Tuesday, February 27, 2007

SARAU DA COOPERIFA NO PLANETA CIDADE

SARAU DA COOPERIFA NA TV CULTURA
Reapresentação do Programa Planeta Cidade
Hoje terça-feira 21hs

Sunday, February 25, 2007

Texto inédito

Lágrimas de crocodilo e outros bichos (Sérgio Vaz)

Estou farto dos leões de zoológicos. Farto desta fauna interminável de bichos soltos, com a mente enjaulada, que se espalham pelo país. Uns bestas feras, outros, feras bestas. Não há trocadilho que salve essa gente.
No Brasil todo mundo é leão, é tigre, é onça, todos rugem, mas ninguém morde ninguém.
Todo mundo na selva sabe quem são predadores e aonde dormem os inimigos, mas as garras finas e elegantes vão sempre desfilar seus óculos escuros no palco fino do açougue que vende carne de primeira. Tamanduá tomando conta do formigueiro.
Outro dia um abutre –ô bicho ruim!-, disse que os esquilos tinham que serem enjaulados logo que nascessem. E que a culpa toda não era das hienas que riam sobre a carniça, mas das coelhas que não paravam de parir. O discurso foi muito aplaudido pelas raposas.
Na floresta miúda, enquanto calangos e micos-leões-dourados disputavam migalhas para não extinguir, uma cobra, de terno e gravata, espreitava um papagaio vestido com a camiseta da águia americana. Nada mais animal. Com olhos de lince, a pantera assistia tudo vestindo uma boina a Che Guevara. O silêncio do pântano mata mais que o grito do jardim.
O Sapo de barba prometeu a promessa do tucano empolado, será? Sei não, esses bichos são muitos esquisitos...
Só sei que os pintinhos estão com fome, e, no galinheiro, as galinhas mortas estão assistindo briga de galo, já que o milho não dá pra todo mundo. Pra piorar, os porcos não querem nem saber, só se preocupam em se lambuzar na lavagem.
Do outro lado da mata, paradoxo total, todo mundo quer abraçar o Maracanã num país cheio de bicho abandonado, carente de abraços.
Sempre que morre um canarinho aparece um pavão com lágrimas de crocodilo para decorar o velório alheio. Pardal não canta, por isso morre em silêncio.
Outro dia um falcão segurando uma AR15 disse: “se morre um, nasce outro em seu lugar”. Só o burro não entendeu.
As antas também não entenderam que os bezerros são educados no semáforo porque os bois estão mamando livremente nas tetas da vaca.
Uma caneta na mão de um lobo é tão mortal quanto um 38 na mão de outro lobo. Pena de morte para o lobo de caneta?
-Justiça! Grita o gado a caminho do matadouro.
Infelizmente nascemos com uma jaula no coração. Por isso, latimos como cães, mas agimos como frangos.



Cartunista Maurício Pestana


Saturday, February 24, 2007

Cartaz da Semana de Arte Moderna de 1922


POESIA À TARDE

HOJE TÔ LÁ NO
SARAU ARRASTA LETRA NO PROJETO ARRASTÃO
SÁBADO 24.02 A PARTIR DAS 14HS
End.: Rua Dr. Joviano Pacheco de Aguirre, 255
Pracinha do Campo Limpo. Tel.: 5841-3366

Friday, February 23, 2007

DOCUMENTÁRIO

Quem estiver em Sampa e ainda não assistiu, não perca a re-estréia do Filme Documentário “Família Alcântara”, de Daniel e Lilian Solá Santiago.


Família Alcântara Documentário Sala: Cine Bombril, 01
- Projeto Folha Documenta às 18h30 Duração: 54 minutos


O filme acompanha a história da Família Alcântara, formada por descendentes de uma tribo de origem Bantu, que há mais de 400 anos viveu em terras próximas a Luanda, atual capital da Angola, até chegar ao Brasil, onde foi escravizada nas lavouras em Minas Gerais. Esta história secular é hoje difundida pelo grupo através da música, do teatro e das festas religiosas.

Saiba mais sobre o filme: www.familiaalcantara.com.br

SARAU DA COOPERIFA NA TV CULTURA

SARAU DA COOPERIFA NA TV CULTURA
Programa Planeta Cidade
Domingo 19hs
Reapresentação na terça-feira 21hs

Thursday, February 22, 2007

VEM AÍ

COOPERIFA APRESENTA:
SEMANA DE ARTE MODERNA DA PERIFERIA
ANTROPOFAGIA PERIFÉRICA
EM BREVE

Sunday, February 11, 2007

GLOBAL EDITORA APRESENTA:

COLECÃO LITERATURA PERIFÉRICA

Em breve em todas as livrarias do Brasil, uma coleção com alguns dos poetas e escritores da periferia de São Paulo. O Projeto, capitaneado pelo Eleílson da Ação educativa tem como objetivo ampliar e dar visibilidade ao movimento literário que não pára de crescer em São Paulo.
A Global Editora, através do seu presidente Luíz Alves além de acampar a idéia, também tem o objetivo de estender o projeto literário a várias regiões do Brasil.
Os autores escolhidos já são velhos conhecidos da periferia, Sérgio Vaz, Sacolinha, Alessandro Buzo, Allan da Rosa e a Dinha, dão o pontapé da primeira coleção.

Assinatura do contrato
Eleílson, Sacolinha, eu eo o Luiz Alves


SARAU DA COOPERIFA EM TABOÃO DA SERRA

O cantor e compositor Carlos Silva no café literário em Taboão da Serra



Sarau de aniversário de Taboão da Serra.



Dia 12 de fevereiro (segunda) a partir das 19hs30


Apresentação do poeta Sérgio Vaz



Recital poético com vários poetas da região e convidados





Local: Secretaria de Educação e Cultura

Rua: Elizabeta Lips, 166 Jd. Bom Tempo

Taboão da Serra-SP

Fone: 4788.5822

PROJETO DULCINÉIA CATADORA APRESENTA:


LANÇAMENTO DO LIVRO

SARAU DA COOPERIFA

Quarta-feira 14 de Fevereiro 20HS30


*livros de contos e poesias com capas feitas de papelão comprado dos catadores a um real o quilo, quando eles normalmente o vendem a 30 centavos.


Capas pintadas à mão por filhos de catadores.


Uma idéia simples, na contra-mão do mercado editorial, mostra que é possível divulgar autores novos com a venda dos livros a R$5,00.


É assim que funciona o Dulcinéia Catadora, um projeto artístico auto-sustentável que reúne artistas, escritores e catadores.


*Todas as iniciativas do Dulcinéia Catadora têm sempre o compromisso com a distribuição do conhecimento e da renda, a divulgação de autores latino-americanos, a valorização e a promoção da auto-estima dos catadores, e o estímulo à criatividade.
Convidado para a 27ª Bienal de São Paulo, o Eloísa Cartonera apresentou-se no pavilhão como um atelier em funcionamento permanente. Ao grupo argentino, existente em Buenos Aires desde 2003, somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros. Daí se originou seu projeto-irmão, Dulcinéia Catadora, que funciona de forma independente, no Brasil, com a artista plástica Lúcia Rosa, as pinturas espontâneas de Peterson, Tatiana, Andréia, e conta com a colaboração de Carlos Pessoa Rosa, Douglas Diegues e Rodrigo Ciríaco na seleção de textos e promoção de eventos

Thursday, February 08, 2007

A Bahia preta convoca


AÇÃO CULTURAL

Ação Cultural - Acampamento da Prefeitura / PRESTES MAIA

Ato em Apoio ao acampamento montado em frente a Prefeitura pelo MSTC/Ed. Prestes Maia (mais infos. abaixo).

Música - Poesia - Capoeira - e-o-que-mais-der-na-telha!

Compareça:VIADUTO DO CHÁ
Quinta-feira, 08 de fevereiro
15:00hs, ao lado do Acampamento, na Prefeitura.
Traga a sua presença

Leia um poema do Augusto, poeta da Cooperifa

DEFERÊNCIA
(ou "ninguem me ama, ninguem me quer...
Ninguem me chama de Baudelaire.)


Quem dera eu,
cheio de vicios,
escrever como Vinicius...
Ja pensou que chique?
Pegar um copo de uisque
e divagar
Sobre mulheres,
candomblé e o mar.

Quem dera eu,
cheio de azar,
escrever como Julio Cortázar...
Ja pensou que emoção?
Criar toda uma situação
em que nada seja lógico,
apresentando personagens
tão profundos, tão psicológicos...

Quem dera eu,
cheio de recalques,
escrever como Castro Alves...
Ja pensou que aventura?
Lutar contra a escravatura
e ter a mente sem descanso.
Caçando algo alegre que rime
com a tristeza da palavra "banzo".

Quem dera eu,
um imoral,
escrever como Dan Brow...
Ja pensou que grande piada?
Ter a conta recheada
apenas pra ficar conspirando,
vetando orgias e sodomias
que rolam na Nasa e no Vaticano.

Quem dera eu,
essezinho,
escrever igual ao Binho.
Ja pensou que curtição?
Inventar palavras de montão,
tipo Guimarães Rosa.
Ter uma familia formosa
e mandar bem na rima e na prosa.

Mas eu,
com minhas rimas pobres,
que não valem nada em cobre,
busco me aprimorar.

Quem sabe algum dia
essas linhas receberão deferências...
Serei sempre um pobre poeta
porém rico em referências.

Wednesday, February 07, 2007

ANIVERSÁRIO DE TABOÃO DA SERRA, 18 de fevereiro

Foto: Eduardo Toledo
Jardim Leme, onde mora um povo lindo e inteligente de Taboão da Serra


Taboão da Serra


Dorme Taboão,
Tranqüila nos braços do universo,
Recostada sobre o dorso das serras.
À noite,
Numa velocidade lunar,
A América Latina rasga teu coração
Como num romance breve
(amar e despedir),
e parte para outros braços.
A Lua,
Ausente e abstrata,
Vela o passado
Para o futuro despertar.
Enquanto isso, os poetas,
Paladinos da madrugada
Riscam palavras luminosas
No asfalto vazio
Pra quando a cidade acordar.


Sérgio Vaz

Tuesday, February 06, 2007

Nós, os vagabundos de Kassab

Os Miseráveis


Vítor nasceu
No Jardim das Margaridas.
Erva daninha
Nunca teve primavera.
Cresceu sem pai
Sem mãe
Sem norte
Sem seta.
Pés no chão
Nunca teve bicicleta.
Hugo não nasceu, estreou
Pele branquinha
Nunca teve inverno.
Tinha pai
Tinha mãe
Caderno
E fada madrinha.
Vítor virou ladrão
Hugo salafrário
Um roubava pro pão
O outro pra reforçar o salário.
Um usava capuz
O outro, gravata.
Um roubava na luz
O outro, em noite de serenata.
Um vivia de cativeiro
O outro, de negócio
Um não tinha amigo, parceiro
O outro, tinha sócio.
Retrato falado
Vítor tinha a cara na notícia,
Enquanto Hugo
Fazia pose pra revista.
O da pólvora
Apodrece penitente.
O da caneta
Enriquece impunemente.
A um só resta virar crente
O outro, é candidato a presidente.


Sérgio Vaz

COLECIONADOR DE PEDRAS, 20 ANOS DE POESIA


Renilda de seu Francisco

Renilda
já nasceu mulher.
Ainda menina
era prostituída
para matar a fome,
pra não ser lixo, sina?
Não tinha registro
não tinha nome,
era a filha de seu Francisco.
Um dia,
desses sem dores,
sonhou ser artista de televisão:
Glória, Fernanda ou Regina,
ser estrela.
Mas,
de volta às dores
podia ser vista
maltratando a vagina,
longe das telas,
ao vivo e a cores
em todas as vielas
que tivesse um colchão.
Doente,
morreu virgem,
sem nunca ter amado.
Morreu seca,
sem nunca ter gozado.
Foda-se.

Sérgio vaz

GRUPO TETRAL MANICÔMICOS DA COOPERIFA

O grupo de teatro Manicômicos é um dos parceiros mais atuante da cultura de periferia que se estende por aí. Grupo de atitude e responsabilidade. Já se apresentaram várias vezes no sarau.
A peça perfeição é muito loka, vale a pena conferir.

Monday, February 05, 2007

LANÇAMENTO DO LIVRO CADERNOS NEGROS NO SARAU DA COOPERIFA

SARAU DA COOPERIFA

Lançamento do livro Cadernos negros

Dia 07.02 quarta-feira 20hs30 R$ 20,00

Bar Zé Batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana
São Paulo - Zona sul
f. 5891.7403


*
Em 1978 surgiu o primeiro volume da série CADERNOS NEGROS, contendo oito poetas que dividiam os custos do livro, publicado em formato de bolso com 52 páginas. A publicação, vendida principalmente em um grande lançamento, circulou posteriormente de mão em mão, sendo distribuída para poucas livrarias, mas obteve um expressivo retorno dos que tiveram acesso a ela. Desde então, e ininterruptamente, foram lançados outros volumes - um por ano - alternando poemas e contos de estilos diversos. A distribuição aperfeiçoou-se, procurando chegar a um público mais amplo e diversificado do que aquele atingido pelos primeiros volumes. Escritores de vários Estados do Brasil vêm publicando nos Cadernos. É preciso assinalar que não existem outras antologias publicadas regularmente com textos de autores afro-brasileiros, em grande parte devido às dificuldades financeiras inerentes às publicações deste tipo. Sendo assim, os Cadernos têm sido um importante veículo para dar visibilidade à literatura negra.

Friday, February 02, 2007

O PRAZER DA LEITURA


QUEM LÊ ENXERGA MELHOR (SÉRGIO VAZ)



Pouca coisas da vida me é tão claro quanto ao gosto e prazer que eu sinto pela leitura. Simplesmente adoro ler. Leio desde criança e nunca tive nenhuma dúvida sobre o poder impactante da literatura na vida das pessoas. Primeiro porque a literatura é democrática, não importa quem a seduza, ela é sempre generosa, dá para qualquer um e em qualquer lugar. Segundo é por uma questão de saúde pública: "Quem lê enxerga melhor".

O livro me acompanha desde criança, e por conta dele ainda me sinto uma. Ficção ? Não sei. Mas a realidade é que o livro sempre fez parte das minhas brincadeiras de molecada.

Pipa, pião, bolinha de gude, esconde-esconde, pega-pega, futebol, etc. e livro.

Nada dava mais prazer do que estar vivo nesses dias de histórias inenarráveis.Capitães de areia vivíamos o Tempo e o vento. Meus pés cravados nas ruas de terra do planeta periferia e o sol tatuando meu rosto com o suor da magia da eternidade... Poesia ? Que nada. É gratidão mesmo!

Gratidão a Jorge Amado, Cervantes, Branca de neve, Ali babá, Neruda, Victor Hugo, Garcia Marques, Lorca e tantos outros. Gratidão ao Guina, Bacamarte, Pigmeu, Gengibão, Samuca, estrela F. C. e a tantos outros amigos, que naquela altura, se confundiam com os personagens dos livros, que me abraçavam nas mil e uma noites dessa minha saga. Prosa ? Nem te conto. É tudo verdade.

Também existia os mentirosos, não os escritores - esses a gente já conhecem-, os falsos leitores. Estavavam sempre com um livro embaixo do braço, mas quase nunca liam. Usavam-no como desodorante. Mas pelo menos faziam propaganda do livro. Não era de todo ruim.

De lá pra cá muita coisa mudou. Muita coisa nós mudamos, mas paixão pelo livro se mantém viva como todas essas lembranças da infância. O livro ainda continua sendo um grande parceiro. Nem sempre acato tudo que ele diz, mas estou sempre atento ao que ele tem a dizer.

Hoje com alguns cabelos brancos, continuo a ler como criança e continuo dando corda na brincadeira da vida : futebol de várzea, cerveja gelada, recital de poesia, sinuca, teatro, cinema, show, samba, e por aí vou eu, esse romance inacabado.

Tudo isso é necessário para que a literatura não caia na chatice e que o hábito da leitura não descambe para a arrôgancia. Ler não é chato, mas tem muito chato que lê, e o que é pior, quer sempre impor o que ele leu. Ficção ? Quem dera fosse.

Perdido em sua pseudo-intelectualidade, o chato não sabe,ou finge que não sabe que a literatura é pura sedução. É puro prazer. Ler para existir. É perigoso existir para ler.

Sempre será necessário ler um bom livro, mas também é imprescindível que a gente tenha o hábito de ler pessoas. Sim, as pessoas, são elas que inspiram os livros.

Barraco forte

O cineasta Jeferson De e Renata Moura com a equipe da produtora Barraco forte na Cooperifa