Wednesday, November 29, 2006

LANÇAMENTO DO LIVRO COLECIONADOR DE PEDRAS



LANÇAMENTO DO LIVRO COLECIONADOR DE PEDRAS
20 ANOS DE POESIA
NO SARAU DA COOPERIFA:
Dia 06 de dezembro às 20hs
Bar do Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana
São Paulo - Zona Sul
F: 5891.7403
ref: Estrada do m´boi mirim (atrás da igreja de piraporinha)
EM SUZANO:
No pavio da cultura
dia 09 de dezembro 20hs
Centro Cultural de Suzano
Rua Benjamin Constant, 682
Suzano - SP (centro)
Ref: perto da linha do trem

Prêmio Hutuz: amigos premiados

Sérgio Vaz e Cia.

VALEU. Vocês fazem por merecer.

Miltão do MNU.

OI Sergio. Parabéns à você e a todo o pessoal que faz do Cooperifa um dos movimentos mais representativos da cultura popular brasileira neste momento. Abraços.

Haroldo Oliveira.


Oi Sergio!!!!

Fiquei super feliz que vocês receberam o Prêmio Hutuz - também me senti premiada, afinal...
É TUDO NOSSO!!!!!!!!!

Bjks

Lilian Santiago


parabéns pelo premio hutuz sergião.merecido pelo trabalho da cooperifa.
abraços

MC Preto viela 17

VALEU POETA.
King Nino Brow

Rosi Campos

Meus LemonsParabénzzz Sergião e toda Cooperifa.
Pela premiação do HUTUZ.Muiita PAZ aê meus brothers !!!!!

Walter Limonada

sergio em poucas palavras vos digo parabéns pelo premio Coperifa tamo junto truta!!!!!!!!

José Arnaldo

já parabenizei pessoalmente, mas queria parabenizar novamente pelo hutuz... Parabéns

Nando Tau

Tuesday, November 28, 2006

A COOPERIFA GANHA PRÊMIO HUTUZ

Na última quinta-feira(23) a Cooperifa recebeu o prêmio Hutuz, no Rio de janeiro, na categoria "Ciência eConhecimento". O Hutuz é a premiação de Hip Hop mais importante da américa latina e acontece há 7 anos na cidade fluminense. Nessa categoria ainda concorria "Alessandro Buzo e o Duguetto" -que também fazem parte da família Cooperifa-, o que nos honrou mais ainda ter sido premiados, ambos, são referências culturais na cidade de São Paulo. Parabéns para todos nós.
Lá fomos nós, eu , Sônia, Rose Marcio e o Jairo, representar mais de 300 pessoas que fazem parte da nossa comunidade cultural, mó responsa. Mais deu tudo certo, o dia estava pra nós, e cá estamos com a taça, que oficialmente será apresentada no Bar do Zé Batidão, na quarta-feira, no dia do sarau da Cooperifa. E por lá, a taça, vai permanecer para que a comunidade e os poetas, que a mereceram, possam possuí-la cada qual a sua maneira. É tudo nosso!
Fiquei no Rio mais uns dias para realizar uns contatos para o lançamento do meu livro na cidade maravilhosa. Caimos, eu e a sônia, para Madureira no apto de uns amigos nossos, e por lá só saimos segunda-feira. Zona norte, zona forte, valeu Mangueira, Portela, Juramento, complexo do alemão, Rocinha, vidigal, Chopp e bolinho de bacalhau em santa tereza, Cristo redentor,Centro de tradições nordestinas(São cristovão), Jocelino e Antônia, parceiros de cada beco e viela carioca.
Fomos com o quinteto preto e branco (samba da vela) assistir o show da Beth Carvalho e saindo de lá corremos para o show dos Racionais no Armazém 5, no porto. Correria da boa.
Sem mais delongas, queria agradecer a todos pela força e pelo carinho.
À família Cooperifa, muito amor.
Segue os dias e a vida volta ao normal,
a luta não pára nunca, nunca!
abs.
Sérgio Vaz
Colecionador de pedras

Hutuz

Marcio, eu, Demis, Rose e gato Preto
Uma pá de gente e o Alessandro Buzo
Nóis e o brow, daria um filme...
Eu e o cachorro loko
Nóis de novo
Mais nóis com o prêmio

A COOPERIFA GANHA PRÊMIO HUTUZ

Consagração
Márcio, Rose, Edy Rock, Eu e o Duguetto
Jairo, eu, a sônia e uma parte da Rose
Antes da entrega: união positiva


Monday, November 27, 2006

COOPERIFA GANHA PRÊMIO HUTUZ

A COOPERIFA GANHA PRÊMIO HUTUZ NO RIO DE JANEIRO, NA CATEGORIA "CIÊNCIA E CONHECIMENTO".
*acabo de chegar, depois passo a caminhada.

Wednesday, November 22, 2006

PRÊMIO HUTUZ

Amanhã acontece a entrega do prêmio Hutuz no Rio de Janeiro, e vamos pra lá para acompanhar a festa do Hip Hop, que pela segunda vez tem uma categoria "Ciência e conhecimento", a qual nós da Cooperifa fomos indicado. Lógico que ganhar seria muito bom, ser reconhecido pelo trabalho é gratificante, e outra coisa, tem pelo menos uma família de mais ou menos 300 pessoas torcendo por nós, mas sabemos o quanto é difícil no meio de tanta gente boa.
Eu aposto no Alessandro Buzo, porque além dele merecer, ele tem um trabalho muito bonito na divulgação de novos grupos de rap. Também me parece que a rapaziada do NUC de Belo Horizonte também tem um trabalho muito loko. O Duguetto também não tem nada de bobo, é merecedor. Quem vai ganhar? Nós todos já ganhamos, pode apostar.
Pode parecer pieguice, mas eu acho essa coisa de premiar as pessoas muito bacana, não pela vaidade mesquinha e pessoal, mas pela simbologia da luta, não que ninguém lute para ser premiado, e sim celebrar as batalhas. Nós que sofremos tanto precisamos aprender a gozar.
Quero estar lá também pela alegria de encontrar gente, muita gente boa, que há muito eu não vejo. E conhecer novas pessoas para futuros contatos e amizades.
No mais tô indo pelo mar,
pois muitas ondas se passaram
e muitas passarão,
mas poucos peixes sobreviverão.
Boa sorte a todos.
Sérgio Vaz
poeta e peixe pequeno

Tuesday, November 21, 2006

COLECIO NADOR DE PEDRAS, 20 ANOS DE POESIA

Esta aí o menino que já vai nascer com vinte anos de idade. Um dos motivos das noites mal dormidas e a falta de tempo para muitas coisas que eu gosto de fazer. Muitos dias sem ver algumas pessoas que amo demais, e muitas ausências em lugares que era necessário ir, e eu não fui. Que todos saibam me perdoar.

Eis a cara da minha coleção de pedras, que, por arrogância, chamo de poemas, feita pelo pincel do artista BNE (vadiagi) que mora no Jardim leme, em Taboão da Serra. O livro ainda tem textos de Nelson Maca (Blackitude-Ba), Toni C. (vermelho). Produção da capa do Jornalista Eduardo Toledo e fotos do Jefferson dias. A Diagramação ficou por conta da Harumi e a revisão de Marcelo Beso, ambos poetas da Cooperifa. Com esse time, mais em casa impossível.

Queria dizer que a produção espiritual ficou por conta da família Cooperifa.

O apoio de Ali Sati, Eurotur Turismo, foi fundamental.

A força da família, que soube empinar pipa comigo nos dias sem vento.

às ruas que sempre foram fonte de inspiração para a minha transpiração, eis as pedras encarnadas em poesia.

Tá para ouvir o baticum do meu coração?

Caralho, não foi fácil esperar a minha vez, que puta ano para a literatura marginal e da periferia, como a quiserem chamar.O mais importante é que estamos aí e chegamos pra ficar.

Apesar do cerol do dia-a-dia, tô muito feliz.

Sintam-se abraçados.

É tudo nosso!

Sérgio Vaz









HAMILTON BORGES - BA

Êa Combatentes Quilombolas



Para os Combatentes da Cooperifa


Cada um combate como pode, alguns combatem como querem, outros combatem se quiserem e esse é o jogo. Sobreviver, sempre depende de saber jogar o jogo, para nós os negros e as negras. Combater toda sorte de opressão para continuarmos vivos e vivas. Combater essas coisas que nos eliminam dia após dia, desde o espírito. Seu espírito fica fraco se alguém te desconhece, te desqualifica, te nega a historia que seus antepassados deixaram pelo planeta afora, esta é a senha, combatemos por temos um compromisso com nossos e nossas ancestrais.
Alguns combatem no parlamento, outros combatem nos tribunais, existem aqueles que combatem nas chamadas estruturas, por dentro delas, silenciosos, gentis, bem educados “pelas tais das beiradas”.
Para nós o recurso último do combate são as ruas, o enfrentamento cara a cara com o inimigo, de frente, as vezes vamos desarmados, frágeis, mas vamos, não nos resta nada, apenas o combate franco, estamos fartos e fartas dessa boa educação que nos mutila.
Existe uma onda que transforma tudo em mercadoria, é a abolição das idéias, é a catalogação do espírito é a cotação da coragem na bolsa de valores espúrias, que não pretende mudança alguma, é tudo miragem. Não combatemos por ibope, para ter nossas fotos em uma camisetinha de uma loja de departamentos na próxima década, é mais que isso,é arrebento e, é claro, saímos com nossas seqüelas da guerra, não temos mais saída.
Fazemos parte da campanha Reaja, uma campanha que nasceu da sensibilidade política e necessidade de arrebento do MNU-BA, de um ódio acumulado pelo silêncio cínico dos covardes, muitos liberais e negrinhos integrados, que enquanto percebem levas de corpos pretos assassinados, refestelam-se na festa da igualdade racial. O Reaja caminha pela contramão do integracionismo atônito, os de boa vontade e péssima atitude frente a nossa tragédia cotidiana, esses títeres de retórica refinada nas salas arejadas por ar condicionado, café granulado e muito recurso captado. O Reaja optou pela rua, pela Ira coletiva organizada, pelo brado e expôs a ferida do sistema, e não sem fundamento o Reaja descobriu que a dor é nossa e que ninguém vai chorar nossa dor, só nós, é nós, viva nós, Êa nós.
Entramos descalços na côrte, mal educados, esfarrapados e livres. Sempre soubemos que não seriamos ouvidos facilmente, chamamos a atenção dos inimigos e seus soldados prontos a nos abater, desafiamos o estado a todo tempo, como Desdemona, como Zumbi.
Como Dexter Omena, O mano encarcerado do 509-E, que desafiou os senhores feudais do sistema carcerário, ele que é nosso parceiro e que terá nossa participação na luta por sua liberdade. Somos desse jeito.
Queremos caminhar livremente sem ser achacado pela policia a cada festa de rua (Cassetete, choque elétrico e empurrão)
Queremos que os irmãos e as irmãs do sistema carcerário, sejam tratados com respeito e dignidade, independente do crime que cometeram e que tenham um tratamento jurídico justo.
Queremos que os jovens negros tenham acesso a educação de qualidade, a brincadeira, ao esporte, a diversão.
Queremos uma política cultural descentralizada em nossas cidade que permita a fruição cultural, a formação e a circulação cultural em nossas comunidades.
Queremos o fim do extermino;
O fim da brutalidade policial;
Atendimento digno na saúde;
Emprego;
Respeito aos idosos;
O fim da homofobia;
O fim da drenagem de recursos de nossas comunidades;
Queremos a reforma agrária;
O fim da violência no campo;
A imediata punição dos grupos de extermínio e seus mandantes engravatados, olhos azuis e cachinhos louros;
Queremos a CPI Nordeste para investigar os crimes de extermínio;
A liberdade de Dexter...
A liberdade de Murilo...
A liberdade de Doda.
Queremos ser ouvidos e ouvidas, como sujeitos políticos dentro dessa sociedade corrompida , racista, sexista e homofóbica.
Queremos uma nova sociedade nova.
Simples, desse jeito, nós combatemos.


Hamilton Borges Walê – MNU/BA

Monday, November 20, 2006

FOGO NO PAVIO! FOGO NO PAVIO !










Amor Versus A Guerra
Gog

E bem mais fácil, falar da dor.
E bem mais fácil que dizer que perdoou.
Da mais ibope, chama atenção pros parceiros do mundão, não e não?
Meu vizinho, vacilou se entregou não tive pena,
na seqüência dependência, choro, algema.
Seu refugio, um canto do banheiro,
na porta gritaria,mãe, civil, 6 bombeiros.
Nessa hora realmente o que se faz mais ausente,
nessa hora o melhor se livrar do presente,
e mirar no futuro pra se sentir mais seguro.
Procurar uma luz que clareia esse escuro
Na saída de casa começa o desafio
olhares que condenam inquisidores no cio.
Eu de cá do meu sobrado ganhando a cena,
amizade e amizade, esquema e esquema.
Tava aqui em casa ele quem pediu, quem quis.
Não fui oferecer ele colou com o nariz.
Agora vou dizer, não tenho o mínimo remorso.
Se ele fosse cabeça podia ate ser sócio.
Veja só o que eu consegui com meu trabalho.
Casas, jóias, conta corrente, carros,
nacionais e importados, todos caros,
altos sapatos, casacos raros.
O que cansa e o entra e sai constante,
cliente que conversa expressa bastante
Futrica, pergunta, quem não deve
não aguarda ali mesmo se serve.
Me apresento sou comerciante,
membro da comunidade atuante,
homem que amarra dinheiro com barbante,
sem receio odeio o nome traficante.
Pega mal, parece mercado informal,
me esforço pra ser um bom profissional.
Fornecedores, compradores com horário na agenda,
amizade e amizade, e esquema e esquema.
Consegui sair da fome e da miséria,
sem precisar usar um caderno 10 matérias.
E você com esse olhar estranho....
Pergunta o que eu ganho, o que e que ganho?
-Prestigio, muito fama, sobre a cama mulher dama,
muitos trutas, muita grana, sai do pó, sai lama.
Nunca perde, sempre ganha,
sempre bate, nunca apanha,
ninguém chama pro combate,
ameaça te estranha.
Seu nome corre trecho, na quebrado só respeito,
ate seus erros são aceitos, mandou, falou ta feito.
E pouco pra você?
Parar porque?
Quer me convencer?
O que você tem pra oferecer?
Sou fruto aqui dessa terra.
O amor versus a guerra

REFRAO
O amor, o amor versus a guerra.
O amor, versus a guerra.....

E bem mais fácil, guardar rancor,
e bem mais fácil que dizer que perdoou.
Da mais ibope, chama a atenção,
mas faz mal pro coração.
Esses dias numa festa na favela aqui em cima.
Uma dona me olhou, com olhos tipo quem intima
A moleca era linda, dormi e acordei com aquele olhar.
Bem cedinho subi o morro fui me informar.
Uma convidada mora ali ao lado, vamos lá.
Chegando lá aquele mesmo olhar.
Me apresentei não disse uma palavra.
Sabe quando parece que você não agrada?
Mas que nada, a noite tem balada.
Varias baladas todas, virando a madrugada,
tem pra fumar, pra cheirar nunca falta.
Tem quente, tem gelada.
Segurança, muita arma.
Mas aquela mulher não me saia da cabeça,
vou lá na casa dela aconteça o que aconteça.
Bati palmas, ela saiu,
na seqüência, só acredita, quem viu.
Me tratou mal, me chamou de dito cujo,
disse que não se renderia ao meu dinheiro sujo,
Que não estava em seus planos,
um homem que não viveria ate os 30 anos,
Sem pausa, despejou toda sua ira.
Perguntou se algo como eu respira?
Fúria no olhar, desprezo, palavras cortantes,
o pior adiante, me chamou de traficante.
Sai arrasado, quase bati o carro.
Bebida,bebida, cigarro, cigarro.
- Eu apaixonado por uma moradora da favela?
Alem de petulante, vendedora de panela?
A gente constrói os castelos de areia,
e descobre os erros no frio da cadeia.
Ate acreditava que fosse sujar e eu cair,
mas calculava, tem acerto eu pago pra sair.
Agora aqui, lençol fino, chão gelado,
sem dentes com o rosto deformado.
Todo dolorido, por fora e por dentro,
aqui tortura tem o nome de depoimento.
Adivinha quem me visita no fim de semana?
Quem eu amo sem ter levado pra cama.
Quem?Domingo passado realizou meu desejo,
nosso primeiro beijo.
Paguei o que devia pra justiça do homem,
pro verdadeiro juiz, meu pecado foi ontem.
Uma geração de dependentes foram meus clientes,
presos, mortos, agonia pros parentes.
Lembrei na hora do meu antigo vizinho,
sem contatos 11 anos, mas sei o caminho.
Tremulo, bati palma, entrei tomei café ,
me emocionei com humildade.
Morei anos aqui e nunca notei isso,
vegetei anos aqui eu era um morto vivo.
Demorei, mas perguntei pelo Fabio.
Internado em uma casa de recuperação de drogados.
Só não desmoronei pois já estava preparado.
Diferente, agora me sinto culpado.
A semana toda passei agoniado.
Lá estava eu, madrugada de sábado.
O encontrei no jardim aguando as plantas.
Ali mesmo tivemos uma conversa franca,
ali mesmo ensopei minha camisa branca.
Me senti aliviado, tirei um no da garganta,
a violência com atitude impensada gera.
Não sou mais um entre a ganância e a capela.
(Ah o Fabio, hoje e gerente na fabrica de panela,
também e padrinho da minha filha mais nova, a Gabriela)

Escapei e to aqui só pra concluir,
relatos como o meu são milhares ai.
Faço parte de uma historia que nunca se encerra.
E ate aqui...
O amor venceu a guerra.

REFRAO

O amor, o amor venceu a guerra.
O amor, venceu a guerra..

GOG

PRETO JOTA , Sabedoria de vida, sempre

Preto Jota, pra sempre em nossos corações


Coisas da Vida (terra em transe)

Hoje
Eu vi uma criança acordada
comendo pão dormido.
Um homem desempregado
empregando uma arma.
Uma mulher vestida em trapos
lavando roupa cara.
Um policial desalmado
separando um corpo da alma.
Uma menina desnutrida
com a barriga cheia.
Uma bala perdida
procurando uma veia.
Senhoras de joelhos
andando sem destino.
Velhos com olhos vermelhos
chorando como menino.
Poetas loucos
cuspindo razão.
Anjos e demônios
na mesma religião.
A miséria na coleira da fartura
a vida fácil
às custas da vida dura.
Gente sorrindo
com o coração em pranto
surdos ouvindo
a canção dos falsos santos.
Vi mãos calejadas
beijando mãos macias
José nas enxadas
no cabo delas, Maria.
Com mansos olhos de fel
E a boca dura de fera
vi um país no céu
E o inferno na terra.


Sérgio Vaz

UM BOM LUGAR...

SABOTAGE (O INVASOR)


MAURO
ERA UM NEGRO DE ASAS.
UM PÁSSARO
COM OS PÉS NO CHÃO.
SOM DE ÉBANO
COM PELE DE COURO,
O MOURO FEZ NINHO NO CANÃO.
O PASSADO,
QUE O FUTURO QUERIA
ESCRITO EM CARVÃO,
DEIXOU DE SER PÓ
PRA SER PÃO,
AO SE VICIAR EM POESIA.
O POETA
DE PLUMAS NEGRAS
E VOZ DE PEDRA
CRAVOU TEU CANTO
PRETO E BRANCO
NAS VIDRAÇAS
DO MUNDO COLORIDO.
FILHO BANTO
EM CARBE E CARCAÇA
SERVIU A TAÇA
COM VIDRO MOÍDO
AOS TRAIDORES DA RAÇA.
NAVEGANTE
DE MARES INSOLENTES
SUA BÚSSOLA
APONTAVA SEMPRE PARA A PERIFERIA.
A RIMA ERA O RUMO
O REMO DA SINA.
NO AR,
COMO FUMAÇA DE FUMO
E VERMELHA RETINA,
ERA FRIO
ERA QUENTE,
MAS NUNCA BANHO-MARIA.
UM DIA
NUM VÔO CURTO
DEPOIS DE UMA LONGA METRAGEM
UM DISPARO SEM ROSTO
UMA BALA SEM GOSTO
CALOU O PERSONAGEM.
DIANTE DISSO
E SEM NOS ESRERAR
DESFEZ O COMPROMISSO
SEGUIU DE VIAGEM
E FOI CANTAR EM OUTRO LUGAR,
NUM BOM LUGAR.

SÉRGIO VAZ

O HOMEM NA ESTRADA

O colecionador de pedras

Pedro
Nasceu em dia de chuva,
No ventre da tempestade.
Deus deu-lhe a vida
A mãe, luz a pele escura.
Dona Ana era jardineira
Plantava flores sobre pedras.
O pai, espinho de trepadeira,
Apenas doou o esperma.
Pedra preciosa
Foi recebido pelo destino
Com quatro pedras na mão.
A fome, de forma desonrosa
Transformou em homem, o menino
Que brincava com os pés no chão.
Por causa da pobreza,
A pedra do seu sapato,
Vendeu pedra de gelo
Com gosto de chocolate.
Humilde,
mas só se curvou de joelhos
quando foi engraxate.
Pedra lascada
Construiu edifícios,
Varreu ruas, escreveu poemas.
Mestre sem nenhum ofício
Tornou-se pedregulho, no rim do sistema.
Rocha,
Onde a vida queria grão de areia,
O poeta canta sua dor
rima a dor alheia.
E sem deixar pedra sobre pedra
Do rancor, o amor ele sampleia.


Sérgio Vaz

SOLANO TRINDADE


Tem gente com fome

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo pra dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiii

estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha
Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá

trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando lentamente
começa a dizer
se tem gente com fome dá de comer
se tem gente com fome dá de comer
se tem gente com fome dá de comer

Mas o freio do ar todo autoritário manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuu

Solano Trindade

VALEU MARTINHO !



Valeu Zumbi!
Unidos de Vila Isabel carnaval de 1988

Valeu, Zumbi!
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a aboliçao

Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e maracatu
Vem, menininha,
pra dançar o caxambu

Ô ô, nega mina
Anastácia nao se deixou escravizar
Ô ô, Clementina
O pagode é o partido popular

O sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento q congraça
Gente de todas as raças

Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa constituição

Que magiaReza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E o bom jogo de cintura

Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais

Vem a lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o apartheid se destrua

Valeu!

UM SAMBA DA MANGUEIRA



CEM ANOS DE LIBERDADE, REALIDADE OU ILUSÃO
Autor(es):
Hélio Turco, Jurandir e Alvinho


SERÁ...

QUE JÁ RAIOU A LIBERDADE
OU SE FOI TUDO ILUSÃO
SERÁ...
QUE A LEI ÁUREA TÃO SONHADA
HÁ TANTO TEMPO ASSINADA
NÃO FOI O FIM DA ESCRAVIDÃO
HOJE DENTRO DA REALIDADE
ONDE ESTÁ A LIBERDADE
ONDE ESTÁ QUE NINGUÉM VIU
MOÇO NÃO SE ESQUEÇA

QUE O NEGRO TAMBÉM CONSTRUIU
AS RIQUEZAS DO NOSSO BRASIL

PERGUNTE AO CRIADOR
QUEM PINTOU ESTA AQUARELA
LIVRE DO AÇOITE DA SENZALA
PRESO NA MISÉRIA DA FAVELA

SONHEI...
QUE ZUMBI DOS PALMARES VOLTOU
A TRISTEZA DO NEGRO ACABOU
FOI UMA NOVA REDENÇÃO

SENHOR...
EIS A LUTA DO BEM CONTRA O MAL
QUE TANTO SANGUE DERRAMOU
CONTRA O PRECONCEITO RACIAL
O NEGRO SAMBA
NEGRO JOGA
CAPOEIRA ELE É O REI
NA VERDE E ROSA DA MANGUEIRA

MESTRE SALA DOS MARES















João Cândido (a chibata da revolta)


João
Nasceu Candido,
Mas de Candido não tinha nada.
Seu corpo
Teve a benção do sul
O coração,
Sobre o mar azul,
Veio da África.
Ainda moleque
Descobriu que era galo de rinha
O negrinho sem breque
Sem vento e sem leque
Teve aos seus pés, a marinha.
No barco da morte
Encontrou o destino dos pais
Um tronco no sul
Outro no norte,
Assim era o Bahia
E o navio Minas Gerais.
Era chicote no almoço
Açoite na janta
Os negros no calabouço
Os brancos por cima da prancha.
Mas nem toda dor é perene
Ou se vai com as marés,
A mão negra
Conspirou contra o leme
E a revolta surgiu do convés.
Ao som das trombetas
Os marujos de baionetas
Tomaram os cascos
Onde era servidos água com pão.
Onde rugia o som do carrasco
E grito de capitão
Nesse dia só se ouvia,
a voz do porão.
O rufar dos tambores
De couro e de lata
De todas as dores
Por todas as datas,
Ao som de canhão
Ou em doce serenata,
Vão contar a história de João
Um negro almirante
Que ultrajou a chibata.


Sérgio Vaz

VALEU ZUMBI !

CONSCIÊNCIA E ATITUDE















Que a pele escura
Não seja escudo para os covardes
Que habitam na senzala do silêncio.
Porque nascer negro é conseqüência
Ser, é consciência.



Sérgio Vaz

INTIMAÇÃO

CONVOCAÇÃO GERAL

Lançamento do livro COLECIONADOR DE PEDRAS,
20 anos de poesia do poeta SÉRGIO VAZ

AGENDE-SE:

NO SARAU DA COOPERIFA

Dia 6 de dezembro a partir das 20hs

Local: Bar do Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana
São Paulo - Zona Sul
Ref: atrás da igreja de Piraporinha
Inf. 5891.7403



EM TABOÃO DA SERRA

Dia 14 de dezembro a partir das 19hs

Local: Auditório da Secretaria da Educação
Rua Elizabeta Lips, 166 Jd. Bom Tempo
Taboão da Serra - SP
Ref: entre o teatro Cemur e o pachá
Inf. 83585965

Apoio Cultural:
Eurotur Turismo e Cooperifa

Friday, November 17, 2006

TÁ NO FORNO

E aê, firmeza total ?
Putz o barato tá cada dia mais doido, e eu tô achando é pouco. Da minha parte tô tacando fogo, depois eu vejo como apago. Saí às 7hs da manhã para um bate-papo com alunos da Escola Parque Pinheiros III, a convite do meu amigo Adriano, ex-Consciência humana. Foi demais ver a garotada ligada na poesia, vixe! Convidei todo mundo para o lançamento. Adoro fazer poesia nas escolas.
De lá fui correndo para o bairro da Aclimação, onde fica a gráfica que está fazendo meu livro, resolver umas coisinhas sobre a capa e o convite. Puta, que calor! As ruas estão pegando fogo. São 15hs, e daqui a pouco saio correndo para a Educafro me encontrar com Aliado G e o Anderson (ver. do PT) de Francisco Morato, para a gente falar com a rapaziada do cursinho sobre Hip Hop e poesia. Mais lenha na fogueira.
Meu livro, tá chegando o dia do lançamento, não me abandonem.
Cheio de sede,
Sérgio Vaz
Colecionador de pedras

AGORA É MINHA VEZ

SARAU DA COOPERIFA
APRESENTA:


COLECIONADOR DE PEDRAS
20 ANOS DE POESIA
LANÇAMENTO DIA 06 DE DEZEMBRO 20HS
ZÉ BATIDÃO
RUA BARTOLOMEU DOS SANTOS, 797 CHÁCARA SANTANA
SÃO PAULO - ZONA SUL
INF. 5891.7403
APOIO CULTURAL:
EUROTUR TURISMO

Thursday, November 16, 2006

CURSINHO EDUCAFRO APRESENTA:

A IMPORTÂNCIA DO HIP HOP COMO FERRAMENTA DE LUTA PARA O MOVIMENTO NEGRO.
DIA 17 DE NOVEMBRO DE 2006 (SEXTA-FEIRA) ÀS 19HS
MESA: ALIADO G (NAÇÃO HIP HOP), ANDERSON (VER. PT DE FCO. MORATO), SÉRGIO VAZ (FALANDO DE POESIA DA PERIFERIA)
EDUCAFRO
RUA RIAHUELO, 342
SÃO PAULO - SP
011.3106.3411

SARAU DA COOPERIFA: A NOITE MAIS LINDA DO MUNDO.

O sarau da Cooperifa de ontem foi a noite mais linda do mundo. Mais de trezentas pessoas lotaram o bar do Zé batidão e a rua em frente para ouvir a poesia que é feita na periferia. Se já não bastasse tudo isso, ainda tivemos o lançamento do livro "Guerreira" de Alessandro Buzo, que embelezou ainda mais a noite, foi o 25º livro que nos lançamos no sarau. Poetas, poetas e mais poetas prestando serviço para a comunidade, que agradecida nos presenteou com silêncio e aplausos sinceros. Tinha gente de todos os lugares, de todas as idades e de todas as tribos. Gente desse e de outros planetas. Foi simplesmente do caralho! No horário da novela escrevemos nossas páginas da vida. É brega mais é verdade. Muita gente tá escrevendo suas histórias a partir do sarau da cooperifa. A Regina que se foda, 21hs, na quarta-feira o horário nobre é do sarau, e sem intervalos. Aê, "vou te contar, o que seus olhos não podem ver, coisas que só o coração sabe entender, fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho...", Jobim, lindo né? Sou mais Vandré "...quem sabe faz a hora não espera acontecer". Daria um filme também, com direção do Racionais Mcs.
Recebemos também a visita do escritor Marcelino Freire, de "Contos negreiros e Angu de sangue" que leu pra gente um conto inédito, e os nossos poetas consagrados pela comunidade .
Tudo que a gente faz pela periferia é pouco, mas é de coração. Talvez seja por isso que muita gente gosta da gente, e é também por isso que muita gente não gosta, que fazer? Seguir adiante, sempre. Para os que nos amam tenho boas notícias, vem aí :colecionador de pedras, meu quinto livro, o 2º prêmio Cooperifa, a 2ª antologia poética do sarau (guarde seus textos) e, para terminar uma matéria para a BBC de Londres, sobre a Cooperifa, vai rolar por toda Europa. Agora, para quem não gosta da gente...
Quanto ao prêmio vamos premiar pessoas e entidades que de direta ou indiretamente ajudam a periferia tornar-se um mundo melhor para viver. O critério? Vamos premiar quem a gente quiser.
Sob lágrimas de alegria,
Sérgio Vaz
20 anos de poesia


meu coração teve um orgasmo e ejaculou pelos olhos
Periferia, meu mundo e nada mais
Alessandro Buzo e marilda Borges, mais um livro para a periferia. Toni C. da nação hip hop, faz a segurança espiritual.

SARAU DA COOPERIFA: RESPEITO.

Bem-vindos
Pessoal de Jundiaí-SP
O Silêncio é uma prece
Escritor Marcelino Freire, prêmio Jabuti do ano. Nós jábotamonele.

SARAU DA COOPERIFA: RESPEITO À COMUNIDADE

Poesia irmãos, poesia.
Jairo, do lado de fora do sarau. Sim, é assim que fica o lado de fora.
O lado de dentro
A comunidade

SARAU DA COOPERIFA DE ONTEM: MAGIA.

Lotado
O futuro da poesia
Rose, Danilo, fernanda, irmãs Zacarias e timbó num momento raro de pura tristeza. Ha, ha, ha!

Ferréz lança site

Roubei esta foto do site do Ferréz (www.ferrez.com.br) que acaba de ser lançado. Esse foi o primeiro encontro de literatura marginal realizado na barraca do saldanha. Acesse o site.

COLECIONADOR DE PEDRAS, 20 ANOS DE POESIA

DEZEMBRO TEM NOVO LIVRO NA PRAÇA

Colecionador de pedras, meu quinto livro, para comemorar vinte anos de poesia.

Tuesday, November 14, 2006

CAFÉ LITERÁRIO EM TABOÃO DA SERRA

Ontem aconteceu mais um café literário em Taboão da Serra, sarau que realizo, uma vez por mês em parceria com a Secretaria de Educação. É sempre na segunda segunda-feira de cada mês.
Ontem nós recebemos a visita dos alunos do EJA da escola Paulo Freire, chegaram de ônibus -para ouvir poesia-, como quem chega a um estádio de futebol, lindo! O auditório estava lotado.
Queria agradecer aos educadores que participaram, principalmente a educadora Débora que articulou o encontro, à secretária Marta de Betânia, por acreditar, aos poetas participantes...
Como eu disse anteriormente, a poesia é moda na periferia, e por mim esta moda vai durar uma vida inteira.Tô fazendo a minha parte. Mês que vem tem mais.

De olho no futuro,

Sérgio Vaz
20 anos de poesia





A poesia como fonte da vida
Fuzzil disparando versos na cabeça da platéia
Professora Lu
Rose em ação
O público, em silêncio, mostrando o respeito aos poetas
Eu, poeta cidadão, nada mais
A insustentável leveza dos seres
Rose e Rita, força e beleza
Vista aérea do Café literário

A poesia ocupando espaço no coração das crianças

A poesia está na moda na periferia, que me perdoem os jogadores de futebol e os pagodeiros, os poetas chegaram pra ficar. Tomara que os que estão chegando entendam o momento, que, sem o leitor nã há razão para o poeta existir. E que também entendam que a maioria do leitor tem que ser seduzido em seu habitah, sem frescura, sem o pedestal da pseudo-intelectualidade(argh!).
Ou a gente cuida das nossas crianças, ou elas dançam na boquinha da garrafa.
Quando o poeta vive no mundo da lua as crianças vão para o planeta xuxa.

Poetas do mundo, ao ataque! Por uma periferia melhor.

Alguns se matando pra ser Che Guevara, e eu me contentando em ser o Chaves. Ops,"Foi sem querer querendo".


Sérgio Vaz

SARAU DA COOPERIFA

Bar do Zé batidão, QG do Sarau da Cooperifa

CULTURA E RESISTÊNCIA

No sábado passado estivemos na Casa das Rosas, a convite da editora Expressão popular e do pessoal da cultura árabe, para um sarau "cultura e resistência", que acabou se tornando um grande encontro da poesia cidadã. A força da poesia feita na periferia e a resistência da poesia árabe foi o grande atentado poético na cidade. Todo nosso amor aos povos libaneses e palestinos.
Com todo respeito, também temos a nossa OLP (Organização para a libertação da periferia): a poesia é o esconderijo do açúcar e da pólvora, um doce, uma bomba, depende de quem devora. Sérgio Vaz


O escritor Marcelino Freire participou do evento
Fiquei responsável em apresentar os Cooperiféricos (que prazer!)
Acasa das rosas, cheia de espinhos da periferia
É nóis!
A poesia árabe deu o tom da noite