Saturday, January 31, 2009

TABOÃO DA SERRA - 50 ANOS (Jd. Pazzini)

Tio Fresh (SP Funk), Eu, Aladim e Tio Carlinhos
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Povo lindo, povo inteligente,
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Taboão da Serra, minha quebrada, vai completar 50 anos no dia 19 de fevereiro, e quero falar um pouco deste lugar, que assim como a Piraporinha (zona Sul), eu escolhi para amar.
Não quero fazer nada jornalístico, nem tenho competência pra isso, nada desse papo de data, nomes, personalidades do passado, mas só uma pequena pincelada sobre as pessoas e lugares que eu curto estar, quando estou de gozolândia.
Nesta quebrada mora várias pessoas interessantes e conhecidas, aqui é a quebrada do Záfrica Brasil, Paulo Brown, Tio Fresh (SP Funk), Zagati (Mini-Cine Tupy), Pelézinho (Art Popular), SAMPRAZER, Big Richards, Sabedoria de Vida, Banda Varal, Luance, e mais uma pá de gente que agora me foge o nome, mas que ao longo dos dias vou citá-las no colecionador de pedras.
É isso. Uma pequena homenagem a estas pessoas e lugares em que é comum me encontrar, quando não quero ser encontrado.
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Sérgio Vaz
Tio Carlinhos e a Val comandam este bar há quase vinte anos no Jd. Pazzini, e estão juntos há mais de quarenta . Chegar no bar do Tio Carlinhos é quase uma viagem no tempo, pois lembra muito aqueles empórios de antigamente. E Outra coisa muito interessante, o bairro parece um pedaço da África, ou quem sabe um quilombo, acho que é a maior concentração de negros da cidade, e é onde ainda acontece os bailes da antiga. Quem curtiu os bailes black nos anos 60 ou 70, com certeza vai encontrar algum conhecido. Isto é, se conseguir identifica-los sobre os cabelos brancos. I feel good!
Eles ( val e tio) são amigos já algum tempo, e quando sobra tempo vou no bar, ou na casa dele, comer um peixe, ou um churrasco na brasa.
O Bar parece uma sede social, pois tudo que acontece no Pazzini, tem que passar por ali, desde o futebol, o veterano Botafogo, Quermesse, e até ensaio de escola de samba.
Falando nisto fui lá também para assistir o ensaio da Impretriz do Samba, escola do meu amigo Oderlan, da Secretaria de educação, que ensaia aos sábados bem emfrente ao bar. Ruim né?
Este ano eles entram com o samba "Brinquedos, brincadeiras e fantasias...", dos compositores Luciano, Garrafa, Jé e gringo, e tentam o bi-campeonato.
Também trombei vários amigos como o Aladim, Cema, Tio Fresh, Dj Cool, Rubinho, Bruno, foi uma tarde de sábado com tudo aquilo que a periferia tem de melhor: samba, amigos e paz na quebrada.
Se tiver de bobeira em Taboão, cola lá, e diz que fui quem te convidou.
Jardim Pazzini, é nóis!

Aladim, Tio Carlinhos, Eu, Oderlan (presidente) e amigo

Olha nóis aí gente!

Botafogo FC (futebol de várzea)

Samba de malandro

Bar do Tio Carlinhos


Friday, January 30, 2009

SARAU RAP - refúgio da poesia

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Povo lindo, povo inteligente,
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ontem aconteceu o primeiro Sarau Rap do ano na Ação Educativa, e já começou com tudo. Já na noite de estréia um bom público pode apreciar a poesia que é feita nas ruas, nos becos e nas vielas que se alastram por São Paulo.
A cada dia me impressiono mais com estes guerreiros e guerreiras que travam lutas diárias nas sombras do descaso do estado, não só pela pegada, mas pelo talendo, pelo esforço e no trato com a palavra, e principalmente com a ideologia.
As rimas que eles fazem, como não podiam deixar de ser, são quase todas de protesto, de denúncia, o mais louco é que essa marra não prevalece no nosso ambiente, em consequência disso, o sarau virou um puta clima de família. Para se ter uma idéia no final nós cantamos parabéns para o Betão, outro guerreiro do sarau.
Acho muito importante esse clima amistoso entre a gente, pois nós sabemos que os inimigos não são os que estão próximos, e não devem estar entre nós. E para que a gente saiba de uma vez por todas, para onde a gente está atirando as pedras.
As vezes no sarau da Cooperifa acontece isso, o cara chega lá, a gente cede o microfone e ele fala mal da gente. É. Ele não tem raiva do Mac Donalds, José Serra, Kassab, Daniel Dantas, FHC, Coca-cola, Capitalismo, racismo, Ku Lux Klan, TFP, Revista veja, entre outras instituições que prejudicam o país, ele tem raiva da gente. Ele quer falar mal da gente, da Cooperifa, de nós que estamos ali, há sete anos, trabalhando em prol da quebrada. Só pelo simples prazer do aplauso gratuito. Foda né? Mas nós somos mais. Esses caras vão e vem, a periferia é pra sempre.
Por isso esse sarau Rap está muito interessante, e está sendo um puta aprendizado pra mim, pois estes meninos e meninas vêm de todas as quebradas de São Paulo para o exércicio da poesia. E para uma das maiores revoluções que eu já vi em toda a minha vida: a amizade.
Apesar de tudo e de todos, meu coração está repleto de alegria, de esperança, e fé, nesta juventude maravilhosa que mesmo morando na periferia, não se deixa empobrecer.
Aí, obrigado por me darem mais do que eu possa merecer.
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Um beijo no coração,
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Sérgio Vaz

Sinta o clima do Sarau Rap (cara amarrada, só contra o sistema)

Eliete

Mamba Negra

Rui Mascarenhas

Márcio Batista

Ana Paulo

Eu e o Cocão

Vagner da Brasilândia

Humildade não é uma palavra, é um sentimento

Cocão

Du Bod

Mc Vaz

Raquel
Círculo periférico

Satisfação total!

Thursday, January 29, 2009

A POESIA NÃO PÁRA

Povo lindo, povo inteligente,
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nem bem a poesia da Cooperifa descansa e já vamos nós levá-la para outros cantos. Hoje tem Sarau Rap, projeto que coordeno há mais de um ano com e na Ação Educativa.
O Sarau é um encontro do rap com a poesia, só com a poesia. Lá, os rimadores deixam o ritmo de lado para que a poesia ganhe uma importância maior, já que a música é soberana, e quase sempre sobrepõe a letra.
Para mim, esta rapaziada, é mais uma família poética que consquistei ao longo do meu trabalho, e é uma pena que aconteça apenas na última quinta-feira de cada mês. Estou estudando de trazer este formato para a zona sul. Em breve.
A gente se vê por lá.
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Abs.
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Sérgio Vaz
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Sarau Rap

AÇÃO EDUCATIVA

29 janeiro 20hs.

Rua General Jardim, 660 Santa cecília

Centro-SP

SARAU DA COOPERIFA

Povo lindo, povo inteligente,
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ontem até a chuva deu uma trégua para que o sarau rolasse da melhor forma possível.
Muita gente apareceu para presenciar um desfile de poetas e poesias, além da nossa maravilhosa comunidade, também chegou gente de vários lugares.
Gente de outros estados e até de outros países, Índia e Angola, para ver o que é que o sarau da Cooperifa tem de tão especial, que consegue se manter há sete anos, e sempre com a mesma pegada.
Ontem foi foda. Um puta clima harmônico. Vários sorrisos, abraços e um silêncio durante a leitura dos poemas, que chega a dar orgulho da quebrada. Demorou mais as pessoas começaram a entender o porque da nossa chatice. No Sarau da Cooperifa, o silêncio é uma prece.
Hoje estou indo junto com o Rodrigo buscar alguns filmes e documentários para o nosso Cinema na laje que começa em fevereiro, e semana que vem tenho uma reunião com algumas escolas para a gente fechar o bagulho. Vai ser da hora.
Este ano vai ser foda, a gente está cheio de idéias para dar um gás na quebrada, os nossos críticos vão ter trabalho o ano inteiro.
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Fé na quebrada,
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Sérgio Vaz
sobrevivente das enchentes
Jairo, Eu, Márcio, Lu, Cocão e Rose

Dill

Dona Edite

Wésley e jairo

Mamba negra

Roberto Ferreira

Gabriela

Luciano

Luiz, Aduba e José neto

Renata Dias

Seu Lourival

Nóis

O Sarau, visto da lua

Rodrigo Ciríaco

Elizandra

Nóog

Fábio, Márcio e Du Toledo

Versão Popular

Galdino



Wednesday, January 28, 2009

COLECIONADOR DE PEDRAS



A GUERRA DOS BOTÕES

PERMITO-ME SONHAR
VENDO SOLDADOS PLANTADOS NAS TRINCHEIRAS
DESCANSANDO SOB AS SOMBRAS
DE UM ENORME COGUMELO DE PÉTALAS
EXPLODINDO NO CÉU.
A PRIMAVERA
INVADINDO CAMPOS MINADOS
COM SUAS GUERREIRAS MARGARIDAS
FARDADAS PELA SEDA PURA DA MANHÃ
MARCHANDO PARA UM NOVO DIA.
E OS SENHORES DA GUERRA
AGUARDANDO ANSIOSOS
O MOMENTO DE APERTAREM SEUS BOTÕES...
LINDOS BOTÕES DE ROSA
ESTAMPADOS NA LAPELA.


SÉRGIO VAZ
*do livro Colecionador de pedras

É NÓIS NO CONTO!



A Poesia dos deuses inferiores - Sérgio Vaz

*baseado em fatos que não aconteceram, mas que poderiam ter acontecido facilmente

A Guerreira em questão morava no topo da favela, lá, onde subindo a ladeira mora a noite, e chegava do trabalho lá pelas dez. Um ônibus lotado, mais o que doía mesmo era o trem.
Chegou em casa e o suposto marido, graduado em marginalidade já estava louco de cachimbo, na cidade de Deus onde todos foram esquecidos, o nóia era conhecido como colecionador de pedras.
Um dia já foi trabalhador, mas... Pensamentos vadios é foda.
Elizandra já não suportava mais essa vida, mas não se sabia porque vivia pelo vão da felicidade, enquanto o desgraçado do Ademiro vivia na fortaleza da desilusão. E assim, viviam a vida que ninguém vê.
No sábado, hoje é quinta, ela vai matar o desgraçado, só que ela ainda não sabe, nem ele, por isso seguia sobrevivendo no inferno no seu castelo de madeira noite adentro planejando o assassinato.
Pronto, já é sábado -resolvi cortar a sexta-feira e partir direto para os acontecimentos.
Quando Elizandra chegou, moída do trabalho, encontrou novamente o traste bem louco na cadeira no canto da cozinha.
A casa estava imunda, um quarto de despejo. Foi a gota D´agua.
Ela o matou com o tiro bem no meio da cabeça.

Foi assim:

Há alguns dias ela tinha conseguido um revólver emprestado de um admirador, que não via a hora do nóia se mudar do Capão pecado para ele logo se entocar na goma do malandro.
A Guerreira já chegou decidida, o zóio estava pegando fogo, vixe, ela era o próprio manual prático do ódio.
Chegou no barraco às cegas, mas qualquer um podia sentir o rastilho da pólvora que ela trazia no olhar.
Estava ali, de passagem, mas não a passeio, e pensando que cada tridente em seu lugar, ou seja, ela feliz, ele a caminho do inferno.
Já podia vê-lo no cemitério no buraco do terrão, tipo desenho de chão.

Ela o chamou pelo nome:
-Ademiro, vou te dar uma letra.

Ele olhou para ela e para o cano do cano do brinquedo assassino que ela trazia nas mãos.

-Eita porra, que porra é essa?

-Acabou!

Disse mais um monte de coisa e gastou toda sua gramática da ira contra o aspirante a defunto.
Dizem alguns vizinhos que ela deu várias letras, mais ou menos, 85 letras e um disparo.
O barraco virou um angu de sangue, deu até no notícias jugulares: “Morre nóia que batia na mulher”.
A vizinha que lia a manchete olhou para o dono da banca e disse:

-A morte desse verme foi um presente para o gueto.

Periferia é periferia em qualquer lugar!

COLECIONADOR DE PEDRAS

Miltinho


Nasceu
Jéferson Antunes Cosme,
Assim constava na certidão.
No primeiro prontuário da polícia
Já tinha mudado de nome,
Era vulgo Miltinho, ladrão.
Era 157, 171, 12 e tudo mais,
Tantos números
e nem sequer sabia matemática.
Sabia todos os artigos,
Mas nada de português.
Filho de pai desconhecido
Aprendeu tudo na prática.
Tinha mãos leves
E a consciência pesada.
Dedo mole
Coração duro.
Olhos claros
Caminhos escuros.
Só sentia luz
Nas sombras.
Ódio calibre 38.
Sabia matar
Sem morrer de medo.
Riso econômico
Choro alheio, farto.
No coração
Quatro sólidas paredes,
Sem chaves, sem túneis.
Heróis de verdade?
Só Oxalá e lampião.
Viciado em alta velocidade
Chegou cedo no céu,
cravejado de balas
Dentro de um carro importado.
A mãe,
No velório,
Sóbria,
Chorava feito criança
Chorava feito mãe.


Sérgio vaz
* do livro Colecionador de pedras

DEIXA CHOVER!

SARAU DA COOPERIFA
No mesmo horário, no mesmo lugar

Tuesday, January 27, 2009

QUINTA-FEIRA TEM SARAU RAP

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NESTA QUINTA-FEIRA

TEM
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SARAU RAP - Poesia das ruas
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dia 29 de janeiro (quinta-feira) 20hs
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Projeto "Poesia das Ruas" Ritmo e Poesia
O Projeto Poesia das Ruas é um sarau dirigido a rimadores e rimadorasdo Rap.
É um espaço para o exercício da criação poética.

Sem música, MCs declamarão suas letras, compartilhando talento literário.

Iniciativa do poeta Sergio Vaz, o Sarau do Rap é realizado em parceria com a AçãoEducativa e acontece toda última quinta-feira do mês.

Fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa, Vaz, pretende buscar,através da oralidade, um incentivo para a criação poética.
Rap é ritmo e poesia (rythman and poetry).
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Ação Educativa
Rua: General Jardim, 660 - Vila Buarque - SP
Entrada: Gratuita
Capacidade de lotação: 200 pessoas

Monday, January 26, 2009

POESIA NO ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO


Povo lindo, povo inteligente,
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ontem foi ao aniversário da cidade de São Paulo e fui convidado para apresentar um sarau na Casa das Rosas, junto com o poeta e coordenador da Casa, Frederico Barbosa.
O Sarau foi batizado como "Da periferia ao centro" , pelo menos assim a periferia participou de alguma forma do aniversário de Sampa.
No centro havia vários shows, vários eventos, mas na periferia que é bom ninguém se importou de presentear os guerreiros e guerreiras que ajudam este gigante a manter-se de pé.
Não esquenta não, ano que vem nós da Cooperifa vamos bolar uma festa para os moradores que moram longe da Avenida Paulista.
O recital rolou num puta clima bom, uma pá de gente colou para participar, além, lógico dos cooperiféricos Márcio Batista, Rodrigo Ciríaco, Cocão, Casulo, De Lourdes, Vandré, Tânia, da família maloquerista colou o Berimba, o Caco, quem chegou também foi o Madan, e mais um monte de poetas. Foi da hora.
Ano que vem tem mais.
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Sérgio Vaz