

Povo lindo, povo inteligente,
ontem fomos fazer uma sarau na escola Pracinhas da FEB que fica na região do parque Guarapiranga, zona sul da periferia de São Paulo. Mais uma vez os poetas da Cooperifa foram contribuir, poéticamente falando, com a comunidade escolar. Estamos envolvidos até os ossos com os alunos e professores das escolas públicas da quebrada, abandonadas pelo estado.
Já falei e torno a repetir: os professores são meus heróis. Até os sem-compromissos tem o meu respeito.
Tem idiota que acha que o ensino é ruim por culpa do professor. É culpa do estado!!! Alguém por acaso lembra o nome do governador desta porra? São Paulo parece que não tem governador.
Raciociona comigo: se a segurança pública é ruim por causa do crime e da polícia, se saúde é ruim por causa da recepcionista do posto ou a atendente de enfermagem, e se a educação é ruim por causa do professor e do aluno que não quer "estudar", qual é a responsabilidade do governador? Então o que ele governa? Será por isso o desgoverno?
Estou de saco cheio de discurso revolucionário e prática reacionária.
Hoje na periferia, apesar de boas notícias, o que mais tem é capitão-do-mato disfarçado de Zumbi e capitalista selvagem disfarçado de cordeiro socialista. Discurso é foda.
Acredito que só há dois tipos de pessoas: a que presta e a que não.
A Cooperifa que sempre foi terra de oportunidades, mas agora também esta virando terreno fértil para oportunistas. Isso vai continuar? Não!
É guerra contra esses filhos da puta!!!!!!!! Quem quiser dinheiro que vá trabalhar!!!
A Cooperifa não tem grupo de teatro.
Não tem editora.
Não tem revista.
Não tem jornal.
Não tem site.
Não tem produtora de cinema.
Não tem companhia de teatro.
Não tem grupo de dança.
Não tem selo de música.
Não tem apoio do VAI (projeto da prefeitura de São Paulo). Do PAC, do pato, ou do caralho a quatro. Nada contra. Só não tem. E agora a gente já sabe porque.
Nunca autorizou ninguém a fazer projeto em seu nome.
Não tem sede (se reúne num bar).
Tem amigos.
Tem pouquíssimos, mais fiéis, parceiros.
Tem inimigos.
Não é ponto de cultura (não sei porque). Nada contra também. Quem sabe?
Não faz vaquinha para fazer eventos. Não cobra dízimo nem mensalidades.
Paga impostos, apesar de...
Paga suas contas em dia (tem um escritório de contabilidade que há dois anos recebe sem fazer nada).
Realiza o sarau há sete anos, toda quarta-feira, com seus próprios recursos.
A Cooperifa incentiva a literatura (ler) e a criação poética (escrever). Só.
A Cooperifa não quer tirar os jovens da rua e sim colocá-los na universidade.
É arrogante, acha que é o centro do bagulho.
É um projeto COLETIVO feito para as pessoas da quebrada e do entorno, quem pensa o contrário frequenta o lugar errado.
Realiza um prêmio onde ninguém precisa pagar para ser premiado, por isso, premia quem quiser. Na hora que quiser.
Realiza o "poesia no ar" e enche o céu de poesia e paga do próprio bolso a bixiga e gás hélio.
Não mete o bedelho no sarau de ninguém. Nem tem contrato de exclusividade com poeta algum.
Não se intromete nos projetos culturais de ninguém. Cada um que faça o que quiser.
Não tem assessoria de imprensa, nem assessor de porra nenhuma.
Como a Cooperifa não tem dinheiro, não tem máquina de fotografia, Filmadora, projetor, computador, telefone, lap top, telefone, Tv, rádio, e outros acessórios importantes para a pratica cultural.
O Patrimônio da Cooperifa são as pessoas, homens e mulheres, jovens e adultos.
Nossa inspiração é a rua, os becos e as vielas.
Cooperifa não é uma sigla, é um sentimento, muitos que estão, não são, entendeu?
O Sarau da Cooperifa é um negócio chato, são duas horas de poesias, não aconselhamos ninguém a ir, mas se for, vai ter que fazer silêncio.
Não importa o tamanho do poeta, a poesia tem que ser pequena para dar tempo que todos possam falar. Por isso, todos os outros saraus são melhores que o da Cooperifa.
No sarau da Cooperifa, a poesia é soberana, as outras artes são apenas nossas convidadas.
O Sarau da Cooperifa é um lugar para que todas possam comungar a palavra, a amizade e à Harmonia. Mas se precisar a gente chama no rôdo.
Muitos dos que falam mal estão corretos, mas há os ingratos.
No sarau todos são bem-vindos, de todos os lugares, é coisa de preto, mas é também de todas as cores, de todos os cantares, e se faltar com o respeito a gente manda pra a puta que o pariu.
Lá tem gente que acredita em deus e tem gente que não, mas ninguém duvida do milagre.
A Cooperifa tem um sorriso no rosto, mas não paga simpatia. É de paz, mas não foge da guerra.
Por conta dos oportunistas e dos papa-verbas parasitas que nos espreitam, abolimos a palavra "é tudo nosso" da ordem do dia. É que o "nosso" estava indo para o bolso deles.
Se era guerra que esses vermes queriam, conseguiram, estamos reunindo nosso exército, municiando nossas armas, vamos até o final, doa a quem doer.
Vamos separar as meninas das mulheres, os meninos dos homens, o trigo do joio, a carne da carniça.
Vamos ficar somente com o que sobrar, e se precisar a gente começa tudo de novo. Até porque sofrimento nunca foi novidade pra gente.
" A Periferia nos une pela dor, pela cor e pelo amor".
Sé é com nóis vem nóis, se não, sai da frente.
Abraços para os amigos. É só.
COOPERIFA