Sunday, March 30, 2008

EM OBRAS


Esse aí sou eu, aos 8 anos, vivendo como se não existisse o futuro


Povo lindo, povo inteligente,

estou literalmente em obras. Estou escrevendo um livro que conta um pouco da minha caminhada poética que completou mais de vinte anos. Vou falar um pouco da minha trajetória pessoal até chegar nos dias de hoje, na Cooperifa.
Estou desenterrando lembranças, ora dói, ora sangra... ainda não cheguei no sorriso.
Quem encomendou o livro disse-me que não tem tempo de esperar, por isso, o ritmo está acelerado, desumano.
Esse livro é um projeto pessoal em que eu pensava realizar só daqui há alguns anos, mas não sei se por merecimento, ou por sorte, esta oportunidade apareceu agora. Abracei com as duas mãos.
É uma oportunidade para algumas pessoas conhecer um pouco o que era a cena da literatura na periferia no passado, para que possam entender o porque de tudo isso que está acontecendo no presente.
Oportunidade para uns e outros conhecerem um pouco da minha caminhada pela poesia, e finalmente entenderem, de uma vez por todas, que apesar da periferia hoje estar na moda, as coisas não acontecem por magia, mas por trabalho, perseverança.
E que todos saibam afinal, que muitos dos que aí estão, se apropriando da história alheia, nem sequer existiam, culturalmente falando, e que nem mesmo um discurso bem articulado e um visual bem preparado, não transformam nenhum capitã-do-mato em Zumbi dos Palmares (O tempo é o senhor de todas as respostas).

O que é moda para uns, é vital para sobrevivência de outros.

Ah!, só mais um coisa:

"SER POETA NÃO É ESCREVER POEMAS, É SER POESIA"

A gente se tromba,

Sérgio Vaz

Friday, March 28, 2008

POEMA "GUERRA DOS BOTÕES"




A GUERRA DOS BOTÕES


PERMITO-ME SONHAR
VENDO SOLDADOS PLANTADOS NAS TRINCHEIRAS
DESCANSANDO SOB AS SOMBRAS
DE UM ENORME COGUMELO DE PÉTALAS
EXPLODINDO NO CÉU.
A PRIMAVERA
INVADINDO CAMPOS MINADOS
COM SUAS GUERREIRAS MARGARIDAS
FARDADAS PELA SEDA PURA DA MANHÃ
MARCHANDO PARA UM NOVO DIA.
E OS SENHORES DA GUERRA
AGUARDANDO ANSIOSOS
O MOMENTO DE APERTAREM SEUS BOTÕES...
LINDOS BOTÕES DE ROSA
ESTAMPADOS NA LAPELA.


SÉRGIO VAZ



*Peguei a foto no blog do Rodrigo Ciríaco

HOJÉ É NÓIS NO PANELAFRO !!!!!


clique no cartaz para ampliar

Tuesday, March 25, 2008

SÁBADO É NÓIS NO ITAIM PAULISTA!

QUINTA-FEIRA TEM SARAU RAP - POESIA DAS RUAS



Sales, o Evolucionário



SARAU RAP - POESIA DAS RUAS
Quinta-feira 26 de março 20hs


Projeto "Poesia das Ruas" Ritmo e Poesia




O Projeto Poesia das Ruas é um sarau dirigido a rimadores e rimadoras
doRap. É um espaço para o exercício da criação poética. Sem música,
MCsdeclamarão suas letras, compartilhando talento literário.

*Atenção rimadores, tragam as suas letras. Ela participará de uma
seleção para a publicação de um livro.

Iniciativa do poeta Sergio Vaz, o Sarau do Rap é realizado em parceria
com a Ação Educativa e contece toda última quinta-feira do mês.

Fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa, Vaz, pretende buscar,
através da oralidade, um incentivo para a criação poética. Rap é ritmo
e poesia (rythman and poetry).


Ação Educativa
Rua: General Jardim, 660 – Vila Buarque - SP
Entrada: Gratuita
Capacidade de lotação: 200 pessoas

SARAU DA COOPERIFA

Foto: João Wainer

Quarta-feira tem sarau da Cooperifa, uma das noites mais lindas que a poesia pode proporcionar às pessoas da periferia de São Paulo. Um reduto de poemas e poetas, no cume da ladeira de Piraporinha, de onde brota as palavras mais doces e duras, das bocas mais lindas e poéticas desse território brasileiro.
Um Lugar como poucos. Um lugar para poucos.
Não adianta, tem que saber chegar. O Molho é diferente. Pode perguntar.
A Gente conhece as pessoas pelo olhar, pelo andar e pelo timbre da voz. Um "boa noite" de quem a gente gosta, não chega pelo ouvido, chega pelo coração.
Muitos vão pela poesia, outros pelo lugar. O importante é a gente lá, lado a lado com a comunidade.
Amanhã tamo lá, com os braços abertos,
Sérgio Vaz

POESIA DAS RUAS

Povo lindo, povo inteligente,
são 22hs, acabo de chegar da rua, dos corres, da poesia que me chama e me sustenta, literalmente falando. A Tarde colei na USP para o debate sobre Mídias Nativas, o Jairo (Periafricania) foi comigo, chegando lá estava o Gaspar (Záfrica) que participou em uma mesa anterior, aí formou o time. Foi Bom.
De lá corro para a Escola do EJA Vínicius de Morais, que fica no Jd. São Judas em Taboão da Serra, onde comecei as minhas oficinas de poesia.
A Diretora Keila já tinha dado a letra do que ia rolar, então, assim como eu, eles estavam muito ansiosos. São alunos da 3ª e 4ª série, todos adultos.
Eles estavam num puta pique e fizemos um poema coletivo e falamos da importância do livro na vida das pessoas. Foi da hora.
Na terça que vem, eles vão trazer poemas próprios, ou não, e vamos fazer um sarau.
Fiquei muito emocionado com o entusiasmo deles. Com a sede deles com a poesia. A gentileza com o poema alheio. Putz, foi um grande aprendizado para mim.
A Tarde, na USP, uma pessoa me fez uma pergunta sobre essa coisa do povo falar "nóis vai", não lembro direito a pergunta, entre outras coisas que respondi é que se o povo da perifa diz "Nóis vai", é porque vai mesmo. Sai da frente!
Na disposição,

Sérgio Vaz
poeta das ruas




Debate na USP

Gaspar, Záfrica formando o time

Olívio Jekupé, literatura indígena

Poesia em ação

Olha eu aí, pagando de professor, quando na verdade deveria estar assistindo aula

Elisângela, recitando seu poema

Academia Brasileira de Sonhadores


É tudo nosso!


A FAMÍLIA


Esses dias estava ouvindo o cd ao vivo do grupo de Rap A Família, e comecei a viajar na música e nas letras dessa rapaziada, que modéstia a parte, eu vi nascer. Não que eu seja responsável pelo sucesso deles, nada disso, mas é que a gente se conhece há muito anos, desde quando eu conheci o GOG, há quase dez anos.
Ouvindo o disco da Família foi possível identificar a evolução, não só musical, mas pessoal de cada um. O Caráter e a postura correta de cada um é visceral, e eles nem se dão conta disso. Talvez esse seja o grande segredo grupo: A indiferença com a fama.
O Disco caminha por batidas severas que se agrupam nas letras que parecem que costuram nossos ouvidos.
Por hora, a tensão dos becos e vielas escuras, estão nos acordes que soam das vozes dos guerreiros, outra vezes, é a doçura do poema clamando por dias melhores.
Está lá, tudo na dose certa, sem transbordar para o discurso fácil de animar a platéia generosa, tampouco o deslumbre revolucionário, que alguns fingem ter.
O Disco é honesto, não bate a carteira de ninguém. Desde a primeira a última batida, você sabe o que vai te acontecer, só não sabe quando, e como.
Como poeta, estou satisfeito com o respeito que esles tiveram com a poesia, com a prosa e com a crônica do dia a dia.
Como amigo, me sinto honrado em fazer parte da Família.
Nesses tempos onde quase tudo que brilha é falso, eis um grupo onde o metal é verdadeiro.
Fã do baguio,

Sérgio Vaz

OFICINA DE POESIA NO EJA



Povo lindo, povo inteligente,

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Hoje começa minhas oficinas de poesia com os alunos do EJA (educação de jovens e adultos) da 3ª e 4ª, nas escolas de Taboão da Serra. O Sarau nas escolas vem depois das oficinas, provavelmente no segundo semestre, quando eles, espero, já vão estar mais ambientados com a poesia, não só para ouvir, mas para recitar também.
Na primeira semana eu venho e falo um pouco sobre poesia, a importância da leitura em nossas vidas, leio alguns poemas, passo umas técnicas para escrever poesia que eu inventei rsrs., peço que eles também leiam.
Na outra semana, com os mesmo alunos, a gente vai fazer um sarau com a produção deles. E depois vou para outra escola, e assim sucessivamente.
No final do ano, vamos editar um livro com os poemas deles. É isso.
O melhor de trabalhar poesia com o EJA é a gentileza que eles têm com o nosso trabalho. E também é uma oportunidade para a gente aprender alguma coisa também: humildade.
Só mesmo pessoas humildes como eles, têm a coragem de voltar a estudar, depois de muito tempo, depois de tantos maus-tratos da vida. Depois de 500 anos, este país ainda tem coragem de negar educação para seu povo. E quando a gente pega um livro na mão , tem filho da puta que chia, encastelado na privada da academia, que isso não é coisa de gente da periferia. Sei...
E também tem uma outra coisa, fazer poesia é a coisa mais fácil do mundo, basta papel e caneta. Lembro de uma vez que um garotinha, 10 anos, numa escola, quando eu terminei de ler uma poesia na classe ela me disse:"Ah, então é isso que é poesia? Ah, Isso eu também sei fazer!" Disse com a cara mais decepcionada do mundo.
Gosto de fazer este trabalho, incentivar à leitura, não poque eu seja bonzinho, mas por inveja mesmo, e não é inveja da boa, é inveja ruim, é inveja das pessoas que podem estudar em boas escolas e ter acesso a bons livros, enquanto a maioria do nosso povo não tem.
Falando em boas escolas, à tarde vou participar do seminário MÍDIAS NATIVAS, na usp.
Acho que se no país tivesse mais USP, tinha menos pessoas no EJA.


Se pá, a gente se tromba.


Os punhos cerrados e um sorriso no rosto,


Sérgio Vaz

Vagabundo nato



Oficinas poética no EJA

Terça 20hs 25 de março


Escola Vínicius de Morais


Jd. São Judas/Taboão da Serra
Grátis



Mídias nativas na USP
terça 14hs 25 março
Auditório da História/FFLCH/USP
Av. Prof. Lineu Prestes, 338
Cidade universitária
Inscrições pelo emeio:

Monday, March 24, 2008

ARTIGO DO JORNAL O POVO (adaptação de uma notícia do blog)

Time da Cooperifa, em Suzano

FAVELA NOS PÉS - Sérgio Vaz

“Era um atacante medíocre, vivia na zaga se defendendo das críticas” S.V.

Esta semana Zinedine Zidane, poeta-jogador de futebol francês, esteve em São Paulo para inaugurar uma quadra de esportes em uma das maiores favelas do país, Heliópolis.
A Favela de Heliópolis me lembra o morro da Rocinha-RJ- onde já estive algumas vezes e onde tenho vários amigos-, não só pelo tamanho, mas pela sua gente, pelas curvas das vielas e pelo riso sofrido que tem o povo trabalhador.
A Rocinha se impõe num dos bairros mais chiques do Rio de Janeiro, São Conrado, zona sul carioca, por isso é muito comum ver artistas subindo e descendo as ladeiras que surgem da Via Ápia ou pela entrada dos Boiadeiros. Você quem sabe.
Já Heliópolis fica no bairro do Ipiranga, e sabe como é que se chega lá? Vai vendo leitor, pela Estrada das Lágrimas.
Já estive em Heliópolis algumas vezes fazendo trabalho na extinta rádio comunitária, que antigamente era comandada pelo rapper Rapin Hood, que hoje está na 105 FM (programa Rap du bom), mas também já estive a passeio, num churrasco na casa do poeta Robson Canto, e todas às vezes que fui pude desfrutar da hospitalidade, que é comum no povo humilde das favelas.
Quando estive nesses dois bairros, divulgando a minha poesia, a periferia ainda nem sonhava que um dia estaria na moda, e muitos dos que estão hoje por aí, se apropriando da história alheia, nem sequer existiam, culturalmente falando.
Neste país, injusto e desigual, se já não bastasse a miséria física ainda temos que conviver com algumas pessoas ricas em pobreza espiritual.
Mas vamos voltar ao Zidane, que apesar de não parecer tem tudo a ver com que eu estou falando:Honra e Humildade.
Sempre fui fã do francês. Do seu futebol poético, da sua postura pessoal e política. Um jogador como poucos.
Aliás,só mesmo jogador-poeta como ele, numa semifinal de copa do mundo, onde bilhões de pessoas estavam ligadas no jogo, e bilhões de dólares estavam em jogo, tem a hombridade de defender a honra de sua família com uma cabeçada num deselegante e desprezível zagueiro da seleção italiana, que ofendeu sua irmã. Isso se chama Honra meu irmão.
Aí, meu ídolo, vem ao Brasil, e aonde ele vai? Na favela! Humildade 1 x 0 vaidade .
Caramba, queria que ele fosse na Cooperifa recitar um de seus poemas com a bola nos pés. Desculpe o trocadilho: Gol de letra!
Adoro futebol, sou mais um alienado brasileiro amante da arte que nasce das ruas, mas que infelizmente é decidido em gabinetes. Mas, os ruins não me impedem de admirar os bons.
Zidane parece ter nascido na Rocinha, ou em Heliópolis, não só pelo futebol que poético que ele jogou, mas pela postura humilde e correta que todo favelado sabe ter.
De mais a mais, o que eu mais vejo por aí, é perna-de-pau pagando de Pelé. Vaia neles!



AHISTÓRIA DA LITERATURA DAS RUAS, EM BREVE. BREVÍSSIMO.

Eu, Cocão e a Rose no Circo Voador - RJ

Literatura, pão e poesia - Sérgio Vaz


A literatura na periferia não tem descanso, a cada dia chega mais livros. A cada dia chega mais escritores, e, por conseqüência disso, mais leitores. Só os cegos não querem enxergar este movimento que cresce a olho nu, neste início de século. Só os surdos não querem ouvir o coração deste povo lindo e inteligente zabumbando de amor pela poesia. Só os mudos, sempre eles, não dizem nada. Esses, custam a acreditar.
Não quero nem falar dos saraus que estão acontecendo aos montes, pelas quebradas de São Paulo. Isto me tomaria muito tempo. Haja visto as dezenas de encontros literários, pipocando nas noites paulistanas. Cada qual do seu jeito, cada qual com seu tema, cada qual a sua maneira de cortejar as palavras.
Mas eu quero falar mesmo e da poesia que se espalhou feito um vírus no cérebro dos homens e mulheres da periferia. Pois é, essa mesma poesia que há tempos era tratada como uma dama pelos intelectuais, hoje vive se esfregando pelos cantos dos subúrbios à procura de novas emoções.
O Tal poema, que desfilava pela academia, de terno e gravata, proferindo palavras de alto calão para platéias desanimadas, hoje, anda sem camisa, feito moleque pelos terreiros, comendo miudinho na mão da mulherada.
Vocês, por acaso, já ouviram falar do tal poema concreto? Pois é, os trabalhadores e desempregados estão construindo bibliotecas com eles, nas favelas. E o lobo mau pode assoprar que não derruba. Apesar da pouca roupa que lhe deram está se sentindo todo importante com sua nova utilidade.
A periferia nunca esteve tão violenta, pelas manhãs é comum ver, nos ônibus, homens e mulheres segurando armas de até 400 páginas. Jovens traficando contos, adultos, romances. Os mais desesperados, cheirando crônicas sem parar. Outro dia um cara enrolou um soneto bem na frente da minha filha. Dei-lhe um acróstico bem forte na cara. Ficou com a rima quebrada por uma semana.
A criançada está muito louca de história infantil. Umas já estão tão viciadas, que, apesar de tudo e de todos, querem ir para as universidades. Viu, quem mandou esconder ela da gente, agora a gente quer tudo de uma vez!
Dizem por aí que alguns sábios não estão gostando nada de ver a palavra bonita beijando gente feia. Mas neste país de pele e osso, quem é o sábio ? Quem é o feio? E olha que a gente nem queria o café da manhã, só um pedaço de pão. Que comam brioches!
Não, não é Alice no país da maravilha, mas também não é o inferno de Dante. É só o milagre da poesia.
Quem é que odeia ler agora?



Thursday, March 20, 2008

Poetas da cooperifa na audição cultural

SÁBADO É NÓIS!

RAP é CulturaMovimento cultural das ruas de São Paulo chega a palco de livraria, faz a festa com novos Djs, Mcs e Poetas
A estréia da festa é neste sábado 22 de março, a partir das 22h, artistas convidados do Projeto Audição Cultural apresentam sua obra e garantem uma festa de poesia, música e RAP em forma de arte e atitude.

Nesta primeira edição teremos:
· A banda de jazz rap 'Primeira Audição' , que pode ser conhecida pelo http://www.myspace.com/primeiraaudicao
· O som dançante da banda Preto Soul: http://www.myspace.com/pretosoulDiscotecagem pelos premiados Dj Soares e Dj Damente, além dos Dj convidado: Dj Dandan !

· Participações Especiais: Cantora Cláudia Luz e Poetas da Cooperifa

· Exposições de Artes Plásticas do Coletivo Griots e as estilosas bikes do Magrela's Bike Club da Zona Sul e um painel estará sendo pintado durante a festa pela artista plástica Gabriella Ribeiro. Sem falar nas surpresas !!!

Te aguardo lá!!!
O espaço é super interessante, é uma livraria, porém tem um belo palco ao fundo, decorada com prateleiras lotadas de livros e cds, peças de artistas que já passaram por lá, esculturas e quadros, se vc não quiser necessariamente ficar na pista curtindo a banda ou dançando ao som dos Djs, pode estar na mesinha ou no sofá batendo um papo, folheando um livro ou até mesmo adquirindo um!Beijão da Dessa, Serviço Local: Livraria da EsquinaRua do Bosque, 1254. Barra Funda, São Paulo – Tel (11) 3392-3089Sábado de Aleluia: 22 de MarçoHorário: a partir das 22h. Estilo hip hop / poesia Entrada: R$ 7,00 até a meia-noite e R$ 10,00 após
Contatos: Dêssa Souza, cel (11) 8408-2482
Débora Fidelis, cel (11) 9961-1898
Will Cavagnolli, cel (11) 8620-3512

FESTA UMOJA

Umoja, na festa do 3º Prêmio Cooperifa








FESTA UMOJA



A Festa Umoja (unidade) quer trazer para a comunidade a força da tradição cultural negra em que a alegria, e a beleza tomam todo o espaço.



Homenagem às mulheres



DIA: 22 DE MARÇO

HORARIO: APARTIR DAS 18HS



LOCAL: SACOLÃO DAS ARTES

Av. Cândido José Xavier, 577 - Parque Santo Antonio



EXPOSIÇÕES: "AS MULHERES DA MINHA VIDA"



"Mulheres negras do brasil"Imagens e textos mostram a pluralidade da força do universo feminino



APRESENTANDO:

ZINHO TRINADE (APRSENTAÇÃO)

DJ - MAURICIO ALVES (MÚSICA NEGRA)

UMOJA (COCO, SAMBA DE RODA, MARACATU, CIRANDA, XIRE DAS YABÁS,CANGIRA.)BAND´DOIDO (SAMBAS PAULISTA E CARIOCA)

FABIANA COZZA (SAMBA, MPB)

EXIBIÇÃO DO FILME: YALODÊ - DAMAS DA SOCIEDADE (de Maria Emilia Coelho e Jose Pedro da silva Neto)

Barracas de artesanato

Comida: Feijão de Corda

Realização

ApoioUMOJA

sacolão das Artes /Cine Becos e vielas

SARAU DA COOPERIFA

Povo lindo, povo inteligente,


O sarau da Cooperifa de ontem surpreendeu a todos, não pela qualidade, mas é que estava completamente lotado, mais de trezentas pessoas, quase cinquenta poetas. Tinha gente de tudo quanto era lugar. Estava abarrotado de gente nova! Ô lugar!
Que noite. Saímos de lá 2hs da manhã, eu, a Sônia, Rose, Márcio, João Wainer, Casulo, Renata, Gaspar, Zinho, Amigos, e se o Zé deixasse o pessoal estava lá até agora. A Poesia chapou todo mundo.
Aí, estou escrevendo o livro contando a história da Cooperifa e toda essa cena louca que vive a literatura na periferia. Muitas fotos, muitas poesias e tudo sobre o nosso quilombo cultural, que já se assanhava nos anos 80, e que nasceu numa fábrica em Taboão da Serra, sob a inspiração da Semana de arte moderna. Da quinta maldita, onde frequentávamos para falar poesia no bar do português, direto para o Garajão, onde eu e o Marco Pezão fundamos o sarau, até os dias de hoje, onde a gente segura a onda no Bar do Zé Batidão.
A História de alguns personagens importantes do começo, poetas atuais, poesia no ar, o prêmio Cooperifa, o ajoelhaço, o Rastilho da pólvora, o CD de poesia, o nosso novo livro, o prêmio Hutuz, O Premio Unicef, enfim, um pouco da nossa história, quer alguns gostem ou não, sacudiu o marasmo cultural na periferia de São Paulo. Em Breve! Não, brevíssimo!
Mês que vem tem poesia no ar. O Livro "antologia poética do sarau da Cooperifa. o Lançamento do documentário da Cooperifa. Lançamento do espetáculo "Umoja e Sérgio Vaz (surpresa!)Depois revista da Cooperifa. Ínicio das filmagens do meu Filme "Mil graus na terra da garoa (produção Roquenroll filmes), Ufa, é isso!
Querer roubar a nossa brisa é fácil, quero ver roubar a nossa disposição!
Quem guenta nóis?
*Estou dormindo só três horas por noite, mesmo assim, um olho fica aberto.
Muito amor!
Um discurso na mão e a prática na outra,


Sérgio Vaz
20 ANOS DE POESIA, PORRA!



O Futuro da poesia

A Rapa

Gaspar, Záfrica Brasil

Zinho Trindade

Márcio Barbosa (Quilombhoje)


João Wainer, ao fundo


Marcio Batista e a Rose


Guerreiro Renato Vital


Ewald e Gastão

Claudio Laureart


Euller, Umoja

O Galã, Seu Lourival

Tadeu Lopes

Wednesday, March 19, 2008

OS INFILTRADOS - SÉRGIO VAZ

OS INFILTRADOS - SÉRGIO VAZ


Hoje, na periferia, tem um tipo de pessoa que é pior que toda a canalhice que ele finge que defende, é o parasita revolucionário. Ele ataca de Zumbi, mas nas sombras, age como Capitão-do-mato na sua prática corrosiva de falsa irmandade.
Esses putos miseráveis são movidos pelo dinheiro, pela ganância pela pegada escravagista, e não têm o menor pudor em explorar o irmão que eles fingem que são, sugando todo o suor alheio em proveito próprio. Canalhas!

Eles são sedutores e perigosos, e sao maquiados com discursos meticulosos e inteligentes, por isso muitos não os veêm, por isso alguns os seguem, por isso alguns se vendem.
Eles estão infiltrados como bactérias nos movimentos culturais e espalham a doença da inveja, da intriga e da maldade à procura de mentes frágeis e corpos cansados, para compor um exército de soldados que não irão para a gerra, mas que, com certeza, sairão mortos e feridos.
Fogo amigo, meu amigo, dói mais que presente de inimigo. Vermes!

Monday, March 17, 2008

CONTOS CELULARES - AMIGO É PARA ESSAS COISAS - SÉRGIO VAZ


Poeta Mavotsirc, no Sarau da Cooperifa





CONTOS CELULARES

AMIGO É PARA ESSAS COISAS - SÉRGIO VAZ

-Alô.
-Alô?
-Marco?
-É. Quem é?
-Samuca.
-E aí?
-Firmeza.
-Ce foi no samba ontem?
-Fui, ce não foi por quê?
-Tretei com a mina.
-Que zica.
-Tava bom?
-Vixe!
-Mulher?
-Uma pá.
-Se pá ce não catou nenhuma.
-Abraça.
-Então foi apampa?
-Suave.
-Sumemo.

-ô Marco?
-Fala.
-Tá de boa?
-Tá meio osso, mas tá bom.
-Qualquer coisa liga nóis!
-Já é.
-Fui.

-Samuca?
-Que foi?
-Valeu por ter ligado...
-Sem essa mano, tamo junto.
-...Tava mesmo precisando falar com alguém.
-Eu também.
-Falô.
-Falô.

Sunday, March 16, 2008

Zinedine Zidane, Poeta e jogador de futebol

Povo lindo, povo inteligente,
Zidane, jogador-poeta de futebol francês esteve em São Paulo para reinaugurar uma quadra de esportes na favela de Heliópolis, em SP. Sempre fui fã do francês. Do seu futebol poético, da sua postura pessoal e política. Um jogador como poucos.
Só mesmo jogador-poeta como ele, numa semi-final de copa do mundo, onde bilhões de pessoas estavam ligadas no jogo, e bilhões de doláres estavam em jogo, tem a hombridade de defender a honra de sua família com uma cabeçada num deselegante e desprezível zagueiro da seleção italiana, que ofendeu sua irmã.
Aí, meu ídolo, vem ao Brasil, e onde ele vai? Na favela. Carái, queria que ele fosse na Cooperifa recitar um de seus poemas com a bola no pé.
Adoro futebol, sou mais um alienado brasileiro amante da arte que nasce das ruas, mas que infelizmente é decidido em gabinetes. Os ruins não me inpedem de admirar os bons.
Você pode até achar que é mentira, mas pergunte ao GOG, Maka, Jairo e o Márcio Batista, uma vez eu fiz uma jogada igual a ele. Em camêra lenta. Mas só que sem a bola. Eles nem perceberam.
Abs.
De letra,
Sérgio Vaz
Zidane, na favela de Heliópolis-SP




"NÃO FAÇO POESIA,
JOGO FUTEBOL DE VÁRZEA NO PAPEL."

Sérgio Vaz

JORNAL DA AMARGURA - SÉRGIO VAZ


Capitão Nascimento, momento antes da prisão do poeta



JORNAL DA AMARGURA - SÉRGIO VAZ


Direto da Folha Amargura on-line:


POETA É PRESO EM FLAGRANTE SORRISO

Neste sábado pela manhã, a tropa de elite do mal-humor, fortemente armada, conseguiu prender o poeta Augusto, 44, que estava sorrindo, sem autorização, deliberadamente em mais uma manhã terrivelmente ensolarada.
Acusado de Idiota, o poeta foi enquadrado na lei nº777, denominada "Tristeza não tem fim" e imediatamente levado ao Departamento das caras amarradas, no Centro das Mágoas, em São Paulo.
O Poeta Augusto tinha acabado de acordar e saiu para uma pequena caminhada, cheio de alegria, conforme testemunhas, e começou a sorrir para todos que estavam em sentido contrário, literalmente, Foi aí que foi abordado por uma viatura que fazia ronda no local.
Antes de fugir trocou olhares sem maldades com a tropa do mal-humor e saiu em disparada pela Rua Esperança. Depois da perseguição com troca de insultos, não por parte do poeta, ele foi preso em flagrante, ainda com duas ou três risadas que iria usar mais tarde.
Ao ser interrogado Augusto não entregou quem lhe havia fornecido a alegria, e ainda revelou, de forma risonha e irônica, que ele era o dono da boca.
O mal-humor confirmou sua prisão temporária por 30 dias, e que no final da tarde o poeta será transferido para o presídio de solidão máxima, enquanto aguarda o julgamento.
O Secretário Geral das mesquinharias, Coronel José Bicudo Guerra, 98, informou em entrevista coletiva que o governo vai investir pesado na luta contra o bom-humor, e que dentro de dois ou três anos vai erradicar a alegria do país.

Da redação: Pessoinha da Cruz

NELSON MAKA - BLACKITUDE/COOPERIFA - BA

Pelos pés

nelson maca - livro Salve o Rei



A minha consciência penetrou pelos pés



Nada de jaquetas ou bermudas e camisetas


Andando sarjetas ruas canaletas
A minha consciência penetrou pelos pés



Nada de fusquetas ou monarques e monaretas


Pulando muretas muros valetas
A minha consciência penetrou pelos pés



Nada de beretas e nem revólver de espoleta


Pisando cruzetas espinhos rosetas
A minha consciência penetrou pelos pés



Nada de vinhetas ou harmonias e operetas


Rasgando carne dura furando pele preta
A minha consciência penetrou pelos pés!



Nada de marretas pás espetos picaretas


Chutando caretas burros bestas
A minha consciência penetrou pelos pés





Recado para o Maka:"Maka, Zidane está em São Paulo, acredita?"

Saturday, March 15, 2008

LÚCIA HELENA LEVA CARTOLA PARA A COOPERIFA

Povo lindo, povo inteligente,
o show da Lúcia Helena "Cartola, meu amor" na Cooperifa foi um tremendo sucesso. O bar lotou para ouvir a divina interpretar os clásicos do poeta da Mangueira.
Vocês nem imaginam a cena, se liguem: Sábado, 16hs, na periferia da zona sul de São Paulo, num boteco (o melhor boteco de Sampa), frio, o bar cheio de gente para ouvir o melhor da MPB, e o que é melhor, MPB de qualidade, gente bacana, poetas e convidados, a tarde foi inesquecível! Deu pra sacar?
Se já não bastasse a voz maravilhosa de Lúcia Helena, ela ainda veio acompanhada de três craques:Bráu Mendonça, Bruno Sotil e Tato Fischer. Tinha como perder o jogo?
Num certo momento parecia que a Mangueira tinha baixado no Bar do Zé Batidão:"A sorrir, eu vou levando a vida..."
Estamos pensando numa outras atrações para os nossos sábados com feijoada.
Valeu divina! Valeu Cooperifa! Valeu todo mundo!
Lúcia Helena, Cartola, Mangueira, Cooperifa:É tudo nosso!
A Periferia está cada dia mais poética. Que venha Lupicínio Rodrigues, Noel, Martinho, e mais...
Valeu,

Sérgio Vaz
Passista da Cooperifa

Lúcia Helena
Se liga

O Time

Baixou Mangueira

CONTOS CELULARES - BAR ADENTRO - SÉRGIO VAZ

BAR ADENTRO - SÉRGIO VAZ

-Alô.
-Alô
-É você?
-Sim sou eu, é você poeta?
-Pode crer.
-Que bom que você ligou.
-Pois é, demorei um pouco, estava meio sem ter o que falar.
-Que tempos vivemos nós, falta palavra na boca dos poetas.
-Bom, falta as palavras certas.
-Então me diz as erradas, gosto mesmo de palavras tortas.
-Puxa, que coincidência, a última vez que nos falamos, também foi uma despedida.

-Faz parte. Lembra do poema do Neruda?:"...foi meu destino amar e despedir."

-Linda, andam dizendo por aí que você desistiu de nós.
-Não meu poeta, desisti de mim.
Uma dor do tamanho de uma agulha de costurar botões de camisa entra no meu coração.
-Desiste não. Tem muito de nós com você, se você desistir...
-Viver dói.
-Não viver também.
-Quero ver pra crer.
-Espera então.
-Tenho pressa.
-Puxa, logo você que tem os pés de boneca, com pressa?
-Enquanto a vida doía no silêncio dos teus olhos, eu aprendi a voar.
-me ensina voar, depois você vai.
-Não dá, voar leva muito tempo pra aprender.
-Você sabe voar e depois eu que sou o poeta?
-Os poetas que nos alugam as asas, sabia não?
-Dessa não.
-Poetas não sabem de nada.
-Sei fazer ovo cozido.
-ha, ha, ha, ha, ha, ha.
-ha, ha, ha, ha, ha, ha.
Faz tempo que a gente não ría juntos. Por isso, rimos mais um pouco.
-ha, ha, ha, ha.
-ha, ha, ha, ha.
Mais um pouco.
-ha, ha.
-ha, ha.
-Sabe de uma coisa poeta?
-Não.
-você é um palhaço.
-Obrigado, mas é você quem sabe rir como ninguém. Outra coisa, quando você for quem vai rir comigo?
-A vida.
-Mas você falou que a vida não tem graça.
-Falei que a minha não tem.
-Não é verdade, você sabe disso.
Silêncio. Silêncio. respiração.
-Poeta, sabe do que eu mais me lembro ao seu lado?
-O quê?
-Os bares.
-Quantos, hein?
-Nossa história tem gosto de cerveja...
-Gelada.
-...E de cigarro. Meu câncer.

-Não, teu escorpião.

-Então você vai mesmo?
-Sim, eu vou mesmo.
-Teus filhos já sabem?

-Desconfiam.

-E Carlos?

-Está tão fraco como eu.

-Os remédios?

-Chega.

-Estou com vontade de chorar.
-Não, não há mais porque chorar.
-Se pudesse, iria até aí de dar um beijo, um abraço, sei lá.
-É tarde, Londres faz muito frio.
-Então vai se foder.
-Vai você.
-Vamos juntos?
-Já te disse, é tarde.
-Estou começando a achar que é tarde mesmo.
-É o que eu estou tentando dizer.
-Queria te agradecer.
-Pelo quê?
-Pelo tempo, apesar de pouco. Por ter me amado. Por ter me deixado te amar.
-Um dia, numa outra hora, num outro lugar, quem sabe?
-Mas se já estamos aqui, o quê custa?
-Já te disse...
-Então até breve.
-Adeus.
-Beija os amigos por mim.
-Só os que perguntarem por você.
-Não seja egoísta.
-Então não vá.
-Adeus.
-Tchau.

A câmera se volta para Linda e vai com tudo sobre os seus olhos, mas ela a encara, e não chora. Segura o telefone e sorri para ele, o celular, depois o desliga, com um riso pequeno nos lábios. Está só no quarto. Carlos preferiu não ouvir a conversa dos dois pelo celular.

Do outro lado da linha o poeta chora e ri ao mesmo tempo. Suspira. Caminha lentamente pela calçada da praça.
No fundo do quarto enquanto a câmera ainda gira à procura de dramaticidade, o som de Cartola invade a cena: "ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida...".
Peu, do arte na periferia grita: Corta!
Todos se abraçam no set de filmagem.


Peu, o diretor, pega o celular e liga para a filha.
-Alô.
-Pai?
-Sou eu. Liguei para dizer que acabou.
-Não vejo a hora de ver.

-Em breve, nos cinemas.

Tentou ser engraçado.

-Pai.

-Sim?

-Doeu o filme?

-Não, dói a saudade.

-Mamãe iria gostar.

-Sua mãe não gostava dos meus filmes. Gostava de mim.

-Vem pra casa.

-Daqui a pouco.

-Beijo.

-Tchau lindinha.

Na tela aparece FIM.

Entre os caractéres aparece o agradecimento a Linda, mulher do Peu.





QUEM NÂO VIU ?

VÍDEO-POEMA: PORÉM.

Friday, March 14, 2008

SARAU DA COOPERIFA APRESENTA: SHOW COM LÚCIA HELENA "CARTOLA, MEU AMOR!"

Povo lindo, povo inteligente,
amanhã quem estiver afim de almoçar com a gente uma delíciosa feijoada no Bar do Zé Batidão, vai ter a oportunidade de ouvir uma das melhores vozes da MPB, LÚCIA HELENA, e de quebra ganhar de presente o seu show, grátis, CARTOLA, MEU AMOR!
Ela deu este show de presente para a Cooperifa e a Cooperifa vai dividir com todos vocês.
Vamos almoçar juntos, eu, você, nós, ao som de do Mestre CARTOLA, na voz da maravilhosa LÚCIA HELENA, no coraçao doce da nossa quebrada?
Vou levar minha caixa de fósforo, quem sabe falta algum músico dela, né não?
Ah!, antes que eu me esqueça: "tive sim, outro grande amor antes do seu...".
Um discurso na mão, a prática na outra.
abs.
Sérgio Vaz

Lúcia Helena, a maravilhosa

Dona de uma voz que, segundo o também jornalista e crítico musical Mauro Dias, "é de um contralto raríssimo em mulheres, de densidade, potência, emoção e afinação absurdas", Lucia Helena Corrêa leva o show "Cartola, meu amor" à Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), “paraíso da poesia, lugar de gente feita da mesma massa que eu”, segundo define a própria a intérprete. O show que, em maio do ano passado, emocionou a família do compositor, no Centro cultural Cartola, está virando DVD com lançamento previsto para outubro, mês em que se comemorará o centenário do compositor. Sob a direção geral de Tato Fischer (teclado) e musical de Bráu Mendonça, "Cartola , meu amor" resgata 16 das mais belas canções do "poeta maior do samba", segundo definição da própria intérprete. Entre elas, as três pelas quais o próprio Cartola sempre disse desejar ser lembrado: "As rosas não falam", "Acontece" e "O inverno do meu tempo".
"Cartola, meu amor" é um show já depurado em treze apresentações, uma delas, em maio do ano passado, no Centro Cultural Cartola, onde a cantora se apresentou a convite da família do compositor. Tetraneta de Joaquim Antônio da Silva Callado, o "pai" do chorinho, Lucia Helena Corrêa (no release enviado pela produção veio LHC) conta que sempre teve uma estreita e atávica relação com a música. Mas, jornalista há 38 anos e sem planos de se aposentar, depois de trabalhar em quase todos os grandes veículos da imprensa escrita do eixo Rio—São Paulo, somente há três anos ela decidiu se entregar à arte de compor e cantar. Eclética, quanto à escolha dos gêneros, ela se confessa, porém, "descaradamente romântica". A preferência é pela produção de compositores independentes. Mas reserva espaço, também, para os grandes clássicos da MPB. Entre eles, Cartola.
SERVIÇO
Show: Cartola, meu amor
Voz: Lucia Helena Corrêa
Músicos: Bráu Mendonça (violão), Bruno Sotil (percussão) e Tato Fischer (teclados)
Dia: 15 de março
Horário: 13 horas
Onde: Cooperifa/Bar do Zé Batidão (Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Piraporinha, São Paulo)
Reservas: 011-5891-7403
SEM COUVERT


Wednesday, March 12, 2008

CONTOS CELULARES - Rélou my friend - Sérgio Vaz

Alessandro Buzo
Rélou my friend - Sérgio Vaz
*Texto com legendas em português

Sempre falo ao telefone como Alessandro Buzo,e para quem não o conhece, se é quem tem alguém que não o conhece , ele é escritor e um dos maiores agitadores culturais que conheço. Ele mora do Itaim Paulista, zona leste de São Paulo.
Quando eu não ligo é ele quem liga. Fala bem pouquinho a criança, sei.
O bom de conversar com ele é que a gente ri pra caramba.
Outra característica do Buzo é o amor que ele tem pela família. Vixe, chega a encher o saco. É Marilda pra cá, é Evandro pra lá. Coisa bonita de ver.
É justamente sobre isso que eu queria falar, sobre amar a família. Pô, fiquei super emocionado quando ele me ligou para gente trocar umas idéias e disse que estava fazendo aulas de inglês junto com o seu filho de 8 anos. Fiquei muito emocionado mesmo.
Já pensou na fita, Estudar junto com o seu filho?. Congratulations Alessandro Buzo.
Ganhei o dia com essa notícia, deu vontade de estudar a língua afegã com a minha filha, só para não ficar atrás.
Bom, fiquei pensando numa história engraçada para escrever, não sobre ele estudar com o Evandro, porque isso, além de ser muito bonito, é também uma coisa muito séria, a informação. Da escola, da rua, se possível das duas juntas.
Quer acreditem ou não, a escola ainda é o lugar mais seguro para passar a infância e a adolescência. E os professores ainda são os responsáveis pelos nossos futuros, quer os governos acreditem ou não. Mas enfim...
Ligo para o Buzo um ano depois dele entrar na escola de Ingês.
-Alô.
Eu ligando para o Buzo.
-Hello.
Legenda: alô.
Responde o Buzo com um sotaque de Lorde ingês.
-Rélou? Digo eu espantado com o sotaque do vagabundo.
-Yes, é o Vazgabundo?
Legenda: sim, é o vagabundo.
-Sumemo.
Legenda: isso mesmo
-E aí my friend, firmeza full?
Legenda: e aí meu amigo, firmeza total?
-O meu, tá ficando besta, fala direito comigo.
- Pô, desculpaí, é o hábito, Está tudo bem?
-Comigo está, mas eu estou ligando para dar um salve, saber como anda as coisas, faz tempo que você não liga, e tal.
-One Thousands fitas! Crazy life meu caro poeta, crazy life.
Legenda: mil fitas! Vida Loka meu caro poeta, vida loka
-Que diabos é creizilaife? Como andam os livros?
-My books ? The train está vendendo bem, the Warrior, more or lass, e assim vai indo.
Legenda: Meus livros? O Trem está vendendo bem, O Guerreira, mais ou menos, e assim vai indo.
Enquanto ele fala é possível ouvir o Evandro gritando ao seu lado.
- Dead, dead, dead, i need money to go to school.
Legenda: Papai, papai, papai, eu preciso de dinheiro para ir para a escola.
O buzo se volta pra mim e diz.
-Vaz, a moment please.
Legenda: Vaz, um momento por favor.
Acho que ele interrompeu a conversa para dar alguns doláres para o menino.
-Buzo, mano você está ocupado, uma outra hora eu te ligo.
-Ei Vaz, que nada brother, no problem, diz aí.
Legenda: ei vaz, que nada irmão, sem problemas, diz aí.
-Também era só isso, só para saber se está tudo bem.
-All rigth, all rigth. E a Cooperifa?
Legenda: tudo certo, tudo certo. E a Cooperifa?
-Mano, está daquele jeito, sempre na correria, a poesia está a mil.
-Preciso passar lá para tomar umas beers no Joseph Big beat.
Legenda: Preciso passar lá para tomar umas cervejas no José Batidão.
-Mano, você está fino demais, seu inglês está impecável.
-Você não fala inglês, como é que você sabe que está impecável?
-É que eu não entendi nada. Ha ha ha ha.
Ele também ri, em português.
-Ha ha ha ha.
-Buzo, passa lá em casa neste fim de semana.
-Neste Weekend ? Impossible, vou pra long beach.
Legenda:Neste final de semana? Impossível, vou para praia grande.
-Quem sabe um outro dia, né não?
-Yes, dear poet, tomorrow é outro day.
Legenda: Sim, querido poeta, amanhã é outro dia.
-Mano, trombei o Zé ruela na quebrada e ele anda falando que se está maior metido a lorde inglês.
-Fuck off him and is family.
Legenda: foda-se ele e a familia.
-Pô, mano, vocês não eram amigos?
-Não. Never fui amigo daquele motherfucker.
Legenda: Nunca fui amigo daquele filho da puta.
-Bom, então deixa pra lá, nem quero me meter.
-It´s really good , is very good.
Legenda: isso é bom, é muito bom.
-E aí, está lendo alguma coisa?
-Só o Michaelis.
Legenda: Dicionário de inglês.
-Esse cara deve ser bom, nunca li nada dele.
Ele deu uma risadinha em inglês, rindo da minha ignorância. Rir em inglês é fácil, coloque a mão em frente à sua boca e não sorria, apenas mexa os ombros para cima e para baixo.
-Buzo, até uma outra hora.
-Good bye my friend vazgabundo.
Legenda: Até logo meu amigo vazgabundo.
Quando eu estava quase desligando escuto o Buzo me chamando ao telefone.
-Vaz, Vaz.
-Sim mano, o quê foi?
- Take care the estreets are dangerous.
Legenda:Cuidado, as ruas estão muito perigosas.
-Obrigado.
-God Bless you. .
Legenda: Deus abençoe você.
Fiquei ainda com o telefone no ouvido e deu tempo de ouvir ele falando com a Marilda.
-Nossa, como o Vaz tá estranho, não entendi quase nada do que ele falou.

Um ano depois, ligo novamente para o buzo.

-Buzo?
-Si, quem hablas?

ENCONTRO LITERÁRIO NO ITAIM PAULISTA

Tuesday, March 11, 2008

CONTOS CELULARES - QUEM É ?

QUEM É ? - SÉRGIO VAZ


Onze horas da noite o celular toca, e pra variar não consigo identificar de que é o número do outro lado da linha. Interrompo o que eu estava escrevendo no computador e começa meu momento Kafkaniano da semana:
-Alô. Alguém diz.
-Alo? Digo eu.
-Alô. Diz novamente.
-Pois não, quem é?
-Tá lembrado não?
-Não. É fulano?
-Não.
-Então quem é?
-Lembra não?
-No momento...
-Nos trocamos umas idéias lá no centro uma mão.
-Onde?
-No show.
-Que show? Da Sé?
-Lembra não?
-Mano dá uma luz, porque eu não lembro...
-Óia só.
-óia só o quê?
-Óia só que deselegância.
-Mano, não se trata de deselegância,eu só não lembro, mas se você me falar seu nome, talvez fica mais fácil.
A minha paciência estava indo embora.
-É, talvez fica mais fácil.
Disse ironicamente.
-Quem é? Porra, tá de brincadeira, é fulano?
-Carái mano, nem se lembra mais dos irmão?
-Desculpa, mas não estou lembrando, mas diz aí você.
Ele faz um pouco de silêncio.
-ÓÓÓia.
-Óia o quê porra?
-Certo.
-Certo o quê caralho??
-Se altera não irmão, só liguei pra dá um salve.
-Firmeza, irmão o salve está dado.
-Na moral, mó decepção.
-Mano vou desligar, uma hora em que você descobrir quem você é, você me liga.
-Vou rasgar o livro que comprei na sua mão.
-Mano obrigado por comprar meu livro, mas livro não se rasga, Diz quem você é, e já é.
-Se alembra não?
-Não, é isso que eu estou tentando te dizer, eu não lembro. Gostaria de lembrar, mas eu não lembro. Infelizmente, pra mim, eu não lembro.
Falei babando.
-Sumemo, tá com a memória fraca.
-Mano, é o seguinte, liga uma outra hora.
-Tá bom, só liguei, porque quando a gente se trombou você pediu pra ligar.
-Legal, mas a gente já podia estar trocando umas idéias se você tivesse falado quem você é.
-Tô ligado como é que é.
-Como assim tá ligado como é que é?
-Essas fita.
-Quê fita?
-De não lembrar dos irmão.
-Vai começar de novo?
-Que nada, tá limpo, vou desligar.
-Tá bom.
-Falou Ferréz.
-??????????????

Sunday, March 09, 2008

UMA CANÇÃO TRISTE PARA O MEU AMIGO MESSIAS PRETO


Messias preto, vivão e fortão nas calçadas do Jd. Guarujá


Canção da dor e do esquecimento - Sérgio Vaz

P/ Messias preto


Ouço um som que vem das montanhas
mas onde eu moro não tem montanhas
vejo uma luz que caminha sobre o mar
mas eu não tenho olhos nem tenho mar

sinto o cheiro da chuva que cai na terra
mas eu não tenho terra pra chuva cair
os pássaros não sabem meu nome
as rosas que eu conheço não tem sobrenome
um coração soa dentro feito um tambor
mas ele não canta, porque mal cabe o amor

Eu digo ao vento que sopre a vida
eu peço ao tempo que seque as feridas
Eu digo ao vento que sopre a vida
eu peço ao tempo que seque as feridas

uma noite inteira se abate sobre o meu ombro
mas eu não tenho força pra segurar a madrugada
desenhei a lápis um futuro nos escombros
o sangue vermelho da aquarela escorre na calçada

bom dia eu digo a todos que me cercam
e todos que me cercam não acreditam
com sorrisos esquálidos me espetam
e com a boca suja me vomitam
sou um homem triste que escorre na calçada.

Eu digo ao vento que sopre a vida
eu peço ao tempo que seque as feridas
Eu digo ao vento que sopre a vida
eu peço ao tempo que seque as feridas

CONTOS CELULARES





Povo lindo, povo inteligente,

de vez em quando vou lançar aqui no blog uma coleçao de contos e micro-contos que estou preparando para o meu próximo livro, que ainda não tem nome, que vai ter artigos, crônicas e é claro, poesias inéditas.
Contos celulares faz parte desta série, é um pouco de realidade e ficção, e um pouco do realmente a gente ouve no celular e o que a gente também fala. Desde críticas e elogios a convites e xingamentos. É cada coisa...
O Celular é quase uma pessoa que a gente carrega no bolso, só que é tipo um relógio, atrasa, mas vezes adianta.
Não se trata de revelar o conteúdo de conversas com amigos, inimigos e estranhos, mas sugar do cotidano a vitamina do trabalho árduo e prazeroso que é escrever e revelar o lado engraçado e as situações embaraçosas desse nosso amigo cheio de teclas e chiado.
Como ainda estou aprendendo a ler e escrever, qualquer ferramenta é imprescindível, para o meu processo de alfabetização.

Para ler os textos tecle 1. Para não ler tecle 2. Se quiser falar pessoalmente comigo cola lá no bar do Zé Batidão.

Na sintonia,

Sérgio Vaz

Boi na linha – Sérgio Vaz


Toca o celular e não consigo identificar o número que chama.
-E aí, Mano você que é o poeta Sérgio Vaz?
-Sou, por quê, você é das Casas Bahia?
O fulano deu uma espécie de risadinha, já na intenção de uma intimidade. Nem perguntou se eu podia falar naquele momento. Deve ter pensado que como eu sou da periferia não tenho nada o que fazer.
-Não cara, “he he”, acompanho um pouco seu trabalho e já li alguns textos seus, mas é que esses dias eu li um artigo “A cor desta cidade, sou eu?”, e queria te perguntar se foi você quem escreveu?
-Então pergunta.
-He, he. Foi você quem escreveu ?
-É, pode ser, por quê ?
-É que eu li, e até que eu achei legal, mas não entendi aquela coisa que você põe a culpa de tudo de ruim no carnaval baiano e no Brasil na elite branca. Sei lá, é que eu também sou branco e me senti um pouco meio assim, porque eu corro lada a lado com a perifa, e tal. No seu blog também a coisa rola assim também...
-E aí?
-Não sei. Tipo, sei lá, é que me parece que o discurso de vocês vai sempre pelo mesmo caminho, menos literatura e mais rancor, e tal. Será que não está na hora de vocês proporem mais soluções do que expor os problemas?
-Onde você mora?
-Ali, perto da represa do Guarapiranga.
-Sei.
-Não sei, só queria saber se também não é muito ser sempre a vítima.
-sei. Como é seu nome mesmo?
-Alfredo.
-Quem te passou meu telefone?
-Foi um amigo seu.
-Não, um amigo meu não passaria o meu telefone pra você.
-Desculpaí, não sou jornalista, só fiquei um pouco incomodado com o texto, acho que não leva a nada o preconceito no Brasil?
-Do preto contra o branco?
-Dos dois.
-Mano, não sei exatamente o que te incomoda quando se diz que a responsabilidade da elite branca quanto à desigualdade no país. Argumentei, meio sem estar a fim de levar a conversa adiante.
-Sim, eu sei, mas...
-Mano, agora deixa eu falar!
-Sim, claro.
-O fato de ser branco não te torna membro da elite branca. Nem você e nem muita gente que se incomoda com isso. Você pode até ser racista, fascista, ultradireitista, leitor da revista Veja e o caralho a quatro, que mesmo assim você não é da elite branca.
-É, mas no texto você não dá nome aos bois.
-É, e por isso você achou que eu falava com você?
-Não claro, mas é que...
-Mano, na moral, eu não sei quem é da elite branca, só sei porque e como ela age. E outra coisa que eu sei, é que você não faz parte da elite branca. Simpatizar com uma causa não te torna parte dela.
-Não mano, nem pensar eu fecho com o socialismo. Sou ativista e tal, conheço o fulano sicrano (citou alguns nomes da resistência), pode perguntar, que comigo não rola nada disso não. É que, como eu disse, acho tudo meio igual o que vocês escrevem.
-Eu também. Disse a fim de encerrar o papo estranho com um estranho.
-Eu também o quê?
-Eu também acho tudo igual. Afirmei.
-Você também acha tudo igual, o que vocês escrevem?
-Não, vocês que nos lêem é que são todos iguais.



II PARTE

- Ô desculpaí, é que a linha caiu.
- Não, a linha não caiu, foi eu que desliguei.

Saturday, March 08, 2008

Elizandra, Guerreira da Cooperifa

Povo lindo, povo inteligente,

Se já não bastasse toda magia da noite de quarta-feira no sarau da Cooperifa em homenagem às mulheres, ainda tivemos a visita surpresa da guerreira Elizandra, que recentemente sofreu um acidente e ficou ausente por algumas semanas.

Seja sempre bem-vinda guerreira.

abs.

Sérgio Vaz




Favela, Mulher! ELIZANDRA


Favela, mulher corajosa!
Nem criança, nem idosa
Nas mãos flores e lanças
No olhar constante esperança.

Favela, mulher maravilhosa!
Nem arrogante, nem orgulhosa
Muitas vezes parceira na dança
Outras solitária nas andanças.

Nas escadarias de tua geografia
Correndo feito menina
Seu sorriso espada que desafia.

No coração passou parafina
Abraça o caráter que não desfia
Já a face encharcou de purpurina.

Augusto, POETA DA COOPERIFA




AUGUSTO

Que deleite!
Protesto na M´Boi Mirim.
Maluco descendo
a milhão de skate.

Guarapiranga parada,
(calor do caralho)
a cena tomada...

Fogo no cruzamento.
Policia e povo
muito perto
fica tenso

Já que t´amo no assunto,
aproveito pra gritar junto:
"Chega de engarrafamento!"
"Chega de buso lotado!"
"Chega de humilhação
e esse Kassab é um cuzão!"
Barricada pra todo lado.

Dêmoro de acontecer.
O povo tem que entender.

Muita gente não foi trabalhar
e o patrão vai ter que escutar:
"Foi por causa do protesto!"

Sei que não presto;
mas a parcimónia do povo
é coisa que muito detesto.

E já que só moto ta passando,
vô fazê como aquele tiozinho
que com o menino ta conversando;
vou sentando
e bolando a "crônicasia"
que esta se apresentando.

E sempre deixando
uma idéia pr´os mais novos:
"Não dá pra fazer omelete
sem querer quebrar alguns ovos."

Friday, March 07, 2008

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES - ARTIGO DO JORNAL "O POVO"

É POUCO, MAS É DE CORAÇÃO!


Raquel Trindade, uma das mulheres mais guerreiras deste país



DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES - SÉRGIO VAZ

Ninguém sabe ao certo quando e como surgiu a data em que se comemora o dia Internacional das Mulheres.
Um dos seus maiores mitos é a versão capitalista americana em que diz sobre a morte de 129 costureiras queimadas vivas em Nova York no ano de 1857, originando e ratificando assim, o dia 8 de março como data comemorativa do dia mundial das mulheres.
Mas uma breve pesquisa pode revelar que a história não foi bem assim, e que pode ser apenas “mais um besteirol americano” (vale pesquisar).
O Fato não invalida a luta das mulheres em busca da igualdade ao longo da história da humanidade. Nem suas personagens, suas heroínas, seus feitos, suas derrotas e suas glórias, mas é que a verdade combina muito melhor com a história feminina. Poderia citar milhares de nomes dessas infantes, e ainda assim não estaria cometendo justiça.
Eu particularmente acho que tirando a beleza, a força, a cultura e o caráter, as mulheres e os homens são iguais. Apesar de não imaginar a Camila Pitanga de bigode e o Ronaldinho Gaúcho matando a bola nos seios.
Fisicamente, está bom do jeito que está. Mas espiritualmente... está muito longe do ideal.
Aqui no Brasil foi preciso a Lei “Maria da Penha” (nº11340 de agosto de 2006), que conforme o que está escrito, cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, para conter a fúria assassina do sistema machista que impera na sociedade brasileira.
Avança o direito feminino, num país, em que há lugares que um simples apito pode salvar a vida de uma mulher.
De olho em tudo isso, nesta quarta-feira no dia 5 de março de 2008, Sob uma lua linda e propícia ao perdão, aconteceu uma das noites mais lindas da periferia de São Paulo, e no centro do coração de muita gente: o ajoelhaço no Sarau da Cooperifa. Uma noite de poesia e perdão.
Como já é tradição sempre nesta época do dia internacional das mulheres, os poetas promovem um sarau dedicado às guerreiras presentes, e, mais ou menos uma dez e meia, o recital é interrompido para que os poetas e presentes venham à frente, e de joelhos peçam perdão por tudo de ruim e covarde que nos já proporcionamos a elas, ao longo da nossa existência. Uma noite linda!
Para se ter uma idéia, tinham mais ou menos umas quatrocentas pessoas nesta quarta-feira, mais de cem mulheres, e todas gritando ao mesmo tempo: AJOELHA ! AJOELHA ! AJOELHA!
Ajoelhamos.
Muitos de nós poderíamos passar a vida inteira ali, ajoelhado, em busca do perdão, que não seríamos perdoados. E por tudo... e por todos.
O mais importante é que nós estávamos ali, de joelhos, uns por diversão, outros por oração, aprendendo com a dor alheia, o peso de nossas mãos.
Lógico que não será isso que vai mudar a condição feminina, e nem vai apagar todas as injustiças e os crimes cometidos pelos homens, longe disso, mas é tratar a nossa mente e o coração machista da quebrada, e não só com palavras, com atitudes.
Pois às vezes pequenos gestos que acolhem a sutileza, revelam ensinamentos profundos.
Um discurso na mão e a prática na outra. Sem maquiagem.
Encarar o problema de frente já é um grande aprendizado. Humildade é muito mais do que uma palavra, é um sentimento.
Se por acaso vão presentear alguma mulher com buquê de rosas, vejam se não deixaram nenhuma violeta estampada no rosto dela.
Nunca esqueçam: “...espinhos e pétalas fazem parte da primavera.”

Thursday, March 06, 2008

VÍDEO DO AJOELHAÇO NA COOPERIFA

Povo lindo, povo inteligente,

Eis a prova.

abs.

sérgio vaz




Produção: Roquenrou filmese Edição de Gustavo Gonçalves

SARAU DA POESIA E DO PERDÃO

Povo lindo, povo inteligente,
Sob uma lua linda e propícia ao perdão, ontem aconteceu uma das noites mais lindas da periferia. Umas quatrocentas pessoas participaram da noite da poesia e do perdão no sarau da Cooperifa.
Não há palavras que possam definir esta noite de aprendizado e humildade.
Ouça o pedido das guerreiras: "AJOELHA! AJOELHA! AJOELHA!"
Foi muito louco, pois o primeiro ajoelhaço muitos não queriam ajoelhar, mas ontem a adesão foi geral. Progresso!
Ah, essas nossas guerreiras... Tão fortes, tão maravilhosas! Que noite!
O quê isso quer dizer? Estamos aprendendo exercitando, não só com palavras, mas com atitudes que realmente fazem a adiferença.
Lógico que é não será isso que vai mudar a condição da mulher neste mundo machista e desigual, nem tampouco impedir que a Lei Maria da Penha seja aplicada - nem sempre!- em cafajestes e assassinos, mas é preciso trabalhar a mente dos homens da quebrada.
Temos muito que aprender em relação a isso, mas estamos encarando o problema de frente, pois neste pequeno gesto de sutileza, tem ensinamentos profundos no coração da rapaziada.
Que os outros julguem, não temos tempo pra isso.
É isso aí, um discurso na mão e a prática na outra.
Parabéns aos homens que se ajoelharam, humildade é uma atitude muito difícil.
Humildade não é uma palavra, é um sentimento.
Sem perdão aos covardes,
de joelhos,
Sérgio Vaz

COOPERIFA : QUILOMBO CULTURAL