recitar poemas para a mega sampa. Na cooperifa 200 pessoas lotavam o bar do Zé Batidão. No aniversário de sampa tinha mais de 300 pessoas comungando a poesia. A certa altura liguei para o sarau da cooperifa, ao vivo da casa das rosas, e coloquei o celular no microfone e pudemos ouvir a poesia rolando direto da cooperifa. Depois invertemos o processo e colocaram o celular no microfone da Cooperifa, na casa das rosas todos aplaudiram o sarau da cooperifa e depois todos da cooperifa aplaudiram o público da casa das rosas. Loucura total. Ambos os lados entraram em êxtase nesta noite memorável onde todos puderam transformar tempo e espaço a favor da humanidade. Sérgio Vaz |
Wednesday, January 25, 2006
Especial para o aniversário de São Paulo
Mil graus na terra da garoa São Paulo é uma cidade no cio. Por isso, transa com todo mundo e em todos os lugares. É bonita porque é feia, e como toda feia que se preza, beija mais gostoso. Que os Vínicius me perdoem, mas feiúra é fundamental. Do alto do prédio ou na superfície da alvenaria, a cidade dói nos olhos dos inocentes que transitam nas calçadas. De onde eu a vejo, minhas retinas são seletas e de como eu a vejo, as esquinas são espertas. A cidade de São Paulo, que está no mapa, não é todo daquele tamanho, muita gente já tirou um pedaço que falta na mesa do jantar. Ou levou pro fundo do mar ou depositou em conta corrente, que nada contra a corrente, de quem ama esse lugar. Essa maçã mordida que a massa não come, constrói o luxo que alimenta o lixo escondido debaixo do tapete. Essa cidade não é minha e não devia ser de ninguém, mas ela existe, e todo ano faz aniversário. Longe do estupro a céu aberto eu costuro meu poema sobre a torre de babel, que samba o rock triste, deste carnaval de concreto e de garrafas fincadas no chão. O cartão postal do meu coração não despreza o centro, nem esconde a periferia. São Paulo pra mim é pagode com feijoada nos botecos enfincados nas ladeiras. É samba da vela e samba da hora na segunda feira. É o sarau da Cooperifa no quilombo da piraporinha, onde a poesia nasce das ruas sem asfalto. É comprar livros nos sebos e ensebar nos bancos da praça. É ler caros amigos e Becos e vielas dentro do ônibus ou na fila de espera. É ser Um da sul, da norte, da leste ou oeste. É participar do favela toma conta, no Itaim paulista. Ou dançar samba de côco no panelafro. É jogar futsal nas quadras das escolas públicas, quase abandonadas pelo alfabeto. É conspirar tomando cerveja gelada no bar do Zé Batidão. É Carolina de Jesus de Jéferson De, saindo da tela. É as mina de vestidinho e chinelo de dedo no churrasco em cima da laje. É a rapaziada nos campos da várzea de canela em punho. Ser preto ou branco, mas principalmente verde. É o ensaio da vai-vai e das outras escolas. Ouvir Belchior na voz do ceará. Comer peixe na barraca do Saldanha. É Levar os espinhos na Casa das rosas. É não ouvir cd pirata nem original quando o mesmo for caro. Ser enquadrado somente pelas lentes do Marcelo Min, QSL? É ser “nóis vai”, mesmo quando a gente não for. É Falar errado, mas agir correto. É encontrar sempre as mesmas pessoas no muro das lamentações. É Empinar pipa nos dias sem vento. É ser mil graus na terra da garoa. São os quatros elementos se juntando a outros elementos. Enfim São Paulo é isso, mas também tem outros lugares. Sérgio Vaz |
Tuesday, January 24, 2006
PROGRAMAÇÃO POÉTICA
NO ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO SE LIGUE NA PROGRAMAÇÃO POÉTICA
SAMPOEMAS
25 de janeiro - Aniversário de São Paulo
Entrada Franca
CASA DAS ROSAS
ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA
Av. Paulista, 37 (Metrô Brigadeiro) São Paulo SP
F: (11)3285-6986
www.casadasrosas.sp.gov.br
Das 15 às 16h - Recital de Átila Almada, jovem poeta paulistano cujo trabalho é fincado na reflexão sobre a vida cotidiana nesta grande metrópole.
Das 16:30 às 17:30 - O Grupo Viva Voz - Frederico Barbosa, Clenir Bellezi de Oliveira e o músico Marcelo Ferretti, apresentam um recital com poemas de diversos autores que abordam São Paulo e a vida urbana sob diversos prismas.
Das 18 às 19:30 - Espetáculo Todos os Cantos - O músico e poeta Pedro Osmar traz músicos de todos os cantos do país que escolheram São Paulo para viver e produzir. Com Zulu de Arrebatá, Malungo, Sandra Viana e Tom Canhoto.
A partir das 20h - Sarau Sampoemas conduzido pelo poeta Sérgio Vaz, que vem arrastando multidões aos saraus da Cooperifa, com o auxílio de Pedro Osmar, Frederico Barbosa e do grupo Rascunhos Poéticos.
Além da apresentação de poetas convidados, haverá a participação do público. Se você quiser declarar seu amor pela cidade, eu ódio, seu carinho, sua indignação... em suma, sua emoção, transforme em poema e venha mostrá-lo no Sarau Sampoemas!
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SE LIGUE NA PROGRAMAÇÃO POÉTICA EM TABOÃO DA SERRA
Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia
CONVITE
O Secretário de Educação, Cesar Callegari, convida a todos para participar do 2º CAFÉ LITERÁRIO de Taboão da Serra.
APRESENTAÇÃO DO POETA SÉRGIO VAZ
Dia: 03 de fevereiro de 2006A partir das 19hs
ENTRADA FRANCA
Local: Auditório da Secretaria de educaçãoRua Elizabeta Lips, 166 Jardim Bom Tempo T. Serra-SP
Fone: 4788.5822
WWW.COLECIONADORDEPEDRAS.BLOGSPOT.COM
Saturday, January 21, 2006
Três anos sem Sabotage
Para Sempre Sabotage
Toda a comunidade do Hip Hop brasileiro acusou o golpe das mortes de Tupac Shakur,Notorius BIG,e mais recentemente Jam Master Jay com um certo distanciamento. Mas, quando menos esperávamos assistimos a trágica e irreparável perda de um rapper talentoso e promissor: Sabotage ou Mauro Martins dos Santos
Ele foi assassinado com quatro tiros após ter deixado sua esposa no trabalho. Sabotage iria viajar para Porto Alegre onde faria um Show no Fórum Social Mundial. Sua família,amigos e nem mesmo a polícia tem pistas da motivação do crime,Sabotage deixa além de sua mulher três filhos.
Sabotage cresceu na Favela do Canão, Bairro do Brooklyn Zona Sul de São Paulo passou uma infância pobre e na adolescência chegou a ser interno da Febem. Ele buscou no rap a saída do lado ruim da favela, pois de lá mesmo sairia já que acreditava na integridade da maioria de seus moradores o que inspirou um de seus maiores sucessos “Um Bom Lugar”.
Sabotage teve sua ascensão impulsionada inicialmente pelo grupo RZO fato que eu e muitos outros puderam presenciar ao assistir o Programa Yo! MTV Raps em Outubro de 1999, onde o rapper junto com o RZO fez uma apresentação memorável - talvez a sua primeira para o público do Hip Hop em geral.
Daí para frente Sabotage decolou primeiro fazendo shows ao lado do RZO,e depois do lançamento de seu primeiro CD “O Rap é Compromisso” alçou vôos ainda maiores fazendo uma ponta no filme “O Invasor” de Beto Brant. No filme ele colaborou com grande parte da trilha sonora e nos diálogos do personagem Anísio vivido pelo ex-Titã Paulo Miklos. Seguindo o que seria uma possível carreira no cinema, Sabotage estrelou também em Estação Carandiru inspirado no Livro de Dráuzio Varella interpretando o personagem Fuinha.
Sabotage foi um Iconoclasta dentro do Rap Nacional ao casar Hip Hop com outros trabalhos e outros estilos musicais (samba de raiz,Hardcore) rompeu sem que ninguém notasse as barreiras de uma certa “Ortodoxia Ideológica” que paira sobre o movimento. Podíamos vê-lo em outros veículos de comunicação (uma de suas últimas aparições na TV foi no programa Sob Controle de Marcos Mion) onde sempre mostrava seu carisma e originalidade de suas rimas.
Sabotage era portador de uma grande dose de positividade e se nem essa atitude foi capaz de poupa-lo, que as realizações em vida e um não ao culto da violência e à sua morte sirvam de lição e inspiração.
Emerson Martinez
Segue anexo poesia em Homenagem ao Sabotage, extraído do livro:" A Poesia dos deuses inferiores" de Sérgio vaz, poeta da periferia.
SABOTAGE (O INVASOR)
MAURO ERA UM NEGRO DE ASAS.
UM PÁSSARO COM OS PÉS NO CHÃO.
SOM DE ÉBANO COM PELE DE COURO,
O MOURO FEZ NINHO NO CANÃO.
O PASSADO,QUE O FUTURO QUERIA
ESCRITO EM CARVÃO,
DEIXOU DE SER PÓ PRA SER PÃO,
AO SE VICIAR EM POESIA.
O POETA DE PLUMAS NEGRAS
E VOZ DE PEDRA
CRAVOU TEU CANTO
PRETO E BRANCO
NAS VIDRAÇAS
DO MUNDO COLORIDO.
FILHO BANTO
EM CARNE E CARCAÇA
SERVIU A TAÇA COM VIDRO MOÍDO
AOS TRAIDORES DA RAÇA.
NAVEGANTE DE MARES INSOLENTES
SUA BÚSSOLA APONTAVA SEMPRE PARA A PERIFERIA.
A RIMA ERA O RUMO
O REMO DA SINA.
NO AR,
COMO FUMAÇA DE FUMO
E VERMELHA RETINA,
ERA FRIO ERA QUENTE,
MAS NUNCA BANHO-MARIA.
UM DIA
NUM VÔO CURTO
DEPOIS DE UMA LONGA METRAGEM
UM DISPARO SEM ROSTOU
UMA BALA SEM GOSTO
CALOU O PERSONAGEM.
DIANTE DISSO E SEM NOS ESRERAR
DESFEZ O COMPROMISSO
SEGUIU DE VIAGEM
E FOI CANTAR EM OUTRO LUGAR,
NUM BOM LUGAR.
SÉRGIO VAZ
Friday, January 20, 2006
A Poesia dos deuses inferiores
Brasinhas do espaço Eram criaturas de um planeta imaginário. Herméticos neste mundo todos se chamavam Speed racer, e falavam uma língua estranha que os adultos não entendiam. Vorazes, alimentavam-se de sonhos, de liberdade, de vento, de K-suco e pão com mortadela. Esses monstrinhos queriam dominar a terra. Chegavam aos montes descendo ladeiras, pilotando naves exóticas feitas de tábua de compensado e rodinhas de rolimã. Não fosse o tempo teriam dominado o universo. Sérgio Vaz |
Elizandra
| Sorriso Sorriso não quer dizer alegria Quer dizer eu acredito na vida Creio que amanhã pode ser melhor Que meu presente é o futuro Que o sol pode brilhar Que felicidade é sempre uma conquista Que cara feia não traz benefícios Sorrio de tudo, das dores sentidas Dos amores que não posso viver Dos sentimentos feridos Dos problemas a resolver Sorrio do dia triste Da gargalhada ardida e sofrida Das verdades doidas E das mentiras que conto a mim Sorrio do vento, que arteiro Levanta as saias das meninas Da chuva que molha as roupas secas Da avenida abarrotada de carros Sorrio dos meus atrasos Sorrio do meu sorriso sem graça Nas horas inoportunas Escandalosas gargalhadas Sai naturalmente, quando a vida passa por mim Sorrio, sorrio, sorrio Sorriso de menina com cara de feliz Mas por favor, não olhe em meus olhos Que verás o que os dentes não te diz. Elizandra |
Thursday, January 19, 2006
O SARAU DA COOPERIFA ESTÁ DE VOLTA
O sarau da cooperifa voltou às suas atividades. Nesta quarta-feira, os poetas e representantes da cultura da periferia, se encontraram novamente para dar início aos trabalhos do quilombo cultural, o sarau da cooperifa. o bar lotado mostrou que os poetas já não aguentavam mais as férias que tiveram. Muita gente ainda estava chapada pelos efeitos nada alucinógenos da festa da entrega do prêmio cooperifa. Mas como quem vive de passado é museu... A poesia tomou conta do movimento e os poetas deram boas-vindas ao ano de 2006. Aliás, ano que promete ficar na história da cultura periférica. É esperar pra ver. em 2006, é tudo nosso! Aguardamos vocês. abs. Sérgio Vaz |
UM TEXTO DE PLÍNIO MARCOS
Amor é amor Mulher gamada é fogo. Elas, quando se vidram e se amarram num homem, são capazes de fazer das tripas coração pra defender seus interesses. Uma mulher apaixonada se transforma dos pés à cabeça. Se é classuda, cai da panca e, sem vacilar, apronta os maiores salseiros. Se é acanhada, endoida e não regateia pra fazer um escândalo. Esse lance de que a mulher mesmo muito ligada num homem e tal e coisa, se enruste e se fecha em copas porque tem categoria é papo furado. Mulher que deixa o amor no barato não está toda na parada. Que nada! Às vezes, está por solidão, por simpatia, por conveniência e os cambaus. Nunca por gama. É isso. Não tem erro. Sou eu que afirmo, e de mulher eu entendo. Mas deixa isso de lado. O que quero contar e o que pesa na balança é a história da Dilma Fuleira e da Celeste Bicuda, duas flores da Barra do Catimbó que se unharam e se dentaram por amor ao Ariovaldo Piolho, um vagau de pouca presença física, mas de muita embaixada. Ele lidava com seu rebanho com mil e um macetes e, por essas e outras, sempre foi muito considerado pelo mulherio. É verdade que esse perereco se deu nas quebradas do mundaréu, onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos, mas, se acontecesse nos salões da mais fina gente da sociedade, não me causava nenhum espanto. Mulher é mulher em qualquer lugar. Mestre Zagaia, velho cabo-de-esquadra que navegou sem bandeira por muita água barrenta e que bateu perna à toa pelos caminhos mais escamosos, esquisitos e estreitos do roçado do bom Deus, viu quizilas de assombrar negos de patuá forte, embrulhou sua solidão em muito lençol encardido e escancarou nas Tabuadas das Candongas uma dica sobre o assunto:— Depois dos panos arriados, o espetáculo é sempre o mesmo.E, se Mestre Zagaia falou, tá falado. Mulher é sempre mulher. E a Dilma Fuleira e a Celeste Bicuda também são, embora à primeira vista não pareçam. Sabe como é. Elas nasceram lesadas da sorte e só pegaram a pior. Bagulho catado no chão da feira nunca fez bem à beleza de ninguém. Porém (e sempre tem um porém), não foi a condição de bagulho que impediu que elas tivessem grandes ilusões a respeito de amor. E o galã dos sonhos das duas era, como já disse, o Ariovaldo Piolho. Esse vagau se serviu das duas sem a mínima cerimônia. Foi ali na base do agrião. Como as duas estavam a fim dele, o danado negociou. Fez valer a velha e tinhosa lei da oferta e da procura. Se fingia de morto e esperava pra ver quem comparecia no seu enterro.Como quem não quer nada, pegava a grana na mão da Dilma, cumpria a obrigação e ia buscar os pixulés com a Celeste. E se o dinheiro compensava, não deixava ela em falta. Até que o caldo engrossou.Bateu sujeira. O doutor delerusca resolveu acabar com o pesqueiro das piranhas e a Dilma Fuleira e a Celeste Bicuda se viram no papo-de-aranha. Escaparam da cana, mas o faturamento caiu às pamparras. E, no meio disso tudo, o Ariovaldo Piolho sentiu o aroma da perpétua. Vagau escolado por muitos anos de janela é sempre cem por cento profissional. Sem pagório, deixou as mulheres na saudade. E se deu o esquinapo.A Dilma Fuleira achou que o Piolho não queria nada com ela porque estava enredado pela Celeste Bicuda. Procurou a rival e, sem conversa, deu-lhe uma tremenda biaba. A Celeste Bicuda era encardida. Encarou, mas não deu nem pra saída. A Dilma Fuleira era gordona e alta. A Celeste, baixinha e só pele e osso. Teve que apanhar e correr. Porém, como não era de engolir nada enrolado, a Celeste Bicuda tramou a forra. Foi na macumba levar o nome da Dilma Fuleira pra sua mãe-de-santo enterrar no cemitério. Feita a façanha, a Celeste Bicuda se botou a boquejar nos botecos. Garantia pra quem duvidasse que a Dilma Fuleira ia murchar até morrer. E não faltou fuxiqueiro pra ir rapidinho envenenar a Dilma. E ela, que já estava atolada até o gogó no pântano, acreditou que a bananosa toda que curtia era devido à mandinga da Celeste. Se picou de raiva e jurou pela luz que a iluminava que ia pegar a inimiga e dar pancada até ela desenterrar seu nome. E foi pra guerra. A Dilma encontrou a Celeste no seu barraco e nem pediu licença. Entrou na força bruta e foi botando pra quebrar. De repente, a Celeste Bicuda deu uns gritos, uns pulos pro alto e, quando desceu, era uma fera batusquela. Passou a mão numa enxada e tocou o bumba-meu-boi no lombo da Dilma, que se viu obrigada a dar pinote. Mas a Celeste foi na captura e derrubou o barraco da Dilma a enxadada. Em desespero e apavorada com a fúria da Celeste Bicuda, a Dilma se refugiou na casa do Piolho. A Celeste não tomou conhecimento. Aliás, ainda ficou mais endoidada de ver a rival junto do homem da sua gama. Aumentou o escarcéu.O Ariovaldo, sem se afobar saiu de fininho e chamou a polícia. A cana chegou e ferrou a Celeste e a Dilma. No Distrito, a Celeste falou que não tinha nada com a briga. Foi o exu da sua crença que encarnou nela pra acabar com a Dilma. A Dilma, de zoeira, entregou tudo como era. Disse pro doutor que a bronca era por causa do Piolho, que estava na fita como testemunha. O delegado quis saber se o Piolho tinha emprego. Não tinha. Entrou em pua e as mulheres foram dispensadas. Mas continuam pelejando por amor. Uma visita o vagau às quartas-feiras; a outra, aos domingos. E todas as duas levam o santo dinheirinho de presente pro Ariovaldo Piolho, o bom amante. |
PLÍNIO MARCOS
Conclusões de Aninha Cora Coralina Estavam ali parados. Marido e mulher. Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça tímida, humilde, sofrida. Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,e tudo que tinha dentro. Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar novo rancho e comprar suas pobrezinhas. O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula, entregou sem palavra. A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou, se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar E não abriu a bolsa. Qual dos dois ajudou mais? Donde se infere que o homem ajuda sem participar e a mulher participa sem ajudar. Da mesma forma aquela sentença: "A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar. "Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso e ensinar a paciência do pescador. Você faria isso, Leitor? Antes que tudo isso se fizesse o desvalido não morreria de fome? Conclusão: Na prática, a teoria é outra. |
| A palavra Pablo Neruda ... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras. *Butifarra: espécie de chouriço ou lingüiça feita principalmente na Catalunha, Valência e Baleares. (N. da T.) Pablo Neruda, pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Prêmio Nobel de Literatura em 1971, sua poesia transpira em sua primeira fase o romantismo extremo de Walt Whitman. Depois vieram a experiência surrealista, influência de André Breton, e uma fase curta bastante hermética. Marxista e revolucionário, cantou as angústias da Espanha de 1936 e a condição dos povos latino-americanos e seus movimentos libertários. Diplomata desde cedo, foi cônsul na Espanha de 1934 a 1938 e no México. Desenvolveu intensa vida pública entre 1921 e 1940, tendo escrito entre outras as seguintes obras: "La canción de la fiesta", "Crepusculario", "Veinte poemas de amor y una canción desesperada", "Tentativa del hombre infinito", "Residencia en la tierra" e "Oda a Stalingrado". Indicado à Presidência da República do Chile, em 1969, renuncia à honra em favor de Salvador Allende. Participa da campanha e, eleito Allende, é nomeado embaixador do Chile na França. Outras obras do autor: "Canto General", "Odas elementales", "La uvas y el viento", "Nuevas odas elementales", "Libro tercero de las odas", "Geografía Infructuosa" e "Memorias (Confieso que he vivido — Memorias)". Morreu a 23 de setembro de 1973 em Santiago do Chile, oito dias após a queda do Governo da Unidade Popular e da morte de Salvador Allende.Com este texto homenageamos o poeta pela passagem de seu 100º aniversário. Do livro "Confesso que Vivi — Memórias", Difel — Difusão Editorial — Rio de Janeiro |
Pablo Neruda
| Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada, e tiritam, azuis, os astros lá ao longe". O vento da noite gira no céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu amei-a e por vezes ela também me amou. Em noites como esta tive-a em meus braços. Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito. Ela amou-me, por vezes eu também a amava. Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi. Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la. A noite está estrelada e ela não está comigo. Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. A minha alma não se contenta com havê-la perdido. Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. O meu coração procura-a, ela não está comigo. A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido. De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. É tão curto o amor, tão longo o esquecimento. Porque em noites como esta tive-a em meus braços, a minha alma não se contenta por havê-la perdido. Embora seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo. |
Tuesday, January 17, 2006
VEJA MATÉRIA DO SARAU DA COOPERIFA NA AV. PAULISTA
por Thiago Rosenberg O bar Zé Batidão fica no Jardim Guarujá, zona sul de São Paulo. "Deveria se chamar Zé do Batidão", diz o proprietário, José Cláudio Rosa, "mas o pessoal que fez o toldo não escreveu o 'do', então o nome ficou assim mesmo". Próximo ao Capão Redondo, o estabelecimento recebe, todas as quartas-feiras, visitantes de vários cantos, que se reúnem não para beber ou conversar, mas para ler e ouvir poesia. É o Sarau da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia). Nas palavras de Sérgio Vaz, um dos seus idealizadores: "É o nosso teatro, museu, cinema, arena de discussões, centro cultural".Quarta-feira gelada de outubro. Às 20h30, o local ainda está relativamente vazio. Mas as mesas, estrategicamente posicionadas, já indicam a quantidade de pessoas que, com sorte, as ocuparão. Os poetas e espectadores vão chegando, alegres como se estivessem há tempo aguardando pelo evento. Cumprimentam todos, até aqueles que vêm pela primeira vez. Ninguém é estranho. Dadas as boas-vindas, a poesia começa efetivamente, em versos dos mais variados temas e estilos. Exclusão, liberdade, amor, família, sexo, amizade, alegria... Uns trazem de casa, outros escrevem lá mesmo, na mesa do bar. Allan da Rosa, que lançou recentemente Vão, seu livro de estréia, semeia o público de esperança. Gaspar Záfrica Brasil, sucessor de Vinícius de Moraes no cargo de "branco mais preto do Brasil", desabafa um hip-hop nervoso, bem diferente, neste caso, do que fazia o Poetinha. Há homenagem ao falecido Ronald Golias, rapazes - alguns encabulados - cantam o amor vestido de rap e mulheres usam os versos para clamar por seus direitos.Atravessando a ponteSemanas depois, no domingo, 30 de outubro, a Cooperifa cruza o mar de asfalto que a separa do centro da cidade - e das atenções. Integrando a programação do Triângulo das Leituras, organizada pelo Itaú Cultural em parceria com o Sesc e a Casa das Rosas, o sarau assume a forma de espetáculo. Num palco, não mais à altura do público, os poetas têm à disposição potentes caixas de som e microfones. "Estamos acostumados com os nossos equipamentos", brinca Vaz, ao notar que todos, na esquina da avenida Paulista com a rua Leôncio de Carvalho, o escutam claramente.Ao apresentar a Cooperifa, o poeta Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas e integrante do grupo Viva Voz, define-a como um dos movimentos mais expressivos da literatura nacional do início do século XXI. "É uma das coisas mais bonitas e significativas que acontecem hoje em dia", diz. Em dado momento, Marco Pezão, co-fundador do movimento, sobe ao palco. "Nós é ponte e atravessa qualquer rio", exclama ele repetidas vezes no poema recitado. E é justamente o atravessar que pauta grande parte do evento. Um atravessar não apenas físico, da periferia ao centro, mas também lingüístico, rítmico, social. Pelos altos e luxuosos edifícios da Paulista, por suas inúmeras agências bancárias e instituições culturais, quase inexistentes nas bordas da cidade, versos escancaram o que, nas palavras de Vaz, representa a "periferia que o Datena não mostra na televisão".A periferia que se apresentou naquele palco não é a periferia de pais que forçam os filhos a trabalhar, mas sim de pais como Mavot Sirk, apontado por Vaz como um "pai déspota, que obriga o filho a fazer poesia". É a periferia de pessoas honestas e batalhadoras como Valmir Vieira, que começou a escrever poesia após o contato com o sarau, ou Seu Lourival, que, com um idioma próprio, mas tão eficaz quanto o tradicional - "de onde viemos, a gramática e a crase não humilham mais ninguém", afirma Vaz -, também teve sua veia poética instigada pela Cooperifa. Diante de tal cenário, pode até surgir a dúvida: "O Sarau da Cooperifa perde a validade fora da periferia?" Neste caso, a resposta é, certamente, não. "A essência somos nós", comenta Cucão, que forma, ao lado de William, a dupla Versão Popular. Sales, outro freqüentador e participante dos saraus, explica: "A poesia pode ser lida aqui, mas os nossos pensamentos começam na periferia". |
Monday, January 16, 2006
PRECONCEITO DA DEP. DENISE FROSSARD/ PPS-RJ
| Enviado por Lucas Queiroz A deputada Denise Frossard deu o seguinte parecer de cunho nazista, ao projeto de lei que considera crime discriminar deficientes físicos :"A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o suporte seja uma criatura humana"Cai como uma luva para a senhora, Dona Denise Frossard o texto de Mário Quintana: Dona Denise,"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. "Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui. "Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome,de miséria. E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. "Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de umamigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês. "Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia. "Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda. "Diabético" é quem não consegue ser doce. "Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois "Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus. Mário Quintana PS.: Dona Denise Frossard,A ignorância é a mãe do preconceito. O preconceito é o pai da discriminação. A discriminação é a mãe do racismo. Nazismo nunca mais! O Globo Rio, 23 de dezembro de 2005 Conselho aprova moção de repúdio a Denise Frossard por discriminação O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Conade), ligado à Secretaria Especial de Direitos Humanos, apresentou uma moção de repúdio às declarações da deputada Denise Frossard (PPS-RJ), relatora do projeto de lei 5.448/2001, que estabelece o crime de discriminação em razão de doença de qualquer natureza. Ao explicar por que estava rejeitando o projeto, Denise afirmou que “a repulsa à doença é instintiva no ser humano. Poucas pessoas sentem prazer em apertar a mão de uma pessoa portadora de lepra ou Aids”.— O conselho entendeu que as cerca de 24,5 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência e suas famílias foram atingidas em sua dignidade pelas palavras da deputada — afirma o presidente do Conade, Adilson Ventura.Conselho chama de desvario discurso de deputada No texto, o conselho classifica de desvario um dos trechos do discurso da deputada, no qual ela diz que “a deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco nos outros”.Diante da polêmica, Denise pediu desculpas aos portadores de deficiência, em seu site na internet. Na página, ela pede perdão às pessoas que involuntariamente agrediu com as palavras que usou “para identificar um comportamento presente na sociedade brasileira. Ainda não sei como corrigir o erro, mas estou consciente da obrigação de corrigi-lo. Um bom caminho será ouvir mais as pessoas que atuam neste segmento e a partir de um debate consistente colaborar para tornar melhor a vida de quem tem deficiência”. |
Edelaine
| O improviso e a certeza O improviso um dia se cansou da vida de aventuras Acordou de manhã e pensou: preciso me casar Naquela noite se arrumou, se aperfumou e saiu pra procurar uma metade Perambulou, perambulou, até que encontrou a Srta. Certeza Ela lhe prometeu uma vida mansa e um amor certo Ele se encantou Casaram-se Ela se encantou também Passou até a aventurar-se Só que Dona Certeza aventurou-se tanto que tomou gosto e esqueceu-se de levar uma vida certa E o senhor improviso se cansou tanto de sua nova vida mansa que resolveu acompanhar a ex-Certeza por um mundo cheio de incertezas... Edelaine 09/01/06 |
TRIBUTO AO SABOTAGEM
| Mano Dix. 3º Tributo ao Mano Sabotage Eternizando a memória do maestro do Canão ocorrera no dia 24 de janeiro na Favela do canão no Broklin o 3º tributo ao Sabotage, organizado por seu eterno parceiro Celo-X e os mano da AP, Celo X garante que seráum grande evento onde vai rolar a gravação do DVD tributo ao maestro do canão, de ante mão convidamos todo o publico do hip hop para que possam comparecer ao evento e prestigiar os grupos: Os Guerreiros, Mathematicos, DBS, Demenos Crime, Conciencia Humana, Dina Di, Criolo Doido, SNJ, SP Funk, Celo-X e grupos da região. ORGANIZAÇÃO Família Broklin Sul Contato pelo fone. - 9447-2498 com Thomas ou 9595-2346 Marcelo. |
Sunday, January 15, 2006
Entrevista com o poeta Sérgio Vaz
Vejam uma entrevista exclusiva com o poeta Sérgio Vaz Blog: www.suburbanoconvicto.blogger.com.br |
Um pouco da poesia argentina de Alfonsina Storni
| Um pouco da poesia de Alfonsina Storni: A Carícia perdida Sai-me dos dedos a carícia sem causa, Sai-me dos dedos... No vento, ao passar, A carícia que vaga sem destino nem fim, A carícia perdida, quem a recolherá? Posso amar esta noite com piedade infinita, Posso amar ao primeiro que conseguir chegar. Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos. A carícia perdida, andará... andará... Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante, Se estremece os ramos um doce suspirar, Se te aperta os dedos uma mão pequena Que te toma e te deixa, que te engana e se vai. Se não vês essa mão, nem essa boca que beija, Se é o ar quem tece a ilusão de beijar, Ah, viajante, que tens como o céu os olhos, No vento fundida, me reconhecerás? O Engano Sou tua, Deus o sabe porque, já que compreendo Que haverás de abandonar-me, friamente, amanhã, E que embaixo dos meus olhos, te encanto Outro encanto o desejo, porém não me defendo. Espero que isto um dia qualquer se conclua, Pois intuo, ao instante, o que pensas ou queiras Com voz indiferente te falo de outras mulheres E até ensaio o elogio de alguma que foi tua. Porém tu sabes menos do que eu, e algo orgulhoso De que te pertence, em teu jogo enganoso Persistes, com ar de ator do papel dono. Eu te olho calada com meu doce sorriso, E quando te entusiasmas, penso: não tenhas pressa Não es tu o que me engana, quem me engana é meu sonho. Luz Andei na vida pergunta fazendo Morrendo de tédio, de tédio morrendo. Riram os homens de meu desvario...É grande a terra! Se riem... eu rio...Escutei palavras; demasiadas palavras! Umas são alegres, outras são macabras. Não pude entende-las; pedi as estrelas Linguagem mais clara, palavras mais belas. As doces estrelas me deram tua vida E encontrei em teus olhos a verdade perdida Oh! teus olhos cheios de verdades tantas, Teus olhos escuros onde o universo meço! Segura de tudo me jogo a teus pés:Descanso e esqueço. Tu que nunca serás Sábado foi e caprichoso o beijo dado, Capricho de varão, audaz e fino Mas foi doce o capricho masculino A este meu coração, lobinho alado. Não é que creia, não creio, se inclinado sobre minhas mãos te senti divino E me embriaguei, compreendo que este vinho Não é para mim, mas jogo e roda o dado... Eu sou a mulher que vive alerta, Tu o tremendo varão que se desperta E é uma torrente que se desvanece no rio E mais se encrespa enquanto corre e poda. Ah, resisto, mas me tens toda, tu, que nunca serás de todo meu. |


