Wednesday, February 25, 2009

QUINTA-FEIRA TEM SARAU RAP

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SARAU RAP - Poesia das ruas
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dia 26 de fevereiro (quinta-feira) 20hs.
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Projeto "Poesia das Ruas" Ritmo e Poesia

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O Projeto Poesia das Ruas é um sarau dirigido a rimadores e rimadorasdo Rap.
É um espaço para o exercício da criação poética.
Sem música, MCs declamarão suas letras, compartilhando talento literário.
Iniciativa do poeta Sergio Vaz, o Sarau do Rap é realizado em parceria com a AçãoEducativa e acontece toda última quinta-feira do mês.
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Fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa, Vaz, pretende buscar,através da oralidade, um incentivo para a criação poética.Rap é ritmo e poesia (rythman and poetry)..
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Ação Educativa
Rua: General Jardim, 660 - Vila Buarque - SP
Entrada: Gratuita
Capacidade de lotação: 200 pessoas

FELIZ ANO NOVO!

NOVOS DIAS - SÉRGIO VAZ

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“Este ano vai ser pior...


Pior para quem estiver no nosso caminho”.


Então que venham os dias.


Um sorriso no rosto e os punhos cerrados que a luta não pára.


Um brilho nos olhos que é para rastrear os inimigos (mesmo com medo, enfrente-os!).


É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos. Acenda fogueiras.


Não aceite nada de graça, nada. Até o beijo só é bom quando conquistado.


Escreva poemas, mas se te insultarem, recite palavrões.


Cuidado, o acaso é traiçoeiro e o tempo é cruel, tome as rédeas do teu próprio destino.


Outra coisa, pior que a arrogância é a falsa humildade.


As pessoas boazinhas também são perigosas, sugam energia e não dão nada em troca.


Fique esperto, amar o próximo não é abandonar a si mesmo.


Para alcançar utopias é preciso enfrentar a realidade.


Quer saber quem são os outros? Pergunte quem é você.


Se não ama a tua causa, não alimente o ódio.


Por favor, gentileza gera gentileza. Obrigado!


Os Erros são teus, assuma-os. Os Acertos Também são teus, divida-os.


Ser forte não é apanhar todo dia, nem bater de vez em quando, é perdoar e pedir perdão, sempre.


Tenho más notícias: quando o bicho pegar, você vai estar sozinho. Não cultive multidões.


Qual a tua verdade ? Qual a tua mentira? Teu travesseiro vai te dizer. Prepare-se!


Se quiser realmente saber se está bonito ou bonita, pergunte aos teus inimigos, nesta hora eles serão honestos.


Quando estiver fazendo planos, não esqueça de avisar aos teus pés, são eles que caminham.


Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça.


Muito amor, mas raiva é fundamental.


Quando não tiver palavras belas, improvise. Diga a verdade.


As Manhãs de sol são lindas, mas é preciso trabalhar também nos dias de chuva.


Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de quem estiver atrás.


Não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para uma vida inteira.


O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você.


Feliz todo dia!

Tuesday, February 24, 2009

SARAU DA COOPERIFA

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SARAU DA COOPERIFA
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Quarta-feira 21hs
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desfile de poesia na periferia de São paulo
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ZEITGEIST - CONTINUAÇÃO



Povo lindo, povo inteligente,

eis ai a segunda parte do documentário polêmico "ZEITGEIST", que desta vez bota mais lenha na fogueira.
Este documentário deixa bem claro quem manda no mundo, e que a gente não passa de um bando de carneirinho a caminho do abate.
É longo, tem 12 partes, mas vale a pena cada minuto. Não deixe de ver.
Como funciona os bancos? Porque das crises mundiais? Política? Porque da pobreza no mundo? Quem manda realmente no mundo? E por aí vai.
Assista a primeira parte (logo abaixo no blog) para não ficar sem entender alguma coisa.

Não importa o que você pensa, mas acho fundamental assistir a este documentário para pelo menos aquecer as discussões.

Informação é poder. E a gente tem que parar de fingir que sabe. Ou que não.

Abs.

Sérgio Vaz

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

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Jamal
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Povo lindo, povo inteligente,
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na terça-feira de carnaval fui no cinema assistir "Quem quer ser um milionário?" que acaba de ganhar vários Oscar, inclusive de melhor filme, se tivesse estreiado há mais tempo poderia até ganhar o prêmio Cooperifa, por que é bem louco.
Achei da hora porque mostra uma outra Índia que vai muito mais além do incenso e da vaca sagrada. É gueto puro. É violento, mas sem a violência habitual, dá pra entender? Fala de várias misérias, mas principalmente a da humana. Essa é foda.
É também uma das mais belas histórias de amor que eu já vi.
Li em algum lugar que o filme tinha a ver com "Cidade de deus", que nada, é tão bom quanto, mais nada a ver. Cada um, cada um. Vale a pena assistir.
Se tiver de bobeira cola no cinema e depois a gente troca uma idéia a respeito.
É isso.
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Feliz ano novo.
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Sérgio Vaz

UNIDOS DA PEDRA DO REINO - SÉRGIO VAZ

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Mestre de bateria da Unidos da pedra do reino

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UNIDOS DA PEDRA DO REINO - SÉRGIO VAZ
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Pois é povo lindo e inteligente deste país, depois de mais um ano de espera ,até que enfim é Carnaval. Dizem alguns que no país o ano só começa depois das folias de Momo. Para alguns, eu acho que sim, para outros, acho que o ano nunca começa como devia ter começado.

Mas enfim, como a vida sempre desafina, são aqueles que seguram as cordas é que mantém os trios életricos nos trilhos.
O Carnaval é o Prozac do país, por onde quer que você olhe as pessoas estão felizes. Ou parecem que estão. Sei lá, deixa a cuíca roncar, não quero atravessar o samba de ninguém, só queria entender o refrão.
Nunca fui um folião do tipo confete e serpentina, ou Pierrot diante de qualquer Colombina, o samba nunca esteve ou passou pelos meus pés, sambando estou mais para o robocop.
Passista frustado, as minhas fantasias coloco na vida real.
Sem brilho nenhum, nunca tirei dez em nenhum quesito qualquer, mas apesar da falta de ginga, como quase todo brasileiro, também gosto de Carnaval.
É uma pena não ser uma cria da avenida como realmente gostaria de ser. Queria que cada veia minha fosse uma corda de cavaquinho, e mesmo sem saber batucar em caixa de fósforo, já quis ser mestre de bateria, atear fogo no ouvido da multidão. Mas tenho que admitir que estou muito mais para quarta-feira de cinzas do que praça da apoteóse.
Poetas deviam se matricular em escolas de samba para tentar aprender com o povo, como um sorriso pode enganar o sofrimento, sem ter que roubar a alegria de ninguém.

O Carnaval é quando o povo decreta a felicidade, nem que seja apenas, por quatro míseros dias.
Falando em escolas de samba (essa beleza fantástica criada pelas mãos calejadas e abençoadas pelo suor do povo brasileiro), parece que elas saíram das aventuras do livro de Ariano Suassuna “A pedra do reino", e seus personagens, que foram escritos especialmente pela alas dos compositores Mário Quintana do cavaco, Manoel de Barros do pandeiro e Eduardo Galeano do morro da poesia.
Se liga nos nomes: pavilhão, mestre-sala e porta-bandeira, ala das baianas, harmonia, evolução, mestre de bateria, rainhas e princesas, carro alegórico, tamborim, alegoria, abre-alas, comissão de frente, velha-guarda etc.
Essas palavras, todas elas, rimam com gente simples, que é um outro poema bonito de se ler.
Por ter sido sempre da ala da melancolia, o carnaval soa pra mim como um velho samba antigo na voz triste do mestre Cartola, e o meu coração, esse puxador de samba da memória, mais parece um velho palhaço perdido no meio do salão.
Parece até que estou ouvindo o Jair Rodrigues cantando:
“... tristeeeeza por favor vai embora.”

Sunday, February 22, 2009

OS MISERÁVEIS FILHOS DE DEUS

OS MISERÁVEIS FILHOS DE DEUS - Sérgio vaz
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A história de Ivanildo é que ele simplesmente não tem história. Morador de rua virou notícia porque teve 85% corpo queimado por gasolina e faleceu na última terça-feira (27), e é só, mais nada.
O assassino, conforme as investigações policiais, era outro morador de rua, e o crime, vejam vocês a ironia da miséria humana -, foi motivado por conquista de território. Dizem que precisavam de mais espaço para viverem na rua.
Pois é, as calçadas! Há pessoas em guerra pelas calçadas frias da cidade de São Paulo.
Não conheci Ivanildo nem o seu algoz piromaníaco, mas tenho uma vaga idéia de quem sejam os infelizes. Já os vi queimando na retina dos meus olhos, numa dessas noites geladas e indignas, em suas casas de papelão que se movem como fantasmas pela nossa imaginação.
Ivanildo não devia ter documentos tampouco identidade, indigente deve ter sido enterrado com seus trapos numa vala qualquer, de um cemitério qualquer, que é o lugar certo para qualquer um de nós, miserável ou não.
Outro dia vi um Ivanildo fuçando uma lata de lixo à procura de comida que sobra dos nossas pratos, mas o dono da lanchonete apareceu para expulsá-lo com um cabo de vassoura.
Fiquei com a impressão que mendigos trazem má sorte para o comércio, e que restos de comida não são para restos de pessoas: “Nós, os filhos de Deus, privatizamos até as migalhas”.
Tenho a impressão que os únicos que gostam dos moradores de rua são os cachorros. Aliás, de raça ou não, não conheço nenhum cachorro que não tenha um mendigo pra cuidar.
Moradores de rua são uma espécie rara de seres humanos.
Eles não têm dentes, eles não cortam os cabelos, eles não tomam banho, pedem-nos esmolas, dormem no nosso caminho de casa, e nós, a não ser que peguem fogo, simplesmente não os vemos.
É difícil vê-los. Somos cristãos demais para enxergá-los.
E tem mais, dizem que são invisíveis a olho nu. Mas não são. suas sombras miúdas se arrastam em nossas orações, para o deleite da nossa hipocrisia. Fingir que gostamos de deus é a melhor forma de agradar o diabo.
Um ser humano pegando fogo na calçada e os nossos joelhos doendo de tanto rezar pela nossa felicidade material...
Deus sabe o que faz, a gente não. Devia ser o contrário.
Se dependesse de mim, a humanidade já tinha pegado fogo há muito tempo.
Um por um.

Linhas tortas

Linhas tortas
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Passou a vida inteira
Numa casa de madeira
Emprestada pela miséria.
Um dia,
Cheia de alegria artificial,
Recebeu de um amigo
Um pedaço de casa própria
Bem no meio da cabeça.
Com a cabeça aberta
Começou a duvidar de
Deus.
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Sérgio Vaz

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*do livro Colecionador de pedras

ZEITGEIST - acredite se quiser!

Povo lindo, povo inteligente,

como péssimo folião que sou, e sem poder viajar, estou aproveitando os dias de folga para colocar a cabeça e o corpo em dia. Estou lendo o livro "Espelhos - uma história quase universal" do Eduardo Galeano que é da hora, cada história mais louca que a outra.
Estou vendo uns filmes e uns documentários, até por conta do "Cinema na laje" que começa no dia 2 de março, aí recebi a indicação do documentário "Zeitgeist" do Igor do Quilombolo, que eu acho que é uma ótima indicação para quem não foi viajar e está afins de uma boa teoria da conspiração.
O Documentário é polêmico, mas é porreta. Fala sobre como a igreja e as grandes corporações manipulam as informações e como manipulam as pessoas, desde como foi escrita a bíblia até a fabricação das guerras, como a do Iraque e do Vietnã, por exemplo.
É longo, mas vale a pena.
Queria que se você assistisse e desse a sua opinião ou fizesse o seu julgamento, para a gente ter uma idéia de como vão as coisas, mas sempre lembrando que não foi eu quem fez o filme, apesar de concordar com ele.

É isso.

Abs.

Sérgio Vaz




http://www.youtube.com/watch?v=Yzccnq6xr_M

Zeitgeist é um filme de 2007 produzido por Peter Joseph, que apresenta uma serie de teorias relacionadas ao Cristianismo, ataques de 11 de setembro e a Reserva Federal dos Estados Unidos da America. Para muitos polemico, foi lançado online livremente via Google Video em Junho de 2007. Uma versão remasterizada foi apresentada como um premiere global em 10 de novembro de 2007 no 4th Annual Artivist Film Festival & Artivist Awards.

O filme é dividido em tres seçoes: * Primeira parte: "A maior historia ja contada" * Segunda parte: "O mundo inteiro é um palco" * Terceira parte: ""Nao se importem com os homens atras da cortina"

Cabe a cada um fazer seu julgamento...

Friday, February 20, 2009

ANOS INCRÍVEIS

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Os Brutos também amam - Sérgio Vaz
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Era um domingo de inverno, há quase trinta anos, quando eu conheci o amor pela primeira vez. O amor chegou em mim da forma mais discreta possível, apesar do baticum do meu coração.
Enquanto dançava com os olhos fechados e o peito aberto, desfilava pelo baile – sem sair do lugar - carregando nos braços aquela que seria a lembrança mais feliz da minha vida: o primeiro beijo.
Não recordo bem se era Marvin Gaye (let’s get it on) ou Bee Gees (Reaching out) que rolava nas pick ups, só consigo me lembrar de estar ali, com os lábios ansiosos pelo fogo, pelo desconhecido, implorando aos céus que aquele momento, que ainda nem havia acontecido, nunca acabasse.

Sem o menor traquejo com a poesia, e devoto da Santa adolescêscia das bocas desamparadas, recitava em meus pensamentos coisas do tipo: “Deus por favor... faça o tempo parar... faça minhas pernas pararem de tremer”.

Se alguém um dia se encontrar com deus, e se realmente ele existir, pergunte a ele, ele vai confirmar.
Eu ainda não a tinha beijado. Pelo menos não pessoalmente, mas em sonho... com os olhos...

Enquanto a música brincava de ser feliz às minhas custas, colado aquele anjo, fui me deixando levar cantando baixinho o refrão ao seu ouvido: “letis guere riron...”.

Putz, se não sei inglês hoje, imagine com quinze anos, coitada.
A Adolescência tem cheiro de almíscar, sei disso porque esse era o perfume que ela usava, e durante muito tempo esse perfume permaneceu na minha memória.

Tirando o cheiro de terra depois da chuva, almíscar tem cheiro de eternidade.
Sentindo o aroma da vida fui lentamente virando meu rosto para o encontro daquela boca linda. Daqueles lábios que mencionavam, ou cantavam, o meu nome da forma mais poética do mundo.

Havia pensado neste dia há semanas, mais precisamente, quinze anos.
Nunca vou esquecer este beijo. Até porque foi o meu primeiro beijo pra valer, e segundo, porque quase quebrei o sorriso dela.

Beijei-a por uma tarde inteira com todas as bocas que tinha o meu pequeno coraçãozinho de menino apaixonado. Que tarde!
Beijei-a com todos os meus cincos sentidos, e quase fiquei sem os sentidos por conta disso. Quase que morro no meu primeiro dia de vida. Beijei-a com quem agradece por estar vivo.

Por conta desta troca divina de saliva, e na dúvida, nunca mais cuspi no chão.
Nos anos setenta, época mais brava da ditadura no Brasil, eu estava ali, com a cara cheia de espinhas exercitando a minha revolução: o primeiro amor.
Resolvi escrever sobre isso porque acabo de receber o convite de casamento de dois grandes amigos.

E como sou testemunha desse amor quero lembrá-los que por mais belo que seja a lembrança do primeiro beijo ou do primeiro amor, nada, absolutamente nada, é mais importante que o último.
Ah, também lembrei de uma outra coisa, os dias não envelhecem.

E todo dia é pra sempre.

Wednesday, February 18, 2009

AJOELHAÇO NA COOPERIFA



Povo lindo, povo inteligente,

prepare a sua agenda, pois este ano, a Cooperida está cheia de novos projetos, e não vai ter um só mês sem atividades culturais: cinema na laje, rima falada, jornal Cooperifa, Sarau nas escolas, poesia no ar, chuva de livros, mostra cultural, prêmio Cooperifa, oficinas literárias, e mais uma pá de coisas que a gente não vai falar por enquanto para não estragar as surpresas.
Já em março o bicho vai pegar fogo, fique atento para não perder nada.
Uma das melhores dicas, é o "Ajoelhaço da Cooperifa" que acontece no sarau da Cooperifa no dia 11 de de março.
Como é tradição, na semana do dia internacional das mulheres, os poetas e todos os presentes vão a frente e pedem perdão às mulheres por todas as injustiças, atrocidades e crimes cometidos ao longo da humanidade, só que, de joelhos. Sim, de joelhos.
É pouco, mas estamos aprendendo a perdoar e pedir perdão. Tem gente que está de joelhos até hoje.
É uma das cenas mais poéticas produzidas pela periferia de São Paulo.

Se você não estiver acreditando se liga no vídeo gravado no Ajoelhaço do ano passado.

"Um discurso não é nada sem a prática".

Com os joelhos inchados,

Sérgio Vaz
Vira-lata da literatura.

TABOÃO DA SERRA

Taboão da Serra
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Dorme Taboão,
Tranqüila nos braços do universo,
Recostada sobre o dorso das serras.
À noite,
Numa velocidade lunar,
A América Latina rasga teu coração
Como num romance breve
(amar e despedir),
e parte para outros braços.
A Lua,
Ausente e abstrata,
Vela o passado
Para o futuro despertar.
Enquanto isso, os poetas,
Paladinos da madrugada
Riscam palavras luminosas
No asfalto vazio
Pra quando a cidade acordar.
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Sérgio Vaz
.do livro Colecionador de pedras (Global Editora)

SARAU DA COOPERIFA

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SARAU DA COOPERIFA
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Hoje
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Nem que chova canivete
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LE MOND DIPLOMATIQUE BRASIL

Povo lindo, povo inteligente,
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no jornal impresso "Le Mond Diplomatique Brasil" deste mês saiu uma matéria falando sobre literatura marginal "Pelos becos e vielas da periferia", de Fabiana Guedes, que conta um pouco desta efervescência literária que vive a periferia de São Paulo.
Fala um pouco do meu trabalho e da Cooperifa, do Ferrez, Dulcinéia Catadora, Marcelino Freire, e por aí vai.
O Preço do jornal é salgado R$ 8,90, mas a matéria ficou muito boa.
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"OUI, MES AMIS, NOUS POUVONS !!! "
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Sérgio Vaz

Tuesday, February 17, 2009

DEUSAS DO COTIDIANO

Ajoelhaço na Cooperifa (dia em que os homens se ajoelham e pedem desculpas às mulheres)

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Deusas do cotidiano – Sérgio Vaz
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“De todos os hinos entoados em louvor às revoluções nos campos de batalhas, nenhum, por mais belo que seja, tem a força das canções de ninar cantada no colo das mães.”
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O nome dessas mulheres eu não sei, não lembro e nem preciso saber. São nomes comuns em meio a tantos outros espalhados por esse chão duro chamado Brasil.
Mas a maioria delas eu conheço bem, são donas de um mesmo destino: as miseráveis que roubam remédios para aliviar as angústias dos filhos.
É quando a pobreza não é dor, é angústia também. São as ladras de Victor Hugo.
Donas da insustentável leveza do ser, as infantes guerreiras enfrentam a lei da gravidade. Permanecem de pé ante aos dragões comedores de sonhos que escondem na gravidade da lei. Das trincheiras do ninho enfrentam moinhos de mós afiadas para protegerem a pança dos pequeninos. São as Quixotes de Miguel de Cervantes.
Místicas, não raro, estão sempre nuas em sentimentos. Quando precisam, cruas, esmolam com o corpo, e se postam à espera do punhal do prazer que cravam no seu ventre. È quando o prazer humilha.
São as habitantes do inferno de Dante.
Rainhas de castelos de madeiras, sustentam os filhos como príncipes, e os protegem da fome, do frio, e da vida dura e cruel que insiste em bater na porta das mulheres de panela vazia.
Quanto aos reis, também são os mesmos: os covardes dos vinhos da ira.
Mágicas, esses anjos se transformam em rochas, quando a vida pede grão de areia.
Em flores quando rastejam e espinhos quando protegem.
Essas mulheres são aquelas que limpam tapetes, mas não admitem serem pisadas.
São domésticas, mas não admitem serem domesticadas.
sim, são as deusas do dia a dia.

SUGESTÕES POÉTICAS PARA O ACORDO ORTOGRÁFICO E OUTROS ACORDOS

Colhendo sugestões de quem interessa
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Sugestões poéticas para o acordo Ortográfico e outros acordos
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POR SÉRGIO VAZ.
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Este acordo é meramente sugestivo; portanto restringe-se à língua que o povo fala nas ruas, não afetando nenhum aspecto da língua escrita (a academia pode ficar tranquila). Ela não elimina, infelizmente, as diferenças e injustiças que através da ortografia são observadas nos países que tem a língua, ao qual o povo não tem direito de aprender, como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação das idéias das pessoas que realmente amam este país.
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O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y.
O analfabeto completo passaria a ser aquele que sabe juntar as letras e não junta, e sequer ajuda os outros juntarem. E o que é pior, muitos deles ainda se julgam letrados.
A B C D E F G H IJ K L M N O P Q RS T U V WX Y Z
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*vale também o improviso...
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TREMA
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Não se usa mais o TREMA. Em hipótese alguma..
Está decretado em todo lugar deste país, que diante de qualquer injustiça, covardia e falta de respeito com a população, a palavra de ordem seria: não TREMA!Exemplo:.
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Como era: agüentar
Como ficaria: Bateu levou.
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*Atenção: o Trema aparece apenas nas palavras estrangeiras e no passado sombrio da ditadura..
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MUDANÇAS NAS REGRAS
DE ACENTUAÇÃO
E OUTRAS REGRAS.
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1. ESCOLA na periferia tem muito assento, de 40 a 45, quando o o ideal é tirar 20 ou 25.
E para compensar, um aumento no número de assentos nas universidades públicas do país.
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2. PROFESSOR deixa de ser uma palavra para ser um sentimento, e de zero à esquerda, como quer o governo, passaria a valer nota dez, e com mais zeros à direita.
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3. EDUCAÇÂO passa a ser uma equação matemática com investimento ao cubo (ex: 2+2=5), sem pedagogia com raiz quadrada.
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Ex: Criança + escola de qualidade = nação com futuro.
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4. CRIANÇA passa a ser um verbo praticado sem miséria, descaso ou abandono. Com direito a casa, comida e cidadania. .
A Criança passa a ser uma super-proparoxítona com assentos em todas as etapas de sua vida. E todas as crianças, sem nenhuma exceção, têm o direito de usar os assentos da mesa para comer o objeto direto, nesse caso a comida digna, com direito à sobremesa, e tanto faz de for geléia com acento ou sem acento.
E caso alguma autoridade contestasse, que o povo nas ruas lhe tirem o assento. Sem acento no Dó, nem piedade.
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5. A palavra DESEMPREGO não pode mais ser pronunciada nas portas das fábricas, e o EMPREGO não pode mais estar ligado à palavra escravidão, para que os homens e as mulheres não sejam escravos dos ditongos cujos do poder, e para que os trabalhadores e trabalhadoras não andem mais naquela tanga danada, em que vivem atualmente os assalariados dos subúrbios brasileiros.
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*Outra coisa, as palavras 'não', 'há' e 'vagas', jamais podem ser escritas juntas.
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6. CORRUPÇÃO deixa de ser apenas uma palavra com 9 letras para ser um crime, punido com 90 anos de prisão.
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7. O SUJEITO decente não pode, nem deve ser prejudicado. Para que isso se confirme, a justiça que é cega, ficaria terminantemente proibida de fazer transplante de córneas.
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8. As Palavras Amizade, Bondade, Coragem, Caráter e Amor, devem ser suprimidas do dicionário e escritas pelos nossos corpos, como uma segunda pele, para que o suor dignifique-as, toda vez que a gente as pronunciar.
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9. Pobreza; nem com Z, nem de espírito.
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10. Ficam banidas as palavras "Toxítonas" que servem apenas para o privilégio de poucas pessoas, que acham todas as outras "Para-oxítonas".
Arrogância e Violência deveriam ter dois "esses", que era para identificar o imbecil que as praticasse.
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USO DO HÍFEN.
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O Super-homem é um super-bobo..
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As demais palavras devem ser consultadas com mais seriedade no guia prático da nova ortografia.

Monday, February 16, 2009

A COOPERIFA APRESENTA : CINEMA NA LAJE


COOPERIFA LANÇA PROJETO "CINEMA NA LAJE"
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A partir de março, a periferia de São Paulo vai ganhar uma sala de cinema ao ar livre, e na primeira e terceira segunda-feira do mês, a laje do Zé batidão, onde acontece há sete anos, o tradicional sarau da Cooperifa, vai virar o cinema Paradiso da Zona Sul paulistana.
O Cinema na laje vai ser um espaço alternativo para exibição de filmes e documentários de todas as partes do Brasil e do mundo. E criado principalmente para dar vazão ao cinema produzido por jovens da região.
Além dos filmes já estão agendadas algumas mostras, debates e visitas de alunos de escolas da região (no lançamento duas salas do CIEJA foram convidadas). A Exibição dos filmes é da PACO´S PRODUÇÕES.
Para o lançamento do projeto teremos a exibição de dois documentários realizados na periferia :
"Povo lindo, povo inteligente", de Sérgio Glagliardi e Maurício Falcão e a "A Ponte", de João Wainer e Roberto T. Oliveira.
E para manter o velho charme do cinema antigo, um lanterninha foi contratado para que ninguém se perca no escurinho da laje, a entrada é franca e a pipoca é grátis.
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CINEMA NA LAJE
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Dia 02 de março 20hs
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Cooperifa
Bar do Zé batidão
Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana
Zona Sul - São Paulo
12o lugares
Infs. 72074748
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Primeira sessão:
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“POVO LINDO, POVO INTELIGENTE ”
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Sarau poético da Cooperifa que acontece há sete anos na periferia de São Paulo
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O documentário “Povo lindo, povo inteligente!”, produzido e finalizado pela DGT Filmes em 2008, sem nenhum patrocínio, revela o poder de transformação do Sarau da Cooperifa que exerce sobre os participantes, além de lançar um olhar sobre momentos especialmente marcantes do sarau, no qual diferentes estilos e conteúdos se encontram com um invejável espírito democrático, permeado por qualidade literária e forte conteúdo emocional.
Direção: Sérgio Gagliardi e Mauricio Falcão
Fotografia: Toni Nogueira, Mauricio Falcão, Badú Nogueira
Roteiro: Sérgio Gagliardi Produção Executiva: DGT Filmes
Duração: 50 minutos
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Segunda sessão:
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“A PONTE”
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Documentário aponta soluções para a periferia de São Paulo
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O rapper Mano Brown, a educadora Dagmar Garroux e o escritor
Ferréz convivem diariamente com as dificuldades da periferia de São
Paulo. Cada um a seu modo, trazem uma bagagem de experiências
que merece reflexão. É o que faz o documentário "A Ponte",
produzido pelo Instituto Rukha e que foi exibido na TV Cultura no Dia
Mundial dos Direitos Humanos.
O filme, de 42 minutos, mostra a situação da desigualdade social na
Zona Sul de São Paulo por meio da figura de Dagmar Garroux,
conhecida como Tia Dag. Ela é a fundadora de uma das mais exitosas
experiências de educação integral do Brasil, a Casa do Zezinho. A
entidade trabalha desde 1994 com o desenvolvimento de crianças e
jovens. No início eram 6 “Zezinhos”, hoje a Casa conta com mais de
1200 crianças e jovens.
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Direção: Roberto T. Oliveira e João Wainer
Trilha sonora: DJ ZeGon (Zé Gonzalez) e Daniel Ganja Man (ColetivoInstituto)
Duração: 42 minutos

Sunday, February 15, 2009

COMO NASCE UM TABOANENSE


Como nasce um Taboanense - Sérgio Vaz
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(junho/2008)
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Essa onda de frio que assola o país nessa semana fez-me lembrar de uma coisa que aconteceu comigo logo que cheguei aqui em Taboão, há quinze anos. Não foi amor à primeira vista. Lembra-se de Caetano em Sampa: “... é que narciso acha feio, o que não é espelho...”, pois é, foi assim quando eu cheguei.
A cidade nunca me pareceu feia ou fria, ou coisa assim, apenas era estranha pra mim, e eu estranho para ela.
Bom, mas deixe eu contar o porque se deu o meu amor incondicional pela cidade. A mãe de um amigo havia morrido e o velório ia ser no cemitério dos Jesuítas, Embu, mas me passaram que ia ser no cemitério da Saudade. Vindo de uma balada peguei o último ônibus -pois lá, tinha certeza de encontrar uma carona pra voltar. Chegando, descobri que desci no lugar errado, mas sequer sabia onde ficava o outro local, o Jesuíta.
O cemitério da saudade ainda era bem pequeno e haviam dois corpos sendo velados naquela noite (meia-noite, mais ou menos). Um homem baleado e uma criança recém nascida.
Diante do meu erro geográfico fiquei do lado de fora, fumando um cigarro e pensando como iria voltar para casa. “Que cidade. Que zica.”, pensei.
Aí, estava sentado, um homem chega ao meu lado e diz:
-Você é parente do cara que foi baleado?
Disse que não e expliquei o porque estva ali. O engano de cemitério. Disse a ele que não conhecia nada na cidade, e coisa e tal. E batendo esse papo perguntei a ele:
“E você, é parente da criança que faleceu?
Sem levantar a cabeça e num tom de voz que jamais vou esquecer ele contou:
“Sim, eu sou pai dela.” Falou assim, de bate pronto, como quem suplica um milagre, como quem acredita em ressureição. Entre uma lágrima e outra, disse que ela havia morrido de pneumonia, entre outras coisas do tipo que se diz em velório. Eu não disse nada. Eu sem saber para onde ir e ele indo e vindo das fendas escuras da tristeza.
A filha dele morreu e a cidade que acabara de nascer em mim também agonizava, quando de repente ele me pergunta como eu iria em bora. Respondi que iria esperar amanhecer. Em meio a dor, ele se ofereceu para me levar em casa. Eu não aceitei:” O quê é isso, sua filha acaba de morrer e você querendo me dar carona? Foi quando daquele homem simples e coração arrebentado eu ouvi umas das coisas mais belas que já ouvi em toda minha vida:
“minha filha morreu e eu não pude fazer nada para evitar que isso acontecesse, mas a você eu posso ajudar, me deixa eu te levar em casa, que assim eu distraio um pouco...”. Aceitei o milagre. Chorei quando ouvi isso, e estou chorando agora enquanto escrevo.
Nunca mais o vi.
Quando faz frio doô sempre um agasalho para retribuir o calor humano que recebi. Em nome dele e da sua filha que eu não conheci, mas que já morava no coração do pai.
Por ironia, numa noite de cemitério, nascia mais um taboanense, pra sempre.

DOMINGO -SARAU DA ADEMAR

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A POESIA NÃO PÁRA
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Povo lindo, povo inteligente,
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em pleno domingo de chuva fui com a Sônia ao Sarau da Ademar, que acontece sempre no domingo de cada mês (o próximo é dia 15 de março), ali no bairro de Cidade Ademar, zona sul.
Fiquei muito feliz de poder participar porque esta família da Ademar (Homero, Luciete, Lids, Serginho, Edilene, Bongo, Daniel Alexandrino, Yolanda, Paulinho, Charles, Ju Ane, Silvana, Renata Dias, Drix, Marilia Gabriela), porque este sarau foi uma idéia (deles) que surgiu dentro da Cooperifa, e eles deixam bem claro isso na maior humildade, o que nos une uma mesma família em torno da poesia, e em prol da periferia. Se você quer saber, me senti em casa. Da Hora.
Foi legal que por lá também estava uma pá de gente conhecida, e de vários lugares (Seu lourival, Preto Will, Daniel, DillAndré e mais uma pá de poetas do círculo Palmarino do Jd. Santo Eduardo), o que mostra que na perifa já está surgindo vários picos para a divulgação de arte e cultura independente do abandono do estado, e que a cada dia que passa, a tv já não é mais a única fonte de informação da nossa rapaziada. Cada sarau está virando uma célula, na hora que todos se unirem...
Parabéns para todos os guerreiros e guerreiras do sarau da Ademar.
valeu pelo respeito, pelo carinho e pela humildade.
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Tô junto e misturado.
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Sérgio Vaz
Vira-lata da literatura






TABOÃO DA SERRA - 50 POR 50

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GENTE DA MINHA QUEBRADA
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BROI
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Artista Plástico Broi

Broi

cartão posta criado pelo Broi
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Povo lindo, povo inteligente,
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como vocês puderam notar Taboão da Serra vai completar 50 anos no dia 19 de fevereiro eu resolvi homenagear alguns lugares, personalidades e amigos que fazem desta quebrada, um ótimo lugar pra se viver.
O Broi é Artista-plástico, tem vários quadros espalhados pelo mundo, Publicitário e está ligado diretamente com o meu trabalho aqui em Taboão da Serra, e outros lugares.
Só para se ter uma idéia, ele fundou junto comigo a Cooperifa (17.02.01), lá na fábrica, na BR 116, e mereceu um capítulo especial no meu livro "COOPERIFA, antropofagia periférica", que lancei no ano passado pela editora Aeroplano.
Este baixinho é um dos caras mais chatos que eu já conheci em toda minha vida, mas um dos mais leais que eu tenho. E mais criativos também.
Ele quem criou os cartões postais que fizeram tanto sucesso nos shows de rap, ele que criou as camisetas com poesia, outdoor, eu e ele que criamos o logotipo da Cooperifa, ele que produziu o livro " A Poesia dos deuses inferiores", o jornal da Cooperifa "Farol urbano", e por aí vai.
Guerreiro bom, por conta dos seus trabalhos, andou meio afastado da Cooperifa, mas nunca abandonou completamente o barco, está sempre à espreita e pronto quando eu preciso de socorro.
Minha história deve muito pra ele. Eu também.
Tamo junto e misturado. valeu guerreiro!
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Sérgio Vaz
poeta da gratidão

TABOÃO DA SERRA - 50 POR 50

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GENTE DA MINHA QUEBRADA
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JOÃO BARRAQUEIRO E KIKA
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Kika e João
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Thamirez, Thalita, João e Kika (Família unida pelo trabalho)
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Taboão dos palmares -Sérgio Vaz
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Taboão da Serra é uma cidade de mil faces e não há como decifrá-las sem devorá-las. Impossível pensá-la sem suas ladeiras, seus becos e suas vielas. Cada quebrada é um município no meu estado de espírito. As calçadas são irregulares, por isso, nossa gente anda no meio da rua, desafiando a arrogância dos carros, buzina pra você ver...
Uma das faces mais bonitas da cidade é a nossa gente, e da nossa gente, umas das faces mais bonitas é a do João Barraqueiro, da Kika e da sua família. Gente da pele preta que tem o suor como marca registrada no rosto.
Não importa o evento, nem o local, é lá que eles estão. É comum vê-los nas Praças, campos de futebol, shows, favela, comícios, etc. desfilando a grandeza dos que não se entregam, e se recusam a ser escravos do parasitismo.
A barraca é o quilombo dos palmares dessa família, tamanha liberdade com que constroem o pão de cada dia. Da mesma barraca lutam como quem faz uma prece ao céu, ou a terra, adorando um deus chamado DIGNIDADE.
A coragem que exalam das mãos é de assustar qualquer senhor de engenho ou capitão do mato. Trazem no olhar o desprezo pela chibata, e no coração, o fogo brando que aquece o caldeirão da liberdade. Valeu Zumbi!
Com todo o respeito às ancestralidades, que a mãe África me perdoe, mas mãe é aquela que cria, o João e a Kika são filhos de Taboão da serra, e não por acaso, são nossos irmãos. Axé!
Para aqueles que acreditam que o caráter independe da cor, uma poesia:

“Que a pele escura não seja escudo para os covardes que habitam na senzala do silêncio. Porque nascer negro é conseqüência, ser é consciência”.

Saturday, February 14, 2009

HOMENAGEM A SOLANO TRINDADE

clique para ampliar

Thursday, February 12, 2009

SARAU DA COOPERIFA, UMA NOITE PARA SEMPRE!

Povo lindo, povo inteligente,
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não adianta, nem que chova canivete o Sarau da Cooperifa deixa de lotar, ontem naquela puta chuva mais de trezentas pessoas se cotovelaram para assistir o sarau mais louco do ano. Ninguém soube explicar, mas tinha um tremendo clima bom no ar, muito maior do que de costume.
Era visível no olhar das pessoas, a positividade estava em todos os poetas, convidados, nas crianças, e também nas grávidas que levaram suas barrigas cheias de esperanças para serem abençoadas pela poesia. Que noite linda!
Não bota uma fé? Pergunte a quem foi, ou então vejas todas as fotos abaixo.
Ontem teve o lançamento do livro "Encarna" do Berimba, e enquanto rolava o sarau a menina Mariana de apenas 6 anos escreveu um livrinho de 8 páginas "Depois na Cooperifa" , aliás, como tinha criança ontem. Que benção!
Durante o sarau caiu uma puta chuva, enquanto chovia la fora, dentro, acontecia mis uma chuva de livros. Eu explico: O Euller do Umojá descolou uns livros novos (Mahado de Assis, Lima Barreto entre outros) da Editora Paulus, uns 150, e mais uns 100 livros infantis, e levou lá para a gente presentear para os nossos convidados. Uma enchente de livros, tem gente afogado nas palavras até agora. É difícil descrever uma noite assim, foi simplesmente mágica, a periferia da Zona Sul, nunca esteve tão bela.
Tem dias que realmente vale a pena estar vivo, ontem foi um desses dias, em que a gente sente orgulho em dizer que é a da raça humana. Em que a humildade deixa de ser uma palavra para virar um sentimento. Em que um irmão e uma irmã não precisam ter o mesmo sangue, para que possam se amar. Se abraçar.
Um noite como esta nos redime como ser humano, não apaga nossas atrocidades, mais ilumina nossas esperanças. Dignifica a nossa luta.
Numa noite em que no céu escuro não tinha estrelas, o sarau da Cooperifa iluminou o coração da periferia de São Paulo.
Queria ter dois corações. Um para amar. O outro Também.
Muito amor,
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Sérgio Vaz
Vira-lata da literatura
Camila
José Neto

Nina Fidélis MST

Se liga nas crianças

Ewaldt, Dill e Lucia Helena

Olha a barriguinha da Lila (vem mais um poeta por aí)

Fuzzil

Cooperifa é Família

Uma vez uma jornalista disse que o sarau só tinha gente mal-encarada

Fábio

Juju, Jairo, Lu, Rose, e Jair

Sacolinha

Nem a tempestade pode com a gente

A Massa

Felicidade

Rose Dórea


Ricarda

A Família Cooperifa não pára de crescer

Que sacada!

Beleza e inteligência: mulher Cooperiférica

Livro da Mariana de 6 anos

O Futuro da poesia

Ícaro

Maria José

Vista panorâmica

Preto Will

Ô LUGAR!

Bantho

Crônica (A Família)

Poesia maloquerista na área

Berimba

Juju, minha irmazinha

Chuva de livros

Rose

Lu Souza

Informação é poder

Traficando informação
Se liga no livro em boas mãos