Monday, December 31, 2007

ESTOU NA ÁREA

Povo lindo, povo inteligente,
nesse último dia do ano nem tenho nada para falar. O que tiver que ser será.
Este ano foi muito bom, mas já se foi. Já era. Quem fez, fez. Quem viveu, viveu. Não tem mais volta. Este ano ano, só na memória. Quer saber? Que se foda 2007. Não sou museu. Estou de olho no futuro.
Não vou desejar nada para ninguém. Primeiro porque não basta eu desejar, cada um tem que acreditar. A seu modo. Sonhar com suas próprias mãos. Se não, nada acontece, por mais que eu deseje a você.
De minha parte prometo lealdade, companheirismo, amizade, respeito, poesia e mais alguns defeitos que vão juntos com essas palavras bonitas, mas que muitas vezes não são praticadas.
Queria aproveitar a oportunidade que só está eu você, para te agradecer por caminhar junto comigo, ou, por me deixar caminhar, e me desculpar se atravanquei o seu caminho. E também para pedir perdão pela minha omissão, arrogância, pelas ausências, pela falta de jeito, pela palavra torta, pela lágrima, pelo riso forçado, pela falsidade, por muitas vezes duvidar de você, por não estender a mão na hora certa, por fingir que eu não vi, e por ser uma pessoa tão pequena.
Mil desculpas? Mil desculpas não! Duas mil e sete desculpas, porque sei que esse ano não volta mais, e perdi um tempo muito precioso, nessa vida que já é tão curta e inesperada. Firmeza total? Então já é.
Em 2008, não se perca de mim.
Abs.
Sérgio Vaz
Colecionador de pedras




Foto João Wainer


NOVOS DIAS

“Em 2008 vai ser pior...
Pior para quem estiver no nosso caminho”.

Então que venham os dias.
Um sorriso no rosto e os punhos cerrados que a luta não pára.
Um brilho nos olhos que é para rastrear os inimigos (mesmo com medo, enfrente-os!).
É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos. Acenda fogueiras.
Não aceite nada de graça, nada. Até o beijo só é bom quando conquistado.
Escreva poemas, mas se te insultarem, recite palavrões.
Cuidado, o acaso é traiçoeiro e o tempo é cruel, tome as rédeas do teu próprio destino.
Outra coisa, pior que a arrogância é a falsa humildade.
As pessoas boazinhas também são perigosas, sugam energia e não dão nada em troca.
Fique esperto, amar o próximo não é abandonar a si mesmo.
Para alcançar utopias é preciso enfrentar a realidade.
Quer saber quem são os outros? Pergunte quem é você.
Se não ama a tua causa, não alimente o ódio.
Por favor, gentileza gera gentileza. Obrigado!
Os Erros são teus, assuma-os. Os Acertos Também são teus, divida-os.
Ser forte não é apanhar todo dia, nem bater de vez em quando, é perdoar e pedir perdão, sempre.
Tenho más notícias: quando o bicho pegar, você vai estar sozinho. Não cultive multidões.
Qual a tua verdade ? Qual a tua mentira? Teu travesseiro vai te dizer. Prepare-se!
Se quiser realmente saber se está bonito ou bonita, pergunte aos teus inimigos, nesta hora eles serão honestos.
Quando estiver fazendo planos, não esqueça de avisar aos teus pés, são eles que caminham.
Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça.
Muito amor, mas raiva é fundamental.
Quando não tiver palavras belas, improvise. Diga a verdade.
As Manhãs de sol são lindas, mas é preciso trabalhar também nos dias de chuva.
Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de quem estiver atrás.
Não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para uma vida inteira.
O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você.
Feliz todo dia!

Coração em chamas,

Sérgio Vaz
Colecionador de pedras

Thursday, December 27, 2007

VOU ATÉ ALI E JÁ VOLTO

PORÉM - CLIPE POÉTICO

Tuesday, December 25, 2007

ENTREVISTA NO "LE MONDE DIPLOMATIQUE"

Povo lindo, Povo inteligente,
quem não tiver o que fazer, dê uma olhada numa entrevista que saiu no Jornal Francês "LE MONDE DIPLOMATIQUE" desta semana. A Entrevista foi pilotada pelo meu amigo Danilo (MTST), e eu acho que deu um panorama cultural-periférico do bom momento que vivemos.
Na verdade foi um bate-papo sobre poesia, livros, semana de arte moderna, periferia, mídia, entre outras coisas que aconteceram este ano.
Para ler acessem o site do jornal: http://www.diplo.org.br/
De olho no futuro,
Sérgio Vaz
Colecionadordepedras

Sunday, December 23, 2007

RETROSPECTIVA 2007

O Pequeno Príncipe - Sérgio Vaz
Na semana passada fui participar de um sarau com os alunos da escola Paulo Afonso em Capuava, que fica em Embu das Artes, na divisa com Cotia. Além de mim também foram convidados o Gaspar (Záfrica Brasil), Zinho Trindade e o Baltazar (Preto Soul).
O Alunos da 5ª e 6ª série também prepararam uma apresentação para o dia, sob a supervisão de alguns professores, inclusive do Wagner, meu amigo.
A Manhã de poesia já estava servida como merenda no pátio da escola e, para minha surpresa, a molecada repetia várias vezes. Até aí, além do presente da vida, nada demais. Um poema solo aqui, um poema em grupo ali, uma música à capela, e o frescor da infância se esfregando nos meus olhos.
Em um determinado momento a professora chama um garoto, para se apresentar. Tímido, como poucos, recitava sua poesia com bastante nervosismo, o suficiente para que alguns dos alunos começassem a rir da sua declamação. Sei que não riam por maldade, crianças apenas riem.
De Súbito senti minha alma desprender do corpo, numa rápida viagem astral para o passado. Vi-me ali no seu lugar, com 12 anos, sendo punido pela timidez por apenas estar vivo na hora errada. “A Timidez é uma lei muito severa a ser cumprida...”.
De volta ao futuro, ainda consegui vê-lo em sua batalha contra o mundo. Como eu já disse, enquanto alguns riam ele recitava, como quem expulsava o silêncio do corpo. Parecia que lhe faltava o ar, as palavras lhe traiam, as vírgulas abriram fuga, os olhos caminhavam devagar demais para tanta pressa de sair de cena. As mãos tremiam por todo o corpo.
Nós poetas torcíamos por ele, os educadores gritavam pelos olhos por ele.
De repente o vento parou de soprar para que o barulho não o atrapalhasse.
Os Pássaros debruçados nas árvores o acompanhavam em si bemol.
Uma nuvem calou a camada de ozônio para que ele pudesse respirar melhor.
Assim como um milagre, que só as crianças sabem o segredo, pude vê-lo refletido nos olhos úmidos das pessoas, e o riso, como se recebesse uma ordem do universo, partiu para uma outra dimensão.
O mundo inteiro parou para ouvir o mais lindo poema da vida, a coragem.
Ao terminar, ele riu, agradeceu aos aplausos e saiu como um nobre cavaleiro que acaba de derrotar um dragão, e sem nenhuma gota de sangue pelo corpo.
Eu ali como um fraco, voltando ao passado, tendo pena dele, e ele ali, como um príncipe guerreiro enfrentando o futuro, e de canja, deixando a lição pra gente fazer em casa: “Só os fortes sobrevivem”.
Quando eu crescer quero ser como ele, gente.

Friday, December 21, 2007

ARTIGO DO JORNAL O POVO - RENAS DE TRÓIA


Renas de Tróia - Sérgio Vaz


Para delírio dos comerciantes deste país, chegamos finalmente na semana das festas natalinas. Nem no dias das mães consegue-se vender mais do que o natal. É uma época para dar e ganhar presentes. Época que se mede o afeto das pessoas pelo tamanho do presente que se ganha. Ou dá.
Por onde quer que você ande você pode escutar os sinos badalarem, e de quebra, a cantora Simone importunando os nossos ouvidos com o chato daquele refrão: “então é Natal, então é natal, então é natal...”, como se a gente ainda não soubesse. Só de lembrar...
Para falar bem a verdade eu nunca gostei do natal, não sei bem o porque, mas não gosto. Acho que deve ser porque nunca tive natal na minha infância, tampouco na adolescência.
E também nunca gostei do velhinho de barba, o tal de Noel. Ele, pra nós, sempre foi uma pessoa extremamente deselegante, nunca aceitou o convite para visitar a nossa casa.
Dizem as más línguas que ele não gosta de criança pobre e tem medo de circular na favela. Prefiro o Ano novo.
Ninguém pode me culpar por não gostar do papai Noel. Todos que eu conheci tinham barba, cabelo e barriga falsa, e quase nenhum era velhinho. E na sua grande maioria homens desempregados à procura de bico para sobreviverem. Mais ou menos como em lanchonete Fast Food americana: gente que é paga pra sorrir, mesmo sem alegria no coração. Ninguém pode ser feliz ganhando o que eles ganham.
Dizem as más línguas que a figura do bom velhinho foi criado sob encomenda ao artista e publicitário Habdon Sundblom por uma grande empresa de refrigerante mundial. E Assim nascia mais um personagem americano que dominaria o mundo.
Não gosto desse clima natalino porque ele me soa falso. As pessoas me soam falso. E eu também sôo falso.
Por conta desse clima de falsa solidariedade vou ter que abraçar até quem eu não gosto, e ser abraçado por quem não gosta de mim. No natal a gente finge que ama e acredita que é amado. Nada mais triste.
Não é amargura, coisa de poeta que não tem chaminé, só não entendo o natal, esse “jeito americano de ser”, que as pessoas acreditam, mas que eu não tenho.
Não gosto do natal porque também é uma época que neva muito no Brasil, não suporto o frio, meu aquecedor está sempre quebrado.
Mas gostando ou não gostando, já é natal.
Mesa farta , mesa falta, em tudo quanto é casa. Em umas, Cristo não se manifesta, em outras não foi convidado.
Se puderem, tenham boas festas.
Ah, antes que eu também me “esqueça”:
- Feliz aniversário, Jesus.



Thursday, December 20, 2007

DOMINGO COOPERIFA NA FOLHA DE SÃO PAULO

Domingo tem uma matéria no jornal Folha de São Paulo, sobre a Cooperifa, mais precisamente sobre o prêmio que nos recebemos no auditório do MASP "Educador inventor". A Matéria está sendo feita pelo jornalista Gilberto Dimenstein.
Então é isso.

MESTRE SALA DOS MARES - JOÃO BOSCO/JOÃO CÂNDIDO

Povo lindo, povo inteligente,

no meu livro "Colecionador de pedras" fiz uma homenagem ao Almirante negro João Cândido (líder da Revolta da chibata), por causa dessa música do João Bosco, "mestre sala dos mares". Uma belíssima homenagem do grande Bosco a um dos personagem mais importante deste país (aprofunde-se mais).
Quando estiver ouvindo a música, veja que na letra que existe algumas modificações que o poeta teve que fazer por conta da censura na época da ditadura militar. Lógico que na época de João Cândido era muito pior, mas a história de João Bosco não deve ser desprezada.
Esta música é uma prova que a música também deve estar a serviço da comunidade, da cidade, e de todo um povo de um país.
Há anos, por conta dessa música, eu descobri a história maravilhosa do Almirante.

Quer saber mais? Vá à luta meu irmão, nunca se esqueça, informação é poder.


*Aí, de mão beijada, um aperitivo para os desavisados, e os que já estão ligados nestes dois personagens importantes da história deste país.

Sem perder o leme,

Sérgio Vaz
navegante de mares insolentes





João Cândido (a chibata da revolta)


João
Nasceu Candido,
Mas de Candido não tinha nada.
Seu corpo
Teve a benção do sul
O coração,
Sobre o mar azul,
Veio da África.
Ainda moleque
Descobriu que era galo de rinha
O negrinho sem breque
Sem vento e sem leque
Teve aos seus pés, a marinha.
No barco da morte
Encontrou o destino dos pais
Um tronco no sul
Outro no norte,
Assim era o Bahia
E o navio Minas Gerais.
Era chicote no almoço
Açoite na janta
Os negros no calabouço
Os brancos por cima da prancha.
Mas nem toda dor é perene
Ou se vai com as marés,
A mão negra
Conspirou contra o leme
E a revolta surgiu do convés.
Ao som das trombetas
Os marujos de baionetas
Tomaram os cascos
Onde era servidos água com pão.
Onde rugia o som do carrasco
E grito de capitão
Nesse dia só se ouvia,
a voz do porão.
O rufar dos tambores
De couro e de lata
De todas as dores
Por todas as datas,
Ao som de canhão
Ou em doce serenata,
Vão contar a história de João
Um negro almirante
Que ultrajou a chibata.


Sérgio Vaz


RETROSPECTIVA 2007 - JUNHO


PODE CRER AMIZADE! - Sérgio Vaz



A Amizade sempre foi e é um dos combustíveis da minha vida. Como poeta então... é quase impossível caminhar sem eles, os amigos. Sempre fui um cara de gangue, de turma, de galera, de patota, enfim, sempre rodeado de gente. Não que todos fossem meus amigos e que eu fosse amigo deles, mas o coletivo era o que imperava, e impera até hoje. Quem é, sabe do que estou falando.
Muitos anos se passaram e são poucos que sobreviveram ao tempo, para minha tristeza e para minha alegria. Coração de poeta é terra que ninguém pisa, quem consegue entender? Não é fácil fazer amizade, e é difícil ter amigos, apesar da quantidade de pessoas que a gente conhece ao longo do caminho. É gente que chega é gente que vai. Tem os que ficam e os que permanecem, entendeu? Juntar gente não é tão difícil, mas...
O tempo passou e os amigos ainda são a vitaminas da minha da alma, o sangue que se alimenta das veias, que mais parecem estradas que levam ao coração. Muita coisa mudou. Mudei também. Estou mais esperto, mais arisco, mais seletivo, mais burro e mais emotivo.
Cada porrada que levo, eu digo: "esta é a última!", e logo estou lá de novo, com a cara pra bater. E quando penso que estou melhorando como pessoa, vou lá e dou mancada também. Roda viva desse sentimento maluco, a amizade. Nem sempre pára no lugar certo.
Nos meus primeiros passos de poeta era comum sentir o apoio das pessoas, coisas do tipo:"Aí, de dou a maior força, se precisar de mim...", pior que eu sempre estava precisando e nas maiorias das vezes quase ninguém percebia, ou fingia que não. Mas que se dane, ninguém tem nada a ver com as minhas escolhas e com os meus caminhos. Uma das coisas que eu sempre soube é onde queria chegar, não quando, mas como. E eis me aqui colocando o polegar na história... Será?
A Vida é irônica. E de boba não tem nada, nós que às vezes pagamos de vítima, assim como eu estou fazendo agora. Já fui ajudado por muitos estranhos e esquecidos por muitos amigos(?).
Em alguns lugares era bem-vindo, em outros roubava a brisa. Para uns dava sorte, para outros, era zica. Vai vendo o dilema. Sair de casa não era muito fácil. Chegar em casa era mais difícil ainda.
Amizade para mim sempre foi tudo. Sou do tempo de ficar de mal, não de fazer o mal.
Hoje parece que é comum para algumas pessoas que estão ao nosso lado nos abraçarem com uma mão, e com a outra, apunhalar-nos com a adaga triste da covardia.
Sei não, tem algo no meu coração que ele não quer falar pra mim. Acho que é bom eu nem ficar sabendo, já tenho amigos de menos.
Mas não é o caso de colocar uma placa no peito: Procura-se amigos.
Amigos não se encontram em portas de imobiliárias ou prateleiras de supermercado.
Não são pedaços de carnes -de primeira ou de segunda-, suspensas no açougue, e nem são miudezas de armarinhos, coisas que estão expostas nas vitrines.
Amigos, os verdadeiros, não se podem contá-los, contam-se com eles, ou não. Quantidade? Qualidade? Ás vezes quem soma só subtrai.
Amigos não têm remédios para as nossas dores, eles são o pronto-socorro, e pronto!
Essa gente, que chamamos de amigos, fica bêbada com a gente, sem se quer colocar uma gota de cerveja na boca. Mentira. Um amigo não te deixa beber sozinho. Nunca.
Rir com um amigo, conhece uma religião melhor? O brilho desse olhar é a igreja mais linda que existe. Uma piada, um poema, juntas, mais parece uma oração. Amigos, Ô glória!
Amigos não são aqueles a quem você pede perdão, mas aqueles que a gente perdoa, sempre.
Os que nos abandonam não são nossos amigos, amigos não abandonam, só não estão presente, nem futuro, e dai? Os momentos, amigos... se liguem nos momentos... O passado passa.
Amigos não são como quinquilharias que se podem comprar e pendurar na parede para que a poeira se encarregue do esquecimento. Tem gente que coleciona amigos como quem coleciona chaveirinhos.
Já perdi muitos amigos, e muitos estavam vivos quando se foram. Uns, se foram bem diante dos meus olhos, a poucos metros de minhas mãos. Não conheço a eternidade, por isso preferia que eles estivessem ao meu lado. Deus me paga.
Vou aproveitar os que estão à minha volta, vai que não tem céu, e se a gente não se encontra mais?
Como se descobre um amigo? Não se descobre um amigo, se cobre os amigos. De ouro, de prata e de abraços.
Seja, eles virão.

EM SÃO PAULO A CHUVA NÃO PÁRA - UM POEMA PARA DESEMBAÇAR O SEU DIA



Temporal


Amulher
repleta de lama, chora.

O homem
feito de barro
desaba em lágrimas.


De aço mesmo,
só a vida -essa lâmina cega
que cortasempre do mesmo lado.


Sérgio Vaz

Wednesday, December 19, 2007

COLECIONADOR DE PEDRAS

UM SONHO


Ontem
Eu sonhei o teu sonho.
Sonhei que os soldados,
Cantando e dançando,
Libertando-se de todo mal
Surgiam de todos os lugares
Para velar o funeral
De todo arsenal
Das ogivas nucleares.
No sonho
Os homens não eram escravos
Nem de si
Nem dos outros
Tampouco das cores.
Pois o dinheiro
Havia sido morto
No combate com o amor.
As crianças,
Cravo e canela,
Dançavam com as flores,
Como não tinham fome
Caçavam estrelas
Quando cansadas
Tornavam-se nelas!
Sonhei
Que as mulheres e os homens
Não tinham coisas, mas sentimentos.
E em sinal de alegria
Plantavam suas orações
Não de mãos espalmadas,
Mas de braços dados
Com o milagre do dia.
E Deus – todo pequeno gesto de amor-,
Não freqüentava igrejas,
Livros ou estátuas
Apenas corações...
Ontem
Sonhei o teu sonho
Sem saber que também era o meu.

Sérgio Vaz

Tuesday, December 18, 2007

O Mini Cine Tupy do Zagati e a saudade do povo

Povo lindo, povo inteligente,

Tô querendo descansar, mas não consigo. E quem disse que eu quero? Amanhã é um dia muito difícil pra mim porque não vai ter sarau da Cooperifa, minhas estão trêmulas, sei que vai ser quase impossível, mas preciso evitar a primeira poesia, vício é foda!
Mas como a vida tem que seguir... Sábado fui na Casa de Cultura da Família Trindade, no Embu, apresentar a banda Varal Roots, que estava lançando o seu primeiro clipe. Aceitei porque vi a banda nascer e os caras são uma puta correria. Eles tocam em tudo quanto é lugar. Tam fã-clube e tudo.
Por lá vários camaradas: Gato Preto, Zinho, Gaspar, Mavot, Lu, entre outros. Mas quem me chamou a atenção foi o nosso Zagati (assista o documentário para conhecer a história deste guerreiro de Taboão da Serra), pensei comigo: "o quê o Zagati está fazendo num show de Reggae?, a resposta veio rápido. O Zagati era o tema do clipe da banda Varal. Maravilha! Mais do que justo! Até Marley aprovaria.
O Clipe é louco, logo vou postá-lo aqui. Esta rapaziada merece. Humildade, gratidão e atrevimento. Tudo na dose certa. Com eles não tem essa de artista não! Se auto-intitulam cidadãos do reggae ou os filhos de Jah. O Sábado já estava ganho.
Aproveitei e pedi para o Zagati deixar eu postar o documentário aqui no blog. Ele deixou. Agora é só assistir. Nós poetas tivemos a honra de assistir o documentário no sarau da Cooperifa, rodado por ele mesmo.
Abaixo vocês poderão reler um artigo que eu fiz em homenagem a ele (abril, + ou -)para o jornal O POVO em que eu escrevo semanalmente. Acho que o artigo resume um pouco a história desse guerreiro. O certo mesmo é conhecer o Mini Cine Tupi que fica na periferia de Taboão da Serra, e trocar uma idéia pessoalmente com ele. De repente a gente até vai junto, por quê não?
A Periferia "tá com tudo e não tá prosa", ah, estou lendo "Deus, um delírio"R.D, e você?
A Cultura não pode parar, lembra do Dom Quixote? É um livro na mão e uma espada na outra. *Não estou conseguindo parar de escrever... Saudade é foda!".

Assista o documentário, leia o artigo.

Cadê todo mundo?

Com a cabeça cheia de idéias,

Sérgio Vaz
poeta carente





Parte 1



Parte 2

O grande mini-cine Tupy - Sérgio Vaz


Esses dias assisti a um filme brasileiro chamado “Tapete vermelho” do diretor Luiz Alberto Pereira que conta a saga de um pai que promete ao filho leva-lo ao cinema para ver um filme do Mazzaropi.
Ao sair da roça, em sua busca, percorre várias cidades do interior e descobre que as salas de cinemas já não são tão populares como nos tempos do seu pai (a maioria delas virou templos evangélicos). Um filme para quem ama a sétima arte, e para quem curte o impagável Matheus Nacthergaele, um dos melhores atores do país.
Estou falando disso porque sou amante do cinema e porque também me lembrei de uma outra paixão: as pessoas simples que atuam na realidade.
Cinema + pessoas simples = Zagatti. Luz!
Para quem não conhece, no horário comercial Zagatti é catador de papel, e, por conta disso, seus dias são quase invisíveis nas grandes salas coloridas onde são decididos nossos papéis de coadjuvantes, nesse curta-metragem que é a vida. Nada disso! Isso é para quem interpreta o filme errado. O Mazzaropi de Taboão achou um projetor no lixo, criou o mini-cine Tupy para que as crianças da periferia também possam sonhar aos domingos com o mundo dentro de um saquinho de pipoca. Já é até filme. Câmera !
Zagatti é um ser humano como poucos, por isso sofre como muitos. Arte é sofrimento e ser uma pessoa boa atrai muitas pessoas ruins. Sabe como é... nessa vida tem muito vilão no papel de mocinho, e é muito difícil chegar ao fim da película sem que alguém sangre no final.
Sendo o que é, Zagatti é um dos melhores personagens da vida real dessa cidade e de outras cidades do mundo. As crianças que lotam seu cinema sabem do que eu estou falando. Aliás, um sorriso no rosto é o valor da entrada.
O seu mini-cine Tupy é o nosso cinema Paradiso, que é outro filme belíssimo sobre amor ao cinema. Esse longa, de Giuseppe Tornatore, conta a história de Toto, um menino que amava ir ao cinema, e se torna amigo do velho Alfredo, projecionista do local no único cinema na cidade. Aí segue uma verdadeira história de amizade e amor ao cinema. O filme é lindo, assista.
A história maravilhosa do Zagatti passa diante dos nossos olhos, sem cortes e sem efeitos especiais, conheça. Ação !

CONFESSO QUE VIVI - PABLO NERUDA

Povo lindo, povo inteligente e poetas de plantão,
O Livro "Confesso que vivi" é a biografia do grande poeta Pablo Neruda. Livro indispensável para qualquer pessoa que se interessa por poesia. A História do poeta Chileno é um autêntico poema. Nestas féria, se tiver ou não, aproveite para ler um livro. Este eu indico.
Deixo um poema:
"ser poeta não é escrever poemas, é ser poesia" (*do livro "Colecionador de pedras".
Abs.
Sérgio Vaz


CONFESSO QUE VIVI - PABLO NERUDA



“Talvez não tenha vivido em mim mesmo, talvez tenha vivido a vida dos outros.Do que deixei escrito nestas páginas se desprenderão sempre – como nos arvoredos de outono e como no tempo das vinhas – as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que reviverão no vinho sagrado.Minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas do poeta.”Pablo Neruda


Biografias são sempre interessantes, ainda mais quando o escritor é um grande poeta que consegue transmitir suas vivências com as metáforas do mundo e os versos reticentes que contagiam o leitor e o impulsionam a completar a oração com atitudes estimuladas.

As primeiras e grandes impressões do mundo: a morte da mãe, esgotada pela tuberculose um mês após dar à luz; o pai operário e maquinista – José Del Carmem; a madrasta que o autor intitula o anjo tutelar de minha infância... A chuva é a presença mais constante na infância do jovem provinciano no cenário do bosque chileno. “Daquelas terras, daquele barro, daquele silêncio, eu saí a andar, a cantar pelo mundo.”

A sensibilidade do menino é demonstrada na grandeza do relato da “casa das três viúvas”, escrito quarenta e cinco anos após, registrando o jantar maravilhoso servido pelas três senhoras francesas e a conversa sobre a poesia de Baudelaire.

“Que se passou com as três senhoras desterradas com suas Fleus du Mal no meio da mata virgem?... Deve ter acontecido o mais simples de tudo: a morte e o esquecimento...”

Depois dos anos de Liceu, o poeta vai para faculdade em Santiago do Chile e incorre em novas descobertas e desconhecimentos. Assume a timidez inimaginável para o autor dos Cantos Gerais:“A timidez é uma condição estranha da alma, uma categoria e uma dimensão que se abre para a solidão. Também é um sofrimento inseparável, como se a gente tivesse duas epidermes e a segunda pele interior se irritasse e se contraísse diante da vida. Entre as estruturações do homem, esta qualidade ou este defeito são parte do amálgama que vai fundamentando, numa longa circunstância, a perpetuidade do ser.”

A nomeação de Pablo Neruda para ser cônsul do Chile em Rangum inicia uma nova fase na vida do poeta que conhece um novo mundo nos lugares remotos que vive e passa a ter uma percepção mais ampla do homem:“O poeta não pode temer o povo. Pareceu-me que a vida fazia uma advertência e me ensinava para sempre uma lição: a lição da honra oculta, da fraternidade que não conhecemos e da beleza que floresce na escuridão.”

Sua relação com Federico Garcia Lorca e com a Espanha estão sacramentadas no caderno “Espanha no coração”. O poeta vive a guerra civil espanhola e tais vivências influenciam de forma marcante sua literatura e o seu ingresso no Partido Comunista. Neruda sente necessidade de escrever para os seus semelhantes, no caminho do humanismo enraizado nas aspirações do ser humano. Assim começou a escrever os “Cantos Gerais”.

Seu encontro com a União Soviética, os escritores em ebulição em Moscou, a esperança de que o grande continente alçasse o grande vôo de uma nova verdade. “A revolução é a vida e os preceitos buscam seu próprio túmulo.” E a sua critica, quando visitou a China, ao culto ao Mao Tsé Tung. “... implantava-se de novo diante de meus olhos a substituição de um homem por um mito. Um mito destinado a monopolizar a consciência revolucionária, a concentrar em uma só mão a criação de um mundo que será de todos...”

Neruda nunca esqueceu suas raízes, sempre esteve ligado aos acontecimentos políticos e sociais de sua pátria. Aliás, em sua poesia podemos observar sempre a alusão às raízes, desde as tenras da infância nos bosques chilenos aos alicerces de convicções que nosso poeta construiu e floresceu em seus poemas.

As estações também são usadas constantemente como referências nos textos do poeta, principalmente, a primavera.

O último capítulo é sobre a vida e a morte de Salvador Allende, primeiro marxista eleito presidente da República na América Latina em 1970, morto durante o golpe que do depôs em 11 de setembro de 1973. Neruda escreveu-o poucos dias após aos fatos que culminaram na morte do governante e morreu no mesmo mês, em 23 de setembro de 1973.

Pablo Neruda, pseudônimo criado por Neftali Ricardo Reyes ainda na juventude para esconder a autoria dos poemas de seu pai, viajou o mundo inteiro e divulgou sua poesia e seus ideais humanísticos pelos diversos povos e culturas.

Como o próprio poeta afirmou em sua autobiografia: “...a história é escrita pelos vencedores ou pelos que desfrutaram da vitória.” Pablo Neruda é uma vitorioso, venceu os preconceitos e as tantas perseguições políticas e criou uma obra literária lida no mundo inteiro - uma leitura obrigatória para toda a humanidade.

Helena Sut

Monday, December 17, 2007

Marcelino Freire Agradece o Prêmio Cooperifa

Marcelino Freire no Sarau da Cooperifa


AGRADECIMENTO QUIXOTESCO - Marcelino Freire



E confesso que nenhum prêmio me deixou mais feliz do que o Quixote de ontem, entregue no Sarau da Cooperifa e maravilha! Poucos prêmios recebi, a bem da verdade. Precisamente, dois até agora e ave! O primeiro deles, o Jabuti. Em 2006, pelo livro Contos Negreiros, enfim. Mas digo assim: de um prêmio afetivo. Aplaudido em sua raiz. Como explico? Ontem, o Batidão lotado. Acotovelado de cerveja e festa. Numa irmandade que a literatura brasileira precisa apreender. Difícil de dizer. Julgo que eu esteja sem palavras. Lembro que, quando ganhei o cágado pelo meu livro de contos, algo havia me incomodado. Uma frieza de estilo. Algo demais engessado. Tanto é que corri, à época, lá da Sala São Paulo direto para a Mercearia São Pedro. Dei a Mercearia de prêmio ao Jabuti. Sempre afirmei isso por aí. Para o Jabuti poder beber um pouco de batata frita. Pastel e vinho. Deslavar um pouco a sua cara, sei lá. Ganhar um ritmo mais ligeirinho. Urgência no caminho. Ave nossa! Ontem, o Quixote que recebi - e a saudação calorosa - já veio batizado. Batizado pelo Batidão, eta danado! A Cooperifa se reúne, há seis anos, para ouvir prosa e poesia todas as quartas, às 21 horas, dentro de um bar. Repito: rodeado de cerveja e da deliciosa mandioca com carne seca. E de gente de tudo que é tribo e beleza. A exemplo de Sérgio Vaz, um dos que fazem a verdadeira mudança geográfica. Da qual sempiternamente nos fala o poeta Glauco Mattoso. "É preciso interferir nas esquinas das coisas". Não só ficar na palavra. Distante. Burocrática. Insossa. Alimentando amargura. Bufando alta literatura. Xô! Quero gente de carne e osso, pô! Gente pulsante. De sangue. Viva! Perdão se demorei nesta minha ladainha. Laudatória, sem fim. Mas fica aqui registrada a minha emoção agradecida. Honrado que eu estou de ter sido um dos homenageados do prêmio Dom Quixote de La Perifa. Nosso Cavaleiro da Triste Figura. Que vem dar graça e um pouco mais de gás à nossa literatura. Fui.


Visite o Blog do Marcelino
http://www.eraodito.blogspot.com/

Saturday, December 15, 2007

Cecília Meireles - Murmúrio

Murmúrio


Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.


Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.


Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!


A COR PÚRPURA - ALICE WALKER e Steven Spielberg



Povo lindo, povo inteligente,

li " A Cor púrpura" há muito anos, ainda quando era sócio do círculo do livro, alguém lembra? Logo depois saiu o filme do Steven Spielberg, com a Whoopy Goldberg, e Danny Glover, lindo. Tanto o livro como o filme, logico que o livro é sempre mais completo que o filme, mas neste caso o livro leva a pior, a trilha sonora é de arrasar. Na época comprei também o LP com a trilha sonora do filme.
Durante um tempo fiquei chapado com o livro - não sei com quem está- e com o filme, até que uma vez fizemos uma sessão lá em Sorocaba com una amigos do Samba da hora. Não dá pra não ler, não dá para não ver, uma história triste, uma música linda.
Achei pra vocês a música " Miss Celie´s Blues" que faz parte de uma cena do filme, sinta o clima . Se assistir me avisa, te pago uma cerveja pelo livro e uma pelo filme, com uma condição: a gente beber junto!


Abs.

Sérgio Vaz


*Alice Malsenior Walker (9 de fevereiro de 1944, Eatonton, Georgia) é uma escritora estado-unidense e feminista.

Filha de agricultores, ela perdeu a visão de um dos olhos aos 8 anos de idade, num acidente. Graças à sua dedicação, Alice Walker conseguiu sucessivas bolsas de estudos, graduando-se em artes pelo Sarah Lawrence College, em 1965. Walker iniciou sua carreira de escritora com Once, um volume de poesias, e alcançou fama mundial com A Cor Púrpura.

O romance A Cor Púrpura foi premiado com o Prémio Pulitzer, e deu origem a um dos mais belos filmes de Steven Spielberg, com a atriz Whoopi Goldberg no papel principal. Na obra, a personagem escreve cartas a Deus e à irmã desaparecida. Com sensibilidade e talento, Walker mostra representações de uma mulher negra sulista quase analfabeta, que vive em uma realidade dura de pobreza, opressão e desamor.

A autora escreveu também o livro "De amor de desespero", uma obra composta pelas vozes de várias mulheres negras do sul dos EUA. O livro é uma coletânea de vários contos, nos quais conhecemos mulheres diferentes com seus temores, desafios e sonhos. No Brasil, o livro foi lançado pela editora Rocco.

Walker sempre foi uma ativista pelos direitos dos negros e das mulheres, destacando-se na luta contra o apartheid e contra a mutilação genital feminina em países africanos.

Em 1984, fundou sua própria editora, a Wild Trees Press.



A Cor Púrpura


Uma das mais importantes obras da autora norte americana Alice walker, completa 30 anos este mês. O livro narra a história de uma garota, com 14 anos no início da da narrativa, que é obrigada a casar-se com o sinhô. A belíssima história tem como plano de fundo os racismo no sul dos E.U.A, o maxismo, o patriarcalismo perverso, o amizade, o amor e o desamor, as carências educacionais para as mulheres, entres outros temas que saltam aos olhos dos diferentes leitores. Aliás o dialogo com a subjetividade é marca das obras da autora, que em um estilo único leva o leitor a interagir com o drama de suas protagonistas.
A estrutura da obra é uma escolha bastante significativa na obra, pois Alice Walker opta por expor os fatos em cartas a protagonista escreve para Deus e para sua irmã Celie, ambas nunca postadas. Uma vez escolhida essa forma para o livro a linguagem também é diferenciada pois não a norma culta e sim uma escrita rústica e simplória, repleta de erros gramaticais e regionalismo, sempre extremamente próxima da fala, e não de qualquer fala mas da utilizada na região mais agrária dos E.U.A.
A adaptação do livro para o cinema contou com roteiro da própria autora, o que elevou o padrão do longa-metragem, dirigido por Steven Spielberg, ainda sim a leitura da obra é única.

RETROSPECTIVA 2007 - Artigo Como nasce um taboanense - inverno de junho

Como nasce um Taboanense - Sérgio Vaz

Essa onda de frio que assola o país nessa semana fez-me lembrar de uma coisa que aconteceu comigo logo que cheguei aqui em Taboão, há quinze anos. Não foi amor à primeira vista. Lembra-se de Caetano em Sampa: “... é que narciso acha feio, o que não é espelho...”, pois é, foi assim quando eu cheguei.
A cidade nunca me pareceu feia ou fria, ou coisa assim, apenas era estranha pra mim, e eu estranho para ela.Bom, mas deixe eu contar o porque se deu o meu amor incondicional pela cidade. A mãe de um amigo havia morrido e o velório ia ser no cemitério dos Jesuítas, Embu, mas me passaram que ia ser no cemitério da Saudade. Vindo de uma balada peguei o último ônibus -pois lá, tinha certeza de encontrar uma carona pra voltar. Chegando, descobri que desci no lugar errado, mas sequer sabia onde ficava o outro local, o Jesuíta.
O cemitério da saudade ainda era bem pequeno e haviam dois corpos sendo velados naquela noite (meia-noite, mais ou menos). Um homem baleado e uma criança recém nascida.Diante do meu erro geográfico fiquei do lado de fora, fumando um cigarro e pensando como iria voltar para casa. “Que cidade. Que zica.”, pensei.
Aí, estava sentado, um homem chega ao meu lado e diz:-Você é parente do cara que foi baleado?Disse que não e expliquei o porque estva ali. O engano de cemitério. Disse a ele que não conhecia nada na cidade, e coisa e tal. E batendo esse papo perguntei a ele:“E você, é parente da criança que faleceu?
Sem levantar a cabeça e num tom de voz que jamais vou esquecer ele contou:“Sim, eu sou pai dela.” Falou assim, de bate pronto, como quem suplica um milagre, como quem acredita em ressureição. Entre uma lágrima e outra, disse que ela havia morrido de pneumonia, entre outras coisas do tipo que se diz em velório. Eu não disse nada. Eu sem saber para onde ir e ele indo e vindo das fendas escuras da tristeza.
A filha dele morreu e a cidade que acabara de nascer em mim também agonizava, quando de repente ele me pergunta como eu iria embora. Respondi que iria esperar amanhecer. Em meio a dor, ele se ofereceu para me levar em casa. Eu não aceitei:” O quê é isso, sua filha acaba de morrer e você querendo me dar carona?
Foi quando daquele homem simples e coração arrebentado eu ouvi umas das coisas mais belas que já ouvi em toda minha vida:“minha filha morreu e eu não pude fazer nada para evitar que isso acontecesse, mas a você eu posso ajudar, me deixa eu te levar em casa, que assim eu distraio um pouco...”. Aceitei o milagre.
Chorei quando ouvi isso, e estou chorando agora enquanto escrevo.
Nunca mais o vi. Quando faz frio doô sempre um agasalho para retribuir o calor humano que recebi. Em nome dele e da sua filha que eu não conceci, mas que já morava no coração do pai. Por ironia, numa noite de cemitério, nascia mais um taboanense, pra sempre.

COLECIONADOR DE PEDRAS

Neste fim de ano dê livro de presente.


Atenção Taboanenses, o livro "Colecionador de pedras" já está disponível na livraria
NOBEL do Shopping Butantã.

MESTRE CARTOLA NO PROGRAMA ENSAIO



O Vídeo, tirado do programa Ensaio, mostra o grande mestre Cartola cantando uma das músicas mais lindas que alguém ja cantou: "Tive sim". Se ficar esperto ainda pode ver a Leci Brandão, bem novinha, marcando o samba numa caixa de fósforo. De arrepiar!
Este hino do Cartola fala de um cara se explicando para a mulher atual, que teve sim, um outro grande amor antes do dela, mas comparar, jamais. Ninguém é tão louco a tal ponto, ou é?
Diz tudo isso da forma mais lírica possível, quase como um pedido de desculpas, diz como quem perde perdão por não a ter conhecido antes. Delírio de letra.
É a Poesia que nasce do morro sem pedir licença para os saberes do asfalto.
Se puder, e não conhecer, procure mais sobre a obra do mestre. Conheça um pouco sobre a poesia que não está nas páginas dos livros, mas sim, na palavra que nasce da vida. Que nasce da simplicidade.
Da última vez que fui ao Rio parei bem de frente à Mangueira, olhei o morro bem de frente, e parece que eu ouvia o velho poeta me chamar para subir a favela onde ele nasceu e morreu (?), para quem sabe, alimentar o meu "peito vazio".

Não sou o Cartola, mas também não estou de chapéu atolado.

abs.

Sérgio Vaz

FELIZ NATAL - SÉRGIO VAZ

*do livro "Colecionador de pedras"


Feliz natal


É nossa a festa
Que era dia do criador.
Mesa farta
Mesa falta
É nossa hora
De esquecer a dor.
A hora é de luz
As estrelas no céu
São o lustre do teto
Que a todos seduz.
A hora é de festa,
Mas outros meninos
De outras manjedouras
Carregam sinos pequeninos
Em usinas e lavouras.
A hora é de festa
Na casa do patrão
E na casa do empregado.
Numa Jesus não se manifesta
Na outra não foi convidado.


Sérgio Vaz

LITERATURA, PÃO E POESIA

Arquibancada do Sarau da Cooperifa

LITERATURA, PÃO E POESIA - SÉRGIO VAZ


A literatura na periferia não tem descanso, a cada dia chega mais livros. A cada dia chega mais escritores, e, por conseqüência disso, mais leitores. Só os cegos não querem enxergar este movimento que cresce a olho nu, neste início de século. Só os surdos não querem ouvir o coração deste povo lindo e inteligente zabumbando de amor pela poesia. Só os mudos, sempre eles, não dizem nada. Esses, custam a acreditar.
Não quero nem falar dos saraus que estão acontecendo aos montes, pelas quebradas de São Paulo. Isto me tomaria muito tempo. Haja visto as dezenas de encontros literários, pipocando nas noites paulistanas. Cada qual do seu jeito, cada qual com seu tema, cada qual a sua maneira de cortejar as palavras.
Mas eu quero falar mesmo e da poesia que se espalhou feito um vírus no cérebro dos homens e mulheres da periferia. Pois é, essa mesma poesia que há tempos era tratada como uma dama pelos intelectuais, hoje vive se esfregando pelos cantos dos subúrbios à procura de novas emoções.
O Tal poema, que desfilava pela academia, de terno e gravata, proferindo palavras de alto calão para platéias desanimadas, hoje, anda sem camisa, feito moleque pelos terreiros, comendo miudinho na mão da mulherada.
Vocês, por acaso, já ouviram falar do tal poema concreto? Pois é, os trabalhadores e desempregados estão construindo bibliotecas com eles, nas favelas. E o lobo mau pode assoprar que não derruba. Apesar da pouca roupa que lhe deram está se sentindo todo importante com sua nova utilidade.
A periferia nunca esteve tão violenta, pelas manhãs é comum ver, nos ônibus, homens e mulheres segurando armas de até 400 páginas. Jovens traficando contos, adultos, romances. Os mais desesperados, cheirando crônicas sem parar. Outro dia um cara enrolou um soneto bem na frente da minha filha. Dei-lhe um acróstico bem forte na cara. Ficou com a rima quebrada por uma semana.A criançada está muito louca de história infantil. Umas já estão tão viciadas, que, apesar de tudo e de todos, querem ir para as universidades.
Viu, quem mandou esconder a literatura da gente, Agora nós queremos tudo de uma vez! Dizem por aí que alguns sábios não estão gostando nada de ver a palavra bonita beijando gente feia. Mas neste país de pele e osso, quem é o sábio ? Quem é o feio? E olha que a gente nem queria o café da manhã, só um pedaço de pão. Que comam brioches!
Não, não é Alice no país da maravilha, mas também não é o inferno de Dante.
É só o milagre da poesia. Quem é que odeia ler agora?

BOM VELHINHO, SEI...

*O símbolo de Santa Claus foi logo utilizado pela publicidade comercial. Em 1931, a Coca-Cola encomendou ao artista Habdon Sundblom a remodelação do Santa Claus de Nast para torná-lo ainda mais próximo. Sundblom se inspirou em um vendedor aposentado e assim nasceu - de uma propaganda da Coca-Cola! - o Papai Noel que a gente conhece.



Papai Noel às Avessas


Carlos Drummond de Andrade


Papai Noel entrou pela porta dos fundos(no Brasil as chaminés não são praticáveis),entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutadore a eletricidade bateu nas coisas resignadas,coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,achou um queijo e comeu.

Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças(no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças
Papai entrou compenetrado.
Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.


Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudono interminável lenço vermelho de alcobaça.Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do aperto.
Os pequenos continuavam dormindo.Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.

Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.



Este poema foi publicado no livro "Alguma Poesia", Editora Pindorama, em1930, primeiro livro do autor. Texto extraído de "Nova Reunião", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1983, pág. 24.

3º ENCONTRO LITERATURA MARGINAL


COOPERIFA RECEBE PRÊMIO EDUCADOR INVENTOR


Povo lindo, povo inteligente,
Nesta sexta-feira a Cooperifa recebeu o prêmio EDUCADOR INVENTOR indicado pelo jornalista Gilberto Dimenstein, a entrega aconteceu no auditório do MASP, na Avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo. O Prêmio é reconhecido pela UNICEF (Fundo das nações para a Infância).
A Gente não faz as coisas pensando em ganhar prêmios, fazemos por amor à periferia, à Poesia, às quebradas, mas nunca é demais ser reconhecido por aquilo que se faz, e o melhor, ainda em vida. É isso.
Abs.
Sérgio Vaz
Vagabundo nato

SACOLINHA CONVIDA PARA O LANÇAMENTO DA ANTOLOGIA " LITERATURA DO BRASIL "

Clique no cartaz para ampliar

3º PRÊMIO COOPERIFA (Fotos: LILO CLARETO)

Quero ouvir: Étudo nosso!

Jairo Periafricania

Grupo de teatro Ação e Arte


Valmir Vieira

Neide Canto


Jair Guilherme


Danilo Brasil de fato


Família Trindade

Raquel Trindade


João e Eliane Brum

Alessandro Buzo

Seu Lourival

Tadeu Lopes


Lobão

Seu Jorge

Beso e Harumi

Fanti


Robson Canto


Augusto

Se liga, janeiro tem mais!


Thursday, December 13, 2007

A COOPERIFA RECEBE PRÊMIO EDUCADOR INVENTOR

Hoje é a nossa vez de receber prêmio.

PRÊMIO EDUCADOR INVENTOR
dia 14 de dezembro (sexta-feira) das 08hs às 13hs30
Auditório do MASP
Av. Paulista, 1578
* Confirmar presença: rsvp@aprendiz.org.br
acho que a entrega do prêmio será mais ou menos 12hs00, confirmar.

3º PRÊMIO COOPERIFA, A FESTA

Cooperifa, esta corrente é ruim de quebrar!

Povo lindo, povo inteligente,


Nesta quarta-feira de chuva, mais de quinhentas pessoas compareceram à entrega do 3º Prêmio Cooperifa. Uma noite que a periferia nunca mais esquecer. Uma noite de vitória desse nosso povo lindo e inteligente, que apesar de tudo e de todos ainda faz poesia.

Gente de todos os lugares, de todas as cores e de todas as crenças, fez com que a noite de encerramento do sarau fosse o melhor lugar do mundo para se estar. Tem gente lá até agora.

Não sei quem disse:"se uma bomba cair na Cooperifa hoje, acabou a cultura na periferia". Estava todo mundo presente. E quem não estava presente, nós fizemos a entrega do prêmio via celular, pergunta para o João Wainer.


"A periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor".


Nossos convidados foram chegando mais ou menos às sete horas da noite, pois às oito não tinha mais lugar para ninguém. Uma festa simples, porém cheio de energia positiva e de boa vibrações espalhadas pelo bar. Puxa, quem dera se a quebrada fosse sempre assim. Precisamos trabalhar mais e celebrar mais nossas conquistas. Estamos aprendendo a gozar, fazer filhos a gente já sabe.


"A Periferia no centro de todas as coisas".


O Amor foi a palavra de ordem. Amor à causa, ao próximo, à familia, aos amigos. Sempre achei que amar à causa é muito melhor que odiar o inimigo. E amar não tem nada a ver com dar a outra face. Mas acho que o ódio é tipo paixão, tem hora para acabar. Coisa do tipo: desempregado que odeia quem está trabalhando. Gente que anda de chinelo que odeia quem tem sapatos. Depois que consegue... Mas quem ama aquilo que acredita... É indestrutível. Cada-um-cada-um.


"A Arte que liberta não vem da mão que escravisa".


Puta que o pariu, estava todo mundo com um sorriso no rosto, todo mundo com o coração em chamas. Não sei como definir a noite, quem foi podia me ajudar colocando um comentário dizendo mais ou menos o que achou. Será que alguém teve a coragem de fingir um sorriso ou um abraço numa noite dessas?

Não vou citar nomes, nem fodendo (só de homenageados foram 105 nomes). Quem foi, foi. Quem viu, viu. E já é. Agora só em janeiro.

Vixe, o nosso Dom Quixote estava lindo, não teve quem não gostou. Um livro na mão e uma espada na outra, é assim que a gente se sente na Cooperifa: um exército de Quixotes.


"... da poesia que brota na porta do bar".


Tanta emoção, tanto amor que nós acabamos esquecendo de chamar a Casa de Cultura M´boi Mirim para receber o prêmio, putz, fomos lá e entregamos logo depois que acabou e pedimos perdão ao Luiz e o Antônio, pela nossa deselegância. Para nossa sorte eles aceitaram as desculpas, ainda bem, temos um puta respeito pelo trabalho deles.

Aliás, ao final da entrega pedimos perdão para todos os nossos amigos, por todos os nossos erros deste ano, e não foram poucos: " Perdoem-nos, a gente não sabe que faz". Por isso a gente erra muito.

Aos que torcem contra e que tem inveja boa da gente (Inveja boa??), tenho más notícias, já estamos trabalhando 2008, para nós o ano novo já chegou. desculpaí, já em janeiro temos uma grande surpresa para o nosso quilombo cultural. Outra coisa, falem mal, mas respeitem, por favor.


Os nossos amigos a gente conhece pelo olhar. Sintam-se abraçados! E antes que eu me esqueça: "Em 2008 será pior... Pior para quem estiver no nosso caminho".



"É tudo nosso!!!".


um sorriso no rosto e os punhos cerrados,


Sérgio Vaz

Quixote da periferia


PRÊMIO COOPERIFA - A VINHETA



Vinheta do 3º Prêmio Cooperifa produzida pela Roquenrou filmes

PRÊMIO COOPERIFA

Nosso exército de sonhadores de espada em punho.

Por uma periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.

Que venham os moinhos de vento!


Um livro, uma espada, um sonho: Cooperifa.


"Quem lê enxerga melhor" (essa é minha).

Está ouvindo ? Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa!

PRÊMIO COOPERIFA

Ô lugar!!!!!

Tiana servndo a rapa

Sales entrega para Ricarda

Magrela´s Bike

Sacolinha

Lobão

Paulo e China recebendo o prêmio da Raquel Trindade


Lu e Lila

Tadeu Zuco

José neto
fotos: Edu Toledo
Elizandra

Tadeu, Lu e Márcio

Claudio Laureart