O Pequeno Príncipe - Sérgio Vaz
Na semana passada fui participar de um sarau com os alunos da escola Paulo Afonso em Capuava, que fica em Embu das Artes, na divisa com Cotia. Além de mim também foram convidados o Gaspar (Záfrica Brasil), Zinho Trindade e o Baltazar (Preto Soul).
Os Alunos da 5ª e 6ª série também prepararam uma apresentação para o dia, sob a supervisão de alguns professores, inclusive do Wagner, meu amigo.
A Manhã de poesia já estava servida como merenda no pátio da escola e, para minha surpresa, a molecada repetia várias vezes. Até aí, além do presente da vida, nada demais. Um poema solo aqui, um poema em grupo ali, uma música à capela, e o frescor da infância se esfregando nos meus olhos.
Em um determinado momento a professora chama um garoto, para se apresentar. Tímido, como poucos, recitava sua poesia com bastante nervosismo, o suficiente para que alguns dos alunos começassem a rir da sua declamação. Sei que não riam por maldade, crianças apenas riem.
De Súbito senti minha alma desprender do corpo, numa rápida viagem astral para o passado. Vi-me ali no seu lugar, com 12 anos, sendo punido pela timidez por apenas estar vivo na hora errada. “A Timidez é uma lei muito severa a ser cumprida...”.
De volta ao futuro, ainda consegui vê-lo em sua batalha contra o mundo. Como eu já disse, enquanto alguns riam ele recitava, como quem expulsava o silêncio do corpo. Parecia que lhe faltava o ar, as palavras lhe traiam, as vírgulas abriram fuga, os olhos caminhavam devagar demais para tanta pressa de sair de cena, as mãos tremiam.
Nós poetas torcíamos por ele, os educadores gritavam pelos olhos por ele. De repente o vento parou de soprar para que o barulho não o atrapalhasse. Os Pássaros debruçados nas árvores o acompanhavam em si bemol. Uma nuvem calou a camada de ozônio para que ele pudesse respirar melhor.
Assim como um milagre, que só as crianças sabem o segredo, pude vê-lo refletido nos olhos úmidos das pessoas e o riso, como se recebesse uma ordem do universo, partiu para uma outra dimensão.
O mundo inteiro parou para ouvir o mais lindo poema da vida, a coragem.
Ao terminar, ele riu, agradeceu os aplausos e saiu como um nobre cavaleiro que acaba de derrotar um dragão sem nenhuma gota de sangue pelo corpo.
Eu ali como um fraco, voltando ao passado, tendo pena dele, e ele ali, como um príncipe guerreiro enfrentando o futuro, e de canja, deixando a lição pra gente fazer em casa: “Só os fortes sobrevivem”.
Quando eu crescer quero ser como ele, gente.
Friday, September 28, 2007
Thursday, September 27, 2007
SARAU RAP
QUINTA-FEIRA DE POESIA
HOJE TEM SARAU RAP NA AÇÃO EDUCATIVA
COM A PRESENÇA DO RAPPER GOG
19hs30
Rua General Jardim, 660
Centro-SP
SARAU DA COOPERIFA
O Sarau da Cooperifa de ontem estava simplesmente maravilhoso, mais de trezentas pessoas para falar e ouvir poesia. Ontem também aconteceu o lançamento do livro "Pelas periferias do Brasil", com a curadoria do Buzo e a parceria da Ação Educativa. Por conta disso vários autores estiveram lá para autografar o livro: Nelson Mak (BA), GOG (DF), Jota C (MG), Dudu de Morro agudo (RJ), Robson Canto, Michel representaram a coletânea.
Mano, pergunte a quem foi, não consigo descrever a noite de ontem.
Abaixo, as fotos:

Wednesday, September 26, 2007
NOITE POÉTICA (ainda mais sobre a terça-feira)
Na terça-feira à noite rolou o lançamento do livro "Pelas periferias do Brasil" que foi realizado pelo Alessandro Buzo e com a parceria da Ação Educativa. Muita gente. Muitos Guerreiros. Nelson Maka, GOG, Sacolinha, Sacolinha, Allan da Rosa, Rose, Ricarda, A Família, Alexandre de Maio, Dudu de Morro Agudo, Jairo (periafricania), Grupo Inquérito,Lobão, Raízes, entre outros. Ainda cantamos parabén para o Buzo e o Robson Canto.s
A literatura na periferia já é uma realidade, quer eles gostem ou não. E o pior é que só estamos no começo.
"Zé Povinho é o caralho, nosso nome é Periferia!"
TARDE POÉTICA (ainda sobre terça-feira)
Na terça-fria, depois de passar a manhã com os jovens do Parque Fernanda fazendo poesia e curtindo o violão com o Giba, à tarde fui na EE Neusa Demétrio que fica no pirajussara.
A escola estava fazendo uma semana sobre leitura e os alunos escolheram vários autores para o trabalho. Fui escolhido pelo segundo ano colegial para a leitura dos meus poemas.
Pô, uma puta homenagem, em vida e na minha quebrada, foi simplesmente maravilhoso. Também li alguns poemas.
No meio de tudo... a poesia!
"Zé Povinho é o caralho, meu nome é Sérgio Vaz!"
Abs.
SV

A escola estava fazendo uma semana sobre leitura e os alunos escolheram vários autores para o trabalho. Fui escolhido pelo segundo ano colegial para a leitura dos meus poemas.
Pô, uma puta homenagem, em vida e na minha quebrada, foi simplesmente maravilhoso. Também li alguns poemas.
No meio de tudo... a poesia!
"Zé Povinho é o caralho, meu nome é Sérgio Vaz!"
Abs.
SV

Tuesday, September 25, 2007
CAMISETA OFICIAL DA SEMANA DE ARTE MODERNA
Sarau da Cooperifa
Apresenta:
Lançamento oficial da camiseta da semana de arte moderna da periferia
Todo dinheiro adquirido com a venda da camiseta será revertido para a produção da Semana de Arte Moderna da Periferia.Valor R$ 20,00
(Só no sarau, depois do lançamento R$ 25)
*obs. Não temos camisetas vips
MANHÃ POÉTICA II
Atendendo ao pedido do meu amigo Giba neste terça-feira pela manhã fui bater um papo com os garotos na Ass. de moradores do Pq. Fernanda (núcleo de proteção). Esta tuma faz parte do projeto de ressocialização da Febem. Por lá, Fuzzil, Márcio, Nego Chic, e a rapa da casa.
Na terça-feira na terra da garoa, e a gente aquecendo o coração da molecada com poesia.

SEMANA DE ARTE MODERNA
Segunda-feira fria e nós ali, no Zé Batidão, tramando uma Semana de Arte Moderna da Periferia.
Como diria Vandré:"Quem sabe faz a hora não espera acontecer".


Monday, September 24, 2007
Zé Povinho é o caralho!!!!!
Por conta do bom momento que vive a literatura na periferia, vários intelectuais estão escrevendo que a gente só fala de violência e que produzimos uma literatura menor. Salvo raríssimas exceções, os poucos intelectuais que gostam da gente tem medo de nos defender. Covardes! Pode até ser que o tema violência seja uma constante, mas pregamos, constantemente a paz.Haja visto a quantidade de bate-papos, recitais, oficinas que são feitos gratuitamente nas escolas públicas das quebradas. Gente com eu, Buzo, Ferréz, Sacolinha, entre outros, temos cultivado a palavra no meio da molecada, pregando o amor ao livro e a escola.
Caralho, esses filhos da puta só sabem falar mal da gente, então por quê eles não fazem? Temos vários endereços de escolas na periferia para eles palestrarem e mostrar o quanto são sábios. Sim, várias escolas que mais parecem presídios. Pois é, é dessa violência que nós falamos.
Passem pela manhã por alguns botecos para ver uma legião de desempregados dividindo uma dose de pinga para sustentar a frustação de não poderem alimentar uma família.
Alguém deles quer tomar um café num barraco todo de madeira com o esgôto passando pelo quarto, ao lado dos ratos? Ninguém quer, nem nós, é por isso que lutamos. É dessa violência que falamos.
Alguns desses ilustres pensadores já tomaram uma geral da polícia nos moldes: "Mão pra cabeça vagabundo!", mesmo com a carteira assinada ou o holerite no bolso? Ser suspeito apenas por morar da ponte pra cá? É dessa violência que falamos.
Quando estiverem passando mal de saúde me avisem que eu vou marcar uma consulta no hospital Campo Limpo pra eles. "Dor nas costas? Aspirina! Câncer na próstata? Aspirina! Meningite? Aspirina!", é dessa violência que falamos.
Pois é, mesmo sob toda esses contras e o preconceito da academia, nós estamos nas escolas falando de literatura e recitando poesia. Editando livros e mais livros, realizando sarau e mais saraus nos botecos que substituem os museus, cinemas, blibiotecas que eles tem a primazia de frequentar.
Vão tomar no cu. Vão pras putas que os pariram. Se querem fingir que moram em Paris, que se fodam, mas não atrapalhem a nossa caminhada. Se querem ficar masturbando a literatura em mesinhas de bares da moda, tem todo o direito, mas não fiquem falando sobre o que não conhecem.
País do caralho, país de bosta, lugar de gente medíocre, hipócritas, abutres miseráveis, só mesmo num país como esse é possível ver artistas , escritores, intelectuais ricos e famosos com raiva do Zé Povinho, só porque está escrevendo livros. É possível acreditar nisso?
Como eu disse anteriormente, a periferia é um país dentro do Brasil.
Somos os mexicanos da elite? Nem fodendo. Viva Zapata!
"Tô com o zóio pegando fogo".
Um sorriso no rosto e os punhos cerrados,
Sérgio Vaz
Pelas periferias do Brasil
Foto: Marilda Borges
Amanhã tem o lançamento do livro "Pelas periferias do Brasil" que foi eleborado pelo guerreiro incansável Alessandro Buzo. Com apoio da Ação Educativa (Eleilson) vários escritores de várias regiões do país estarão lá, na terça-feira autografando os livros. Na quarta, como não podia deixar de ser, o lançamento é na Cooperifa. Ô progresso!
A Rapa vai estar toda reunida: Maka-Blackitude-Ba, Dudu de Morro agudo, Gog, Renan-Inquérito, Jéssica Balbino, entre outros. Espero que não venham no mesmo avião, é muito guerreiro junto. Toc, toc, toc (bati na madeira três vezes).
Periferia até os ossos,
Sérgio Vaz
Futebol, o ópio do povo ?
E ganhar do curinthias me deixa mais alienado ainda.
Olê porcô! Olê porcô!
Sunday, September 23, 2007
MANO BRROW NO RODA VIVA DA TV CULTURA

Nesta segunda-feira tem Mano Brow no programa de entrevista Roda viva da Tv Cultura.
Acho que tem uma grande importância esta entrevista, primeiro porque é ao vivo, e outra porque acho que tem alguns espaços que a periferia tem que ocupar.
Ocupar com dignidade, respeito e consciência, isso o negro tem de sobra.
Mano Brow é como o camisa dez de antigamente, chama a responsabilidade do jogo pra ele, sabe divir a jogada e sabe colocar os companheiros na cara do gol.
Então, se ele vai jogar, vou ficar na aarquibancada torcendo por ele, torcendo por nós.
é tudo nosso!
abs.
Mano Sérgio Vaz
PELAS QUEBRADAS DO BRASIL

LANÇAMENTO DO LIVRO COLETÂNEA
Organização: Alessandro Buzo
Com 12 autores de 7 estados.
Você não pode ficar de fora dessa festa da periferia,
terça-feira (25/09) na Ação Educativa
quarta (26/09) no Sarau da Cooperifa.
Presença confirmada nessa terça na AÇÃO EDUCATIVA:
Alessandro Buzo,
GOG,
Dudu de Morro Agudo,
Nelson Maca,
Renan Inquérito,
Robson Canto,
Michel da Silva,
Jota C NPN,
Jéssica Balbino e
Nando Tau
AGENDE-SE Dia 25 de setembro (19hs)
Local: Ação Educativa Rua General Jardim, 660 - Metrô Santa Cecilia - São Paulo -SP
Livro R$ 20,00.
Dia 26/09/07 (20:30hs) no Sarau da Cooperifa.
Bar do Zé Batidão (Zona Sul de SP).
Wednesday, September 19, 2007
CORPO A CORPO COM A LINGUAGEM
Li este trecho de um artigo (?) escrito pelo poeta poeta Ferreira Gullar (Corpo a corpo com a linguagem) num LP do Milton Nascimento, e apenas este pequeno trecho fez com a minha vida tomasse um outro rumo, um outro sentido.
Depois de ter lido, a minha poesia nunca mais foi a mesma, nem eu.
Queria dividir com vocês este pequeno trecho, mas há muito mais sobre, na internet.
Resolvi ter caráter por conta dessas palavras.
Espero que vocês curtam e conheçam um pouco da minha história, e o porque de tudo isso está acontecendo agora. O porque da literatura marginal e periférica, o porque da cooperifa, do sarau. O porque da auto-estima da periferia. O porque da luta por uma arte mais digna e um artista mais cidadão. Enfim, o porque de tudo isso na minha vida.
Essas palavras me influenciaram para sempre. Se alguém um dia se encontrar com o Poeta Ferreira Gullar, digam isso a ele por mim.
Espero que, assim como eu, entendam que a palavra é uma força muito poderosa.
Na luta,
Sérgio Vaz
"...E a história humana não se desenrola apenas nos campos de batalha e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbíos, nas casas de jogo, nos prostíbulos, nos colégios, nas ruínas, nos namoros de esquina. Disso quis eu fazer a minha poesia, dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não têm voz...".
FERREIRA GULLAR
Sobre vanguardas e periferias
por Neide Luzia de Rezende
Segundo o grande crítico de teatro Décio de Almeida Prado, nas décadas de 60 e 70 reaparecia no Brasil uma atmosfera lúdica e radical, agressiva e divertida, que, com o estopim de O Rei da Vela, encenado por José Celso Martinez, trazia de volta o espírito da Semana de Arte Moderna. Oswald de Andrade parecia encontrar em alguns grupos de resistência cultural e política daquelas décadas, dentre os quais os tropicalistas, os verdadeiros destinatários de sua obra. E hoje ainda o movimento modernista continua fecundando a cultura no país.
O cartaz do evento Semana de Arte Moderna da Periferia aponta como referência não só a Semana de Arte Moderna de 22, mas também a Antropofagia, momentos distintos do modernismo – o segundo vinculado mais estreitamente à vertente oswaldiana. Em sua trajetória ao longo do século XX, além de lembrar um momento importante da arte nacional, a Antropofagia tornou-se sobretudo um conceito, que remete à assimilação crítica da cultura exógena e a uma tensão permanente e insolúvel entre culturas reapropriadas.
A retomada paródica do cartaz da semana modernista pelos artistas da periferia supõe ver no movimento de 22 uma referência, ainda que com distanciamento. As poucas folhas vermelhas do arbusto seco que insistia em medrar em terreno inóspito, no desenho de Di Cavalcanti, ganham uma tonalidade inusitada e talvez mais dramática na solução plástica do artista periférico Jair Guilherme. As folhas tornaram-se mais numerosas, parecem frutos vermelhos caindo, mas também sangue gotejando do fundo negro sobre a palavra Antropofagia Periférica escrita logo abaixo. A frondosa árvore que substituiu o esquálido arbusto modernista pode sugerir que não só cresceu o movimento como deu frutos 85 anos depois – e deu frutos na periferia.
Na alegoria do cartaz, porém, a vitalidade não elimina a carga dramática do sangue gotejante. Embora a alegria – prova dos nove do Manifesto Antropófago – esteja presente nos saraus da periferia, sua produção literária é marcada por um outro espírito: é séria, “realista”, dolorosa. É de outra ordem o estranhamento produzido pela linguagem – que em 22 era lúdica e contrária ao naturalismo. Os novos buscam construir sua obra literária muitas vezes a partir do “brutalismo” da linguagem cotidiana das camadas pobres da periferia e da transcrição fonética da fala popular, o que provoca e incomoda o leitor acostumado à linguagem-padrão da escrita e das produções letradas dominantes.
Apropriar-se da escrita e, ainda, da escrita literária supõe possibilidades infinitas e imprevisíveis para aqueles que ficaram à margem de um sistema que valoriza o homem culto e que, historicamente, se impôs como cultura central. O Modernismo, composto de homens da elite, foi beber nas manifestações do povo para revitalizar a cultura. Hoje, apesar do estrato popular dos integrantes do movimento da periferia, não se pode qualificar de inverso o processo, já que as idéias sobre cultura formadas no último século insistem na pluralidade e na diversidade, redefinindo polaridades como culto e popular.
As manifestações artísticas consagradas, que aparentemente se encontram distantes das camadas mais marginalizadas, revelam-se vivas e disseminadas, orientando concepções e produções culturais distintas. O meio acadêmico, por sua vez, tem exercido papel fundamental nesse processo de circulação cultural. Ao criar novas teorias sobre a realidade acaba disseminando entre instituições e agentes outras concepções de vida e de educação.
Os novos paradigmas lingüísticos têm proposto um entendimento não hierarquizado das possibilidades da língua, ao introduzir com força nas pesquisas e nos meios educacionais a idéia de variação lingüística, pois considera como legítimas todas as manifestações da linguagem – valorizando também as culturas por elas produzidas –, e não apenas a variante do padrão culto. A escrita, nas sociedades de hoje, é um instrumento de poder. E as variantes culturais historicamente excluídas podem estabelecer-se em meio aos outros campos mais legitimados e conquistar terreno. Penetrar, influenciar, apropriar-se.
Nesse sentido, a emergência de um movimento como esse não significa exatamente uma ruptura com o passado ou com as demais vertentes da cultura presente, como pode deixar supor uma idéia banalizada de vanguarda – mas sim uma inter-relação de elementos provenientes de outros campos, em constante tensão. Fronteiras também podem ser vislumbradas na conduta dos novos artistas periféricos, que resistem às tentativas de invasão de quem só quer pegar carona no sucesso alheio. E assim mais uma vez a Antropofagia se atualiza.
Neide Luzia de Rezende professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, especialista em Oswald de Andrade e autora de A Semana de Arte Moderna (Ática)
por Neide Luzia de Rezende
Segundo o grande crítico de teatro Décio de Almeida Prado, nas décadas de 60 e 70 reaparecia no Brasil uma atmosfera lúdica e radical, agressiva e divertida, que, com o estopim de O Rei da Vela, encenado por José Celso Martinez, trazia de volta o espírito da Semana de Arte Moderna. Oswald de Andrade parecia encontrar em alguns grupos de resistência cultural e política daquelas décadas, dentre os quais os tropicalistas, os verdadeiros destinatários de sua obra. E hoje ainda o movimento modernista continua fecundando a cultura no país.
O cartaz do evento Semana de Arte Moderna da Periferia aponta como referência não só a Semana de Arte Moderna de 22, mas também a Antropofagia, momentos distintos do modernismo – o segundo vinculado mais estreitamente à vertente oswaldiana. Em sua trajetória ao longo do século XX, além de lembrar um momento importante da arte nacional, a Antropofagia tornou-se sobretudo um conceito, que remete à assimilação crítica da cultura exógena e a uma tensão permanente e insolúvel entre culturas reapropriadas.
A retomada paródica do cartaz da semana modernista pelos artistas da periferia supõe ver no movimento de 22 uma referência, ainda que com distanciamento. As poucas folhas vermelhas do arbusto seco que insistia em medrar em terreno inóspito, no desenho de Di Cavalcanti, ganham uma tonalidade inusitada e talvez mais dramática na solução plástica do artista periférico Jair Guilherme. As folhas tornaram-se mais numerosas, parecem frutos vermelhos caindo, mas também sangue gotejando do fundo negro sobre a palavra Antropofagia Periférica escrita logo abaixo. A frondosa árvore que substituiu o esquálido arbusto modernista pode sugerir que não só cresceu o movimento como deu frutos 85 anos depois – e deu frutos na periferia.
Na alegoria do cartaz, porém, a vitalidade não elimina a carga dramática do sangue gotejante. Embora a alegria – prova dos nove do Manifesto Antropófago – esteja presente nos saraus da periferia, sua produção literária é marcada por um outro espírito: é séria, “realista”, dolorosa. É de outra ordem o estranhamento produzido pela linguagem – que em 22 era lúdica e contrária ao naturalismo. Os novos buscam construir sua obra literária muitas vezes a partir do “brutalismo” da linguagem cotidiana das camadas pobres da periferia e da transcrição fonética da fala popular, o que provoca e incomoda o leitor acostumado à linguagem-padrão da escrita e das produções letradas dominantes.
Apropriar-se da escrita e, ainda, da escrita literária supõe possibilidades infinitas e imprevisíveis para aqueles que ficaram à margem de um sistema que valoriza o homem culto e que, historicamente, se impôs como cultura central. O Modernismo, composto de homens da elite, foi beber nas manifestações do povo para revitalizar a cultura. Hoje, apesar do estrato popular dos integrantes do movimento da periferia, não se pode qualificar de inverso o processo, já que as idéias sobre cultura formadas no último século insistem na pluralidade e na diversidade, redefinindo polaridades como culto e popular.
As manifestações artísticas consagradas, que aparentemente se encontram distantes das camadas mais marginalizadas, revelam-se vivas e disseminadas, orientando concepções e produções culturais distintas. O meio acadêmico, por sua vez, tem exercido papel fundamental nesse processo de circulação cultural. Ao criar novas teorias sobre a realidade acaba disseminando entre instituições e agentes outras concepções de vida e de educação.
Os novos paradigmas lingüísticos têm proposto um entendimento não hierarquizado das possibilidades da língua, ao introduzir com força nas pesquisas e nos meios educacionais a idéia de variação lingüística, pois considera como legítimas todas as manifestações da linguagem – valorizando também as culturas por elas produzidas –, e não apenas a variante do padrão culto. A escrita, nas sociedades de hoje, é um instrumento de poder. E as variantes culturais historicamente excluídas podem estabelecer-se em meio aos outros campos mais legitimados e conquistar terreno. Penetrar, influenciar, apropriar-se.
Nesse sentido, a emergência de um movimento como esse não significa exatamente uma ruptura com o passado ou com as demais vertentes da cultura presente, como pode deixar supor uma idéia banalizada de vanguarda – mas sim uma inter-relação de elementos provenientes de outros campos, em constante tensão. Fronteiras também podem ser vislumbradas na conduta dos novos artistas periféricos, que resistem às tentativas de invasão de quem só quer pegar carona no sucesso alheio. E assim mais uma vez a Antropofagia se atualiza.
Neide Luzia de Rezende professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, especialista em Oswald de Andrade e autora de A Semana de Arte Moderna (Ática)
SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922 (MODERNISMO)
Fonte: Enciclopédia Itau Cultural
Modernismo no Brasil
Definição
O modernismo no Brasil tem como marco simbólico a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, no ano de 1922, considerada um divisor de águas na história da cultura brasileira. O evento - organizado por um grupo de intelectuais e artistas por ocasião do Centenário da Independência - declara o rompimento com o tradicionalismo cultural associado às correntes literárias e artísticas anteriores: o parnasianismo, o simbolismo e a arte acadêmica. A defesa de um novo ponto de vista estético e o compromisso com a independência cultural do país fazem do modernismo sinônimo de "estilo novo", diretamente associado à produção realizada sob a influência de 1922. Heitor Villa- Lobos (1887 - 1958) na música; Mário de Andrade (1893 - 1945) e Oswald de Andrade (1890 - 1954), na literatura; Victor Brecheret (1894 - 1955), na escultura; Anita Malfatti (1889 - 1964) e Di Cavalcanti (1897 - 1976), na pintura, são alguns dos participantes da Semana, realçando sua abrangência e heterogeneidade. Os estudiosos tendem a considerar o período de 1922 a 1930, como a fase em que se evidencia um compromisso primeiro dos artistas com a renovação estética, beneficiada pelo contato estreito com as vanguardas européias (cubismo, futurismo, surrealismo etc.). Tal esforço de redefinição da linguagem artística se articula a um forte interesse pelas questões nacionais, que ganham acento destacado a partir da década de 1930, quando os ideais de 1922 se difundem e se normalizam. Ainda que o modernismo no Brasil deva ser pensado a partir de suas expressões múltiplas - no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco etc. - a Semana de Arte Moderna é um fenômeno eminentemente urbano e paulista, conectado ao crescimento de São Paulo na década de 1920, à industrialização, à migração maciça de estrangeiros e à urbanização.
Apesar da força literária do grupo modernista, as artes plásticas estão na base do movimento. O impulso teria vindo da pintura, da atuação de Di Cavalcanti à frente da organização do evento, das esculturas de Brecheret e, sobretudo, da exposição de Anita Malfatti, em 1917. Os trabalhos de Anita desse período (O Homem Amarelo, a Estudante Russa, A Mulher de Cabelos Verdes, A Índia, A Boba, O Japonês etc.) apresentam um compromisso com os ensinamentos da arte moderna: a pincelada livre, a problematização da relação figura/fundo, o trato da luz sem o convencional claro-escuro. A obra de Di Cavalcanti segue outra direção. Autodidata, Di Cavalcanti trabalha como ilustrador e caricaturista. O traço simples e estilizado se tornará a marca de sua linguagem gráfica. A pintura, iniciada em 1917, não apresenta orientação definida. Suas obras revelam certo ecletismo, alternando o tom romântico e "penumbrista" (Boêmios, 1921) com as inspirações em Pablo Picasso (1881 - 1973), Georges Braque (1882 - 1963 e Paul Cézanne (1839 - 1906), que o levam à geometrização da forma e à exploração da cor (Samba e Modelo no Ateliê, ambas de 1925). Os contrastes cromáticos e os elementos ornamentais da pintura de Henri Matisse (1869 - 1954), por sua vez, estão na raiz de trabalhos como Mulher e Paisagem (1931). A formação italiana e a experiência francesa marcam as esculturas de Brecheret. Autor da maquete do Monumento às Bandeiras (1920), e de 12 peças expostas na Semana (entre elas, Cabeça de Cristo, Daisy e Torso), Brecheret é o escultor do grupo modernista, comparado aos escultores franceses Auguste Rodin (1840 - 1917) e Emile Antoine Bourdelle (1861 - 1929) pelos críticos da época.
Tarsila do Amaral (1886 - 1973) não esteve presente ao evento de 1922, o que não tira o seu lugar de grande expoente do modernismo brasileiro. Associando a experiência francesa - e o aprendizado com André Lhote (1885 - 1962), Albert Gleizes (1881 - 1953) e Fernand Léger (1881 - 1955) - aos temas nacionais, a pintora produz uma obra emblemática das preocupações do grupo modernista. Da pintura francesa, especialmente das "paisagens animadas" de Léger, Tarsila retira a imagem da máquina como ícone da sociedade industrial e moderna. As engrenagens produzem efeito estético preciso, fornecendo uma linguagem aos trabalhos: seus contornos, cores e planos modulados introduzem movimento às telas, como em E.F.C.B. (1924) e A Gare (1925). A essa primeira fase "pau-brasil", caracterizada pelas paisagens nativas e figurações líricas, segue-se um curto período antropofágico, 1927-1929, que eclode com Abaporu (1928). A redução de cores e de elementos, as imagens oníricas e a atmosfera surrealista (por exemplo, Urutu, O Touro e O Sono, de 1928) marcam os traços essenciais desse momento. A viagem à URSS, em 1931, está na origem de uma guinada social na obra de Tarsila (Operários, 1933), que coincide com a inflexão nacionalista do período, exemplarmente representada por Candido Portinari (1903 - 1962). Portinari pode ser tomado como expressão típica do modernismo de 1930. À pesquisa de temas nacionais e ao forte acento social e político dos trabalhos associam-se o cubismo de Picasso, o muralismo mexicano e a Escola de Paris (entre outros, Mestiço, 1934, Mulher com Criança, 1938 e O Lavrador de Café, 1939). Lasar Segall (1891 - 1957), formado no léxico expressionista alemão, aproxima-se dos modernistas em 1923, quando se instala no país. Parte de sua obra, ampla e diversificada, registra a paisagem e as figuras locais em sintonia com as preocupações modernistas (Mulato 1, 1924, O Bebedouro e Bananal, 1927).
Ainda que o termo modernismo remeta diretamente à produção realizada sob a égide de 1922 - na qual se incluem também os nomes de Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970), Antonio Gomide (1895 - 1967), John Graz (1891 - 1980) e Zina Aita (1900 - 1967) - a produção moderna no país deve ser pensada em chave ampliada, incluindo obras anteriores à década de 1920 - as de Eliseu Visconti (1866 - 1944) e Castagneto (1851 - 1900), por exemplo -, e pesquisas que passaram ao largo da Semana de Arte Moderna, como as dos artistas ligados ao Grupo Santa Helena (Francisco Rebolo (1902 - 1980), Alfredo Volpi (1896 - 1988), Clóvis Graciano (1907 - 1988) etc.).
Definição
O modernismo no Brasil tem como marco simbólico a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, no ano de 1922, considerada um divisor de águas na história da cultura brasileira. O evento - organizado por um grupo de intelectuais e artistas por ocasião do Centenário da Independência - declara o rompimento com o tradicionalismo cultural associado às correntes literárias e artísticas anteriores: o parnasianismo, o simbolismo e a arte acadêmica. A defesa de um novo ponto de vista estético e o compromisso com a independência cultural do país fazem do modernismo sinônimo de "estilo novo", diretamente associado à produção realizada sob a influência de 1922. Heitor Villa- Lobos (1887 - 1958) na música; Mário de Andrade (1893 - 1945) e Oswald de Andrade (1890 - 1954), na literatura; Victor Brecheret (1894 - 1955), na escultura; Anita Malfatti (1889 - 1964) e Di Cavalcanti (1897 - 1976), na pintura, são alguns dos participantes da Semana, realçando sua abrangência e heterogeneidade. Os estudiosos tendem a considerar o período de 1922 a 1930, como a fase em que se evidencia um compromisso primeiro dos artistas com a renovação estética, beneficiada pelo contato estreito com as vanguardas européias (cubismo, futurismo, surrealismo etc.). Tal esforço de redefinição da linguagem artística se articula a um forte interesse pelas questões nacionais, que ganham acento destacado a partir da década de 1930, quando os ideais de 1922 se difundem e se normalizam. Ainda que o modernismo no Brasil deva ser pensado a partir de suas expressões múltiplas - no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco etc. - a Semana de Arte Moderna é um fenômeno eminentemente urbano e paulista, conectado ao crescimento de São Paulo na década de 1920, à industrialização, à migração maciça de estrangeiros e à urbanização.
Apesar da força literária do grupo modernista, as artes plásticas estão na base do movimento. O impulso teria vindo da pintura, da atuação de Di Cavalcanti à frente da organização do evento, das esculturas de Brecheret e, sobretudo, da exposição de Anita Malfatti, em 1917. Os trabalhos de Anita desse período (O Homem Amarelo, a Estudante Russa, A Mulher de Cabelos Verdes, A Índia, A Boba, O Japonês etc.) apresentam um compromisso com os ensinamentos da arte moderna: a pincelada livre, a problematização da relação figura/fundo, o trato da luz sem o convencional claro-escuro. A obra de Di Cavalcanti segue outra direção. Autodidata, Di Cavalcanti trabalha como ilustrador e caricaturista. O traço simples e estilizado se tornará a marca de sua linguagem gráfica. A pintura, iniciada em 1917, não apresenta orientação definida. Suas obras revelam certo ecletismo, alternando o tom romântico e "penumbrista" (Boêmios, 1921) com as inspirações em Pablo Picasso (1881 - 1973), Georges Braque (1882 - 1963 e Paul Cézanne (1839 - 1906), que o levam à geometrização da forma e à exploração da cor (Samba e Modelo no Ateliê, ambas de 1925). Os contrastes cromáticos e os elementos ornamentais da pintura de Henri Matisse (1869 - 1954), por sua vez, estão na raiz de trabalhos como Mulher e Paisagem (1931). A formação italiana e a experiência francesa marcam as esculturas de Brecheret. Autor da maquete do Monumento às Bandeiras (1920), e de 12 peças expostas na Semana (entre elas, Cabeça de Cristo, Daisy e Torso), Brecheret é o escultor do grupo modernista, comparado aos escultores franceses Auguste Rodin (1840 - 1917) e Emile Antoine Bourdelle (1861 - 1929) pelos críticos da época.
Tarsila do Amaral (1886 - 1973) não esteve presente ao evento de 1922, o que não tira o seu lugar de grande expoente do modernismo brasileiro. Associando a experiência francesa - e o aprendizado com André Lhote (1885 - 1962), Albert Gleizes (1881 - 1953) e Fernand Léger (1881 - 1955) - aos temas nacionais, a pintora produz uma obra emblemática das preocupações do grupo modernista. Da pintura francesa, especialmente das "paisagens animadas" de Léger, Tarsila retira a imagem da máquina como ícone da sociedade industrial e moderna. As engrenagens produzem efeito estético preciso, fornecendo uma linguagem aos trabalhos: seus contornos, cores e planos modulados introduzem movimento às telas, como em E.F.C.B. (1924) e A Gare (1925). A essa primeira fase "pau-brasil", caracterizada pelas paisagens nativas e figurações líricas, segue-se um curto período antropofágico, 1927-1929, que eclode com Abaporu (1928). A redução de cores e de elementos, as imagens oníricas e a atmosfera surrealista (por exemplo, Urutu, O Touro e O Sono, de 1928) marcam os traços essenciais desse momento. A viagem à URSS, em 1931, está na origem de uma guinada social na obra de Tarsila (Operários, 1933), que coincide com a inflexão nacionalista do período, exemplarmente representada por Candido Portinari (1903 - 1962). Portinari pode ser tomado como expressão típica do modernismo de 1930. À pesquisa de temas nacionais e ao forte acento social e político dos trabalhos associam-se o cubismo de Picasso, o muralismo mexicano e a Escola de Paris (entre outros, Mestiço, 1934, Mulher com Criança, 1938 e O Lavrador de Café, 1939). Lasar Segall (1891 - 1957), formado no léxico expressionista alemão, aproxima-se dos modernistas em 1923, quando se instala no país. Parte de sua obra, ampla e diversificada, registra a paisagem e as figuras locais em sintonia com as preocupações modernistas (Mulato 1, 1924, O Bebedouro e Bananal, 1927).
Ainda que o termo modernismo remeta diretamente à produção realizada sob a égide de 1922 - na qual se incluem também os nomes de Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970), Antonio Gomide (1895 - 1967), John Graz (1891 - 1980) e Zina Aita (1900 - 1967) - a produção moderna no país deve ser pensada em chave ampliada, incluindo obras anteriores à década de 1920 - as de Eliseu Visconti (1866 - 1944) e Castagneto (1851 - 1900), por exemplo -, e pesquisas que passaram ao largo da Semana de Arte Moderna, como as dos artistas ligados ao Grupo Santa Helena (Francisco Rebolo (1902 - 1980), Alfredo Volpi (1896 - 1988), Clóvis Graciano (1907 - 1988) etc.).
Tuesday, September 18, 2007
MANHÃ POÉTICA
Terça-feira.
Acabo de chegar de um sarau numa escola de Embú das Artes, a convite do Wagnão (preto soul). Se já não bastasse o prazer de falar poesia para as crianças, numa manhã com um belo sol exposto no céu, ainda tinha as parcerias do Zinho Trindade, Gaspar (Záfrica Brasil), Baltazar (Preto Soul). Ouvimos mais do que falamos (ainda bem), pois os professores prepararam uma ótima apresentação com a criançada (de 5ª a 8ª série). Putz, poesia em plena manhã, que delícia!
Parabéns ao Vagnão pelo evento. Parabéns pela molecada. Parabéns aos guerreiros que compareceram.
Nestes tempos onde quase todos fingem que são, é muito importante colocar o discurso na prática.
Emoção pura,
Sérgio Vaz
SEMANA DE ARTE MODERNA
Ontem aconteceu mais uma reunião para definir os rumos da nossa semana de arte que acontece do dia 4 a 11 de novembro de 2007. No dia 4, domingo, lançamento da semana, vai acontecer uma grande passeata com os artistas da periferia pela Estrada do M´boi Mirim, saindo da ponte do socorro (da ponte pra cá).
Em plena segunda-feira de frio nós estávamos reunidos no Bar do Zé Batidão para fazer um grande evento de arte para a periferia, vai vendo a evolução...
"PAREÇA COM O QUE VOCÊ ACREDITA
SE NÃO CONSEGUE, MEDITA".
Abs.
vaz
Monday, September 17, 2007
OS NOVOS ANTROPÓFAGOS

A jornalista e Eliane Brum fez uma excelente matéria sobre o movimento literário que acontece na periferia de São Paulo na revista Època desta semana. De quebra, ainda fala da nossa semana de arte moderna da periferia.
Uma matéria sincera e repeitosa que vale à pena conferir.
FUNDAÇÃO DA COOPERIFA (LEIA A PRIMEIRA REPORTAGEM NA FOLHA DE SÃO PAULO)
São Paulo, sábado, 10 de fevereiro de 2001
PANORÂMICA EVENTO
SP ganha Cooperativa Cultural da Periferia
A entrada é franca.
Os organizadores esperam cerca de mil pessoas, vindas de vários bairros periféricos.
Mais informações com o idealizador da cooperativa, o poeta Sérgio Vaz, tel. 0/xx/11/9687-5228. (DA REPORTAGEM LOCAL)
PANORÂMICA EVENTO
SP ganha Cooperativa Cultural da Periferia
Shows de rap e samba, exposições de artes plásticas, recitais de poesia, apresentações de capoeira e peças teatrais marcam hoje o lançamento do projeto da Cooperifa, a partir das 15h, num galpão do município de Taboão da Serra, na Grande São Paulo (rodovia Régis Bittencourt, km 271).
A entrada é franca.
Os organizadores esperam cerca de mil pessoas, vindas de vários bairros periféricos.
Mais informações com o idealizador da cooperativa, o poeta Sérgio Vaz, tel. 0/xx/11/9687-5228. (DA REPORTAGEM LOCAL)
Saturday, September 15, 2007
MAIFESTO DA ANTROPOFAGIA PERIFÉRICA

Manifesto da Antropofagia periférica
A Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.
A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para a diversidade. Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula.
Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte fabricada para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha.
A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica que brota na porta do bar.
Do teatro que não vem do “ter ou não ter...”. Do cinema real que transmite ilusão.
Das Artes Plásticas, que, de concreto, quer substituir os barracos de madeiras.
Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
Da Música que não embala os adormecidos.
Da Literatura das ruas despertando nas calçadas.
A Periferia unida, no centro de todas as coisas.
Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala.
Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala.
É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão. Aquele que na sua arte não revoluciona o mundo, mas também não compactua com a mediocridade que imbeciliza um povo desprovido de oportunidades. Um artista a serviço da comunidade, do país. Que armado da verdade, por si só exercita a revolução.
Contra a arte domingueira que defeca em nossa sala e nos hipnotiza no colo da poltrona.
Contra a barbárie que é a falta de bibliotecas, cinemas, museus, teatros e espaços para o acesso à produção cultural.
Contra reis e rainhas do castelo globalizado e quadril avantajado.
Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Miami pra eles ? “Me ame pra nós!”.
Contra os carrascos e as vítimas do sistema.
Contra os covardes e eruditos de aquário.
Contra o artista serviçal escravo da vaidade.
Contra os vampiros das verbas públicas e arte privada.
A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
Por uma Periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.
É TUDO NOSSO!
Sérgio Vaz
Cooperifa
A Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.
A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para a diversidade. Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula.
Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte fabricada para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha.
A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica que brota na porta do bar.
Do teatro que não vem do “ter ou não ter...”. Do cinema real que transmite ilusão.
Das Artes Plásticas, que, de concreto, quer substituir os barracos de madeiras.
Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
Da Música que não embala os adormecidos.
Da Literatura das ruas despertando nas calçadas.
A Periferia unida, no centro de todas as coisas.
Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala.
Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala.
É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão. Aquele que na sua arte não revoluciona o mundo, mas também não compactua com a mediocridade que imbeciliza um povo desprovido de oportunidades. Um artista a serviço da comunidade, do país. Que armado da verdade, por si só exercita a revolução.
Contra a arte domingueira que defeca em nossa sala e nos hipnotiza no colo da poltrona.
Contra a barbárie que é a falta de bibliotecas, cinemas, museus, teatros e espaços para o acesso à produção cultural.
Contra reis e rainhas do castelo globalizado e quadril avantajado.
Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Miami pra eles ? “Me ame pra nós!”.
Contra os carrascos e as vítimas do sistema.
Contra os covardes e eruditos de aquário.
Contra o artista serviçal escravo da vaidade.
Contra os vampiros das verbas públicas e arte privada.
A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
Por uma Periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.
É TUDO NOSSO!
Sérgio Vaz
Cooperifa
Guerreira, mais progresso!
Acabo de abrir meus emeios e de cara me deparo com o convite do meu amigo Alessandro Buzo para o lançamento do seu livro Gurreira, da global editora, que faz parte da coleção Literatura Periférica, o que me deixou muito feliz, por vários motivos:
Buzo além de ser uma pessoa muito especial é também um dos maiores guerreiros que a periferia tem. Está longe do discurso e bem perto da prática, e é disso que precisamos.
No dia do lançamento vamos lotar a livraria Nobel para os caras sentir o qual é que é, que a periferia tem.
Onde o Alessandro Buzo for, a Cooperifa vai também.
Ufa!
Povo lindo, povo inteligente,
fiquei fora do ar por alguns dias porque estava no Rio de Janeiro participando do programa Onda Cidadã, promovido pelo Itau Cultural (depois posto as fotos). Estavam lá também a Rose e o Cocão, do grupo Versão Popular. Aprendemos muita coisa com as outras pessoas do encontro. Progresso!.
Não fui ao sarau de quarta-feira na Cooperifa, tô com abstinência poética.
Hoje saiu na revista época uma matéria sobre os escritores da periferia e sobre a Semana de arte moderna, escrita pela Eliane Brum, se puder dêem uma olhada.
Durante a semana a gente vai se falando.
no mais,
é tudo nosso!
Sérgio Vaz
Thursday, September 06, 2007
Artigo do jornal " O POVO"
Os Brutos também amam (P/ Edu e Kaka) - Sérgio Vaz
Era um domingo de inverno, há quase trinta anos, quando eu conheci o amor pela primeira vez. O amor chegou em mim da forma mais discreta possível, apesar do baticum do meu coração.
Enquanto dançava com os olhos fechados e o peito aberto, desfilava pelo baile – sem sair do lugar - carregando nos braços aquela que seria a lembrança mais feliz da minha vida: o primeiro amor.
Não recordo bem se era Marvin Gaye (let’s get it on) ou Bee Gees (Reaching out) que rolava nas pick ups, só consigo me lembrar de estar ali, com os lábios ansiosos pelo fogo, implorando a deus que aquele momento nunca acabasse. Coisas do tipo: “Deus por favor... faça o tempo parar...”. Se alguém um dia se encontrar com deus, pergunte a ele, ele vai confirmar.
Eu ainda não a tinha beijado. Pelo menos não pessoalmente, mas em sonho... Enquanto a música brincava de ser feliz às minhas custas, fui me deixando levar cantando baixinho o refrão no seu ouvido: “letis guere riron...”. Putz, se não sei inglês hoje, imagine com quinze anos, coitada.
A adolescência tem cheiro de almíscar, sei disso porque esse era o perfume que ela usava, e durante muito tempo esse perfume permaneceu na minha memória. Tirando o cheiro da terra depois da chuva, almíscar tem cheiro de pra sempre.
Sentindo o aroma da vida fui lentamente virando meu rosto para o encontro daquela boca linda. Boca que sempre mencionava o meu nome da forma mais poética do mundo. Havia pensado naquele dia há semanas, mais precisamente, quinze anos.
Nunca vou esquecer esse beijo. Primeiro porque foi o meu primeiro beijo pra valer, e segundo, porque quase quebrei o sorriso dela. A beijei por uma tarde inteira com todas as bocas que tinha o meu pequeno coraçãozinho de menino apaixonado.
Beijei-a com todos os meus cincos sentidos, e quase fiquei sem os sentidos por conta disso. Quase que morro no meu primeiro dia de vida. Beijei-a com quem agradece por estar vivo.
No anos setenta, época mais brava da ditadura no Brasil, eu estava ali, com a cara cheia de espinhas exercitando a minha revolução: o primeiro amor.
Resolvi escrever sobre isso porque acabo de receber o convite de casamento de dois grandes amigos. E como sou testemunha desse amor quero lembrá-los que por mais belo que seja a lembrança do primeiro beijo ou do primeiro amor, nada, absolutamente nada, é mais importante que o último.
Ah, também lembrei de uma outra coisa, que todo dia é para sempre.
Era um domingo de inverno, há quase trinta anos, quando eu conheci o amor pela primeira vez. O amor chegou em mim da forma mais discreta possível, apesar do baticum do meu coração.
Enquanto dançava com os olhos fechados e o peito aberto, desfilava pelo baile – sem sair do lugar - carregando nos braços aquela que seria a lembrança mais feliz da minha vida: o primeiro amor.
Não recordo bem se era Marvin Gaye (let’s get it on) ou Bee Gees (Reaching out) que rolava nas pick ups, só consigo me lembrar de estar ali, com os lábios ansiosos pelo fogo, implorando a deus que aquele momento nunca acabasse. Coisas do tipo: “Deus por favor... faça o tempo parar...”. Se alguém um dia se encontrar com deus, pergunte a ele, ele vai confirmar.
Eu ainda não a tinha beijado. Pelo menos não pessoalmente, mas em sonho... Enquanto a música brincava de ser feliz às minhas custas, fui me deixando levar cantando baixinho o refrão no seu ouvido: “letis guere riron...”. Putz, se não sei inglês hoje, imagine com quinze anos, coitada.
A adolescência tem cheiro de almíscar, sei disso porque esse era o perfume que ela usava, e durante muito tempo esse perfume permaneceu na minha memória. Tirando o cheiro da terra depois da chuva, almíscar tem cheiro de pra sempre.
Sentindo o aroma da vida fui lentamente virando meu rosto para o encontro daquela boca linda. Boca que sempre mencionava o meu nome da forma mais poética do mundo. Havia pensado naquele dia há semanas, mais precisamente, quinze anos.
Nunca vou esquecer esse beijo. Primeiro porque foi o meu primeiro beijo pra valer, e segundo, porque quase quebrei o sorriso dela. A beijei por uma tarde inteira com todas as bocas que tinha o meu pequeno coraçãozinho de menino apaixonado.
Beijei-a com todos os meus cincos sentidos, e quase fiquei sem os sentidos por conta disso. Quase que morro no meu primeiro dia de vida. Beijei-a com quem agradece por estar vivo.
No anos setenta, época mais brava da ditadura no Brasil, eu estava ali, com a cara cheia de espinhas exercitando a minha revolução: o primeiro amor.
Resolvi escrever sobre isso porque acabo de receber o convite de casamento de dois grandes amigos. E como sou testemunha desse amor quero lembrá-los que por mais belo que seja a lembrança do primeiro beijo ou do primeiro amor, nada, absolutamente nada, é mais importante que o último.
Ah, também lembrei de uma outra coisa, que todo dia é para sempre.
Tuesday, September 04, 2007
Cooperifa promove ato de protesto contra a Philips
PIAUÍ SOMOS NÓSNa última quarta-feira aCooperifa promoveu um ato de protesto contra a empresa Philips, mais particulamente seu presidente, Paulo Zottolo, que disse que se o Piauí não existisse ninguém sentiria falta. Revelando a verdadeira face preconceituosa da elite mais perversa do Brasil, a elite de São Paulo.
Cobrimos um televisor com os poemas lidos na noite e mandamos a elite plantar batatas.
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