Friday, September 29, 2006

SOU LULA, E DAÍ ?

Domingo é dia de votar, EU VOU VOTAR NO LULA de novo, e com as duas mãos. Não vou ficar na moita esperando o resultado, ou com medo de me queimar. Nunca fui de correr de briga e não vai ser agora. Se a direita quiser o poder vai ter que ser no voto, mas também se quiser sair na mão, é só chegar. Aliás tá mais que na hora do povo chamar os golpistas no rôdo. Entendo todos que se foram e seus motivos, mas por favor, respeitem os que ficaram.
Erros aconteceram no seu primeiro mandato, coisas que aconteceram e que não deviam acontecer, muitos foram punidos e outros também devem ser, mais pera aí, são só quatro anos contra os quinhentos deles, isso não conta? Sou muito mais consertar o que não tá certo do que voltar a trinta anos atrás, pra começar de novo.
Estava com raiva do barbudo, confesso, mas depois que eu vi que o senador Artur Virgílio e o deputado Luiz Eduardo magalhães disseram que bateriam nele, eu pensei:"o presidente não pode apanhar sozinho, depois me acerto com ele", assim foi e assim é, "tamo junto!"
Quanto ao dinheiro do Dossiê, também quero saber de onde veio o dinheiro, mas principalmente o que tem nele. Não é estranho a mídia não querer saber o que está contido nesse tal dossiê?
Tô com o LULA também pela história, pelas lágrimas que derramei em muitos comícios, nas lutas pelas diretas, pelo inpeachament do Collor, foram anos de muita luta e auto-afirmação, nessa época nunca me senti tão brasileiro, sou grato a ele por esses momentos úteis na minha vida. Assim como Kevin Arnold, do seriado, também tive meus anos incríveis.
Como eu disse, sei dos erros e as coisas que precisam ser corrigidas, mas compor frente com os carrascos pagando de traído, nunca! Nem Kafka me transformaria num verme.
Não sou petista nem neo-petista ou coisa que o valha, eu sou da Cooperifa, partido da cultura de periferia que habita um quilombo na zona sul de São Paulo, lá, nesse lugar humilde e humilhado onde os homens e mulheres nascem, vivem e morrem pelo que acreditam, e, mesmo diante da derrota, nunca se entregam antes da briga.
Lula lá, de novo! Por quê? Porque agora é a nossa vez, e eles vão ter que esperar, como nós esperamos, pacientemente durante esses quinhentos anos que pareciam que nunca iam acabar.
Pra lembrara Castro Alves, uma frase a respeito de quem e o que somos: "...Somos nós, os teus cães".

Coração em chamas,

Sérgio Vaz
poeta da periferia

Vote consciente

Farrapos (gente feliz)



O Homem sorrindo
Sobe no morro
Acena pra foto
Pega no feto
Pede o voto.
Desce de costas
Esquece o fato
Foge da bosta.
Chuta o saco
Cospe no prato
Xinga o feio
Bate no fraco.
Que bate na bola
Bebe cachaça
Samba na festa
Trepa na ripa
Enseba no trapo
Que cobre as tripas
De quem dorme em barraco.
Triste fiapo
Canta contente
No fundo do prato
A fome da gente.



Sérgio Vaz

Monday, September 25, 2006

EM OUTUBRO, 5º ANIVERSÁRIO DO SARAU DA COOPERIFA

Dia 23 de outubro o sarau da Cooperifa vai completar 5 anos de atividade, já estamos preparando um grande churrasco no bar do zé batidão. agendem-se.

VEM AÍ, O 2º PRÊMIO COOPERIFA

Grupo Manicômicos recebendo o prêmio em 2005
PREPAREM-SE, VEM AÍ, O 2º PRÊMIO COOPERIFA.
A COOPERIFA ( COOPERATIVA CULTURAL DA PERIFERIA) VAI PREMIAR, PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO AS PESSOAS E ENTIDADES, QUE, DIRETA OU INDIRETAMENTE CONTRIBUIRAM PARA UMA PERIFERIA MELHOR.
POETAS, LIVROS, EVENTOS, PARCEIROS, AMIGOS, CINEMA, TEATRO, JORNALISTAS, E QUEM A GENTE ACHAR QUE DEVA RECEBER.
AGUARDEM!!!!!!!!!!!

QUEM SONHOU, SÓ VALE SE JÁ SONHOU DEMAIS...

SARAU DA COOPERIFA

MULHERES DA COOPERIFA

Clique na foto para ampliar

POVO LINDO!POVO INTELIGENTE!É TUDO NOSSO!

Sarau da Cooperifa em Suzano-SP (clique na foto para ampliar)

SARAU DA COOPERIFA, QUILOMBO CULTURAL DA PERIFERIA

Mavotisirc no sarau da Cooperifa

UH, COOPERIFA! UH, COOPERIFA!

Lançamento do cd da Cooperifa no Itau Cultural (clique na foto para ampliar)

Duguetto lança livro na ação educativa

Sunday, September 24, 2006

O MILAGRE DAS FLORES



O milagre da poesia

Sou poeta,
E como poeta posso ser engenheiro
E como engenheiro
Posso construir pontes com versos
Para que pessoas possam passar sobre rios,
Ou apenas servir de abrigo aos indigentes.
Sou poeta,
E como poeta posso ser médico
E como médico
Posso fazer transplantes de coração
Para que pessoas amem novamente,
Ou simplesmente receitar poemas
Para tristezas com alergias
E alegrias sem satisfação.
Sou poeta,
E como poeta posso ser operário
E como operário
Posso acordar antes do sol e dar corda no dia,
E quando a noite chegar, serena e calma,
Descansar a ferramenta do corpo
No consolo da família, autopeças de minha alma.
Sou poeta,
E como poeta posso ser um assassino
E como assassino posso esfaquear os tiranos
Com o aço das minhas palavras
E disparar versos de grosso calibre na cabeça da multidão
Sem me preocupar com padre, juiz ou prisão.
Sou poeta,
E como poeta posso ser Jesus
E como Jesus
Posso descrucificar-me,
E sem os pregos nas mãos e os fanáticos nos pés
Andar livremente sobre terra e mar
Recitando poesia em vez de sermão.
Onde não tiver milagres
Ensinar o pão
Onde faltar a palavra
Repartir a ação.

Sérgio Vaz

Friday, September 22, 2006

Vem aí, COLECIONADOR DE PEDRAS, 20 anos de poesia

ESSAS MULHERES...













Esta poesia eu fiz em homenagem à minha mãe, falecida já há alguns anos.
Mas é também uma homenagem a tantas outras mães espalhadas pelo mundo, que assim como ela, lutaram até o último suspiro de vida para que pudessem viver dignamente.
Minha mãe se parecia com a mulher da foto, e também se parecia com todas as outras do bairro, que mesmo sob a chibata do patrão e do baixo salário, empunha um sorriso no rosto, e nos humilhava com a sua coragem.


Maria das dores


Filha de Saturnina
Maria nasceu em Ladainha,
No intestino de Minas, quase Bahia.
O nome Maria
Quem deu foi o pai,
Seu Firmino.
Das Dores,
Sobrenome da agonia
Quem lhe deuFoi o destino.
Na cidade grande
Vendeu cosméticos,
Roupas e sapatos.
Varreu chão, lavou pratos,
Mas nunca foi domesticada.
Sorria
Por desobediência
Por falta de instrução.
Por alegria?
Só se fosse descuido do coração.
Sob o disfarce
De mulher maravilha
Morreu sem avisar.
Frágil,
Mas sem implorar.
Feito flor que rasteja,
mas que a primavera
não pode humilhar.

Sérgio Vaz
poeta da periferia

Wednesday, September 20, 2006

VAMOS À LUTA

É proibido chorar


No texto anterior em que eu falava sobre as dificuldades de lançar meu livro , e ao mesmo tempo, suportar as dores diárias da sobrevivência, muita gente se identificou com a minha luta. Nenhuma surpresa nisso, pois desde que nascemos, as pedras se espreitam em nosso caminho. E a briga pelo leite, o choro, já era o nosso grito de que não aceitaríamos tudo calado. Infelizmente alguns deixaram de gritar, por isso choram até hoje. "Não tenho dó de quem sofre, tenho raiva de quem faz sofrer"(minha).
Sei de vários que estão na luta e merecem o meu e o nosso respeito, são os quixotes da periferia. Não só os da periferia geográfica, mas todos os que vivem no centro do esquecimento da humanidade, quer seja artista(?) ou não. Aliás ser artista neste país não é um privilégio e sim um castigo, não sei porque tem tanta gente metida a besta só por conta disso. Tristes figuras.
As vezes os vejo por aí, os guerreiros, correndo atrás de sonhos e também me vejo neles, sou um deles também, nunca deixei de sonhar, coleciono pedras, mas tambéms semeio quimeras. Vejo e me identifico com a luta, outras vezes, obeservo-os em silêncio e penso no que será que eles estão pensando,ou como deve ser a casa deles, e na maioria das vezes, quantos inimigos devem ter, e a única coisa que tenho certeza e sei é sobre os que eles comem: poeira e lama.
Seja procurando um emprego no centro da cidade, um cd demo debaixo do braço, uns poemas numas folhas de sulfite amareladas e sujas, um simples bico de pedreiro, boa parte desses guerreiros passam a vida lutando e não se importam com as portas pesadas que cada vez se fecham mais, para a nossa gente que nasce sem as chaves certas e programadas.
Dia desses numa escola um moleque me falou que não tinha talento pra nada, lhe perguntei quantos anos tinha e ele me disse que tinha quatorze anos, respondi que se ele nao tivesse talento não teria chegado àquela idade, e se quizesse ter a minha, 42, teria que ter mais talento ainda, não pra ser poeta que é uma grande bosta, mas para estar vivo para dizer isso para outro jovem. Disse também que não precisávamos de mais poetas, músicos ou jogadores de futebol, já os temos demais, mais que necessitamos de novos engenheiros. advogados, dentistas, administradores de empresas ou simplesmente ter bons empregos para dar conforto a família. "Ah, tio isso é muito difícil". Disseram alguns. Respondi: "eu sei, é por isso que temos de começar agora." Alguns desistiram, outros não decidiram, em compensação encontrei um deles na rua outro dia que valeu pelos meus dias: "poeta quero ser advogado, ano que vem vou tentar entrar na faculdade". O brilho em seus olhos garantiram que ele não desistiria.
E a chave de tudo é não desistir, não há outra saída que não a perseverância, a teimosia, devemos abolir a palavra covardia do dicionário. Devíamos proibi-la de ser mencionada em nossos lares, nas ruas, nas escolas, nas praças e em todo o país. Medo não é covardia, não enfrentar o medo é que é covardia.
Chega de contar os mortos, muito deles vivos entre nós, mas a hora é de alimentar a vida e evitar a água potável que nos servem no conforto do lar, vamos matar a sede na fonte dos rios, lá onde bate o coração daqueles que não se entregam antes da luta. Lágrimas não enchem barriga e as desculpas são sempre as mesmas, e o que é pior, são sempre os mesmos nos muros das lamentações. Vamos derrubar o muro, agora! Tá proibido chorar sem lutar.
Vamos à luta! Não dá mais pra esperar, as quebradas estão mais quebradas do que nunca e precisamos estar inteiros para consertá-las. Agora é a hora!

Tá proibido também dar o ombro para o outro chorar, que vá chorar na puta que pariu ou no raio que o parta. Temos que andar com os braços abertos, para puxar quem está atrás e se segurar em quem está na frente, a nossa corrente humana.
Então, comigo :Coração em chamas, sorriso no rosto, punho fechado... 1, 2, 3, recomeçar!
Tem que ser agora!

Da trincheira,

Sérgio Vaz
poeta e ex-vítima do destino

PRÊMIO COOPERIFA

VEM AÍ O 2º PRÊMIO COOPERIFA
PARA TODOS AQUELES QUE DIRETA OU INDIRETAMENTE CONTRIBUEM PARA UMA PERIFERIA MELHOR.
COMO DA OUTRA VEZ, VAMOS PREMIAR QUEM A GENTE QUISER.

Tuesday, September 19, 2006

O SORRISO ESTÁ NO ROSTO,
MAS QUE NINGUÉM SE ENGANE,
OS PUNHOS ESTÃO FECHADOS.
SÉRGIO VAZ

Sunday, September 17, 2006

O tempo é o senhor de todas as respostas

Hoje eu vi meu novo livro montado e quase não consegui segurá-lo de tanta emoção que senti. Afinal de contas são vinte anos de amor à poesia, e olha que no meio do caminho, não havia apenas uma, mas várias pedras que se amontoavam à minha frente. Nesse mundo de celebridades instantâneas e heróis sem escrúpulos, e que tudo vale para atropelar o próximo para lhe roubar o mínimo de brisa possível, chegar aos vinte anos de carreira, é quase uma eternidade. É quase impossível.
Mas como os rios aprendemos a contornar os obstáculos, e apesar das margens que nos comprime seguimos ao encontro do mar, ou não. Escrever poemas é fácil, mas sobreviver em meio a tudo isso, é muito doloroso. Relendo alguns poemas lembrei-me de alguns amigos que sempre fizeram parte de cada página da minha trajetótria e os saúdo em minhas alegrias e os contemplo com o suor do meu trabalho. Eles sabem, nunca pensei em desistir.
Aos covardes que se portaram como hienas sondando a minha carcaça, peço que também não desistam, a persistência é uma arma muito poderosa. Sei de vários que quiseram silenciar a minha arte, e que ainda querem, basta eu dar o mínimo vacilo. O sorriso tá no rosto, mas que ninguém se engane, os punhos estão fechados. O que é muito pior, é que não estou sozinho -meus amigos parecem um bando de gafanhoto, quando atacam destroem toda a a lavoura. Quer tentar? Espero que não, hoje meu coração está que é pura revolta, tive que ouvir coisas que eu não pude agir (dar socos), a periferia tá virando o Prozac da classe média e não tô afim de ficar de braços cruzados. Vou ter que sair do blog agora, minha esposa está me chamando pra jantar, mas depois a gente continua essa idéia. Fiz essa poesia numa noite de revolta, ela dói em mim toda vez que a leio. A beleza fica por conta de quem lê, eu só quis dizer a verdade.

"Na hora certa os traidores aparecerão, o tempo é o senhor de todoas as respostas."(minha).

Babando de raiva,

Sérgio Vaz
poeta e desconfiado



















JORGINHO


JORGINHO
AINDA NÃO NASCEU,
TÁ ESCONDIDO, COM MEDO,
NO VENTRE DA MÃE.
QUANDO CHEGAR
NÃO VAI ENCONTRAR PAI,
QUE SAIU PRA TRABALHAR
E NUNCA MAIS VOLTOU
PRA JANTAR.
NO BARRACO EM QUE VAI MORAR
CABEM DOIS,
MAS É COM DEZ
QUE VAI FICAR.
SEM TER O QUE MASTIGAR
NEM LEITE PRA BEBER
VAI TER A BARRIGA INCHADA,
MAS SEM NADA PRA CAGAR.
NÃO VAI PRA ESCOLA
NÃO VAI LER NEM ESCREVER
VAI CHEIRAR COLA
PEDIR ESMOLA
PRA SOBREVIVER.
NÃO VAI TER SOSSÊGO
NÃO VAI BRINCAR
NÃO VAI TER EMPREGO,
VAI CAMELAR.
MENOR CARENTE
VAI SER INFRATOR
COM VOTO DE LOUVOR
DELINQUENTE.
NÃO VAI TER PÁSCOA
NÃO VAI TER NATAL
SE FOR ESPERTO, SE MATA,
COM O CORDÃO UMBILICAL.

SÉRGIO VAZ

























Saturday, September 16, 2006

VEM AÍ, COLECIONADOR DE PEDRAS, 20 ANOS DE POESIA!!

Despedida



Pai
Faltam-me palavras
A lâmina do medo
Percorre minha garganta
Tenho medo de sopra-las
E manchar meu corpo de sangue.

...sigo sem nome.


Falta-me luz
E a sombra em círculos
Escorre em meu caminho de pedras
Que se amontoam em minha frente
Tenho medo de topa-las
No escuro do deserto
E cair em braços diferentes.

...sigo sem rumo.


Faltam-me gestos
O silêncio do corpo
Devora minha alma
A calma manifesta
Em braços pálidos
Em passos curtos.
Tenho receio de dançar
No sustenido mortal desta orquestra
Regida pelo labirinto da vida.

...sigo imóvel.


Falta-me alegria
O espinho das lágrimas
Espetam minha face
Falida de afagos.
E a adaga triste da solidão
Fere meus lábios.
E com a ferrugem do meu beijo
Tenho medo de contaminar a multidão.

...sigo triste.

Agora me falta ar,
Adeus.


Sérgio Vaz

Tuesday, September 12, 2006

SARAU DA COOPERIFA

SARAU DA COOPERIFA APRESENTA
Lançamento do livro
A VIDA QUE NINGUÉM VÊ, de ELIANE BRUM
Dia 13 de setembro 20hs30 R$ 15,00 (somente no sarau)
Local: Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797
Zona Sul - São Paulo
F:5891.7403
A Vida Que Ninguém Vê
de Eliane Brum

Uma repórter em busca dos acontecimentos que não viram notícia e das pessoasque não são celebridades. Uma cronista à procura do extraordinário contidoem cada vida anônima. Uma escritora que mergulha no cotidiano para provarque não existem vidas comuns. O mendigo que jamais pediu coisa alguma. Ocarregador de malas do aeroporto que nunca voou. O macaco que ao fugir dajaula foi ao bar beber uma cerveja. O álbum de fotografias atirado no lixo quecomeça com uma moça de família e termina com uma corista. O homem quecomia vidro, mas só se machucava com a invisibilidade.Essas fascinantes histórias da vida real fizeram sucesso no final dos anos 90,quando as crônicas-reportagens eram publicadas na edição de sábado do jornalZero Hora. Reunidas agora em livro, formam uma obra que emociona pelasensibilidade da prosa de Eliane Brum e pela agudeza do olhar que a repórterimprime aos seus personagens - todos eles tão extraordinariamente reais queparecem saídos de um livro de ficção.A edição que chega às livrarias - o primeiro lançamento da estreanteArquipélago Editorial - reúne as 21 melhores colunas de A Vida Que NinguémVê acrescidas de textos que revelam o "dia seguinte" de dois personagensemblemáticos da série de reportagens: Adail realizou seu grande sonho,enquanto Antonio sofreu de uma segunda tristeza. Ao final do volume, umtexto inédito de Eliane avalia, com o distanciamento que o tempo oferece, oque há por trás dessa vida que (quase) ninguém viu. É mais uma prova da forçado trabalho da autora. E uma demonstração de que a reportagem é uma arte.

A AUTORA
Eliane Brum ganhou mais de 30 prêmios de jornalismo, no Brasil e no Exterior.Gaúcha de Ijuí, trabalhou 11 anos no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e desde2000 é repórter especial da revista Época, em São Paulo. Em 1994, publicouo livro de não-ficção Coluna Prestes - O Avesso da Lenda, pelo qual recebeu oAçorianos de Literatura como autora-revelação. Documentarista, seu curta deestréia - Uma História Severina - já foi contemplado com oito prêmios.

Monday, September 11, 2006

Paz


George W. Bush, representante do capeta aqui na terra


PAZ


ETA mundo estranho
Tanta IRA, tanto ódio
Quando o que a MOSSAD
Mesmo quer é dançar
HEZBOLLAH.

Cd,
OLP
Deixe a música tocar.
Neste
ONU
Vamos celebrar a vida
Pois temos a FARC e o queijo
Na mão, basta acreditar.

Não importa o
LADEN
Que você está
AL-QAEDA tarde vamos nos
Abraçar.
Solidão aos belicosos!
Quem USA e abusa
Não merece CIA.
Vamos vigiar a paz,
Noite e dia,
Para que não haja mais a guerra,
HAMAS!


Sérgio Vaz

Atenção: Aprecie com moderação
*do livro A poesia dos deuses inferiores

Sunday, September 10, 2006

SEGUNDA TEM SARAU EM TABOÃO DA SERRA


SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA
APRESENTA: CAFÉ LITERÁRIO EM TABOÃO DA SERRA
APRESENTAÇÃO POETA SÉRGIO VAZ
11 DE SETEMBRO 19HS30 SEGUNDA-FEIRA
LOCAL: SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
RUA ELIZABETA LIPS, 166 JD BONTEMPOTABOÃO DA SERRA - CENTRO (RUA DO CEMUR)
F. 4788.5822

Thursday, September 07, 2006

A NOITE MAIS FRIA DO ANO II


Povo lindo, Povo inteligente,
Queria pedir licença às pessoas em situação de rua -que morrem nas marquises-, para falar de como transformamos a noite mais fria do ano numa enorme labareda.
Quando saí de casa para ir ao sarau estava um frio de doer os ossos. Achei que pouca gente ia comparecer ao chamado da poesia, ledo e periférico engano, o povo não parava de chegar. E quando menos se esperava, já tinha mais de 300 pessoas se acotovelando no Zé Batidão, sendo aquecidas pelo respeito da comunidade. Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa!
Poetas, poetas, poetas e mais poetas. De onde eles brotam? Gente, gente, gente e mais gente. O quê eles estão à procura? Eu respondo: da vida!
Não como ela é, mas como deveria ser, todos os dias, trabalho e celebração. Estamos aprendendo a gozar (fazer filho a gente já sabe).
Falando em trabalho, o DVD 100% Favela está muito bem feito, e falando em celebração, ontem foi o lançamento do DVD no sarau. Parabéns, Ferréz, Sophia, Maureen (que mulher linda!) e o negredo pela presença. É tudo nosso!
No mais, a periferia estava linda, como só a gente sabe ver. Como só a gente sabe sentir. Será que a Regina Duarte sentiu falta da gente, em frente ao televisor? Espero que ela não pense que é pessoal, isso faz parte de um projeto: "só o conhecimento liberta". Falando nisso, quem é esse tal de sistema que as pessoas tanto falam? Por quê ele nunca foi ao sarau? Acho que ele não se dá bem com o calor humano.
A Poesia, feita com simplicidade, mais uma vez aqueceu o mundo, sem que o mundo se desse conta disso. Ontem foi como se planeta pegasse fogo, e os poetas jogassem lenha na fogueira.
No final era possível ver as pessoas chamuscadas pela felicidade. Teve uns que foram embora com os olhos faiscando alegria. Sem contar outros, que sairam com queimaduras de até terceiro grau. Não fique muito perto do texto se não você também pode se queimar.
Lembrei de grande amigo evangélico: queima! Queima! Queima!
Atendendo a pedidos, queimamos toda a mediocridade e o medo que habitava nossos corações, e na noite mais fria do ano, nós, os anjos da periferia, dançamos sobre brasas, não para concorrer com o inferno, mas para avisar, que estamos chegando perto do céu.
Com o coração em chamas,
Sérgio Vaz
poeta e incendiário

Wednesday, September 06, 2006

A NOITE MAIS FRIA DO ANO


Acabo de ler que ontem fez a noite mais fria do ano (5,9 graus), e que um morador de rua morreu. Lembrei de um outro mendigo que conheci que morreu, não por causa da baixa temperatura da madrugada, mas da baixa temperatura que rola nos corações gélidos da sociedade.
Não tenho nada além de poesia para oferecer em sua homenagem ou em registro da sua passagem pelo planeta, também sou culpado. Sei também que essa poesia não pode ser um cobertor, quem dera pudesse, para confortar os que ainda não morreram de frio e de esquecimento. Então que sirva para aquecer a nossa memória e incendiar a nossa insensibilidade.
Para o Israel de Eliane Brum (A vida que ninguém vê) e para o Messias, tocador de gaita, que habita as marquises do abandono:




GENTE MIÚDA

Daniel
Não tinha documentos
Rg, certidão ou carteira profissional.
Não tinha sobrenome
Não tinha número
Nem cidade natal.
Quase um bicho
Dormia na rua
Sobre as notícias
E acordava na sarjeta,
Na calçada ou no lixo.
Os dentes,
Em intervalos,
Mastigavam as migalhas do mundo,
As sobras do planeta.
Era soldado
Das tropas dos famintos.
Os trapos,
Fardas dos miseráveis,
Cobriam-lhe apenas o peito,
A bunda e o pinto.
Sangrava de dia
O açoite do abandono.
Amigos? Só os cães,
Que o protegia
Dos seres humanos.
Morreu
Velho e abatido
Depois de viver,
Todos os dias,
Durante trinta e sete anos,
Como se nunca estivesse existido.

Sérgio Vaz

Tuesday, September 05, 2006

SARAU DA COOPERIFA


SARAU DA COOPERIFA
APRESENTA:
LANÇAMENTO DO DVD 100% FAVELA
COM A PRESENÇA DO ESCRITOR FERRÉZ
DIA 06.09 QUARTA-FEIRA 20HS30
BAR DO ZÉ BATIDÃO
RUA BARTOLOMEU DOS SANTOS, 797
CHÁCARA SANTANA
ZONA SUL - SP

Monday, September 04, 2006

COLECIONADOR DE PEDRAS, 20 ANOS DE POESIA

Queria falar um pouco desta poesia que escrevi, licença. Bom, escrevi este poema para minha filha, depois de velar o teu sono numa noite dessas. É uma homenagem a ela, mas também uma ode aos grandes amigos do passado e do presente. Quis fazer desta poesia a minha canção da amizade e queria que fosse a canção de todos meus parceiros e parceiras. Se não sabem, eu digo, cinema é minha segunda paixão, por isso, também é uma homenagem ao filme Conta comigo, que marcou a minha infância e que é um grande poema sobre amizade. Se não gostarem da poesia, assistam ao filme. Queria que esta poesia também fosse um abraço, se puder, sintam-se abraçados.
Aos guerreiros e guerreiras, Contem comigo, sempre.
É tudo nosso!
Sérgio Vaz
Elenco do filme Conta comigo


CONTA COMIGO


Conta comigo
Quando a noite chegar,
Às escuras
À minha procura
Você não vai ficar.
No labirinto
Sou eu que te sinto,
Eu vou te encontrar.
Conta comigo
Se o teu rio secar
À míngua
Tua língua não vai ficar.
Se tua fonte seca
Tua boca resseca
Então sou água pra te molhar.
Conta comigo
Se o bem se calar
Esconda teu segredo
Guarda teu medo
Com a chave do meu olhar.
Sobre o mal também sei
Se precisar sou fora-da-lei,
Mas o meu coração
Já quer se entregar.
Conta comigo
Quando a asa quebrar
Fique quieta consigo
Eu sou teu amigo
Eu vôo em teu lugar.

Sérgio Vaz

poeta da periferia

*comente a poesia e concorra a um livro " A poesia dos deuses inferiores", autografado e entregue em sua casa.

Friday, September 01, 2006

COLECIONADOR DE PEDRAS, 20 anos de poesia!




Coisas da Vida (terra em transe)


Hoje
Eu vi uma criança acordada
comendo pão dormido.
Um homem desempregado
empregando uma arma.
Uma mulher vestida em trapos
lavando roupa cara.
Um policial desalmado
separando um corpo da alma.
Uma menina desnutrida
com a barriga cheia.
Uma bala perdida
procurando uma veia.
Senhoras de joelhos
andando sem destino.
Velhos com olhos vermelhos
chorando como menino.
Poetas loucos
cuspindo razão.
Anjos e demônios
na mesma religião.
A miséria na coleira da fartura
a vida fácil
às custas da vida dura.
Gente sorrindo
com o coração em pranto
surdos ouvindo
a canção dos falsos santos.
Vi mãos calejadas
beijando mãos macias
José nas enxadas
no cabo delas, Maria.
Com mansos olhos de fel
E a boca dura de fera
vi um país no céu
E o inferno na terra.


Sérgio Vaz