
Escola Estadual Denoel Eller
Povo lindo, povo inteligente,
desculpaí pela demora, mas o barato está louco. Mil coisas ao mesmo tempo e a vida não pára de me surpreender.
Quando a gente pensa que tá bom, fica ruim. E quando a gente tem quase certeza que está ruim, a coisa melhora. A Vida... quem entende afinal?
Estou terminando o livro "Cooperifa, quilombo da poesia" (que tal o nome, tem alguma sugestão?), que é um pouco da minha história que se funde com a história da Cooperifa, fiz uma homenagem para uma par de gente, por isso queria um título com o nome da Cooperifa: o que para uns é apenas oportunidade, para outros, o ar que se respira. Eu sou um dos que precisam desse ar para viver, sei também que tem mais gente. E sei quem são.
Estou longe , mas não muito, acabo de chegar do sarau que estou fazendo com os alunos do EJA da Escola Ugo Arduini, em Taboão da Serra (a foto acima é de uma outra escola), e a cada dia me surpreeendo mais com o poder da poesia.
Na semana passada fizemos a oficina e nesta terça-feira fizemos o sarau com eles. Metade da sala , trouxe poesia para ler.
Putz, que noite bonita nós passamos juntos. No começo é aquela coisa, todo mundo tímido, mas depois, ninguém queria parar.
Aprendi mais uma coisa nessa noite: gente simples + poesia = Sabedoria.
Pela manhã estive em uma reunião para discutir sobre festival e prêmio de literatura com algumas pessoas, a maioria intelectuais da USP, doutores e mestres, e coisas e tal. Não foi ruim, mas quando eu comecei a falar sobre a Literatura da Periferia que cresce mais e mais a cada dia, e que precisava de incentivo, tem sempre alguém que diz eu quero dividir a periferia e o centro, e que se a gente receber qualquer tipo de ajuda, nos desqualifica como escritores.
Dizem que a ajuda isso não ia pegar bem para nós. Ah, tá, mas eles podem ficar com toda a verba e privilégios que ninguém vai se sentir incomodado, né não? É cada uma...
Outra coisa, o barato já está dividido há muito tempo, e não foi dividido por nós, muito pelo contrário, nós queremos é somar para multiplicar, e recuperar o que nos foi subtraído.
Estou discutindo uma forma de conseguir um espaço bem louco para um evento literário, esperem que daqui a pouco eu dou a letra.
*Uma vez eu dei uma moeda para um mendigo e ele me disse:
-Hoje não estou aceitando moedas.
Olhei meio puto para ele, pensando na sua arrogância e respondi.
-Então vai se foder, hoje eu só tenho moeda.
Ele olhou pra mim com desprezo e pegou a moeda na minha mão.
-Nesse caso vou quebrar seu galho, mas não acostuma não.
Estou me sentindo meio asssim também, sem tempo pra moedas.
Estou com saudades, não me abandonem,
Sérgio Vaz


6 comments:
A Lei de Incentivo existe sim. Não participei da oficina a toa. Aprendi sobre Rouanet, percebi que tem gente que só quer ganhar muito dinheiro e, o mais importante: percebi que meus sonhos não foram todos vendidos.
Manda a letra. Logo!
É tudo nosso... (sem divisão)
eles querem na real e privar o povo de receber a grana que eles conseguem facil... apoio, universidade gratuita, intercambio, e tudo mais... alem disso essa parada de centro x periferia acho que nem rola... se for no centrao mesmo... o que mais tem é mendingo, morador de rua... dando uma volta em bairros como bela vista, santa cecilia, republica, vai ver uma pa de predio, se nao for cortico, com gente humilde e pobre que talvez tem ate menos acesso a grana e informacao do que na periferia, e olha que ta no centrao....
Aguardndo anciosamente o livro.
salve vagabundo,
saudades também, correria. o bang tá lôco.
sobre o espaço para um evento literário: descobri um espaço bacana, que o pessoal está aberto a fazer atividades, e já deixaram em off que queriam fazer algo com a cooperifa. talvez seja o canal.
tô viajando a trampo neste final de semana. quarta é cooperifa, com certeza. vou tentar chegar mais cedo pra gente trocar umas idéias. ou a gente se fala por fone, firma?
abraço, guerreiro
"Aprendi mais uma coisa nessa noite: gente simples + poesia = Sabedoria"
eu aprendo cada vez que venho fazer uma visita no blog.
Me impressiona, arrepia e dá ânimo para ir adiante. Como vc mesmo disse: é a vida nos surpreendendo.
Abração
Jéssica Balbino
Eu também te peço: não nos abandone. Este blog é ar puro!
Abraços!
Em tempo: achei genial o título do livro!
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