Wednesday, May 31, 2006


LAR DOCE BAR


Só depois do último copo
De carregar a última cruz
De discutir o único voto
E de apagar a última luz.
Só depois da saideira
Da última canção
De arrancar a última nota
Da carteira e do violão.
Só depois da última dose
De sorrir o último sarro
E de amargar a última cirrose.
Só depois do último gol
De sambar com a única dama
Ser tema do último show
E de pendurar a última Brahma.
Só depois de extorquir a última graça
De relembrar a última festa
De esquecer a última desgraça
E de esperar pela próxima sexta.
Só depois de cerrar a última porta
De trançar numa única perna
De girar os olhos na última volta
E de beijar a última brasa
É que eu vou me perguntar
Se estou indo pra casa
Ou se estou saindo do lar.


Sérgio Vaz

Tuesday, May 30, 2006

SUELI CARNEIRO

Sueli Carneiro

Doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra

“A mulher que cuida das crianças pede ao menino de cinco anos que explique o que acontece. Ele diz: ‘A polícia entrou aqui, mandou todas as crianças encostarem na parede desse jeito e falou que levaria todos nós para a Febem se a gente não contasse onde estavam escondidas armas e drogas’. O garoto se juntou à menininha, mãos na parede. Mais sete crianças repetiram o ato.” (Folha de S.Paulo, 21/5/06)

A reportagem da qual retirei essa epígrafe estende-se na descrição das incursões policiais na favela dos Pilões (zona sul de São Paulo). Numa das visitas, três mortos: jovens com menos de 30 anos, todos trabalhadores, um deles epiléptico. O patrão de dois deles custeou os funerais e ofertou aos corpos urnas de madeira nobre talvez num gesto simbólico de resgate da dignidade daqueles jovens e expressão da consciência da injustiça cometida. É apenas um dos casos das dezenas que estão vindo a público pela pressão de órgãos de imprensa, do Ministério Público Estadual de São Paulo e do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), pela divulgação da relação e acesso aos laudos periciais dos suspeitos mortos pela polícia em represália ao assassinato de policias civis e militares e agentes penitenciários nos ataques perpetrados pelo PCC. Previsível, mas sempre chocante.
Os líderes das associações de policiais civis e militares foram unânimes em responsabilizar as autoridades públicas pelos atos daquela organização criminosa e sobretudo pela morte dos policias e agentes penitenciários insuficientemente equipados para exercerem a função de proteger os cidadãos e defender a própria vida. E, sobretudo, por não estarem informados, segundo alguns relataram, das ameaças que pesavam sobre a vida deles. Sentiram-se traídos. Para o governador de São Paulo, a culpa é da elite brasileira, segundo ele “uma minoria branca muito perversa”. Quem somos nós para discordar de quem conhece, como ninguém, a natureza profunda dos seus. De minha parte entendo que todos estão certos em sua avaliação.
Tanto os líderes das associações de policiais quanto o governador. No entanto, nem as autoridades responsáveis pela segurança pública ou pelo sistema prisional, nem a elite perversa são o alvo da represália dos policiais ou do governador. A ira de ambos se abate sobre os de sempre, da parte dos policiais por ação e do governador por omissão ou conivência diante da matança indiscriminada dos que são alvo (embora majoritariamente negros) da perversidade da tal minoria branca. Em 16 de maio, informava-se que, no IML do bairro de Pinheiros em São Paulo, havia fotografia de 15 corpos. A maioria era de jovens, negros e apresentava buracos de bala na cabeça. Desde então os números não pararam de aumentar. Não quero, como sempre, chorar mais esses mortos em praça pública.
Clamar contra esse genocídio como tantas vezes já o fiz aqui. Talvez porque, dessa vez, as coisas foram tão longe, atingiram um ponto insustentável, em que é preciso conter a consciência, em sua capacidade de vislumbrar e analisar o horror em toda a sua plenitude, para não desistir. É preciso esquecer por instantes os números de vítimas chacinadas e celebrar a vida e a luta pela emancipação que se trava a cada dia que tanto faz recrudescer a violência e o ódio racial quanto aumenta em cada um de nós a consciência do porquê morremos. É preciso ir ao encontro da vida para buscar forças para resistir.
Vou para as ruas, o palco dos sacrifícios e redenções. Respiro o ar poluído desta São Paulo estranha, admiro a paisagem cinzenta deste outono invernal. Nas voltas por alguns quarteirões, vejo crianças negras como as encontradas na favela dos Pilões: meninas de “olhos negros, grandes e redondos e penteado maria-chiquinha.” Mas elas estão voltando da escola, mochilas pesadas às costas, trancinhas balançantes. Tagarelam alegremente. Uma alegria que sopra em minha mente um eco que diz: “Viveremos!”
Atravesso uma praça e um grupo de adolescentes negros joga carteado. Minha mente viciada na paranóia da violência não deixa de imaginar: se passar um carro de polícia por aqui agora, eles estarão em apuros e pode até acontecer o pior. Parece que jogavam buraco e uma dupla vence festejando com alegre algazarra. Rejeito a armadilha da mente paranóica e deixo a algazarra alegre penetrar dentro de mim e ela também me anuncia: “Viveremos!”
Qualquer um de nós pode ser a próxima vítima, mas neste momento ainda estamos aqui, vivos, em testemunho de resistência, contrariando as estatísticas, os prognósticos e os desejos da minoria citada pelo governador ou de seus braços armados, os exterminadores do futuro. Mas, em cada um desses rostos negros que encontro em minha caminhada, pulsa uma esperança de vida que desafia a violência do racismo. Viveremos!
Os intelectuais racistas do final do século 19 e começo do 20 estimavam que em torno de 2015 o Brasil estaria livre da “mancha negra”. Sobrevivemos à escravidão, temos sobrevivido à exclusão, sobreviveremos aos periódicos genocídios. Somos “uma petralhada inextingüível” como disse, em desespero, Monteiro Lobato. Viveremos!

PROCURA-SE

Procura-se



Além do dicionário,
Homens e mulheres
Estão sendo atacados
pela violência desmedida
de algumas palavras.
“Não há vagas”, por exemplo,
já fez várias vítimas.
Ataca pelas manhãs
Sem dó nem piedade
Na porta das fábricas.
Líder da quadrilha do vernáculo,
Ela anda por aí, livre,
Sem ser incomodada pela lei.


Sérgio Vaz

Monday, May 29, 2006

SARAU DA COOPERIFA APRESENTA:


Nação Hip-Hop Brasil Vol. 1


Quarta feira 31/05

O sarau da cooperifa nesta quarta feira estara recebendo a galera a Nação Hip Hop Brasil para o lançamento do CD que será distribuindo gratuitamente.

O CD é uma inédita coletânea que conta com 15 grupos de 12 estados brasileiros de todas as regiões do país.

Confira abaixo o playlist:

01 Artigo Pesado Sem motivos pra sorrir SP
02 Viela 17 Dupla Face DF
03 Esquadrão da Rima Maquina de Pensar SC
04 Mensagenegra Estrela Solitária SE
05 Mano Jaw Não tem hora marcada PE
06 NUC Resistência MG
07 Opção Verídica Baque forte PA
08 Saga Clã Socalismo ou Barbarie ES
09 Sacramento O protesto SP
10 Outras Vidas O tamanho da dor SP
11 Soul Kriss Rosas tem espinhos PR
12 Banda Maloca Sentimento Bom SP
13 Superação Setembro Negro CE
14 Jam* O trem do compromisso RS
15 Welf Fúria e furtos RJ

* CPI, VPR, Verbo Ativo e Só + 1 Aliado

Produção executiva: Aliado G
Produção grafica: Toni C.

Sunday, May 28, 2006

Acesse o site

NOVAMENTE NO AR





www.otaboanense.com.br/poetasergiovaz

Encontro Literatura Marginal

Friday, May 26, 2006

VIAGEM


QUATRO JOVENS
MORRERAM NA CHACINA
DO FIM DA RUA.
CONFORME A NOTÍCIA
DOIS DELES TINHAM PASSAGEM
OS OUTROS DOIS...
FORAM ASSIM MESMO,
CLANDESTINAMENTE.

SÉRGIO VAZ

Thursday, May 25, 2006

ZÁFRICA BRASIL

Buia, Gaspar e Pichu no Sarau da Cooperifa

Nelson Maka, embaixador da Cooperifa em Salvador-BA

Sérgio,
não tenho conseguido me expressar sobre esses últimos eventos e acontecimentos sobre violência, desde o Falcão no Fantástico até este escremento capitalista chamado Daslu. Agora vêm essa notícia sobre o Ferrez, que eu não conheço, mas sei quem é... Confesso-me impotente diante de tanta barbárie no passado, no presente, na vida, no noticiário, televisionado. Todo mundo sabe que os acontecimentos de São Paulo são apenas o atacado concentrado e midiatizado do varejo cotidiano violento de qualquer cidade do Brasil.

Então, e mais uma vez, a poesia cometerá o seu delito.
Ou como diria Paulo Leminski: "parem / eu confesso / sou poeta"


Objeto sim identificado
Nelson Maca (da " Gramática da Ira")

Uma bala bem no meio da cara
Um buraco no alvo da nuca
Uma foto no meio da coluna policial

Foi o que sobrou para contar a história
(E precisa mais?)
Este tipo não parece flor que se cheira
Agora é esperar mais uma velha desesperada
Os gritos de tudo que seu deus não abafa

Ossos do ofício!

Agora é limpar a calçada para o próximo chamado
Para que bons cidadãos passem apressados
Até a nova euforia desses corvos em volta da carniça
Depois, levantar a ficha do negão
Para concluir o óbvio
Acerto de contas
Queima de arquivo
Tudo já estampado nos indícios da superfície

Questão de protocolo!

Até os céus mandarem um faxineiro celestial
Para a limpeza mais ampla, rápida, ligeira e final Ou até que a Ira barbarize de vez a gramática da lira

HAMILTON BORGES Salvador-Ba

Teoria Geral do Fracasso II, ou a Invasão dos Bárbaros


Você acorda e o mundo nem sempre é o que você espera, ele se apresenta dentro de uma certa verdade, te engana. Quase nunca o mundo é redondo daquele jeito que a gente pensa as coisas circulares.
Circularidade é uma forma que me apaixona, que me comove. A fecundidade é circular, faz nascer coisas que nos alimentam as esperanças, a história é circular, uma roda que não se parte. Eu gosto dessas coisas femininas. Fortaleço-me nelas.
Hoje eu acordei querendo escrever sobre algo que me comova, sei que não posso mudar o mundo, nem destruí-lo como ele se apresenta. Eu ao menos queria deslocá-lo, rompê-lo, tocar em algumas peças... Queria movê-lo. Tenho como ferramentas a guerra, a política e a escrita. Preciso fazer algo.
A escrita, eu sei, é um recurso muito limitado, é como um véu de fumaça que se dissipa ao simples sopro da história. A escrita não serve para nada, é inútil para o pragmatismo do mundo.
Como sonhar com um mundo novo? De todo modo, eu arremesso verbos ao futuro enquanto repouso abrindo caminhos com picaretas.
O país está fervendo por dentro. Uma erupção de dívidas abafadas promete explodir sem descanso. É o descaso recebendo a conta.
A rebelião se espalha, várias rebeliões, tá todo mundo incomodado, algo gesta-se no circulo histórico que nos trouxe a América. Bom, todo mundo é brasileiro, mas nessas horas os brancos se auto atribuem pela tela da televisão... E os pretos? Bom, os pretos sabem que podem ser mortos na guerra, como suspeitos.
Uma rebelião de bárbaros se instalou em São Paulo, bárbaros pretos, furiosos e armados. A rebelião é como um rastro de pólvora e se espalha, o medo se espalha, o terror se espalha. E o Estado dominado pelos brancos se prepara. A rebelião não começou agora, todos e todas sabemos.
O Estado brasileiro pode, com os recursos fabulosos das miragens da imprensa, matar sem incomodo os seres humanos dispensáveis. Agora nos chamam de suspeitos e metem bala, agora se aprovam leis que nos mantêm no mais profundo confinamento. Agora todo mundo se cala.
“O movimento negro fracassou”! É o que me diz ao ouvido um militante desses que surgem entre as cifras que a miséria lança. Ele também está temeroso do regime de exceção que vai se montando às pressas no Congresso Nacional.
O Viva Rio, O Sou da Paz, até Suzana Varjão e todos os outros grupos de brancos que defendem os “seus” direitos humanos falam timidamente na necessidade de políticas sociais, recomendam à polícia cautela para evitar excessos e é só. Calam-se ante o processo de extermínio contra a população negra que nós bradamos aos quatro cantos do País.
Existe uma lógica racista e truculenta de segurança pública desde que o Brasil Colônia resolveu explorar os antepassados desses bárbaros de tênis Nike e boné de jogador de golfe, esses guerreiros de calças folgadas compradas no camelô, esse povo preto que não tem idéia do quanto de cifrões o crime movimenta entre uma tragada e outra de whisky importado na mesa dos engravatados de colarinho branco e olhos azuis.
O movimento negro nacional fracassou porque não apareceu nos noticiários apresentando suas razões e análises da crise, da insurreição dos bárbaros.
Nós somos os novos bárbaros!
“O sistema prisional vai explodir”! Mero engodo, já estamos sobre os estilhaços do sistema penitenciário há muito tempo. É um sistema que não serve para nada do ponto de vista de manter alguma proteção ou segurança. Depositam-se seres humanos nessas câmaras úmidas e infectadas, impõem maus tratos, trabalhos forçados, dietas de ratos, controle sobre suas almas, loucura e perversão, negam-lhe direitos constitucionais evocados a cada hasteamento de bandeira e esperam que esses seres humanos não se rebelem, que não se insurjam. Esperam que não apodreça algum bocado de esperança em seu peito e lá nasça muito ódio.
O sistema prisional já mandou tudo pelos ares, a explosão foi calculada para justificar a pena capital e parece que muita gente de boa vontade não está atenta para isso.
As ações humanitárias que eu vejo nas cadeias e presídios são tímidas, não pretendem mudar o sistema carcerário. Querem salvar almas. Os presos e as presas se lixam para suas almas, querem é transpor os muros, não têm asas, nem advogados como os de Pimenta Neves, Ubiratã Guimarães ou da Escuderia Le Coq. Aos presos comuns resta cavar buracos ou tomar reféns.
O movimento negro fracassou por não ocupar as varas de execuções penais, os tribunais, o Supremo Tribunal Federal. Todos espaços ocupados pelos brancos, os mesmos que instituem nosso controle com mão pesada, uma mão que carrega uma certa balança da justiça, uma balança adulterada. Para a justiça brasileira nossa morte não pesa.
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, criticou a burguesia branca pelas conseqüências dos atuais ataques. Ele não fala, é claro, das históricas execuções sumárias praticadas pela polícia contra o povo preto.
Depois da autocrítica, Lembo foi dormir em seu condomínio blindado, com suas roupas de “pequeno burguês soberbo” enquanto sua polícia, que ele defende dizendo que “age dentro da legalidade”, mata pessoas como se fossem insetos, em cima de simples suspeitas. Os caciques do PFL, herdeiros cotistas das companhias hereditárias, legalizam a lei marcial no país, a licença para matar, deixando à vontade os vândalos oficiais para desfilarem com as insígnias dos grupos de extermínio, o mais notório deles, o esquadrão da morte.
Se for para combater o crime organizado, temos que reformular a polícia, controlá-la, tirar-lhe a arrogância de tratar os pretos como sub-gente.
Se for para isolar os chefes das facções criminosas, temos que tirar de circulação gente do quilate de Romeu Tuma, ACM e seu neto estúpido. E o que falar do Coronel Eliezer Éclair que tem que prestar contas dos atos de vingança de suas tropas contra nós.
“Fracassados somos nós”? Pergunto-me, refletindo sobre os argumentos de meu interlocutor que acha que somos atrasados por chamarmos a atenção para os crimes bárbaros cometidos pelo Estado. Por intervirmos no cotidiano de nossas comunidades discutindo política na acepção mais nobre da palavra política, por não acreditarmos na integração de milhões de miseráveis como nós, por não aplaudirmos a vergonhosa atuação dos negros na novela das seis que nos humilha, o programa de Gugu que nos enoja, o noticiário de todas as TVs que nos despreza. Por tentarmos fazer por nossa própria conta a trajetória de nossa liberdade.
Atrasados porque gritamos nas ruas, porque tomamos as ruas, porque desacreditamos em saídas negociadas para a nossa opressão, porque somos a ralé gritando, porque articulamos a ralé sorrindo e caminhando cheios de utopia pela cidade.
Nós paramos Salvador na sexta-feira dia 12 de maio de 2006, numa marcha pela vida. No mesmo dia, o PCC parou São Paulo e instrumentalizou os brancos a produzirem leis para nossa morte. Podemos parar o país para que se rompa a bolha que nos mantém submissos, prontos para o abate, como semoventes políticos no pasto do poder, aceitando migalhas.
Estamos movendo a roda, temos uma tecnologia política de sonho suado na batalha. Uma imaginação política nova é a engrenagem que nos levará a vitória.

Hamilton Borges Walê
Movimento Negro

LITERATURA DAS RUAS

PUC - SP
APRESENTA:
LITERATURA DAS RUAS
MUSEU DA CULTURA
PROGRAMAÇÃO:

26/05 - 19:00HS - MESA REDONDA I : LITERATURA DAS RUAS

- Daniel Teixeira de Lima (ex-secretário de Cultura de Juquitiba- Prof. História e Geografia)
- Elisabeth Murillo da Silva (Dra. em ciências sociais/Puc-SP-núcleo de estudos do cotidiano e cultura urbana)
- Mc Kall ( estudante de Ciências Sociais)

26/05 (sexta-feira ) 20:hs Mesa Redonda ll : COOPERIFA
- Sérgio Vaz e os Poetas da Cooperifa

Puc-SP
Rua Monte Alegre, 984 Perdizes
Sala s-23 do prédio velho Fone: 3670.8559

Wednesday, May 24, 2006

A POESIA DOS DEUSES INFERIORES

ULTRAMAN


No meu tempo de moleque
os montros queriam dominar a terra
invadir mentes e corpos,
Mas o Ultraman
dava cabo de todos eles.
Hoje,
os montros
dominam o mundo.
Matam de fome, sede
e escravizam os mais fracos,
e os heróis
são todos uns bunda-moles.

Sérgio Vaz

VEM AÍ

VEM AÍ O LIVRO:
O COLECIONADOR DE PEDRAS

PANELAFRO NA CASA DE CULTURA DO M´BOI MIRIM

Rose musa da cooperifa, Timbó e Rose do grupo Espírito de Zumbi


Não esqueçam sexta feira é dia de

PANELAFRO:
"PROMOVER,DIFUNDIR,CULTIVAR E PRESERVAR A CULTURA AFRO BRASILEIRA"

Muito samba de roda,
maracatu,
MPB,
poesia,
forró,
ciranda,
côco,
RAP,
samba,
capoeira,
afoxé,
samba
reggae....
Prato típico: Frango com quiabo e polenta(grátis)
Dia: 26/05 Apartir das 19hs
Local: Casa Popular de Cultura do M´boi Mirim Rua inacio dias da silva s/n
Piraporinha Sto Amaro.
inf: 55143408

TRIBUTO A PRETO JOTA

Preto Jota

III Hip-Hop Pela Paz

Os Melhores do Rap por um mundo melhor!

Dia 27 de Maio a partir das 12h

TRIBUTO AO PRETO JOTA

Super Telão e apresentação dos grupos:
Z´Africa Brasil ,
Hórus, Rosana Bronks,
O Time,
Periafricania,
Sabedoria de Vida,
N.S.N. ,
Versão Popular,
Preto Soul,
Muralha Sul e Família N.D.R..
E os Poetas da Cooperifa!!
Mais uma atração surpresa !!!
DJ´s: ADRIANO D.R.R. e MEIO QUILO
Exposição de Graffiti e Apresentação de Break
Local: Praça Luiz Gonzaga (Pirajussara) - SP
APOIO: CONDUTA HIP-HOP WEAR
Organização: S.D.V Produções
Informações: (11) 9318-7161 (Zélo)
E-Mail: sabedoriadevida@bol.com.br

SANGUESSUGAS EM LIBERDADE

CUIDADO, CRIMINOSOS RICOS EM LIBERDADE!



Máfia das Ambulâncias Livre:
Acusados na operação Sanguessuga ganham a liberdade por ordem judicial

Já estão em liberdade os 44 envolvidos no escândalo das ambulâncias superfaturadas apurada pela Operação Sanguessuga. A quadrilha, composta por deputados, ex-empresários e servidores, ficou presa por 20 dias. Eles foram soltos ontem, à noite, por decisão do Tribunal Regional Federal do Distrito Federal, que concedeu habeas-corpus aos acusados.
Da ala feminina do presídio Pascoal Ramos saíram as mulheres. Entre elas estavam assessoras parlamentares, empresárias e a funcionária do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino, suspeita de facilitar a liberação de dinheiro para a compra de ambulâncias. Já os homens, que deixaram a carceragem da Polinter, saíram apressados e ao mesmo tempo, entre eles o ex-deputado federal Carlos Rodrigues, conhecido como 'Bispo Rodrigues'.
Os acusados foram libertados graças a uma hábeas-corpus concedido. Os desembargadores do TRF/DF decidiram por três votos a zero impedir a Justiça Federal em Mato Grosso de continuar o processo por causa da presença de deputados, que têm direito ao foro privilegiado entre os suspeitos de envolvimento com a máfia das ambulâncias.
A decisão abriu caminho para que as 44 pessoas presas pela Polícia Federal fossem soltas. Elas agora vão responder em liberdade ao processo que será conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com a decisão dos desembargadores, todos os documentos em poder do Ministério Público Federal serão enviados ao Supremo.

As informações são do Bom Dia Brasil, da TV Globo.
(Agência Estado)

Tuesday, May 23, 2006

Veja matéria da Cooperifa

AMEÇADO, O ESCRITOR FERRÉZ DEIXA SÃO PAULO


O rapper e escritor Ferréz foi obrigado a deixar o estado na noite deste domingo com a família devido às ameaças de morte que recebeu na semana passada. Ele acredita que elas tenham partido de policiais,depois que denunciou em seu blog que a policia está promovendo um massacre.

" Estao fazendo da nossa periferia um estado para lá de nazista". Escreveu ele.

Ao longo da semana, Ferréz, lider comunitario do Capao Redondo, na Zonal Sul, um dos bairros mais violentos da Capital, começou a ser procurado por familiares de jovens. Eles relatavam que os parentes foram mortos por policiais. Só no Capão Redondo teriam sido mortas 24 pessoas. Segundo o escritor, nenuma delas tinha envolvimento com o crime organizado. Em todos os casos, os assassinos eram tres homes que usavam toucas-ninja e saiam de uma palio ou de um corsa atirando.

FORÇA FERRÉZ!

Uma poesia do novo livro " O colecionador de Pedras"

Despedida

Pai

Faltam-me palavras
A lâmina do medo
Percorre minha garganta
Tenho medo de sopra-las
E manchar meu corpo de sangue.
...sigo sem nome.

Falta-me luz
E a sombra em círculos
Escorre em meu caminho de pedras
Que se amontoam em minha frente
Tenho medo de topa-las
No escuro do deserto
E cair em braços diferentes.
...sigo sem rumo.

Faltam-me gestos
O silêncio do corpo
Devora minha alma
A calma manifesta
Em braços pálidos
Em passos curtos.
Tenho receio de dançar
No sustenido mortal desta orquestra
Regida pelo labirinto da vida.
...sigo imóvel.

Falta-me alegria
O espinho das lágrimas
Espetam minha face
Falida de afagos.
E a adaga triste da solidão
Fere meus lábios.
E com a ferrugem do meu beijo
Tenho medo de contaminar a multidão.
...sigo triste.
Agora me falta ar,

Adeus.

Sérgio Vaz

Monday, May 22, 2006

VEJAM QUE ABSURDO QUE SAIU NO CADERNO DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO

JORNALISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO JOGA JOVENS DA PERIFERIA CONTRA A POLÍCIA.

(jornal Folha da são paulo, 22.05 caderno cotidiano C-4)

Veja que absurdo:

Na manchete da matéria do jornalista da folha de são paulo, IVAN FINOTTI, editor da folha teen
.

"NA PERIFERIA, ATAQUE À POLÍCIA É CELEBRADO"
Jovens dessas áreas de SP não vangloriam pcc, mas comemoraram antentados contra forças que impõem medo a eles.

escreveu o jornalista, e depois segue a matéria.

"Mentira! Na periferia não há nada a comemorar, nem a vida e nem a morte de ninguém".

será que este jornalista sabe o que realmente está acontecendo?
será que ele sabe o perigo que é uma manchete dessas, num momento delicado que estamos?
ele acha realmente que alguém, na periferia, está comemorando alguma coisa?
Qual o real motivo dessa manchete?
Não, eu afirmo, ninguém está comemorando nada! não há nada a comemorar!
Os jovens estão morrendo de medo, de tudo e de todos!
Quem deve estar comemorando são os bandidos, os políticos que vão prometer mais segurança nas eleiçoes, as empresas de segurança, as agência funerárias, e sei lá quem mais, menos os jovens da periferia.
Estamos trabalhando duro, através da literatura e a criação poética, e essa manchete não nos ajuda em nada.
Já não basta o preconceito?
Por favor não acreditem nisso! isso é uma mentira!
Trabalhamos com muitos jovens e não ouvimos nenhuma afirmação sobre isso!
Ao contrário do que pensa o jornalista, os jovens estão é com um tremendo baixo-astral por conta de tudo isso.
Peço aos amigos e simpatizantes, que acreditam num país melhor, independentemente de onde moram, que protestem contra esta matéria, e, principalmente,
não acreditem nisso, em hipótese alguma.

Indignado,

sérgio vaz

Essa vai para o ex-governador Geraldo Alckimin



Coisas da Vida (terra em transe)

Hoje
Eu vi uma criança acordada
comendo pão dormido.
Um homem desempregado
empregando uma arma.
Uma mulher vestida em trapos
lavando roupa cara.
Um policial desalmado
separando um corpo da alma.
Uma menina desnutrida
com a barriga cheia.
Uma bala perdida
procurando uma veia.
Senhoras de joelhos
andando sem destino.
Velhos com olhos vermelhos
chorando como menino.
Poetas loucos
cuspindo razão.
Anjos e demônios
na mesma religião.
A miséria na coleira da fartura
a vida fácil
às custas da vida dura.
Gente sorrindo
com o coração em pranto
surdos ouvindo
a canção dos falsos santos.
Vi mãos calejadas
beijando mãos macias
José nas enxadas
no cabo delas, Maria.
Com mansos olhos de fel
E a boca dura de fera
vi um país no céu
E o inferno na terra.

Sérgio Vaz

NEM TUDO É GUERRA

ALESSANDRO BUZO FALA SOBRE A FESTA FAVELA TOMA CONTA NO ITAIM PAULISTA (ZONA LESTE DE SÃO PAULO) :

9o FAVELA TOMA CONTA FOI SUCESSO ABSOLUTO, GRAÇAS A DEUS.

Por Alessandro Buzo (organizador).

Neste domingo (21/05) das 12:00 à meia noite rolou no Itaim Paulista a nona edição do FAVELA TOMA CONTA no Itaim Paulista organizado por mim, escritor Alessandro Buzo através da Suburbano Convicto Produções. Graças ao bom Deus foi sucesso total e mais que isso, como sempre não tivemos nenhum problema de ordem de segurança, numa semana de medo e terror em São Paulo a nossa festa que foi na rua, na favela, não teve um tapa, um bate boca, muito menos tiro ou morte, e olha que não tivemos uma viatura policial presente e uma porrada de zé povinho e invejoso torcendo contra.
Agradeço de coração a SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA (em especial ao Pádua e a Lourdes) que disponibilizou a estrutura (palco e som), aos meus apoios que deram varios brindes para sortear, SÉRGIO VAZ, CONDUTA, PORTE ILEGAL, RAP BRASIL e CARLINHOS DO BONÉ.
Aos veiculos de comunicação presentes, Revista Rap Brasil (Alexandre de Maio, Juliana Penha), 105 FM (Dj Fábio Rogério), Portal Rap Nacional (Mandrake e equipe), Site Movimento Enraizados (Fiell), varios fotografos de blogs e a DGT FILMES que filmou. A todos os manos e minas que lotaram a festa que bombou literalmente, rua lotada de povo, de gente, de gente da gente.
A Cooperifa que abriu a festa em grade estilo com Sérgio Vaz, Marcio Batista, Jairo Periafricania, Robson Canto e Wesley que cantou e tocou violão acompanhado de Toni Nogueira, os poetas mostraram que cabe poesia e literatura em evento de rap. Parabens e valeu Cooperifa (eu também sou + 1 cooperiférico com muita honra).
Ao King Nino Brown que rolou as 10 + dos anos 70 em homenagem ao mestre JAMES BROWN (isso é que é som). Ao MC Tabaco que representou no graffit, ele fez milagre num muro ruim e no meio do mato, representando em sem duvida o elemento graffit.
Ao B.Boy Eduardo que trouxe outros b.boys e mandaram bem. Por fim a todos os 17 grupos de rap que fizeram uma maratona que só acabou na meia noite do domingo para segunda.
Conexão Popular de Guaianazes, salve manos. Revés que representou São Miguel. Carlão + 1 guerreiro da leste que trincou com seu show solo.
Visão Urbana, bem loko a apresentação da rapaziada que venho de Itapevi. HORUS, mil grau. Da Baixa direto da Baixada Fluminense. Guerrilha Urbana da Cidade Tiradentes, manos da Equipe Nacional de Hip Hop.
Ana Paula_A liga que venho mostrar o rap do interior (São José do Rio Preto-SP). REALISTAS NPN de Minas Gerais, rap mineiro é só prus guerreiros. CLÃ NORDESTINO representando Maranhão e o MHHOB. FIELL do RJ, Movimento Enraizados que fez um bela apresentação, valeu irmão. Spainy & Trutty que fez um show impecável, lokão.
Nessa hora chegou os irmãos do Jaraguá, num show que foi pura explosão, com o publico cantando todas as musicas e culminou com as crianças invadindo o palco, EXPRESSÃO ATIVA sem palavras manos, tamo junto e misturado. Só quem viveu esse momento sabe.
Na seuquencia D`Elementos mandou bem representando o Itaim Paulista, Encosta Norte. Venho então DI FUNCÃO, mano sangue bom (acompanhado do meu amigo DJ FABIANO da Porte Ilegal). Loko mesmo.
Para fechar em grande estilo o grupo de samba PEGADA DE GORILA chegou abrindo o TRIBUNAL MC'S que teve junto o DCM. Uma maratona, super cansativa para mim que estava na responsa de varios corres ao mesmo tempo, mas que valeu a pena por cada sorriso de criança que eu vi. FAVELA TOMA CONTA representou modestia a parte.
A parada foi sensacional, na semana da guerra, 12 horas de hip hop e paz.

ALESSANDRO BUZO
alessandrobuzo@terra.com.br
www.suburbanoconvicto.blogger.com.br

OUÇA MÚSICA EM HOMENAGEM À CLASSE MÉDIA

Clique e ouça uma música em homenagem à classe média que participou do festival de música da
tv cultura.

Sunday, May 21, 2006

COOPERIFA INVADE PINACOTECA DE SÃO PAULO

O sarau da cooperifa participou da ll virada cultural de São Paulo

LANÇAMENTO DO LIVRO DA DINHA

música, poesia, his(es)tórias e muita gente boa!
programão para o próximo sábado!!!
além de amiga (o q já diz tudo), uma grande poeta.
compareçam:

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ANIVERSÁRIO do NÚCLEO CULTURAL PODER E REVOLUÇÃO
E
LANÇAMENTO DO LIVRO DE POEMAS
DE PASSAGEM MAS NÃO A PASSEIO – Poesia Reunida
De DINHA

Dos fanzines para as Edições Toró!!!

DIA 27/05/06 (próximo sábado)
das 14hs às 19hs
no MALOCA ESPAÇO CULTURAL:

Endereço: Rua Particular, 556, Vila Caraguatá, Parque Bristol.

Vai ter uma porção de gente talentosa que faz com que o mundo seja bem maior e mais bonito que o medo da polícia e a esperança de salário mínimo no final do mês!

Presença d@s seguintes poetas/escritores(as)/contadores(as) de história/apaixonad@s por música e poesia:

André ( Núcleo Cultural Poder e Revolução), Allan da Rosa, Alessandro Buzo (a confirmar) , cia Efetivo Teatro de Emergência, Dica.L.Marx (a confirmar) , Di Menor, Elisandra Souza, Elis Regina, Gorduritchas, Grupo Transtorno, Jonathan Silva, Nego Jeff (Subsolo), Paula Nóbrega, Patrícia Rocha, Pilar (confirmar), Rodrigo Ciríaco, Sacolinha, Sergio Vaz, Silvio Diogo, Tânia Canhadas e muito mais!

Além de microfone aberto, free style e, de repente, Repente!


Endereço: Rua Particular, 556, Vila Caraguatá, Parque Bristol.

Pra quem vem de ônibus:
Do Centro:
Na praça da República, ou no Parque D. Pedro: pegar o ônibus Parque Bristol 4734 e descer no ponto final. Seguir pela Rua Giácomo Gozzarelli, até o Maloca Espaço Cultural. Na dúvida, perguntar onde ficam as casinhas do CDHU, pois o espaço é um antigo Centro Comunitário.
No Parque D. Pedro: Pegar o ônibus Vila Livieiro 4792 e descer no ponto final. O Maloca fica dois quarteirões à frente, na mesma rua. Na dúvida, perguntar onde ficam as casinhas do CDHU, pois o Maloca é o antigo Centro Comunitário.

Pra quem vem de metrô:
Na estação Saúde: Pegar o ônibus Jardim São Savério 475R e descer no ponto final. Seguir pela Rua Menino de Engenho, sentido Mutirão, entrar na Rua Jardim Bristol, em seguida na Jorge Morais (até o fim) e entrar à direita, na Rua José Pereira Cruz.
Na dúvida, perguntar onde ficam as casinhas do CDHU, pois o Maloca é o antigo Centro Comunitário

Pra quem vem de carro:
Seguir pela Ricardo Jaffet, sentido Zoológico. Em frente ao Zôo Safári, entrar na Avenida dos Ourives, na Rotatória, entrar duas vezes à esquerda. Perguntar onde ficam as casinhas do CDHU, pois o Maloca é o antigo Centro Comunitário

Ou ainda:
· Procurar no guia a Rua José Pereira Cruz, altura do número 41. O Maloca fica no início desta rua.

SE LIGA NA IDÉIA

Repassando...
Não se deixem enganar por essa manifestação orquestrada pela direita, que evoca na classe média acéfala a hipocrisia e o falso moralismo da elites reacionárias tupiniquins.( a.lux;am)


La Torloni versão Regina Duarte

Dona Christiane Torloni, a senhora tem certeza de que essa sua passeata é mesmo por JUSTIÇA e PUNIÇÃO?! Se a senhora acha que o governo FHC foi tão “bonito” e por isso está convocando as pessoas para se manifestarem nas ruas contra um governo que está combatendo a corrupção, então deve estar acreditando nessa história de “o maior esquema de corrupção da História”. Está botando fé naquela cambada de senador que acusa o governo Lula, pelo fato de que ele está promovendo o resgate da cidadania de milhões de brasileiros. Acredita que as raposas se regeneraram e por isso merecem retomar o Poder Central.

http://www.novae.inf.br/pensadores/la_torloni.htm
"Nós vamos ter um enfrentamento grave. Vocês se preparem." (Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maio de 2006)
O presidente Lula fez o alerta, e muita gente imagina que ele está sendo apocalíptico. Ainda existe quem acredite que a oposição descarregou todos os seus cartuchos e daqui pra frente vai apenas requentar a bóia morna ou malhar em ferro frio. Ela armou a barraca, mas o circo mambembe vai continuar seu espetáculo deprimente em diversas modalidades golpistas. Os novos nacionalistas da moralidade ainda vão soltar muito gás, e suas flatulências vão abastecer o golpe ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Acabei de receber uma “Convocação do Povo Brasileiro”:
“Dia 21 de maio, daremos resposta àqueles que acreditam que a Nação está calada e passiva diante dos escândalos políticos que violentam nossas Almas!”
Lendo este primeiro parágrafo do panfleto eletrônico, imaginei que esta seria uma boa oportunidade para darmos uma resposta aos corruptos, através de uma grande mobilização, na qual a gente possa manifestar nosso repúdio a esses canalhas que, há décadas, se apossam das nossas riquezas através de assaltos aos cofres públicos. Acho que os melhores lugares para fazer esse tipo de protesto, hoje, é o Congresso Nacional e as carceragens da Polícia Federal.
No Congresso, lotaríamos as galerias e diríamos para aquela cambada formada por velhas raposas políticas, hoje posando de vestais da moralidade, que eles já não enganam ninguém. Jogaríamos na cara daqueles malandros engravatados toda a história da corrupção brasileira, da qual são legítimos representantes. E nas carceragens da Polícia Federal, poderíamos fazer um trabalho muito parecido com o que os religiosos costumam fazer nos presídios: “evangelizar” as centenas de corruptos que foram pegos ultimamente com a mão na botija e estão estocados, à disposição da Justiça.
No governo Fernando Henrique Cardoso, a Polícia Federal passou por um período de quase hibernação, não passava de um órgão expedidor de passaporte e foi entregue ao atual governo em estado falimentar, sem verba para o custeio de luz, água, telefone e viagens. Duas regionais da Polícia Federal receberam notificação judicial devido ao atraso de pagamento de aluguéis e ficaram sujeitas a ação de despejo.
Desde que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva se instalou, quase duas centenas de operações especiais foram desencadeadas pela Polícia Federal. Claro que a primeira providência deste governo foi reequipar suas instalações e reforçar seus quadros (praticamente dobrou o efetivo), além de promover formação, treinamento, especialização e reciclagem dos policiais. A nova reestruturação do órgão conta com uma diretoria específica, na qual estão incluídas ações de repressão à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, crimes contra o patrimônio, financeiros e relacionados a entorpecentes. O resultado é este: nunca, em qualquer época da nossa História Republicana, ocorreu fato tão significante, em termos de ações do Estado, no sentido de moralizar as instituições públicas e combater o crime organizado.
Os dados a seguir foram copiados do site do Consultor Jurídico (*):
“Entre os anos de 2000 a 2005, as ações da Polícia Federal no combate ao crime cresceram 815%. Durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Polícia Federal realizou 183 operações e 2.961 prisões — uma média de 987 presos por ano. Já nos dois últimos anos do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foram realizadas apenas 20 operações, com a prisão de 54 pessoas, ou seja, uma média de 27 capturas por ano. O balanço foi divulgado pelo Ministério da Justiça.”
Quer dizer, se incluirmos estes cinco primeiros meses de 2006, sem dúvida os números se alteram consideravelmente, crescem. Basta acompanhar a Operação Sanguessuga e as buscas e apreensões nos casos dos fraudadores das delegacias do trabalho nos estados do Rio de Janeiro e do Pará. As cenas de pessoas que embarcam e desembarcam em viaturas policiais sofreu uma ligeira modificação no visual: não faz muitos anos, os casos se restringiam a alguns traficantes de droga, trombadinhas e eventuais assassinos de classe média. Agora as mesmas cenas se repetem quase diariamente, desta vez no atacado, com assessores de parlamentar, técnicos de secretarias, comerciantes, lobistas e até ex-deputados federais algemados e conduzidos às carceragens. O criminoso pé-de-chinelo, usando bermudão, já não é mais estrela dos noticiários policiais de tevê. Desta vez os meliantes usam ternos Armani ou vestidos de grife.
Continuei a leitura do panfleto:
“Em passeatas simultâneas, marcharemos CONTRA a CORRUPÇÃO e a IMPUNIDADE de nossos políticos que têm envergonhado todos os brasileiros.”
E meus pensamentos logo se concentraram na lista de políticos denunciados pela Operação Sanguessuga, esta que acaba de trancafiar até dois ex-deputados federais. Um deles, Carlos Rodrigues (PL-RJ), renunciou ao mandato ano passado, a fim de escapar da cassação (deve ter-se arrependido), o outro, Ronivon Santiago (PP-AC), é um velho conhecido corrupto acreano, que confessou ter vendido seu voto no caso da emenda constitucional que permitiu a reeleição de Sua ex-Excelência Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP). Na época, lembro-me bem, o jornal Folha de São Paulo publicou reportagem revelando o conteúdo de conversas gravadas entre Ronivon e o também deputado federal João Maia (PFL-AC). No papo dos corruptos, eles deram nomes de outros parlamentares envolvidos com a venda de votos e de governadores e ministros de Estado encarregados de comprá-los. R$200 mil foi o valor da propina que cada um embolsou.
Pensei: é chegada a hora de passar o Brasil a limpo. Essa mobilização vai mexer com essa corja instalada no Congresso. Afinal, a Polícia Federal, além de prender 47 elementos que assaltavam os cofres públicos, aponta 63 deputados federais e um senador, supostamente envolvidos no esquema fraudulento descoberto pela Operação Sanguessuga, esquema esse que se baseava na compra irregular de ambulâncias para prefeitura de diversas cidades.
Novamente me concentrei no panfleto:
“Estas passeatas representam a VOZ de milhões de brasileiros que clamam por JUSTIÇA e PUNIÇÃO para a ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA que se apossou do ESTADO”.
Huuummm... Parece que o foco da manifestação é outro. Desconfiei.
Deixa-me ver se entendo melhor essa convocação contra os corruptos. Foi aí que vi a foto da atriz Christiane Torloni, indicada como musa do movimento. Ao lado, um texto informava:
Christiane Torloni desabafa no programa Mais Você da TV Globo e retrata um Brasil que parece sem esperança. Nesta excelente entrevista que a atriz Christiane Torloni concedeu ao programa Mais Você, de Ana Maria Braga, quinta-feira passada, dia 27, a atriz diz acreditar que a sociedade brasileira parece estar passando "por um momento de letargia", prestes "a um estado de indignação tão grande" e uma decisão firme de "botar ordem na casa".
Um link orientava que se podia assistir à entrevista da atriz. Cliquei e assisti à entrevista de La Torloni. Eu estava até interessado no que ela vinha explanando; porém, em determinado momento, a moça disse: “Nós tivemos dois governos de Fernando Henrique muito bonitos (!!!)”. Epa!, do que ela está falando?! Não entendi bem, mas, no encerramento do seu papo com Ana Maria Braga, no programa “Mais Você”, da Rede Globo de Televisão, acho que consegui perceber o objetivo da “Convocação”. Foi quando La Torloni disse: “Sabe quando se chega no fundo de um poço... até de um casamento? (...) Eu tenho ouvido muito as pessoas reclamarem (...) Se as pessoas não arregaçarem as mangas e se unirem, não vai acontecer nada. E se não acontecer nada, a gente tem aí uma reeleição pela frente que vai acabar conosco”. Opa! Peralá, Dona Atriz! Governo bonito de Fernando Henrique e medo da reeleição de Lula. Conferi a figura na telinha do monitor: era Christiane Torloni sim, mas na versão Regina Duarte 2006.
Dona Christiane Torloni, a senhora tem certeza de que essa sua passeata é mesmo por JUSTIÇA e PUNIÇÃO?! Se a senhora acha que o governo FHC foi tão “bonito” e por isso está convocando as pessoas para se manifestarem nas ruas contra um governo que está combatendo a corrupção, então deve estar acreditando nessa história de “o maior esquema de corrupção da História”. Está botando fé naquela cambada de senador que acusa o governo Lula, pelo fato de que ele está promovendo o resgate da cidadania de milhões de brasileiros. Acredita que as raposas se regeneraram e por isso merecem retomar o Poder Central.
La Torloni, vou lhe dizer uma coisa, cá pra nós: aqueles políticos babões que cospem seu ódio ao governo Lula, lá na Tribuna do Senado, não se enxergam. Daí eu cheguei à conclusão: corrupto não tem espelho.
(*) http://conjur.estadao.com.br/static/text/43480,1

Sarau Sopa de letrinhas

A poeta/cantora/jornalista e compositora Lucia Helena será homenageada no próximo Sopa de Letrinhas (agora em novo endereço).

O SOPA DE LETRINHAS (O SARAU DO CAIUBI) é uma festa chacriniana com muita música, poesia e bom humor. Acontece uma vez por mês. Sempre na última Sexta-feira.
Músicos, intérpretes, compositores, poetas e performances dos mais variados estilos apresentam suas criações para um público incrivelmente atencioso e participativo.
O público presente no evento participa lendo poemas do poeta homenageado da noite e concorre a vários prêmios. No final do evento é servida (na faixa) uma deliciosa sopa (de letrinhas).
SOPA DE LETRINHAS (O SARAU DO CAIUBI)
Local: Rua Peixoto Gomide 1052 – Jardins (perto da Alameda Santos)
Entrada: R$3,00 OU 1 quilo de alimento não perecível
TODO ALIMENTO ARRECADADO É DOADO PARA A.A.E.B (ASSOCIAÇÃO DE AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DO BROOKLIN).

Friday, May 19, 2006

SARAU DA COOPERIFA NA VIRADA CULTURAL


SARAU DA COOPERIFA NA PINACOTECA
19hs -Sarau da Cooperifa
22hs- Apresentação dos grupos Periafricania, Versão Popular e Banda Preto Soul
dia 20 de maio de 2006 (sábado)


*Atenção: haverá ônibus saindo do Zé Batidão e do Bar do Binho às 16hs

Pinacoteca do Estado
Pça da Luz, 2 – metrô Luz
fone 11 3229 9844
Estação Pinacoteca
Lgo General Osório, 66 – metrô Luz
fone 11 3337 0185

Thursday, May 18, 2006

Texto inédito (aprecie com moderação)

Arrota pra lá (Notícias da guerra)


A Periferia segue sangrando.
O Estado de São Paulo acaba de morrer atingido por bala perdida.
As hienas tomaram conta dos meios de comunicações e sambam sobre os cadáveres.
Na internet uma tal "corrente do bem" prometeu protestar, e durante trê dias não vão a teatros, museus, shoppings, boates, shows e restaurantes ( a favela prometeu aderir ao protesto em solidariedade).
O crime organizado toma conta das ruas, da terra, do congresso, do senado e do país desorganizado favorito na copa do mundo. O país do hexa só dá VEXA!
Os ricos e famosos pedem a pena de morte. Negros e negras estão brancos, de medo, só de imaginar.
Na rua Haddock Lobo, jardins, zona nobre do finado Estado de São Paulo, tem uma faixa estendida num prédio com os seguintes dizeres: "direitos humanos é só direito dos manos", os brothers não entenderam nada? Se mano vende, boy compra.
O governador, do que sobrou, disse que a situação está sob controle, mas as mães dos policiais, bandidos e inocentes que morreram não acreditaram, e prometeram chorar até o dia das eleições.
Navios Negreiros são incendiados e nem assim os trabalhadores desistem de ir ao encontro do cativeiro mal remunerado. Lembrou Drummond "...mas você é duro José".
Alheio ao apocalipse, as Sanguessugas, anelídeos da subclasse hirindínea que se alimentam de sangue, revoltaram-se ao serem comparadas aos deputados e senadores - que desviaram milhões do orçamento por meio de compras de ambulâncias-, que se alimentam de dinheiro.
Enquanto isso, sob os escombros, a burguesia arrota arrogância.
O governo, pai do caos, e os políticos corruptos arrotam promessas.
A classe média branca, a maior parte, arrota preconceito e desinformação.
Os criminosos ricos arrotam impunidade.
Na periferia, ninguém arrota nada, nem por brincadeira.

Sérgio Vaz

RIO DE JANEIRO É PURA POESIA

“Tem que acontecer alguma coisa, meu bemparado é que não dá pra ficar.
”Raul Seixas

Saba Sauers apresentam: Movimento in Pauta

Sexta, 19 de maio - A partir de 20h – R$ 5,00

Luciana d’Avila (voz e violão), acompanhada deDanilo d’Avila (violão) e Gustavo Saba (guitarra)No Show: “Ao Seu Lado”Barteliê

R. Vinicius de Moraes, 190 - apto 03 - RJ
Ipanema (esquina com Nascimento Silva)
PoetabraçosClauky (poeta e produtora cultural)http://arteemtodaparte.blogspot.comhttp://movimentoinverso.blogspot.com
Lembrando que sexta que vem (26 de maio) tem Sonia Segadas relançando seu livro de poesia, Marés, o presente ideal para o Dia dos Namorados.
Também teremos Cristina Costa apresentando “Povos de Rua”.
Isso e muitas outras surpresas no Movimento inVerso, lá mesmo: no Barteliê.

SITE REAL HIP HOP COMPLETA SEIS ANOS

'O Real do Hip Hop ' - por: SÉRGIO VAZ

A Periferia é uma nação em ebulição, disso, acho que ninguém tem mais dúvida. E o que ninguém mais duvida é que o Hip Hop tem uma grande parcela de responsabilidade dessa efervecência socio-cultural que evoluiu, a passos largos, no coração do povo brasileiro.

Não que antes existisse o caos, mas o hip hop instalou uma nova ordem na mentalidade do jovem da periferia. Lembro-me da primeira vez que eu ouvi a expressão "é nóis na fita", e até então não tinha me ligado no que vinha por aí, à sombra dessa expressão, que pra mim, e na minha opinião, foi o grito do ipiranga e a proclamação da nova república. Nessa época eu era apenas um HOMEM NA ESTRADA da literatura, por isso demorei a perceber esse BRASIL COM P dos MANO E DAS MINA, que iria se tornar a voz da favela, do morro, dos becos e vielas. Não quero, não devo, não posso e não vou contar a história desses quatros elementos que mudaram a vida de milhôes de outros elementos. Não quero, porque não cabe a mim. Não devo, porque que não sou testemunha ocular dessa batalha. Não posso, porque não tenho subsídios culturais do movimento para isso.
E, finalmente, porque o Site Real Hip Hop, já o fez, e faz, de forma jornalisticamente brilhante há seis anos. E só é brilhante porque o faz com o coração em chamas, característica primordial para que se entrega à luta sem a certeza da vitória.
O Real é os olhos desta evolução cultural por onde todos nós enxergamos a guerra pela transformação dos homens de bem desse país. E o Freitas e o Johnny, soldados incansáveis da luta do dia-a-dia, são os correspondentes de guerra.
Eu, poeta menor, sou grato por tudo isso. Pela gentileza dessa vida de permitir estar vivo ao mesmo tempo que essas pessoas, que através da simplicidade, usam lente de aumento para dar visibilidade a outras pessoas.
Sabe qual é a Real? Hip Hop.
Parabéns!

Sérgio vaz

Acesse o site:www.realhiphop.com.br



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Tuesday, May 16, 2006


O milagre da poesia

Sou poeta,
E como poeta posso ser engenheiro
E como engenheiro
Posso construir pontes com versos
Para que pessoas possam passar sobre rios,
Ou apenas servir de abrigo aos indigentes.
Sou poeta,
E como poeta posso ser médico
E como médico
Posso fazer transplantes de coração
Para que pessoas amem novamente,
Ou simplesmente receitar poemas
Para tristezas com alergias
E alegrias sem satisfação.
Sou poeta,
E como poeta posso ser operário
E como operário
Posso acordar antes do sol e dar corda no dia,
E quando a noite chegar, serena e calma,
Descansar a ferramenta do corpo
No consolo da família, autopeças de minha alma.
Sou poeta,
E como poeta posso ser um assassino
E como assassino posso esfaquear os tiranos
Com o aço das minhas palavras
E disparar versos de grosso calibre na cabeça da multidão
Sem me preocupar com padre, juiz ou prisão.
Sou poeta,
E como poeta posso ser Jesus
E como Jesus
Posso descrucificar-me,
E sem os pregos nas mãos e os fanáticos nos pés
Andar livremente sobre terra e mar
Recitando poesia em vez de sermão.
Onde não tiver milagres
Ensinar o pão
Onde faltar a palavra
Repartir a ação.

Sérgio Vaz

Sunday, May 14, 2006

A VAIDADE É O PRINCÍPIO DO FRACASSO!
Sérgio Vaz

VERSÃO POPULAR

Cocão, do grupo Versão Popular

A POESIA DOS DEUSES INFERIORES

Renilda de seu Francisco

Renilda
já nasceu mulher.
Ainda menina era prostituída
para matar a fome,pra não ser lixo, sina?
Não tinha registro
não tinha nome,
era a filha de seu Francisco.
Um dia,
desses sem dores,
sonhou ser artista de televisão:
Glória, Fernanda ou regina,
ser estrela.
Mas,
de volta às dores,
podia ser vista
maltratando a vagina,
longe das telas,
ao vivo e a cores
em todas as vielas
que tivesse um colchão.
Doente,
morreu virgem,
sem nunca ter amado.
Morreu seca,
sem nunca ter gozado.
Foda-se.

Sérgio Vaz

Saturday, May 13, 2006

VEJA MATÉRIA DA COOPERIFA NA FOLHA ON LINE

Veja matéria do cd da Cooperifa na Folha on line



clique em Ilustrada.

Friday, May 12, 2006


Pavio da Cultura

Pavio da Cultura terá edição especial no sábado

Texto de Marcos Cirillo

No dia 13 de maio, data em que comemora-se o Dia Nacional de Luta Contra o Racismo, a Secretaria de Cultura de Suzano promove um sarau cultural ligado à temática racial. Denominado Pavio da Cultura Sessão Negra, ele será realizado no Centro de Educação e Cultura “Francisco Carlos Moriconi” (Rua Benjamin Constant, 682 – Centro), a partir das 20h, com entrada gratuita. A abertura do evento ficará por conta do ator Gil Ferreira, que fará uma leitura dramática do texto “Os Prazeres de Sara”, de Ademiro Alves, o Sacolinha. Haverá também apresentações musicais com as participações de Valdivino Sampaio, interpretando clássicos de Roberto Carlos, e do rapper Kid Love, cantando músicas de sua própria autoria (hip hop melodia).O ator suzanense Marcos Roberto, dirigido por Fernandes Júnior, fará uma esquete teatral surpresa. Todas as atividades serão intercaladas por recitais de poesias. Haverá ainda distribuição de brindes, entre eles, adesivos, camisetas e livros.
Na entrada do Centro Cultural será montada uma mesa com livros de escritores do Alto Tietê.
A Coordenadoria Literária informa que os interessados em recitar poesias devem fazer a inscrição com meia hora de antecedência.

90 lugares
Centro Cultural de Suzano
Rua Benjamin Constant, 682 - Centro.

RECORDAR É VIVER

Histórias da Cooperifa
A partir de hoje vamos contar fatos que contam a nossa trajetória e seus personagens.


No dia 10.02. de 2001 nascia a Cooperifa (cooperativa cultural da periferia), ciadas por artistas da periferia, numa fábrica abandonado em Taboão da Serra-SP. Esta chamada saiu no Jornal Folha se São Paulo da época.

SP ganha Cooperativa Cultural da Periferia

Publicidade
da Folha de S.Paulo

Shows de rap e samba, exposições de artes plásticas, recitais de poesia, apresentações de capoeira e peças teatrais marcam hoje o lançamento do projeto da Cooperifa, a partir das 15h, num galpão do município de Taboão da Serra, na Grande São Paulo (rodovia Régis Bittencourt, km 271).
A entrada é franca. Os organizadores esperam cerca de mil pessoas, vindas de vários bairros periféricos.
Mais informações com o idealizador da cooperativa,
o poeta Sérgio Vaz, tel. 0/xx/11/9687-5228.

Poesia em homenagem a Mano Brow

Brow, recebendo o Prêmio Cooperifa
O Colecionador de pedras

Pedro
Nasceu em dia de chuva,
No ventre da tempestade.
Deus deu-lhe a vida
A mãe, luz a pele escura.
Dona Ana era jardineira
Plantava flores sobre pedras.
O pai, espinho de trepadeira,
Apenas doou o esperma.
Pedra preciosa
Foi recebido pelo destino
Com quatro pedras na mão.
A fome, de forma desonrosa
Transformou em homem, o menino
Que brincava com os pés no chão.
Por causa da pobreza,
A pedra do seu sapato,
Vendeu pedra de gelo
Com gosto de chocolate.
Humilde,
mas só se curvou de joelhos
quando foi engraxate.
Pedra lascada
Construiu edifícios,
Varreu ruas, escreveu poemas.
Mestre sem nenhum ofício
Tornou-se pedregulho, no rim do sistema.
Rocha,
Onde a vida queria grão de areia,
O poeta canta sua dor
rima a dor alheia.
E sem deixar pedra sobre pedra
Do rancor, o amor ele sampleia.

Sérgio Vaz

DIAS DA MÃES

DE TODOS OS HINOS
ENTOADOS EM LOUVOR ÀS REVOLUÇÕES
NOS CAMPOS DE BATALHAS,
NENHUM, POR MAIS BELO QUE SEJA
TEM A FORÇA DAS CANÇÕES DE NINAR
CANTADA NO COLO DAS MÃES.
SÉRGIO VAZ

ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA MONTE AZUL

Associação Comunitária Monte Azul e SESC Santo Amaro juntos em Mostra de MúsicaVII Mostra de Música Monte Azul

MPB - Música Periférica Brasileira

De 12 de maio a 4 de junho, o SESC Santo Amaro e a Associação Comunitária Monte Azul, localizada na periferia da zona Sul de São Paulo, promovem a mostra MPB - Música Periférica Brasileira.
O projeto pretende atingir os moradores da favela Monte Azul, de bairros próximos e do público em geral com shows gratuitos de quinta a domingo.
Como em 2006 comemoramos 25 anos de Voluntariado Estrangeiro na instituição, a temática da mostra de música deste ano será a influência estrangeira, principalmente dos negros e europeus, na formação dos nossos ritmos. A iniciativa incentiva a diversidade e democracia cultural – conceitos defendidos pela Associação Comunitária desde a sua formação, há 27 anos.
Segundo Ana Maria Medeiros, coordenadora do Centro Cultural, a expectativa é de que essa Mostra alcance maior público e prestígio graças à parceria com o SESC Santo Amaro e pela qualidade dos espetáculos que, seguindo a temática, começa com blues – ritmo originário dos negros americanos - no dia 12. E isso é só para esquentar.
A abertura oficial é dia 13 de maio com K.Ram.K. e Nhocuné Soul.
A programação segue com nomes como Samba da Vela, Fanta Konatê e Troupe Djembedon em uma extensa e rica programação onde mesclamos nomes consagrados e grupos de grande representatividade local.
As exibições ocorrerão no Centro Cultural da Associação Comunitária, com capacidade para 200 lugares, e também na própria Favela, onde será montada toda a infra-estrutura necessária para shows ao ar livre.

Sobre a Associação Comunitária Monte AzulFundada em 1979, no bairro Jardim Monte Azul, a Associação Comunitária atende direta e indiretamente uma população de aproximadamente 12 mil pessoas nas áreas de Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Cultural.O Centro Cultural Monte Azul incentiva a cultura não apenas como expressão artística, mas como patrimônio de cada grupo ou indivíduo, porque reflete seus valores e seu pensar singular em diálogo com os demais, num processo dinâmico de trocas e transformações, contribuindo para a diversidade cultural.
Centro Cultural - Monte Azul centrocultural@monteazul.org.br fone 5851 5370www.monteazul.org.br

Thursday, May 11, 2006



CONSCIÊNCIA E ATITUDE

X Marcha Noturna pela Democracia Racial

O Instituto do Negro Padre Batista e diversas entidades do movimento
negro, social, religioso e governamental, realizam nesta sexta-feira, 12de Maio,
a X Marcha Noturna pela Democracia Racial.

Neste ano a atividade tem como tema:
“Cotas: Afirmando direitos econstruindo políticas públicas”.

A marcha tem por objetivo chamar a atenção da população e governos para asdiscussões pertinentes aos afrodescendentes e se propõe a ser umamanifestação de denúncia à discriminação racial no Brasil.

PROGRAMAÇÃODIA: 12/05/06
Ato CulturalHorário: 20h00
Celebração Inter-religiosa
Horário: 21h00
Local: Igreja da Boa Morte
Rua do Carmo – Centro - São Paulo/SP
Em seguida os participantes vestidos de preto e com velas nas mãos
caminharão até o Largo do Paissandu.

Informações:Instituto do Negro Padre Batista
Tel.: (11) 3106-7051

NELSON MAKA (BLACKITUDE) FALA SOBRE CD DO SARAU DA COOPERIFA

Vida longa ao cd da cooperifa, ou
O que a poesia une o homem não separa

Após o contato com a assessoria do Itaú Cultural, o cd chegou em minha casa na quarta-feira à tarde, antes mesmo de seu lançamento público aí no sarau. Vocês não imaginam a moral que senti. Poder ouvir o cd, sabendo que, no mesmo momento, o pau tava quebrando aí no Zé Batidão, bar que nunca tomei uma cerveja, mas que sei que, agora, é também o meu lar poético e parte da São Paulo que sempre procuro.
Já ouvi o cd algumas vezes, mas não arrisco... Aliás, não quero emitir opiniões críticas sobre os poemas: levantamentos de acertos, desvios de conduta, contravenções, quebras de regras, escorregões, tropicões, subversões, má conduta, comportamentos suspeitos ou formação de quadrilha. Julgar nunca é um ato neutro. Quando analisamos, somos, necessariamente, arbitrários. A efetividade do resultado (material, ideológico ou estético) quem pode medir, em primeiro lugar, são os executores e seus parceiros, cada qual na sua. Até onde acompanho, longe, mas tão perto, sei que vai contra os princípios básicos do sarau, do livro e do cd, o pré-estabelecimento de normas, condutas e traços, não é? Como o Sérgio Vaz diz: “tudo sem massagem e sem vaselina”.
Estou, apenas, sentindo. Estou apenas me emocionando. Quero ouvir essas vozes que parecem, não de atores, não de portadores de auréolas, não de entidades, mas de pessoas de carne e osso parecidas com as que sempre rodearam minha vida que nunca foi fácil; que não é fácil.
Quero me emocionar ao reforçar, também, com o cd de vocês, uma verdade sempre rejeitada: a poesia é de todos, a poesia é para todos, embora as boas lições formais e institucionais de literatura, em todos os níveis de ensino, e também os livros oficiais ainda não sejam. Quero ouvir o cd da cooperifa, sabendo que isso tem a ver com Sérgio, que se tornou um meu amigo novo e humilde. O que nos ligou foi a poesia, então o cd também tem a ver comigo. Ele diz “é tudo nosso”; e eu o levo a sério. Eu já a ele: o que a poesia une o homem não separa.
Desde que recebi o cd, ando por aí falando e mostrado para quem posso. Acho que virei o assessor de imprensa de vocês por aqui – dentro e fora das margens. E, quando falo desse trampo, o que mais me move não é o desejo de criar modelos ou ídolos, mas lembrar o meu povo, para quem mostro o cd com mais convicção e emoção, que podemos ir à luta e botar nosso bloco na rua sem o crivo de academias, juizes, júris, bancas, etc. e tal. Ou, se assim for, que não percamos nossa identidade, alterando nosso texto com a vaselina da submissão.
No dia do lançamento, falei coisas como essas para aos 36 jovens alunos “afro-periféricos” da nossa Oficina de Produção Cultural, Amanhã, 04 de maio, estarei mostrando o cd para outros vinte e tantos da oficina de leitura e produção de textos que estou desenvolvendo no subúrbio ferroviário de Salvador. Juntando as duas iniciativas, são jovens entre 13 e 24 anos. Tudo semente “que precisa ser regada, para ser uma árvore bonita”. E por aí vai. Essa é nossa vida, negros. Seja em São Paulo, no Rio, Brasília, Porto Alegre, onde for. “Periferia é periferia em qualquer lugar” diz o poeta. Os verdadeiros guerreiros estão onde são necessários, não apenas onde há luminosidade. Onde há prisão há desejo de liberdade. Onde há trevas que se plante a luz.
Por tudo isso, não posso querer tecer críticas estéticas aos poemas do cd. Ele é muito mais que simples conjunto de obras-de-arte. Para mim, é uma arma possível. Eu, por exemplo, agora, posso ser flagrado a qualquer momento, portando um cd da cooperifa. Por exemplo, agora, ele está ali, ó, junto ao meu arsenal das estante, olhando dentro dos meu olhos, ao lado dos não menos explosivos Ithamar Assunpção, Jards Macalé, Tim Maia, Bezerra da Silva, Luiz Vagner, GOG, Thaíde e Racionais MCs.
Enfim, o que quero mesmo é dizer que, mesmo à distância de mais de 3000 quilômetros, me emociono diante da história da cooperifa, pois, como o Sérgio diz no seu blog: “se fosse fácil todo, mundo fazia”

Com Respeito e Também Vitorioso com Mais uma Vitória da Cooperifa,

Nelson Maca

EM SALVADOR, A GUERRA NÃO PÁRA!


Reaja ou Será Morto, Reaja ou será Morta!

Por uma Outra Sociedade.


São quinhentos anos de extermínio, exploração e genocídio. A sociedade brasileira é estruturada pelo racismo e, NÓS, NEGRAS E NEGROS, juntamente com nossos irmãos indígenas, somos as principais vítimas dessa violência que tem como único propósito manter os privilégios dos brancos sobre os outros povos.
Nossa causa não se restringe ao território brasileiro, nossa luta não se resume à busca de algumas mudanças pontuais para nos integrarmos a uma sociedade falida e sem volta em seu projeto de saque e opressão. Nossa causa é internacional e o que queremos é uma nova sociedade, uma nova nação, em que nossas identidades sejam tratadas dentro de marcos de respeito à nossa humanidade.
Não aceitamos pedaços de poder para poucos, migalhas que os poderosos depositam na sociedade acreditando nos fazer calar. Exigimos Ações Afirmativas para o povo negro para gerar experiências de poder, como uma tática na construção da sociedade que propomos construir.
Nos afirmamos contra o racismo, contra os privilégios, contra as oligarquias, contra as elites, contra os conservadores de todas as matizes ideológicas. SOMOS DO CONTRA!
Não estamos inaugurando nada... Nossos antepassados lutaram para garantir nossa humanidade, para garantir nossa liberdade e rebelaram-se, tomaram as ruas, insurgiram-se para que nós nos mantivéssemos dignos.
POR ISSO TOMAMOS AS RUAS!
Porque ainda vigora no Brasil a estrutura racista que nos trata como seres humanos de segunda categoria, porque estamos resistindo por nossa própria conta, porque se não nos levantarmos contra o projeto de eliminação do nosso povo, ninguém o fará.
Por que marchamos nesse dia 12 de maio de 2006? Porque queremos viver e o Estado move-se com mais truculência para dar cabo de nossa existência. Acabar com povo negro!
Senão, vejamos...
Em todo estado da Bahia, o maior covil de grupos de extermínio do Brasil, somos tratados e tratadas com brutalidade, como escravos, dentro de uma suposta sociedade democrática e de direitos.
A polícia – não apenas em Salvador, como em Brumado, Lauro de Freitas, Vitória da Conquista, Seabra, Feira de Santana, Cachoeira, Ilha de Maré – acha que tem o direito de invadir nossas casas, humilhar-nos nos baculejos e depois nos matar em cima de simples suspeitas. A pena de morte para a juventude negra está instituída, são números de uma guerra intensa contra os negros, que se registram nos hospitais e IMLs de todo país. SE VOCÊ NÃO REAGIR, VOCÊ SERÁ MORTO; SE VOCÊ NÃO REAGIR, VOCÊ SERÁ MORTA, é o que dizemos nas comunidades em que atuamos, é o que estamos dizendo aos organismos internacionais, como a OEA e a ONU, aos grupos dominantes e ao Governo Brasileiro: O BRASIL É UM PAÍS QUE MATA NEGROS!
Ser homossexual, neste contexto, já é motivo de luta. Some-se a isso a condição racial e sentiremos quanto pesa o racismo sobre homossexuais negros... Brutal, pode levar-nos a morte!
Travestis são extorquidas, esquartejadas, brutalizadas para preservar a moral de homens que usufruem da prostituição na calada da noite. Lésbicas são estigmatizadas e ridicularizadas no contrapeso de um modelo cristão, homofóbico e misógeno de sexualidade.
O sexismo é, então, outro componente do terror que combatemos, e sobre nós, mulheres negras, vão somando-se as marcas das múltiplas violências que resultam de todos esses fatores que nos confinam na base da pirâmide social brasileira – o racismo, o sexismo e a homofobia. Assim, frente à violência psicológica cotidiana, às agressões domésticas diárias, à desconfiguração de nossa imagem na televisão ou aos maus tratos da saúde pública, que têm como resultado os abortos clandestinos e esterelizações, nós, mulheres negras, somos obrigadas a justificar nossa existência a cada segundo. Há um ano, uma mulher negra foi assassinada no bairro do Curuzu ao defender a vida de uma outra mulher. O assassino está à solta, protegido pela lógica de uma justiça machista que beneficia assassinos que lavam a honra com sangue de vítimas inocentes.
BASTA! POR ISSO NOS LEVANTAMOS!
Moramos nos piores lugares da cidade, sobre escrombos. Bebemos a pior água, contaminada por coliforme fecal, isso, quando temos qualquer água. Morremos por doenças que poderiam ser evitadas, estamos submetidos ao desemprego, às ocupações desqualificadas, aos piores salários e a suas seqüelas mais diretas, como o alcoolismo, as drogas e as armas. Não temos acesso a uma política cultural séria e o que se vê são mercadorias culturais inspiradas em nosso capital simbólico, que nos colocam à margem dos lucros, no fundo da cena, como coadjuvantes do circo da Democracia Racial. Somos o centro dos problemas dos racistas, os inimigos internos desta sociedade violenta.
Enfim, por isso ESTAMOS EM GUERRA!
Porque somos herdeiras e herdeiros das combatentes e dos combatentes de nosso passado vigoroso. Um passado que é anterior à invasão dos embriagados de Pedro Álvares Cabral e seu bando de saqueadores. É por tudo isso que continuamos reagindo e propondo uma outra sociedade.
Sim, temos um outro projeto de sociedade. Uma sociedade baseada nas experiências de organização e gestão vivenciadas do continente africano; alimentada no embrião de nossa resistência quilombola fecundada na razão de luta de Palmares de Dandara e Aqualtune, Zumbi e Ganga Zumba, Andalaquituxe e Acôtirene, em Alagoas. Uma sociedade inspirada em espaços de luta, solidariedade e dignidade dos rebelados Malês, como Pacifico Likutã e Luiza Mahim; da poderosa marisqueira Maria Felipa de Oliveira, de Itaparica; do destemido Lucas da Feira e tantos outros exemplos de coragem contra os opressores. Uma sociedade que se referencia nas religiões de matriz africana, na fortaleza de cada Yalorixá, que nos ensina como resistir e manter viva nossa memória ancestral.
Temos exemplos de luta, resistência e modelos de poder. Não estamos inaugurando nada.
ESTAMOS CAMINHANDO PELA VIDA, CONTRA A VIOLÊNCIA RACIAL.
NÃO TEMEMOS NADA!

Entidades participantes:
· Movimento Negro Unificado.
· Posse Conscientização e Expressão/ Lauro de Freitas.
· Resistência Negra Comunitária de Pau da Lima.
· Posse Uhuru.
· Quilombo do Orobu.
· Choque Cultural.
· Clã Periférico.
· C.O.S Influentes (Contra a Opressão do Sistema).
· Rede Aiyê Hip Hop.
· Agrupaz.
· Núcleo de Estudantes Negras e Negros da UEFS.
· Posse Malês Uhuru/ Vitória da Conquista.
· Jornal do Beirú.
· Associação Tenda de Olorum.


Apoio:
· Movimento dos Pescadores e Mariscadeiras da Bahia.
· Comunidades Quilombolas de Seabra.
· CAAPA – Pastoral Afro.
· Êre Gege.
· Instituto de Mídia Étnica.
· MONDEC/ Feira de Santana
· CAMA.
· Grupo de Mulheres Maria Felipa.

COOPERIFA NO 9º FAVELA TOMA CONTA

A Cooperifa vai participar do 9º Favela Toma Conta, no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. O evento organizado pelo escritor Alessandro Buzo já é referência cultural na cidade. A gente se encontra lá.

Clique na foto para ver o cartaz


SARAU DA COOPERIFA NA PINACOTECA


Pinacoteca do Estado na

II Virada Cultural de São Paulo


Dia 20 de maio de 2006.


Inauguração das exposições (das 11 às 15h):

Vila Olímpia – fotografias de Fernando Stickel.
A série reúne cerca de 50 imagens (cor) e mostra o percurso do fotógrafo no bairro paulistano onde um dia nunca é como o outro. Cada fotografia guarda uma espécie de memória física e silenciosa de um tempo em movimento e de um bairro em fluxo incessante. Na mesma ocasião será lançado o livro Vila Olímpia, pela editora Terceiro Nome. Curadoria de Diógenes Moura.

e

Marcos Duprat – Sonhos Diurnos
Com uma investigação pictórica baseada principalmente na representação da luz, o artista carioca, celebrando seus trinta anos de produção, apresenta cerca de 90 trabalhos em papel, resultado de sua recente longa estada no Japão. Curadoria de Diana Mindlin.


Outras atividades:

na Pinacoteca
(que ficará aberta das 10 às 24h):

· Às 18h, apresentação do flautista e funcionário da Pinacoteca Toninho Tímaco, com repertório de música brasileira.

· Às 19h:
Sarau de Poesia da Cooperifa.

· Às 21h: Taking Place of Surface – Apresentação do projeto Müvi, de música eletrônica, com a dupla de artistas e pesquisadores Fabio Villas Boas e Ricardo Carioba, finalistas do 10º Festival Cultura Inglesa.

· Às 22h, apresentação dos grupos Periafricania e Versão Popular, ambos grupos de rap, e Preto Soul, com repertório de soul music brasileira.

· Às 19, 21 e 23h: Esculturas do Parque: sob uma nova luz – Visitas às esculturas do Parque da Luz, sob a iluminação de lanternas e a orientação de um arte-educador.

Às 22h: Performance Speaker’s Corner, de Veronica Cordeiro.


na Estação Pinacoteca
(que ficará aberta das 10 às 18h):

Das 10 às 17h: II Mercado de Livros – Publicações de arte com até 60% de desconto.

A partir das 11h: Exibição de documentário sobre a Pinacoteca. Conheça melhor a história da instituição e compreenda o modo como se constituiu e cresceu seu acervo.

[[MAIS INFORMAÇÕES SOBRE AS EXPOSIÇÕES E A PROGRAMAÇÃO DA VIRADA NOS ARQUIVOS ANEXADOS]]



Pinacoteca do Estado
Pça da Luz, 2 – metrô Luz
fone 11 3229 9844

Estação Pinacoteca
Lgo General Osório, 66 – metrô Luz
fone 11 3337 0185

COOPERIFA NO CENTRAL DA PERIFERIA


Sábado tem poetas da Cooperifa no programa Central da periferia apresentado por Regina Casé.

A Cooperifa contribuiu com o programa apresentando alguns poetas que participaram do recente cd "Sarau da Cooperifa" que reúne 26 autores que participam do projeto.
13 de maio Sábado 17 hs

Wednesday, May 10, 2006

A POESIA DOS DEUSES INFERIORES


OS SOUZA


A família de seu Souza,
assim como ele,
nasceu em pernambuco
no oco do sertão.
Lugar
que semente não nasce flor
e broto não vive feijão.
Sem-terra
sem-lar
marcham pelo mundo
feito ciganos,
como aves de arribação.
Jogam
sem o poder das cartas
sem saber dos arcanos,
para sorte do patrão.
Levam o lar
pendurado nos ombros
de noite
fincam seus sonhos no chão.
De manhã
ao lado das sombras
a vida muda de direção.
No ar,
os filhos,
arcanjos do mundão,
voam pelos quintais
sem-ninho
sem-paz
de mala e cuia na mão.

Sérgio Vaz

MULHERES DA COOPERIFA

Rose, Sônia e Otília
cia da foto
Harume
Rose Eloy
Benção, mãe
Marco Pezão


Tive um sonho
Nele a visível impressão
De que estava grávido
Com a barriga saliente
Pernas arquejantes
Andava numa casa
Em local desconhecido
Onde não havia entrada e nem saída
Situada em arborizado quintal

Sob a sombra de um pessegueiro
Sinto alívio em meu ventre
Movimento que se desloca
Ora de um lado e outro
Carinho de dentro pra fora
Que, feito cócegas, faz rir
E eu rio, chegando a gargalhar
De imensa felicidade
Eu me vi mãe!

Notei alguns pêssegos maduros
E utilizando uma taquara, os apanhei
Levei à boca e mordi
Saboreei o gosto doce
Descendo garganta abaixo
E pensei no filho
Trepando na árvore
Colhendo os frutos
Ele, fruto que trago comigo

Mas, assim, olhando o sol entre as folhas
Circulares aos galhos enfeitados
De pequenas e perfumadas flores
Deixei de ser mãe
E me vi fecundado
Apressado
Ouvi vozes e suave canto
Estranha vontade de chorar
Desejo abrir os olhos

Mas detenho o impulso
E fico a espera do tempo
Do tempo de nascer
E aguardar o dia
Pra poder dizer
Você deu vida a mais uma vida
Sua benção, mamãe!

SOBRE CLARICE LISPECTOR

Uma Pausa Para Clarice

"Sinto a forma brilhante debatendo-se dentro de mim. Mas onde está o que quero dizer, onde está o que devo dizer?"
(Clarice Lispector, em Perto do coração selvagem, 1944)

Clarice sabia muito bem o que devia dizer, e disse-o magistralmente. Não sei se o mesmo pode ser afirmado, sem querer generalizar, a respeito da literatura feminina que nos anos 60 despontou no Brasil. Apesar da raiz forte da qual germinou, a poderosa voz de Clarice Lispector que lhe abriu caminho, esta literatura não apresentou o mesmo vigor . Vigor que nela foi imediatamente reconhecido por Antônio Cândido no artigo intitulado "No Raiar de Clarice Lispector" logo após a publicação de "Perto do Coração Selvagem" em 1944. Clarice inaugurou uma literatura feminina e feminista, mas sobretudo introduziu uma linguagem nova no universo realista que a circundava. "Os perigos de um súbito momento de clarividência" (Xavier, E., 1998) a respeito das constricções do universo feminino, mas também o impacto transformador desta revelação é sua grande contribuição para a causa feminista . Mas sua literatura é muito mais que isso. Foi o marco, a linha divisória entre as representações do universo feminino até então construídas no Brasil, e as que viriam depois. Mas as escritoras que mais se beneficiaram da irradiação de sua luz não foram as que imediatamente lhe sucederam. Clarice foi, como estas últimas, ideologicamente nutrida pelos "anos dourados", mas o legado que estes lhes deixaram, repercutiu em sua literatura de forma singular . E esta não é a única herança de que desfruta. É descendente das Brontë na força e de Virginia Woolf na penetração psicológica. Não de uma psicologia ortodoxa, em torno de personagens à maneira do romance do século XIX, mas de uma capacidade de "deter-se em torno dos sinais (pois em Clarice tudo prenuncia) e neles palmilhar suas excrecências, cavidades, estremecimentos" (Corrêa. R., 1994). Um fio invisível a liga, enquanto romancista, ao "stream of counsciousness" do romance joyceano, mas nos contos, possui uma tal singularidade de expressão, que o processo criativo parece inaugurar-se ali, com ela. Não é realista, mas relata experiências . E a realidade contida nos relatos é sempre transfigurada pela significação transcendente com a qual brinda cada um dos fatos desse relato. Clarice não é uma escritora dos anos 60, pois sua consagração como romancista foi alcançada com seu primeiro livro, Perto do coração selvagem ainda nos anos 40, ao qual se seguiram outros de qualidade próxima: O Lustre, 1946, A cidade sitiada, 1949, A maçã no escuro, 1961, A paixão segundo G.H.,1964, Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres", publicado em 1969. Seus livros de contos entretanto, são todos publicados naquela década Laços de família, 1960, A legião estrangeira, 1964, Felicidade clandestina, 1971, Onde estivestes de noite, 1971 e A via crucis do corpo, 1974. Em 1976 publica seu último romance, A hora da estrela, substantivamente distanciado da produção anterior, onde descreve com voz emocionada e despida da crueldade que lhe é peculiar, a experiência de vida malograda de uma jovem imigrante nordestina no Rio de Janeiro. Ali, a visão amorosa da fragilidade humana subjacente às explicitas ironia e mordacidade com que trata em geral suas personagens, é a tal ponto evidenciada que o resultado pode resvalar para uma "talvez pieguice que aborrece a arte da modernidade" como disse Jorge Wanderley em ensaio sobre a autora (Wanderley, J., 1994) Um "kitsch", talvez programado como programada parece ter sido a escolha pelo tema "social" dentro de uma obra desinteressada, até então, desse topos. E dizemos, até então, porque a cronologia aqui pode ter sido determinante, na medida em que este é um romance escrito após a dura experiência dos anos 60 vividos pela autora, onde à crueldade dos atos da ditadura militar, acresceram-se os fatos sombrios de seu próprio destino: o incêndio por ela provocado causando-lhe danos irreparáveis, a moléstia mortal de que é acometida. Um momento de fragilidade maior em que abre a guarda para deixar correr a emoção e em que demonstra a consciência de que algo mais deve ser dito, de que a injustiça deve ser denunciada. É assim que fazemos a inclusão, com honrarias, de Clarice Lispector neste rol de ficcionistas que se inicia nos anos 60 . Uma inclusão que vê na sua obra a questão feminista confundindo-se com a questão literária numa forma de inquietação que não foi assumida por suas sucessoras, navegadoras em mares semelhantes, os do universo privado e familiar mas sob uma calmaria inibidora da transfiguração criativa. E mais, com a certeza de que ela foi a ponte dourada que deveria ter sido atravessada por todas as que a sucederam na difícil arte da expressão literária .

Profa. Dra. Marcia Cavendish Wanderley É delicioso esse momento do nosso cafezinho, não é mesmo? Vamos conversar um pouco sobre Clarice Lispector?

Excelente dia, queridos!
Luciana Pessanha Pires- Moderadora

Tuesday, May 09, 2006


Romeu e Julieta

Romeu era cego,
Mas quando conheceu Julieta
foi amor à primeira vista.
Julieta enxergava bem,
mas ficou cega de amor
quando viu Romeu.
Nos becos e vielas
não se falam de outra coisa:
a história de Shakespeare na versão da favela.
Ah, as famílias que eram contra,
se mataram, com o veneno
da inveja.

Sérgio Vaz

Texto inédito de Alessandro Buzo

TEKO.

Por Alessandro Buzo.

Desde os 15 anos que todos os chamam de Teko, porque sempre que ia cheirar cocaina ele dizia sorrindo para os amigos: - Vou dar um teko. Antes de ser o Teko ele era o Julinho, infancia pobre que passou pelas ruas de terra do Itaim Paulista no extremo da zona leste de São Paulo, brincadeiras foram muitas, soltar pipa, bolinha de gude, esconde-esconde, cabra cega, rodar pião e tantas outras, não eram os brinquedos caros de hoje não. Dos 7 aos 11 anos foi um bom aluno e passou direto de ano da primeira à quinta série, com 12 passou a andar com uns garotos mais velhos e foi sendo influenciado por falsos amigos, cheiravam cola e fumavam maconha, passou também a praticar pequenos delitos. A mãe e o pai chegavam tarde e cansados do trabalho e demoraram muito para notar que Julinho mudava a cada dia, infelismente para pior. Com 14 anos passou a cheirar cocaina e nunca mais parou, na época de 14 para 15 anos criou a frase: - Vou dar um teko. Que lhe rendeu o apelido. Cheirou com dinheiro que arrancava dos pais, com a grana de pequenos delitos como roubar um tenis. Mas o vicio cresceu e tinha que arrumar mais grana para mante-lo. Um dia o patrão da boca lhe propos uma biqueira, você vende e tira o seu e ainda leva uma grana. Teko aceitou e se mostrou agil e esperto para os negocios, sua clientela era boa e dinheiro deixou de ser problema, droga para consumo muito menos, depois vieram motos, mulheres e Teko cresceu, um dia o patrão foi preso e ele segurou a onda com os fornecedores, passou a ser o patrão, tinha agora empregados viciados e comprava sua segurança, com armas e suborno a policiais corruptos. Teko um dia precisou matar para provar ter coragem, depois matou porque um nóia o tirou, depois matou..... Se tornou o cara, o dono da boca, o patrão respeitado por todos. Engravidou uma menina de 15 anos e montou casa com ela, mas na rua tinha varias, as cachorras queriam te dar, te chupar, estar com ele, ele representava poder. Mas um dia um cerco policial bem na hora que ele chegava com uma carga de 5 kilos de pó para abastecer suas biqueiras, deve ter sido caguetado, mas não se entregaria vivo, pagava esses malditos policiais, o que faziam ali. Correu por matos, vielas e pulou muros, o carro com a droga já tinha sido preso, só faltava pegarem ele, o cerco foi grande e se vendo sem saida Teko passou a atirar, atirou até não ter mais balas, atirou e no revide morreu. Pelas ruas e becos a noticia correu: - A policia matou o Teko. A noticia ecoava e chegou aos ouvidos de sua jovem esposa que gritou: - O Teko não !!!!! Correu mais um pouco e chegou ao ouvido de sua mãe e seu pai, eles se abraçaram e Dona Lurdes falou ao marido ainda chorando: - O Julinho não...............

Alessandro Buzo

alessandrobuzo@terra.com.br
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