Monday, June 29, 2009

PENSAMENTOS VADIOS

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ENQUANTO NETUNO DORMIA
OS MENINOS ESCONDERAM O MAR
COLOCARAM-NO EM VÁRIAS CONCHINHAS
E PRESENTEARAM AS MENINAS COM UM BELO COLAR.
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Sérgio Vaz
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CELEBRAÇÃO

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Aniversariantes Casulo, eu e a Lu Souza


Brau Mendonça

Alessandro Buzo e Marilda Borges


Doca
Zé Pompeu

Casulo e Rodrigo
Sônia, Marilda, Rose, De lourdes, Ligia e Léia

Beth e seu irmão

Família: Camila e Patrícia

Asduba

Família

Família


Rodrigo e Lu Souza

Tubarão no pandeiro, começou a chover

Amigos dão sorte

Rosee Fernandinho



OFICINA POÉTICA NO EJA

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Na sexta-feira fiz uma oficina de poesia com os alunos do EJA da Escola Therezinha Volpato ( 1ª a 4ª série) dentro do projeto "caminhos poéticos da educação" da Secretaria de Educação de Taboão da Serra. Fizemos um poema coletivo e um sarau no final.
Na foto acima vemos um pai que faz aulas com o filho no colo, nada mais poético. Poética mesmo foi a participação deles, interação total. Senti-me abraçado. Foi da hora.
Num certo momento, uma mulher de mais ou menos uns trinta anos, fez um poema, ou, uma frase, e perguntei:
- Foi você quem fez?
- Sim, fui eu.
- Bonito, por que você não termina?
-É que não sei escrever, faço assim curtinho pra ficar guardado na cabeça.
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Analfabetismo dói. Aí, te pergunto: que país é este?
Este é o país do "marimbondo de fogo" José Sarney.
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Abs.
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SV

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NÃO, VOCÊS NÃO PODEM

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Luís Fabiano (Brasil 3 x 2 USA)
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A COOPERIFA NÃO PARA

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HOJE TEM CINEMA NA LAJE
*Em caso de frio ou chuva o filme será exibido no bar
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Cinema na laje é um espaço criado pela COOPERIFA e que acontece quinzenalmente às segundas-feiras para exibições de documentários e filmes alternativos de todas as partes do Brasil e do mundo, exibidos gratuitamente para a comunidade. Também criado principalmente para dar luz ao cinema produzido pelos jovensda região, e levar cidadania através da sétima arte.O cinema Paradiso da periferia também conta com um lanterninha vestido a caráter para dar um charme especial no projeto.
A Entrada é franca. A Pipoca é grátis. E a lua sincera.


CINEMA NA LAJE
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Documentário "VERSIFICANDO"
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Dia 29 de junho (segunda-feira) 20HS
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Bar do Zé batidão

Rua bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana
Zona Sul - SP
Inf. 58917403
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Versificando
Sinopse:
Todas as grandes culturas orais do mundo desenvolveram formas de improvisação poética. No Brasil das muitas influências étnicas e culturais, isso só poderia ser fonte de uma diversidade sem paralelo.Uma criação da 13 Produções, Versificando busca captar as origens, as formas e os sentidos do verso improvisado na cultura musical brasileira, convidando a um passeio que percorre desde os gêneros mais antigos do improviso poético no país, como o repente, a embolada, o jongo e o cururu, até os mais recentemente estabelecidos, como, o samba de partido-alto e o hip-hop freestyle, viajando na São Paulo pluralista pelas diferentes vertentes da arte de se cantar de maneira improvisada.Em saborosas visitas aos principais artistas, estudiosos e conhecedores dos diferentes gêneros musicais do verso improvisado, Versificando é uma porta de entrada para o que há de mágico nessa (nem sempre) efêmera forma de expressão artística.
13 Produções
Direção: Pedro Caldas
Cor
52 minutos

Friday, June 26, 2009

CRÔNICA DE ANIVERSÁRIO

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AMIGOS DÃO SORTE - Sérgio vaz

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São só 16.380 dias, parece pouco, porém de onde venho chegar nesses números são muito importantes. Nada a ver com numerologia, mas com sobrevivência. Nasci contra a vontade dos astros no vale do Jequitinhonha, norte de Minas Gerais, o lugar mais pobre do mundo. Dois irmãos não tiveram a mesma sorte. Minha mãe era negra, meu pai continua branco.
De forma irônica, a parteira que ajudou minha mãe a dar a luz tinha um olho só, mas com espírito iluminado, disse que eu era um bitelão. Era um vinte seis de junho de mil novecentos e sessenta e quatro, inverno no sudeste, as vinte e uma horas e trinta minutos, do signo de câncer. Um dia como outro qualquer, tanto é, que às vezes, até eu esqueço.
Cresci sem bolo, sem vela de aniversário, sem pedidos, sem brinquedos e sem desmerecer ninguém, durante muito tempo o travesseiro foi meu melhor amigo. Ele era triste também. Aprendi a dizer a verdade com ele. Mentir é coisa minha.
Sem sono passei muitas noites tentando enganar carneirinhos. Contava de dois em dois. Dormir doía, assim como a vida.
Demorei pra gostar de viver e tinha uma tristeza que me visitava até mesmo nos dias de alegria. Por conta disso, aprendi a sorrir com economia. Quando dei por mim, por conta do desuso, alguns dentes me abandonaram. Deixava pra rir aos domingos.
Não tinha nem oito anos vi um homem morto caído nas garrafas dentro de um bar. Ele tinha um buraco na testa. Durante muito tempo achei que os fantasmas que me adotaram saíam dali. Daquele buraco. Não senti pena. Nem medo. Nem inveja.
Achei esquisito como a morte se apresentou pra mim, assim, dessa forma tão violenta.
Como naquela época morria muita gente assim, com buracos no corpo, acharam por bem fazer um cemitério onde meu time jogava bola. Se já não bastassem os meus fantasmas...
Quando o asfalto chegou tatuando as ladeiras, descia de carrinho de rolimã rindo como se fosse feliz, como se fosse outro. Não sei porque, mas o carinho do vento deixava a gente besta. Tinha um amigo que morava num barraco de madeira que ria também. Um vez, eu e ele, fizemos um carrinho com pedaços da sala da mãe dele.
Um dia, cansado de bolinha de gude e empinar pipa em dias sem vento, a maça do amor lambeu meu coração. Achei que estava doente. Tão desacostumado com a alegria, chorei de felicidade. Lágrimas doces. Não é coisa de poeta, eram doces mesmo. Meu travesseiro chorou também. Foi a primeira vez que me senti um bitelão. Não lembro mais do rosto dela. Ela tinha todos os dentes, mas era eu quem ria pelos dois. Como ria naquela época.
Nessa época comecei a trabalhar todos os dias: Sábados, domingos e feriados.
Anestesiado pelo amor não percebi a tristeza fazendo sombra no meu sol. Quando ele se foi, o amor, trabalhar me ensinou o valor da liberdade. Sem saber onde era Palmares fiquei ali por doze anos.
Então, passei a amar com mais frequência, para esquecer o trabalho Por solidariedade alguns amigos iam brincar comigo no trabalho. Na senzala, Nelson Mandela começou a fazer sentido pra mim. Zumbi também.
Ainda por cima servi o exército, então não era uma, mas sim, duas senzalas. Um escravo para duas senzalas. Meu irmão fugiu. A escrava Isaura levava uma vida bem melhor que a minha. Ainda por cima ela não tinha que estudar. Era branca. E novela, por mais longa que seja, tem hora pra acabar. Pra mim todo bar tem um pouco de navio negreiro.
Lia os livros como quem foge das galés. Cada remada, um livro. Cada livro um continente. Gabriel Garcia Márquez me ensinou a não ter medo de oceanos. Neruda, a amar e despedir. Clarice, atalhos para o coração. Quintana, a ser moleque. Gullar, a sujar o poema.
Lendo Victor Hugo descobri que já não era escravo de ninguém. De nada. Só de mim mesmo.
Cansado da banda de Chico, "fim de semana no Parque Santo Antônio" dos Racionais me pegou à toa na vida. Analfabeto, escrevi alguns poemas que viraram livros. No lançamento fiz frango frito com salada de maionese. Isso já faz vinte anos. Ou, sete mil duzentos e oitenta dias.
Numa fábrica sobre ruínas ajudei a construir um sonho que tinha, sem saber que tinha, em seguida, o sarau, que ensinou outras pessoas a gostarem de poesia na periferia. O GOG estava nesse dia que a gente botou fogo no pavio. Ele viu.
Tem gente que voltou a estudar só para aprender a escrever poemas. Foi no sarau que conheci o seu Lourival, Dinho Love e Dona Edite. E mais um bando de gente sem noção da realidade. Gente que sonha enquanto faz. Um povo lindo e inteligente.
Voltei a sorrir no lugar que me fazia chorar. Outro dia soltamos mais de quinhentas bixigas no ar, todas com poesia. Aprendi a joelhar e pedir perdão.
Tem dias que o sarau tem mais de duzentas pessoas ouvindo e falando poesia. Outras pessoas também escreveram livros na quebrada. Tem gente que não gosta de mim por causa disso. Outras já gostam. Vai entender. Engraçado, de tanto sofrer acabei fazendo outras pessoas felizes.
Uma vez uma estava sorrindo distraidamente e uma pessoa me perguntou por que, naquele tempo não sabia, agora eu sei. O amor de deu uma mulher e uma filha. Família me deixa feliz.
A felicidade tem dívidas comigo, por isso não faz mais do que a obrigação me manter alegre e satisfeito. Mesmo feliz estou sempre revoltado.
Michael Jackson Acaba de morrer. Gostava mais dele quando era preto. Lá pelos anos setenta, quando eu era triste também. Sabia dançar, agora... Perdi alguns amigos que não sabiam que gostava deles. Devia dito quando vivo. Não acredito em vida após a morte. Gosto de risco de desaparecer.
Está a maior garoa lá fora. Faz frio também. Dias de frio são bons para remoer lembranças. Meu aniversário cai sempre na época de frio. Por isso careço de abraços. E de fogueiras.
Não sei quem me disse que estou ficando velho, desconfio que seja o contrário. Apesar dos cabelos que começam a embranquecer estou aprendendo a ser jovem, mas quando corro não da pra disfarçar que passei dos quarenta.
Sabia que de vez em quando eu fico rindo sem saber por quê. Deve ser riso represado. Rir é da hora. Agora que acostumei ando esperto. O destino não é confiável. Gosto de rir com amigos. Falando em amigos. Tenho alguns. Amigos são pessoas que a gente escolhe pra sorrir com a gente. Pode até chorar, mas tem que rir também.
Descobri com o tempo que amigos dão sorte.
Queria agradecê-los. São 16380 dias. Sozinho ia ser foda.
Sintam-se abraçados.

A POESIA NÃO PARA

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HOJE TEM POESIA NO EJA
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CAMINHOS POÉTICO DA EDUCAÇÃO
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Dia 26 de junho sexta-feira 19hs30
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Oficina literária com o poeta Sérgio Vaz
EJA(Escola de jovens e Adultos)
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Caminhos poéticos da Educação é um projeto da Secretaria de Educação de Taboão da Serra que tem como objetivo promover o acesso à cultura através da literatura, cinema, teatro, dança e música à comunidade presente, com ciclos de debates no espaço escolar.
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EMEF Therezinha Volpato Baro
Rua Manoel Leite da Cunha, 70 Parque São Joaquim
Taboão da Serra - SP
F. 41385175
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SARAU RAP

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Povo lindo, povo inteligente, a poesia não me da descanso, e tampouco estou cansado, por isso, é pau no gato sem massagem. Ontem rolou mais um sarau rap, evento que faço na Ação Educativa e que me enche de orgulho e esperança na poesia que vem sendo propagada na periferia.
Estamos ali já há dois anos, e é visível a olho nu a nossa evolução, estamos melhorando mais a cada dia. Sem contar o clima de família que a gente conseguiu. Cara feia só pro sistema.
No final recebi uma pequena homenagem dos amigos, fiquei feliz com a família do rap, de estar aprendendo sempre, e de ter este privilégio deste momento fértil de poesia. De amizade.Desse tempo em que a palavra é repartida entre os que se respeitam, e que atiram pedras na mesma direção em que a gente também atira. É nóis!
Obrigado.
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Sérgio Vaz
Família sarau Rap
Obrigado

Gaspar Záfrica Brasil

O livro, sempre ele



Rodrigo Círiaco


Gegê

Rocha

Katiara

Prof. Ewerton

Du Bod

Claudio Laureart e Katiara





Márcio Batista

Thursday, June 25, 2009

SARAU DA COOPERIFA...

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...SIMPLESMENTE MARAVILHOSO!
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Povo lindo, povo inteligente o sarau da Cooperifa de ontem foi simplesmente maravilhoso, catártico e possivelmente a noite mais maravilhosa do ano. Bom, pelo menos na minha opinião. Tinha umas trezentas pessoas, ou mais, sei lá, só sei que estava lotado, dentro e fora, gente querendo entrar às 22hs30 quando o sarau já está perto do fim. E a gente ainda estava esperando um grupo de 30 pessoas do Itapoesia de Itapecerica da Serra, que não sei porque não vei, já pensou...
gente de tudo quanto é lado, de todas as cores, dores e lugar, tudo no mesmo espaço, convivendo como todo dia deveria ser, com respeito e harmonia. Estamos aprendendo e ensinando ao mesmo tempo.
Só de poetas tinha mais de cinquenta, cada qual com seu jeito, com a sua força, seu estilo. E ontem rolou um puta respeito, pois todo mundo conseguiu falar até às 23hs que é o horário que está combinado com a comunidade para acabar. Muita gente não sabe, e acha que é chatice, mais tem dia que algumas pessoas ficam sem falar, aí...
Ontem a palavra foi comungada com elegãncia e a periferia do extremo sul de São paulo teve uma noite repleta de magia, que só a literatura é capaz de proprorcionar. Agora sei porque alguns intelectuais não querem saber de gente pobre se metendo com a literatura. É porque o bagulho é mó da hora. Poesia é do caralho. Poesia deixa a gente mais feliz. literatura deixa a gente mais esperto. Literatura deixa a gente mais humilde, porém com a raiva necessária para suportar as dores do dia a dia.

Eu que não vou pedir autorização pra ninguém para poder escrever poemas e fazer sarau na periferia.
Aliás, quem é que da autorização para as pessoas da periferia escreverem, a academia? A USP? A Academia Brasileira de Letras?
Ninguém. A gente escreve quando quiser. Na hora quiser. Quem não gostar que não leia. Ou então que apareça numa noite dessas no sarau da Cooperifa ou em um dos mais de 40 saraus que estão acontecendo na periferia de sampa e diga:" tá proibido a periferia escrever."
No sarau da Cooperifa a gente usa e abusa de literatura, numa noite como a de ontem, a gente tem quase a certeza que um dia a literatura vai ser democrática, e que ninguém mais vai se incomodar de ouvir palavra bonita na boca de gente "feia".
Quem quiser que espere esse dia chegar, pois na Cooperifa esse dia chegou há quase oito anos. Fodeu. Agora já era. Desculpaí.
Noites mágicas como essa estão se epalhando pelas quebradas, que apesar de tudo e de todos, esse povo lindo e inteligente, ainda arranjam tempo pra comungar a poesia.
É festa de favela, mas todos são bem vindos. Todos. Não reproduzimos preconceitos.
Abs.
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Sérgio Vaz
Vira-lata da literatura